“TCU é um dos exemplos mais claros de como o caos pode produzir a ordem”, diz Delfim Netto

Mayara Baggio, Agência Indusnet Fiesp

Para debater questões de produtividade no Brasil e fortalecer uma agenda de Estado consistente, o Comitê de Desburocratização da Fiesp realizou na manhã desta terça-feira (18 de setembro) um encontro com especialistas para analisar como a burocracia atrapalha a eficiência da indústria nacional.

Na avaliação do presidente do Conselho Superior de Economia da Fiesp, Delfim Netto, “o Tribunal de Contas da União [TCU] é um dos exemplos mais claros de como o caos pode produzir a ordem”. Para ele, a instituição figura como uma das entidades mais perfeitas do Estado brasileiro, treinada por pessoas competentes e que estão encontrando uma nova utilidade, que é criar produtividade no Brasil, característica que o país deixou de ter.

“Durante 40 anos nós [Brasil] crescemos mais que o mundo. Nos últimos 40 anos nós estamos crescendo menos que o mundo, aconteceu qualquer coisa em desarranjo fundamental que é expresso na produtividade do país”, afirmou. Na visão de Delfim, apesar do cenário econômico atual, “o Brasil não deve ser visto como um fracasso, somos 210 milhões de habitantes, somos a oitava economia do mundo, um país pobre e desigual, mas temos tudo para voltar a crescer”, defendeu. Para além das cifras econômicas, ele completou: “crescimento é um estado de espírito, só cresce quem sabe por que quer crescer, crescimento não é uma coisa simples. Crescimento é uma disputa, uma corrida na qual morre quem fica parado e quem corre é atropelado”.

A análise de Delfim foi compartilhada pelo diretor da Faculdade de Economia e Administração da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Antonio Corrêa, sobre considerar o Brasil um país de sucesso. “Poucos países conseguiram essa transformação brilhante, de sair de uma economia primária exportadora para uma economia industrial”, disse.

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Burocracia figura como um dos principais entraves para a eficiência industrial no Brasil. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Já o pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV) do Rio de Janeiro, Fernando Augusto Veloso, lembrou como a temática da baixa produtividade do país foi camuflada por causa do chamado bônus demográfico, em que a população em idade para trabalhar estava crescendo acima do nível geral da população, permitindo incorporação de mão de obra que fez com que o padrão de vida das pessoas pudesse crescer acima do que a produtividade permitia. Rendas e salários, principalmente nos anos 2000, cresceram muito acima da produtividade. Do Observatório das Empresas Estatais da FGV de São Paulo, o diretor Márcio Holland de Brito exemplificou o problema da produtividade com o aumento do número de servidores públicos nos últimos anos, que não refletiu uma melhora dos serviços prestados. “É falta de controle e cobrança de uma administração eficiente”, completou.

Sobre a experiência do TCU, o coordenador do projeto de Eficiência e Produtividade Fernando Camargo reforçou a ideia de que o Brasil passa pela armadilha do baixo crescimento, da renda média. “O dinheiro acabou, estamos em uma crise fiscal e com uma dívida pública de 75% do PIB [Produto Interno Bruto]. O TCU pode ajudar como órgão de Estado e não de governo. Sem preocupações com agendas políticas”, afirmou. O secretário de Controle Externo do Desenvolvimento  Econômico do TCU, Fernando Antonio Magalhães, garantiu que a ideia da instituição é contribuir para uma agenda contínua de melhora no ambiente de negócios brasileiro. Durante o encontro, o ministro do TCU Vital do Rêgo Filho chamou o trabalho de uma jornada de desburocratização. 

O secretário de Controle Externo de Santa Catarina e coordenador da fiscalização das disfunções burocráticas que afetam a indústria do TCU, Waldemir Paschoiotto, apresentou um levantamento sobre produtividade e detalhou que 21% da riqueza do país sai da indústria, assim como 32% da arrecadação federal e quase 10 milhões de empregados. “TCU é mais conhecido pela auditoria, mas atuamos com mais que instrumentos de fiscalização, como pesquisas e diagnósticos”, garantiu.

Finalmente, o gerente de Departamento de Economia, Competitividade e Tecnologia da Fiesp, Renato Corona, falou da burocracia como grande gargalo para a produtividade da indústria brasileira. “Em um ranking de 43 países, o Brasil aparece como primeiro em burocracia tributária, o que implica em um custo maior, uma das economias que mais gastam com Justiça e desperdiçam com corrupção”, lamentou.

PIB e produtividade desaceleraram após abertura comercial brasileira, aponta Fiesp

Agência Indusnet Fiesp

Estudo realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) mostra que não é possível estabelecer uma relação automática entre abertura comercial e crescimento econômico. Engajada na retomada da economia brasileira, a Fiesp alerta que é preciso melhorar as condições de produção para a indústria nacional, de olho em uma agregação de valor às cadeias produtivas locais, antes de focar esforços apenas em uma abertura comercial.

Na avaliação do presidente em exercício da Fiesp, José Ricardo Roriz, é preciso que a pauta exportadora seja mais diversa no Brasil, com bens manufaturados, como mostra a experiência internacional. “O adverso e elevado Custo Brasil e a equivocada política cambial elevam os custos de produção, encarecendo a produção nacional e reduzindo a capacidade de inovação da indústria”, afirma.

De acordo com ele, a pauta de exportação brasileira tem baixa complexidade e é concentrada em produtos de baixo valor agregado, enquanto as importações feitas pelo país miram produtos de maior valor agregado e alta intensidade tecnológica; 60,3% da pauta concentra bens de média-alta (44,6%) e alta tecnologia (15,7%). Em 2001, o Brasil ocupava o 38º lugar no ranking mundial de complexidade econômica. Em 2015, ficou com a 51ª posição, confirmando a menor estrutura produtiva do país.

O saldo anual de comércio exterior para bens manufaturados brasileiros está negativo desde 2007. De 2001 a 2015, o déficit médio de importações contra as exportações corresponde a 1,8% do PIB. “No Brasil, o excesso de custos é maior do que a proteção, em forma de barreiras tarifárias e não tarifárias”, diz Roriz.

De acordo com o levantamento, tanto o Produto Interno Bruto (PIB) per capita quanto a produtividade em relação à força de trabalho recuaram no país desde o processo de abertura comercial em 1991. A análise feita em julho foi a primeira de uma série de estudos da entidade sobre a liberalização comercial no Brasil. Para a Fiesp, a baixa competitividade de um país limita o crescimento do PIB, favorece o crescimento das importações e limita e crescimento das exportações.

A Fiesp aponta que a produtividade do trabalho (PIB/população ocupada) cresceu em média 1,1% ao ano de 1971 a 1991, aumentando para 1,4% de crescimento médio anual de 1992 a 2011. No entanto, a produtividade do trabalho (PIB/força de trabalho) na mesma comparação de períodos passou de crescimento médio anual de 2,1% para 1,5%. E o PIB per capita (PIB/população total) teve seu crescimento médio anual reduzido de 2,4% para 1,9%, na mesma base de comparação.

Além disso, a taxa de crescimento brasileira desacelerou ante outros países em desenvolvimento nos mesmos anos. De 1992 a 2011 o crescimento do PIB do Brasil recuou 1,3 ponto percentual em relação ao período 1972 a 1991, enquanto outras economias emergentes avançaram 1,2 ponto percentual.

Conselho Superior de Estudos Avançados da Fiesp reforça necessidade de política industrial

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Dentro da série Repensando o Brasil, o Conselho Superior de Estudos Avançados da Fiesp (Consea) teve como tema de reunião nesta segunda-feira (19 de março) “Redesenhando políticas industriais para crescimento da produtividade e dos empregos sustentáveis”. A apresentação ficou a cargo de José Ricardo Roriz Coelho, 2º vice-presidente da Fiesp e diretor titular de seu Departamento de Economia, Competitividade e Tecnologia.

Ao abrir a reunião, o presidente do Consea, Ruy Altenfelder, destacou que se mira o futuro ao discutir o tema. Compuseram também a mesa o desembargador Fabio Prieto de Souza e a professora Ivete Senise Ferreira, vice-presidente do Consea.

Estudos do Banco Mundial sobre o Brasil quase não mencionam a indústria e o agronegócio, destacou Roriz ao iniciar sua apresentação. É como se lidar com a microeconomia e melhorar o ambiente de negócios fosse suficiente. Responsável por 60% do PIB brasileiro, o setor privado precisa se modernizar, mas o governo está muito mais defasado, com atraso de 30 ou 40 anos em termos de gestão. Há formas de melhorá-la, gastando melhor os recursos e investindo em tecnologia. Também a infraestrutura precisa ser modernizada, facilitando a produção.

A indústria é responsável por 70% do investimento em pesquisa e desenvolvimento, mas sua fatia no PIB encolheu para 11%. Não há como aumentar a produtividade nesse cenário, afirmou Roriz. O crescimento econômico do Brasil tem sido muito baixo, inferior ao dos países emergentes, independentemente de haver ou não política industrial.

Roriz relembrou a posição da Fiesp desde o primeiro momento a favor do ajuste fiscal. Para recuperar o desenvolvimento sustentado, a entidade propõe e apoia as reformas estruturais. Isso inclui a reforma da Previdência, a tributária, a modernização administrativa do Estado. As reformas devem corrigir as principais distorções da economia brasileira. O Brasil é campeão de burocracia tributária e de spread bancário, tem a segunda mais alta taxa real de juros, é o quinto em volatilidade cambial e o sexto em sobrevalorização cambial.

É muito caro produzir no Brasil. O chamado custo Brasil, de 26%, se soma a mais de 10% de supervalorização cambial. Isso torna o produto brasileiro em média 30,4% mais caro que o produto importado dos principais países parceiros comerciais. Usando dados da OCDE, Roriz explicou que o coeficiente de penetração de importação de bens e serviços é semelhante ao de outros países. O Brasil não é um país fechado, afirmou.

O ambiente brasileiro torna pouco atraente o nível de rentabilidade do investimento industrial. O efeito é que caiu pela metade a participação da indústria brasileira na indústria mundial.

Citando a Unctad, da ONU, Roriz destacou que a expansão da manufatura gera emprego, renda e demanda e acelera o aumento da produtividade, o que acelera o crescimento.

Roriz explicou que há dois fatores em comum nos países que dobraram sua renda per capita: elevada taxa de investimento e significativa participação da indústria de transformação na economia. E os dados mais recentes mostram que a indústria continua a ser importante para o crescimento econômico. O Brasil, em 39 anos, não conseguiu dobrar seu PIB, com investimento de 20,5% do PIB e indústria representando 15%. No Japão, que dobrou o PIB em 13 anos, a indústria representava 27% do PIB.

Há várias características do setor industrial que o tornam mais importante, como a maior massa de salários e a maior produtividade.

Ambiente sistêmico é necessário para o setor, mas não suficiente, e por isso os países adotam políticas industriais. Em maior ou menor grau, os principais países industrializados adotaram ou continuam adotando tarifas, incentivos fiscais, subsídios, financiamento a custo competitivo, conteúdo local e compras governamentais. Segundo a OCDE, o interesse em políticas voltadas à indústria de transformação cresceu na última década.

Precisando criar empregos, a China comprou no último ano o dobro de robôs que o Japão e a Coreia do Sul, países que mais os usam. Atividades repetitivas são substituídas, liberando trabalhadores para atividades de maior valor agregado.

Vamos ter que modernizar nossa indústria, ser muito mais competitivos, afirmou Roriz, devido à Indústria 4.0. O Brasil está ficando para trás.

Tanto EUA quanto União Europeia incentivam a indústria, com subsídios e subvenções a P&D e inovação, conteúdo local e margem de preferência nas compras públicas e outras políticas. Roriz citou também ações da China, Índia e Arábia Saudita.

No Brasil, as políticas industriais recentes foram tentativas de minimizar os efeitos do Custo Brasil e sobrevalorização cambial. Não tiveram visão de longo prazo, diferentemente do que ocorreu em relação ao agronegócio. Suas metas não eram realistas e havia poucas contrapartidas. Roriz ressaltou que política industrial não se presta a corrigir deficiências do ambiente sistêmico.

Roriz mostrou características da política para o agronegócio, de longo prazo. Definido em lei, há planejamento anual, por meio do Plano Safra. Há R$ 141,9 bilhões em crédito direcionado para o agronegócio, contra R$ 28,6 bilhões para a indústria.

Desafios

É preciso, disse Roriz, reduzir a distância em relação a países que desde 2011 investem na quarta revolução industrial e reverter a tendência de redução dos investimentos no Brasil – em 2017 ficou em 15,6% do PIB, o valor mais baixo em 20 anos.

É preciso fazer isso agora, porque ainda são difusas as lideranças mundiais, e os modelos fabris mais completos de indústria 4.0 são esperados para 2025.

O Brasil tem que qualificar sua mão de obra, que precisa de novas competências e ser flexível no aprendizado. Tem que investir em infraestrutura física e tecnológica. Engajar as empresas no investimento em modernização de suas fábricas, para fomentar o ciclo virtuoso de geração de empregos, investimentos e inovação.

O Brasil está na contramão do caminho da Indústria 4.0, incentivada nos EUA desde 2011, na União Europeia desde 2012, na Alemanha, 2013, na China e no Japão desde 2015.

EUA, União Europeia e Ásia aplicam políticas para fortalecer sua indústria. Buscam, em contexto de crise econômica, aproveitar os efeitos positivos que a atividade manufatureira tem, entre eles a geração de empregos de qualidade e elevados efeitos de encadeamento com outras atividades. Para resumir, a reindustrialização é uma estratégia de retomada do crescimento e do desenvolvimento econômico. Deixou uma questão: se os países com economia avançada defendem e fomentam o desenvolvimento da manufatura de forma ativa, inclusive por meio de política industrial, o que estamos esperando?

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Política industrial foi tema da reunião do Conselho Superior de Estudos Avançados da Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Roriz listou as recomendações comuns de OCDE e Unctad para a política industrial, entre elas estar inserida num pacote de políticas integradas e interconectadas, incluindo entre outras políticas macroeconômicas e de comércio. As taxas de juros precisam estar em nível que estimule o investimento público, e a taxa de câmbio precisa ser relativamente estável e não sobrevalorizada.

Em sua elaboração deve haver visão de longo prazo, ser adaptável, ter metas e contrapartidas, contar com avaliação periódica de resultados. E deve haver marco regulatório adequado à segurança jurídica dos diversos agentes do sistema.

Tem que haver dinamização de P&D e inovação, viabilizando a formação de capital humano qualificado. É necessário incentivar a absorção das novas tecnologias na estrutura produtiva e usar incentivos e o poder de compra do Estado, fomentando o desenvolvimento e a difusão das tecnologias-chave. “Não adianta”, disse Roriz, “falar que é preciso aumentar a produtividade se isso não for feito”.

O presidente do Consea, Ruy Altenfelder, destacou, citando a fala de Roriz, o grave problema da insegurança jurídica. A invasão das atribuições dos Poderes fere a Constituição e gera grande insegurança jurídica.

Há insegurança judiciária no Brasil, afirmou Fabio Prieto de Souza. Ivete Senise Ferreira disse que o mais importante em qualquer problema brasileiro é a educação. “Temos que olhar, sim, para a educação”, disse Roriz, “e temos que fazer com que chegue para mais pessoas. Tem que ser mais barata.”


Para todos ganharem com a reforma trabalhista, empresas precisam pensar na produtividade, diz José Pastore

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O professor da FEA-USP José Pastore fez nesta terça-feira (6 de junho) durante reunião do Conselho Superior de Relações do Trabalho (Cort) apresentação intitulada Desafios da reforma trabalhista. A condução da reunião foi feita por Roberto Della Manna, presidente do Cort.

Na análise de Pastore, a produtividade é absolutamente urgente e essencial para a promoção do crescimento da economia brasileira, e a negociação, possibilitada pela reforma trabalhista em discussão, é “quase tudo” para isso.

Muitos são os impactos da reforma trabalhista, disse Pastore. Espera-se uma diminuição das ações individuais e daí a redução do custo Brasil.

Em sua avaliação, com a legalização de novas formas de contratação muitos trabalhadores informais serão incorporados ao mercado formal e protegido.

Na produtividade, o impacto não é visível. Cronicamente muito baixa, com exceções como o agronegócio, impede a competitividade da empresa. Sem alavancá-la não há como assegurar o desenvolvimento. Pastore ressaltou que há fatores não ligados ao trabalho a afetar a produtividade, mas a qualificação dos trabalhadores, a administração das empresas e a regulação têm ligação direta com o trabalho.

A reforma amplia a área de negociação, tanto no campo individual quanto coletivo. Hoje muito pouco pode ser negociado, lembrou. “Predomina uma rigidez muito grande das relações do trabalho.”

O Brasil optou por altos encargos e baixos salários, destacou, ao contrário dos países avançados. Quando os encargos oneram muito a folha, sobra pouco espaço para a negociação entre empresas e trabalhadores. Quando os encargos são baixos, há mais espaço para troca de remuneração por produtividade.

Na avaliação de Pastore, a reforma trabalhista não toca na estrutura dos encargos sociais, mas abre espaço para trocas em vários outros campos, como a jornada de trabalho e o intervalo entre as jornadas. Para as empresas, as negociações valerão a pena se conseguirem fazer trocas compensadoras para a produtividade. O esforço, explicou, será grande para as áreas de recursos humanos e jurídica. A reforma está na direção correta, mas os profissionais de RH terão que estar afiados em relação às necessidades de produtividade da empresa e ser criativos.

Há um desafio grande para as empresas, entre as quais muitas não estão acostumadas a pensar na produtividade em itens como a participação nos lucros e resultados (PLR), muitas vezes visto como um 14º salário.

E os sindicatos de trabalhadores serão criativos, disse Pastores. Ficará para o lado da empresa fazer essas trocas. “A reforma trabalhista favorece as trocas para os dois lados.” Se forem feitas apenas concessões, sem troca, haverá aumento de custo sem aumento de competitividade, o que tornará sem efeito a reforma.

É dentro da empresa que se faz a sintonia fina da produtividade, após a negociação por acordo coletivo ou convenção coletiva.

A representação obrigatória dos funcionários nas empresas com mais de 200 empregados torna dramático o trabalho do RH. Terá que acompanhar a escolha dos representantes e criar neles a cultura da produtividade.

Será necessário esforço diário e contínuo para estabelecer e manter boas relações com os representantes. A interface estreita abre a oportunidade, por exemplo, de testar ações que ajudem na produtividade antes de leva-las a negociação, disse Pastore.

Ao abrir o leque de negociação para 15 direitos, fica aberta a possibilidade dos sindicatos laborais apresentarem propostas, e há o risco de impasse. A reforma deve reduzir as ações individuais, mas pode ser que haja aumento das ações coletivas, afirmou o professor.

Todos os cenários (bom entendimento, falta de entendimento, impasse, greve) precisam ser estudados pelas empresas. Será preciso ter boa capacidade de convencimento, para chegar ao jogo do ganha-ganha, segundo Pastore, mas poucas empresas estão habituadas a procurar a produtividade ao fazer as trocas com seus funcionários. Buscá-la, ressaltou, é tarefa do dia a dia, não da data-base.

A reforma trabalhista busca emancipar as empresas do controle do Estado, explicou Pastore. Convida a isso.

Os sindicatos patronais precisarão conhecer cada empresa, para obter ganhos de produtividade.

É de enorme importância o papel das entidades empresariais na preparação dos profissionais –inclusive da área jurídica- para essas novas missões. RH, relações do trabalho e jurídico são os departamentos que precisarão ter formação de funcionários das empresas.

Pastore acredita que a evolução da negociação será lenta. O efeito mais rápido da reforma trabalhista poderá ocorrer nas ações individuais, que tendem a cair.

Em reunião do Cort sobre impactos da reforma trabalhista, José Pastore fez a palestra principal. Foto: Helcio Nagamine/FIesp

Em reunião do Cort sobre impactos da reforma trabalhista, José Pastore fez a palestra principal. Foto: Helcio Nagamine/FIesp


Solon de Almeida Cunha abriu sua apresentação dizendo que a reforma trabalhista vem para a próxima geração. Para ela, o impacto vai ser enorme. A tecnologia, destacou, está evoluindo muito rapidamente.

A primeira coisa a fazer, no caso de federações e sindicatos, para se preparar para a reforma é ouvir as pessoas mais jovens, disse. Os sindicatos laborais saíram na frente e já pensam em itens para a negociação, como jornada mínima, número máximo de terceirizados, piso por hora.

A Justiça do Trabalho hoje tem tamanho e gasto desproporcional a seus resultados. “Não está funcionando.” Mediação, conciliação e arbitragem podem desafogar a Justiça do Trabalho, mas ela é contra isso.

Ou encontramos um mecanismo de negociar produtividade ou vamos ficar na mesma, disse, concordando com Pastore em relação à necessidade de mudar a cultura das negociações envolvendo por exemplo a PLR.

As empresas precisarão criar ferramentas e meios para as negociações.

Nelson Mannrich vê ambiguidade na reforma, com a manutenção das cláusulas 9 e 468 e as definições de empregado e empregador. E os julgamentos não se baseiam na lei, mas sim nos princípios.

Outro ponto é a revolução tecnológica, que leva a empresas até sem funcionários.

A reforma dá liberdade ao trabalhador, dando-lhe a dignidade de poder expressar sua vontade, o que a Justiça do Trabalho não admite.

Mannrich não crê na redução do número de conflitos depois da aprovação da reforma. “Não temos condições de imaginar uma Justiça do Trabalho pequena.”

Ele se disse convencido de que a implantação de uma verdadeira representação dos trabalhadores nas empresas evitaria o nascimento de conflitos.

Almir Pazzianotto disse que a reforma é como a discussão sobre decoração de uma casa de ruínas. A questão é muito mais complexa, disse.

A reforma não toca em pontos como a legislação trabalhista, incluindo o direito de greve, a Justiça do Trabalho, com seu poder político, que não pode ser subestimado, o MPT, os fiscais do Ministério do Trabalho com enorme autonomia. Esse pano de fundo precisa ser examinado, defendeu.

Na opinião de Pazzianotto, seria necessária uma revolução nas relações do trabalho, para o Brasil poder enfrentar os gigantes da economia.

O primeiro erro de base do projeto é a regulamentação da comissão de representantes. Cada empresa é diferente, disse. Não faz sentido definir na lei a forma de representação. “É matéria típica de negociação.”

O segundo grande erro foi dizer o que pode e o que não pode ser negociado, tentar estabelecer um “limite geográfico”. Isso, explicou, fere a Convenção 154 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que, ratificada pelo Brasil, estabelece que é livre a negociação pelas partes.

Theunis Marinho, novo conselheiro do Cort e integrante da mesa da reunião, disse que aprendeu aos sábados e domingos todas as empresas no mundo todo são iguais. O que muda na segunda-feira são as pessoas. Estamos num caminho errado, por não fazer lição de casa, de apelar ao arremedo.  A reforma trabalhista, disse, representa algum avanço, mas é preciso ter a ambição de ir além.

Em sua opinião, ela ainda nos deixa atrás dos grandes países capazes de competir no mundo. O profissional de RH vai virar moda novamente. A área trabalhista acabou virando algo terceirizado para defender a empresa na Justiça do Trabalho, e isso precisa mudar.

Nildo Masini reforçou argumento de Pastore de que a negociação individualizada, por empresa, deveria prevalecer.

MDIC anuncia na Fiesp extensão do programa Brasil Mais Produtivo para indústria da saúde

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Ao abrir nesta sexta-feira (11/11) o seminário de lançamento do Programa Brasil Mais Produtivo, o presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, afirmou que é bom sinal o interesse das pessoas pelo programa, evidenciado pela plateia lotada. “Há expectativa de recuperação do Brasil”, disse. “O que precisamos agora é dar competitividade”, afirmou Skaf, por meio de juros mais baixos, crédito, agilidade, menos burocracia. Ele ressaltou também a importância de valorizar mais as micro, pequenas e médias indústrias.

Skaf lembrou que um dos maiores patrimônios do Brasil é a indústria, que cria os melhores empregos e paga um terço de todos os impostos no país. “”Não é possível mais aumento de impostos”, disse, destacando que o governo se sensibilizou quanto a isso.

Skaf citou os vários pontos abordados pelo programa, essenciais para o aumento da competitividade. Explicou que o Brasil Mais Produtivo já está em andamento, com 79 empresas tendo passado pela consultoria e já aplicando as ações recomendadas. ‘Vamos pegar esta corda e puxar o máximo possível”, afirmou, lembrando que essas empresas são o início.

Skaf destacou a importância de se preparar para o fim da crise. “Temos que administrar o dia a dia, mas temos que ter o olhar para o futuro também”, afirmou, “para não perder o bonde mais uma vez quando passar o atual período de dificuldade”. Exemplo desse olhar para a frente está nas “ferramentas tecnológicas, criativas da Fiesp”, o Hackathon (maratona de desenvolvimento de aplicativos) e o Concurso Acelera Startup.

Marcos Pereira, ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, anunciou no evento – devido, explicou, à importância da Fiesp para o Estado e para o país – uma extensão do programa de manufatura enxuta para um quinto segmento, o de equipamentos médicos e odontológicos. Serão 300 empresas a mais, com R$ 4 milhões vindos do Ministério da Saúde. Haverá também um programa de aumento da eficiência energética, com piloto de 6 setores com 8 empresas cada, com R$ 1 milhão em recursos. Outro programa a ser lançado é o de manufatura avançada, com R$ 1,5 milhão do Senai para atender 8 a 10 empresas no projeto piloto.

>> Ouça boletim sobre o 13º

Pereira explicou que o Brasil Mais Produtivo foi lançado nacionalmente em abril, e agora há uma rodada de apresentação nos Estados. Abrange empresas de 11 a 200 funcionários e visa a atender 3.000 companhias nesta primeira fase, com R$ 50 milhões. São quatro cadeias produtivas, com empresas preferencialmente em Arranjos Produtivos Locais (APLs). Para São Paulo são 340 vagas, em áreas escolhidas em consenso com a indústria. A consultoria dura 120 horas.

A expectativa, segundo o ministro, era aumentar a produtividade em no mínimo 20%. Chegou em média a 56%, com casos de 80%, disse Pereira. Lean manufacturing (manufatura enxuta) é a base, com a busca de eliminação de desperdícios.

Estamos empenhados em avançar, disse, citando a fala de Skaf. Somos maiores que esta crise, afirmou, destacando o espírito lutador e empreendedor do brasileiro. “Precisamos rediscutir o Brasil. Onde estamos e onde queremos chegar.” Um dos pontos destacados por Pereira como precisando de mudança é a área tributária, que impõe pesadas obrigações para as empresas.

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Marcos Pereira anunciou na Fiesp extensão do programa Brasil Mais Produtivo. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


O programa

O Brasil Mais Produtivo tem como objetivos aumentar a produtividade das empresas brasileiras e fortalecer o desenvolvimento regional do país. O programa prevê a utilização de técnicas de manufatura enxuta com a eliminação de desperdícios e melhoria contínua. As intervenções são rápidas, de baixo custo, com ganhos expressivos de produtividade.

“Para nós da Fiesp, que rotineiramente buscamos melhorar as condições do investimento industrial, é muito valioso saber que, apesar das adversidades, o interesse e o investimento em produtividade continuam prioritários. Isto reforça que estamos no caminho certo e aumenta a expectativa com relação ao sucesso do Programa Brasil Mais Produtivo, explica o diretor do Decomtec, José Ricardo Roriz Coelho”

As bases do sistema são: trabalho em equipe, rapidez, eliminação de desperdícios e melhoria contínua. Em linhas gerais, a consultoria pretende eliminar produtos defeituosos, excesso de produção, estoques, movimentos desnecessários, transportes, esperas e processos desnecessários.

O programa Brasil Mais Produtivo é uma realização do Senai, do MDIC, da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), com a parceria do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). No Estado de São Paulo, o programa é operado pelo Senai-SP.

“Nosso anseio por resultados positivos é elevado”, declarou Roriz, “pois acreditamos que a produtividade é fator determinante para a permanência das empresas no contexto da Quarta Revolução Industrial. E o fato de ser um programa de capacitação de empresas em escala, aumenta ainda mais as chances de o Brasil conseguir participar das oportunidades trazidas pela Indústria 4.0.”

Para mensurar a efetividade dos resultados, os indicadores de produtividade serão medidos no início e no final do programa e todo atendimento será executado em 120 horas, divididos nas seguintes etapas: fase de preparação (24 horas), fase de intervenção (60 horas), fase de monitoramento (20 horas) e fase de encerramento (16 horas) distribuídos em três meses de consultoria.

Casos de sucesso

Osvaldo Maia, gerente de inovação e de tecnologia do Senai-SP, fez apresentação antes de três empresas mostrarem os ganhos obtidos graças ao programa. Maia destacou que a ampliação do programa, anunciada pelo ministro Marcos Pereira, tem o apoio do Senai-SP, que tem todo o interesse nisso. A qualidade das ferramentas aplicadas pelos consultores é alta, e tiveram aprimoramento que permitiu grande aceitação pelas empresas, destacou. A ideia é tornar isso um produto de prateleira, incorporado ao portfólio do Senai-SP.

O primeiro caso de sucesso veio do setor de alimentos. É a empresa Twin Peaks, de alimentos congelados, de Valinhos, com apresentação da sócia Juliana Cunha. O programa, aplicado à produção de esfirras, permitiu ver a produção como um todo e eliminar gargalos. Foi possível redistribuir tarefas, diminuindo sobrecargas e subutilizações de mão de obra. Houve também mudança de lay-out na fábrica, diminuindo a movimentação (de 24 metros para 2,4 m) e permitindo grande ganho. De 164 peças por hora para 450, com os mesmos funcionários, aumento de 169% na produtividade. O índice de defeitos caiu para zero. O retorno do investimento veio em pouco mais de um mês. Um dos pontos que Juliana destacou foi o atendimento sob medida do Senai-SP.

O caso do setor de calçados (empresa D’Milton) foi apresentado por João Batista de Souza, que destacou a participação de funcionários e colaboradores. O valor investido pela empresa foi quase insignificante frente aos ganhos – e se pagou em 4 meses. A empresa conseguiu 39% a mais de produtividade, o que Souza considera surpreendente. A movimentação foi reduzida em 2.400 metros.

Do setor metalomecânico, o exemplo veio da Carhej, de São Bernardo. Segundo Daniel Carajiliascov, sócio da empresa, proprietário, o engajamento no programa foi a melhor coisa que fizeram. O estoque de matéria-prima caiu de R$ 350.000 para R$ 60.000, para a mesma produção. O ganho de produtividade foi de 177%. Movimentação caiu 85%, graças a novo lay-out. Na qualidade, ganho foi de 87%. E o retorno do investimento veio em menos de um mês – incluindo, além do custo do programa, reforços na infraestrutura.

No Congresso CJE, Armínio Fraga destaca valor da meritocracia

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Em palestra nesta terça-feira (1/11) no Congresso CJE 2016, na Fiesp, Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central (BC), destacou a valor da meritocracia e disse que em relação a ela teve uma lição preciosa no início de sua carreira: negócio, para funcionar bem, precisa de clareza nas regras. “Como as coisas acontecem, como as pessoas são avaliadas e promovidas. É preciso criar uma cultura que reconheça o funcionamento do grupo como um todo.”

Depois desse período inicial, foi dar aula nos EUA, passou pelo BC e em 2013 criou sua própria empresa, a Gávea Investimentos, em que procura seguir esse modelo de meritocracia. “Uma sociedade com participação e certo espírito de equipe funcionando como uma cola para isso tudo. Estimulando talentos.”

Fraga ressaltou a importância do chefe que dá crédito pelos acertos de seus subordinados e assume os erros. “Experimente fazer isso e veja o que seus funcionários farão por você.”

Setor público

Fraga lembrou que o período no governo foi a parte mais visível de sua carreira. “Melhor experiência de trabalho eu nunca tive”, afirmou, recomendando à plateia que se tiver chance, trabalhe no setor público. É um uso nobre do tempo, disse.

Ele foi diretor do BC em 1991 aos 33 anos, quando o Brasil estava em moratória da dívida externa. E o país saía de um congelamento de preços e de ativos, depois de uma sequência de planos que deram errado.

Há um paralelo com a situação de hoje, afirmou. O momento no país é de muita tensão e dificuldade. E há muita coisa fora do lugar, muita coisa para arrumar. “O motor do crescimento está escangalhado, mas tem conserto”, disse. “Pode ser oportunidade para fazer muita coisa, e é o que me dá esperança.”

A máquina de crescimento precisa hoje de uma resposta muito ampla, explicou Fraga. No lado micro, há um sistema tributário bem complicado. Destacou que a tributação sobre a indústria é muito mais alta que sobre outros setores. O ICMS, afirmou, é obstáculo à integração nacional. Há uma série de questões que representam o custo Brasil e que precisam ser abordadas. É preciso simplificar isso e trabalhar por uma redução da taxa de juros.

As regras trabalhistas também são tema superimportante, na opinião do economista. “O Brasil hoje precisa dar uma arrumada na casa para achar o caminho do crescimento outra vez.” O mais natural parece ser a infraestrutura, em que há uma carência tremenda, mas é algo muito complicado, avaliou Fraga. “Não traz crescimento da noite para o dia.”

Ao fazer sua breve biografia, lembrou que teve todas as chances e gostaria que todos tivessem. Vindo de uma família de médicos, foi parar “por eliminação” na economia. “E dei sorte.” Destacou o peso da influência de economistas que conheceu na faculdade.

Comparou a economia à medicina. A política monetária é uma espécie de cortisona para a economia. Não cura, mas estabiliza o paciente. Em excesso, como tem ocorrido no mundo, provoca problemas. Tem utilidade, mas não resolve tudo. Não melhora a infraestrutura e o ambiente regulatório, exemplificou.

Mas, disse, os problemas têm cura. A melhor cura é a luz do dia. A esperança é que haja um entendimento tanto do lado econômico quanto político, para que o Brasil possa se reconstruir. “Vamos ter que nos organizar melhor e trabalhar muito.”

Fraga vê processo gradual, com uma agenda de reformas em andamento para atacar o custo Brasil. Há um certo problema de endividamento, de excesso de capacidade de produção, alguma dificuldade para investir. E ainda há a influência de 2018 [eleições presidenciais]. “Vamos ter que ter um pouco de sangue frio e ir trabalhando.”

Em relação à produtividade e competitividade, Fraga disse que o Brasil tem escala para ser um país integrado, tem seu espaço, apesar de ser extraordinário o que acontece na Ásia. “Processo tem que de um lado ir abrindo e de outro atacando o custo Brasil, com infraestrutura melhor, reforma do PIS/Cofins, juros mais baixos. Aí, devagarinho, abrir. Não acredito num big-bang. Seria uma loucura. Mas também não pode ficar parado.”

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O ex-presidente do BC Armínio Fraga durante palestra no Congresso CJE. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Juros e câmbio

Caio Cordeiro, coordenador adjunto do CJE, foi o mediador da palestra de Fraga, que incluiu uma análise sobre o comportamento da economia brasileira.

Em juros e câmbio o Brasil tem sido destaque negativo no cenário internacional, destacou Fraga.

O nível dos juros reais é muito alto no país, disse, e recentemente o diferencial em relação aos EUA aumentou, depois de uma tendência de queda. Pondo ordem na casa os juros devem cair. Um país que funciona relativamente bem e tem essa taxa de juros recebe pressão no câmbio, explicou.

O câmbio estava muito defasado na época do Real, o que se inverteu, indo a R$ 4 em 2002. Voltou depois, com o boom das commodities. E no período Dilma, voltou a ficar defasado. Mais recentemente, com a sensação de que os problemas vão ser encarados, melhorou novamente. Relação de trocas e câmbio voltaram à média dos últimos 20 anos, explicou Fraga.

Conselho Superior da Indústria da Construção reforça compromisso com eficiência e sustentabilidade

Anne Fadul, Agência Indusnet Fiesp

O deputado federal Julio Lopes (PP-RJ), participante da reunião desta terça-feira (8/3) do Conselho Superior da Indústria da Construção da Fiesp  (Consic), defendeu a criação de uma nova cultura para o setor brasileiro da indústria da construção. “Precisamos dar tangência na competitividade e produtividade no setor, que é produtivo e pode reconstruir um novo Brasil em médio prazo. Se não idealizarmos um país melhor, jamais o faremos”, disse.

O deputado enfatizou a importância da qualidade e previsibilidade dos projetos no Brasil. “Para termos isso, é imprescindível a adoção de ferramentas e serviços certificados, como o Building Information Modeling (BIM). A plataforma envolve toda a cadeia produtiva e tem benefícios evidentes em todas as fases das obras, dos primeiros estudos até a operação, passando pelo detalhamento do projeto e sua construção”, afirmou.

Durante a reunião, José de Oliveira Lima, presidente do Consic, alertou sobre a importância do encontro. “A ideia aqui é discutir projetos em prol do setor e melhorar a construção sustentável, em busca de um custo menor com um desenvolvimento maior, tanto na área de habitação quanto na área de infraestrutura”, disse.

Na ocasião, foram feitas apresentações institucionais da Federação Internacional Imobiliária (Fiabci – Brasil) e da Gerdau Aços Brasil. Rodrigo Uchôa Luna, presidente da Fiabci, reforçou a relevância do encontro. “Este é o momento de descruzar os braços e fazer o nosso papel para melhorar o ambiente de negócios”, disse. Já Antonio Cesar Testa Sander, diretor de vendas da Gerdau, falou das principais contribuições que a companhia pode dar ao setor. “Podemos ajudar na evolução da construção sustentável, no aumento de produtividade e na inovação”, afirmou.

FPIC

O deputado Itamar Borges, coordenador da Frente Parlamentar da Indústria da Construção (FPIC), fez um balanço e falou sobre as motivações para a criação da frente. “A ideia é fortalecer a construção paulista criando medidas para sustentação dos investimentos em planejamento e gestão, previsibilidade e segurança jurídica e controle de prazos curtos para a redução do ciclo e obras”, afirmou.

Desde o seu lançamento, em novembro de 2015, a FPIC vem cumprindo uma agenda de reuniões com secretarias estaduais para discutir as pautas prioritárias do setor. “Nós, como parlamentares, temos o dever de cobrar e encaminhar soluções e sugestões e buscar melhoria do ambiente para caminhar com tranquilidade e gerar desenvolvimento econômico”, disse.

Carlos Eduardo Auricchio, diretor titular do Departamento da Indústria da Construção (Deconcic) da Fiesp, ressaltou que, nos encontros com as secretarias, não houve um ponto que não estivesse contemplado no programa Compete Brasil. Ele acredita na melhora do setor. “É o momento de transformar gargalos em soluções. Vamos atingir os objetivos que o setor já identificou, por meio do Compete Brasil. Os resultados estão próximos de acontecer”, disse.

Novos conselheiros

Assumiram como conselheiros do Consic Rodrigo Uchôa Luna, presidente da Federação Internacional Imobiliária (Fiabci – Brasil); Antonio Cezar Testa Sander, diretor de vendas da Gerdau Aços Brasil; Jeronimo Romanello, advogado especializado em direito empresarial e imobiliário.

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Reunião do Conselho Superior da Indústria da Construção da Fiesp em 8 de março. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Indústria brasileira precisa de câmbio competitivo como política de Estado, diz diretor da Abimaq

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Para reindustrializar o Brasil, é importante um câmbio competitivo e administrado, superior a R$ 3,60, afirmou nesta segunda-feira (10/8) o diretor de Competitividade e Economia Estatística da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Mario Bernardini.

“O Brasil precisa de um câmbio competitivo não por efeito do acaso, como aconteceu até agora, mas como política de Estado”, disse Bernardini ao participar da reunião do Conselho Superior de economia (Cosec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Ele defendeu ainda que a competitividade através do câmbio é uma medida de curto prazo para a alavancagem da indústria brasileira. “Mas isso me dá tempo para voltar a ter margem para investir enquanto alguém começa a baixar, sistematicamente, os itens do Custo Brasil”.

Ainda segundo Bernardini, a depreciação do real ante o dólar vista nos últimos meses pode ser um engano. “Na verdade, não desvalorizamos o Real, mas o dólar valorizou. O que está acontecendo aí é o mercado que está fazendo.”

Brasil x Mundo

O tema da reunião do Cosec desta segunda-feira foi a competividade e produtividade da indústria brasileira. Bernardini apresentou um estudo comparativo da Abimaq de casos brasileiros com situações de produção e gestão semelhantes na Alemanha, China e Estados Unidos.

Segundo o estudo, os Estados Unidos têm uma produtividade 46% superior em relação à China. A Alemanha é 48% mais produtiva, enquanto o Brasil é 50% superior em produtividade, considerando quilos de máquina por homem/hora, em comparação com o país asiático.

“Isso mostra que, se devidamente treinados, os brasileiros produzem tanto quanto o alemão, desde que deem a eles os recursos produtivos equivalentes.”

O estudo avaliou pelo menos cinco grandes fábricas com instalações no Brasil, Alemanha, China e Estados Unidos.

A comparação dos custos industrias, no entanto, deixa o Brasil em desvantagem.  O mesmo produto que tem custo de produção de US$ 100 na China, custa US$ 122 na Alemanha e US$ 137 no Brasil, uma diferença de 12% com relação à nação europeia. Nos Estados Unidos, o mesmo produto chega ao valor de US$ 139.

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Mario Bernardini, da Abimaq, durante reunião na Fiesp sobre competitividade e produtividade. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Faturamento na venda de material de construção no varejo tem queda de 1,2%

Agência Indusnet Fiesp

Análise feita pelo Departamendo da Indústria da Construção (Deconcic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) dos números do IBGE sobre vendas de material de construção no comércio varejista mostra queda de 1,2% no faturamento global de janeiro a maio deste ano.

O faturamento global do comércio de materiais de construção nesses meses foi de R$ 48,007 bilhões, contra R$ 48,594 bilhões nos primeiros cinco meses de 2014. A diferença é de R$ 587 milhões.  Em maio deste ano, o volume de vendas caiu 1,0% em relação a abril, uma retração inesperada. No acumulado do ano a queda nas vendas de materiais de construção foi de 5,7%.

Vendas por unidade da federação

Os dados da Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE permitem analisar o desempenho regional das vendas. Nos primeiros 5 meses de 2015, praticamente todos os Estados do Sul e Sudeste acumularam retração nas vendas. Em termos de volume físico de vendas, as maiores quedas foram registradas no Distrito Federal (13,6%), Espírito Santo (11,4%), São Paulo (10,2%) e Minas Gerais (9,9%), que também tiveram as maiores retrações em faturamento: Distrito Federal (7,9%), Espírito Santo (6,5%), São Paulo (5,4%) e Minas Gerais (5,3%). Ceará, Goiás e Santa Catarina ainda mantém resultados positivos no comércio de materiais de construção este ano, com expansões de vendas físicas de, respectivamente, 5,4%, 3,1% e 2,5%.

Emprego e produtividade

O número de pessoas ocupadas no comércio de materiais de construção alcançou 737,5 mil na média dos primeiros cinco meses de 2015, o que representa estagnação em relação a igual período de 2014 (aumento de apenas 0,3%). No Distrito Federal e nos Estados de São Paulo e Paraná houve queda no emprego, indicação de que as empresas já começaram a ajustar o quadro de pessoal a uma expectativa de volume de vendas menor em 2015.

Em termos nacionais, o faturamento nominal por empregado caiu 1,5% no acumulado do ano até maio, com reduções acentuadas em São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Distrito Federal, Paraná e Pernambuco. Isso aponta para uma queda da produtividade no setor comercial. Já os Estados de Santa Catarina, Goiás, Rio de Janeiro e Ceará indicam, ao contrário, um quadro de crescimento das receitas por funcionário. Em termos reais, houve aumento do faturamento por empregado apenas em Goiás, Santa Catarina e Ceará, com queda de 6,1% na média nacional – os resultados de Minas Gerais, Espírito Santo, Distrito Federal e São Paulo tiveram peso decisivo nesse quadro.

Investimento em qualidade de vida pode garantir mais produtividade, afirma médico

Bernadete de Aquino, agência Indusnet Fiesp

As empresas precisam apostar em programas de qualidade de vida para evitar afastamentos e perda de força produtiva, afirmou nesta quinta-feira (23/4) o médico Alberto Ogata, membro do Comitê de Responsabilidade Social (Cores) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Ele palestrou durante o Encontros Fiesp Sustentabilidade – Conectando Pessoas, Compartilhando Valores, realizado pelo Cores na sede da federação nesta manhã.

“Mais de um quarto da população adulta brasileira têm doenças musculoesqueléticas. A maioria não procura ajuda médica e perde, pelo menos, oito horas de trabalho por semana por estar com o problema”, disse Ogata ao citar uma pesquisa do Ibope.

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De acordo com Alberto Ogata, empresas precisam apostar em programas de qualidade de vida para evitar afastamentos. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Segundo ele, dores lombares, na coluna cervical ou fibromialgia (dores em todo o corpo por longos períodos), são exemplos de males que podem afastar o trabalhador de suas atividades.

“É preciso fazer alguma coisa para reduzir esse indicador, para ter menos gente afastada ou com problemas por esses distúrbios”.

As empresas de pequeno em médio porte são as que mais sofrem com afastamentos de trabalhadores doentes, segundo Ogata. A sugestão do médico para superar essa dificuldade é a criação de redes entre empresas menores para compartilhar serviços de qualidade de vida, conhecer os recursos oferecidos no entorno da sede e buscar parcerias que permitam pouco ou nenhum investimento.

Alberto Ogata é médico, mestre em medicina e economia da saúde pela USP, além de diretor de saúde e benefícios do Tribunal Regional Federal (TRF). Ele também é coordenador do Laboratório de Inovação Assistencial da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).


Melhor desempenho da construção passa por aumento na produtividade

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Melhoria na produtividade e fomento à inovação. Esses são os dois caminhos apontados por Milton Anauate, consultor na Presidência da Caixa Econômica Federal, e Roberto de Souza, presidente do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE), para que a indústria da construção passe a atingir números mais favoráveis.

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Cadeia produtiva da construção precisa ajustar processos, destacaram convidados. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Ambos participaram como convidados da reunião do Grupo de Trabalho sobre Construção Industrializada formado pelo Departamento da Indústria da Construção (Deconcic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O encontro ocorreu na tarde desta terça-feira (19/08), na sede da entidade.

Para Anauate, 2014 deve ser o ano para o setor “arrumar a casa”. Em sua visão, a cadeia produtiva da construção atualmente precisa ajustar processos, visando o aumento da produtividade, com aprimoramento da qualidade das obras.

Apesar do desempenho recente ser abaixo do esperado, o consultor da Caixa disse que o setor deve crescer em 2015.

Ainda durante a exposição, Anauate abordou temas relacionados ao “preconceito” do consumidor na ampliação e manutenção da unidade habitacional, a participação da Caixa no programa federal Minha Casa Minha Vida e o desconhecimento de empresas estrangeiros das normas PBQP-H e SINAT.

Inovação como caminho para a cadeia produtiva

Em seguida, Roberto de Souza, presidente do CTE, falou sobre caminhos para a competitividade e a importância da industrialização no setor da construção.

Para ele, a melhoria da situação da cadeia passa pela melhoria da produtividade.

“O aumento da produtividade é central. Nossa produção é baixa e artesanal”, classificou o presidente do CTE. “Para atingirmos o nível necessário, precisamos de governança, planejamento e gestão empresarial, inovação, capacitação profissional, com desenvolvimento integrado entre atores”.

Além disso, Souza ressaltou a importância de uma mobilização da cadeia produtiva da construção para superar barreiras rumo à industrialização, trabalhando a questão tributária, com promoção de núcleos e ecossistemas de inovação.

Produtividade de grãos no Brasil pode crescer 10,3% em dez anos, mas poderia ser maior, aponta Outlook Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A produtividade média dos grãos cultivados no Brasil pode aumentar em 10,3% entre 2013 e 2023, apontam estimativas do Outlook Fiesp 2013. Mas o resultado poderia ser mais significativo, já que o governo, que interfere nos processos de novas tecnologias, como no registro de novas moléculas para os agroquímicos, está atrasado em relação à necessidade do setor.

A análise foi feita por Antônio Carlos Costa, gerente do Departamento de Agronegócio (Deagro) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), divisão responsável pelo estudo, o qual reúne análises do setor nos últimos dez anos e projeta o cenário para a próxima década.

“Se a produção de grãos no futuro ocorresse com a mesma produtividade de hoje e com o mesmo pacote tecnológico, precisaríamos de 6,5 milhões de hectares a mais para  colher a mesma safra”, explicou Costa. “Esse ganho de produtividade (10,3%), no entanto, poupará essa área”, completou.

Acima da média mundial

Entre 2002 e 2012, a produção de soja no Brasil cresceu a um ritmo de 5% ao ano, enquanto o cultivo no mundo avançou 3,2%. Na safra 2013/14, o Brasil deve se consolidar como maior produtor mundial da oleaginosa. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima uma colheita recorde entre 87,6 milhões a 89,7 milhões de toneladas.

Segundo o Outlook, a área ocupada por lavouras (cana, floresta plantada e lavouras de primeira safra) no Brasil deve chegar a 52 milhões de hectares em 2013 e aumentar para 61,5 milhões até 2023, o equivalente a um incremento de 9,5 milhões de hectares.

A área utilizada para pastagens, no entanto, deve diminuir de 182 milhões de hectares para 177,1 milhões em dez anos, cedendo o equivalente a 4,6 milhões de hectares para a agricultura. Costa acredita que a área poupada deve ser cedida ao cultivo de lavouras já que, para o produtor, a produção agrícola “é mais atrativa do ponto de vista econômico do que a pecuária”.

O gerente do Deagro explicou que o movimento, já iniciado no estado de São Paulo, leva a uma necessidade de incremento da produtividade, via intensificação do rebanho, para que o país continue abastecendo a demanda doméstica e o mercado internacional de forma adequada.

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Costa: incremento da produtividade no agronegócio no estado e no Brasil. Foto: Vitor Salgado

“Toda região oeste do estado sempre foi muito tradicional em pecuária, mas aos poucos ela vem se transformando também em área de cana-de-açúcar, que se expande em trechos de pastagens”, explicou Costa. “É possível que, com investimentos em genética, manejo e recuperação de pastagens, no futuro a pecuária se torne mais atrativa em termos econômicos para o produtor, especialmente com uma maior intensificação do rebanho”, afirmou. Ele ponderou, no entanto, que, de forma geral, “o que existe hoje de concreto para o produtor pecuário é uma realidade de margens muito apertadas, o que tem levado à agricultura a avançar sobre essas áreas com pastagens, tendência que será mantida para os próximos anos”.

Papel do governo e preservação de áreas

Na avaliação do gerente de Agronegócio da Fiesp, a taxa de abertura de novas áreas para lavoura é “absolutamente decrescente” e isso tem relação direta com os ganhos de produtividade, como os observados na última década.

“A indústria química, por exemplo, está direcionando parte importante dos investimentos para a produção de sementes e agroquímicos cada vez mais seguros e eficientes no combate a pragas e doenças”, disse. “Tem sido notável o desempenho da indústria das máquinas e implementos agrícolas, que vem registrando um forte crescimento nos últimos anos”.

Na outra mão, para Costa, cabe ao governo interferir para agilizar os processos de liberação de novas moléculas e abrir caminho para tecnologias que permitam ampliar esses ganhos.

“A aprovação de moléculas para um produto químico, por exemplo, leva anos. Hoje você precisa da aprovação do Ministério da Agricultura, da Anvisa, do Ministério do Meio Ambiente e do Ibama para a criação de uma nova molécula”, explicou. “Não se questiona a importância de uma análise rigorosa, no entanto, esse processo é tão lento que ele inibe muita vezes a inovação e, quando o produto é aprovado, chega sempre atrasado em relação às necessidades do setor”, criticou.

Para conferir essas e outras projeções no Outlook Fiesp 2013, só clicar aqui.

Produtividade do trabalho na indústria brasileira sobe 0,9%, mas salário ainda é muito superior aos ganhos de produção, calcula Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A produtividade do trabalho na indústria de transformação brasileira aumentou 0,9% em agosto ante julho, na leitura com ajuste sazonal. No acumulado de 12 meses, a indústria do país registrou ganho de 2,2% enquanto o setor manufatureiro paulista anotou alta de 1,5%, apontou calculo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Os números sugerem um cenário melhor do que antes, mas a trajetória da indústria em relação à produção física versus horas pagas é ruim e o custo do salário dentro de cada produto ainda é muito superior em relação aos ganhos de produtividade.

A avaliação foi feita por Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp.

Segundo indicador do Depecon, o aumento da produtividade – o cálculo da produção física por horas pagas – em agosto resultou do crescimento de 0,2% da produção e da queda de 0,7% de horas pagas.

Francini alerta, no entanto, que “o panorama no seu conjunto não é tão agradável. Embora exista melhora, ela é mais dentro da redução de pessoal contratado que no crescimento na produção física”.

Não o suficiente

O índice mostra que, desde junho deste ano, a produção física industrial mostrou um ligeiro crescimento, mas não o suficiente para recuperar as perdas ocorridas nos meses anteriores.

Em janeiro deste ano, a produção física despencou 2,1%, em fevereiro e em março continuou em queda, de 1,9%. Em abril, a Fiesp calcula perdas de 0,9%, seguida por 0,3% em maio.

Francini: "É necessário um plano para a reindustrialização e a revisão da politica tarifária". Foto: Everton Amaro/Fiesp

Paulo Francini: ainda não foi o suficiente para a recuperação da indústria. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Já no mês de junho, a produção física cresceu 0,5%, passando para 0,9% em julho e agosto, resultando em mais fechamento de postos de trabalho e redução das horas pagas do que no aumento efetivo da produção.  “Aumento da produção sem contratação acaba resultando no aumento da produtividade”.

O Depecon calcula o indicador de produtividade com base nos dados da Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física (PIM-PF) e da Pesquisa Industrial Mensal – Emprego e Salário (PIMES), produzidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE).

Dos setores da indústria de transformação avaliados pelo Depecon, a produtividade no acumulado em 12 meses caiu em cinco deles e aumentou em 12. Os destaques positivos foram a indústria de madeira (13,1%), de calçados e couro (11,7%), refino de açúcar e álcool (8,7%) e meios de transporte (5,7%).

Entre as perdas em produtividade, os piores resultados ficaram com os segmentos de fumo (-11,9%), alimentos e bebidas (-2,9%) e metalurgia básica (-2%).

Salário maior que a produtividade

Com relação a custos de salário, enquanto a produtividade da indústria brasileira cresceu 2,2% no acumulado de 12 meses, a folha real por trabalhador aumentou 4,8%.  O custo salarial chegou a 5,1% no acumulado de maio de 2012 a maio deste ano, enquanto os ganhos com produtividade foram de 1,4%.

O índice calculou ainda que em 14 dos 17 setores da indústria de transformação, o aumento da folha de pagamento real por trabalhador também superou o crescimento da produtividade no acumulado de 12 meses.

“O aumento da folha de pagamentos real por trabalhador acima do aumento da produtividade, já vem ocorrendo pelo menos de 2003”, indica o estudo.

“A nossa trajetória é ruim quanto à produtividade. O caminho de desenvolvimento se faz perseguindo uma trajetória de crescimento da produtividade”, afirmou o diretor da Fiesp.

Clique aqui e veja o índice Produtividade Física do Trabalho na Indústria de Transformação em Agosto de 2013

‘Fórum Brasil-Estados Unidos’ debate produtividade da indústria e acordos comerciais

Alice Assunção e Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

As possibilidades de crescimento da indústria nacional, com mais comércio entre o Brasil e os Estados Unidos, estiveram no centro das discussões do “Fórum Brasil-Estados Unidos”, organizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) na manhã desta quinta-feira (06/06). O evento foi mediado pelo diretor-titular-adjunto do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Mário Marconini.

Os debates contaram com a participação de nomes como o coordenador de Pesquisa Econômica Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) da Fundação Getúlio Vargas, Armando Castellar; o sócio da Tandem Global Partners e ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Paulo Vieira da Cunha; e o professor emérito da Universidade de Columbia (em Nova York) e da Universidade da Califórnia, Albert Fishlow.

Também participaram o embaixador e presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Rubens Barbosa,  a diretora do Center for Hemispheric Policy da Universidade de Miami, Susan Kaufman Purcell e o analista sênior especialista em América Latina da Eurasia Group em Washington, João Augusto de Castro Neves, entre outros.

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Fórum Brasil-Estados Unidos: acordos a partir da iniciativa privada. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Abrindo os trabalhos, Armando Castellar apontou um crescimento de 2,4% para o PIB brasileiro em 2013. Por outro lado, o desempenho da indústria deve ser melhor do que o registrado em 2012. “O comércio vai ter um ano mais difícil muito por conta do mercado de trabalho. Algo que ainda não é muito discutido, o crédito ao consumidor basicamente parou de crescer em termos reais”, observou Castellar.

Também dentro da discussão sobre a indústria, Albert Fishlow destacou a importância de elaboração de uma estratégia de crescimento a partir da produtividade. Autor do livro “O novo Brasil”, país ao qual dedica parte de seus estudos há mais de 40 anos, o professor disse ser equivocada a intenção de resgatar a indústria nacional dos anos 70, sendo mais eficiente, hoje, investir na produtividade industrial com avanços em tecnologia. “O único país que mantém a importância do setor industrial do passado é a Alemanha”, afirmou.

“Estados Unidos, Inglaterra, França… a participação do setor industrial começou a baixar nesses países e não me parece relevante a ideia de evitar isso simplesmente dando subsídios, aumentando tarifas e retomando políticas que foram usadas no passado”, explicou.

Segundo o professor, alterar a composição da indústria não significa recuperar uma participação no Produto Interno Bruto (PIB) perto de 28%, marca alcançada no auge do setor manufatureiro nos anos 1980. “O setor industrial precisa aumentar sua produtividade de maneira regular. Isso é a base do crescimento”.

A necessidade de sermos mais produtivos também foi defendida por Paulo Vieira da Cunha. “A produtividade aqui é baixa e falta estratégia para estimular o investimento”, explicou. “Não é apenas apertar o cinto um pouco. Precisamos aumentar a produtividade do investimento brasileiro”, completou.

Mais comércio

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Embaixador Rubens Barbosa: é preciso identificar oportunidades de melhorias e, depois, pedir ao governo para sacramentá-las sem barreiras. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Na segunda parte do “Fórum Brasil-Estados Unidos”, tiveram destaque as apresentações sobre o comércio entre os dois países. Para Rubens Barbosa, o interesse em incrementar o comércio bilateral entre as duas nações não tem partido de órgãos de relações internacionais e de comércio exterior de ambos os governos.

“Os interesses concretos de parceria estão vindo, por exemplo, do US Brasil Business Council e de empresas americanas que vêm aqui pra tratar de defesa”, afirmou Barbosa. “Ou a gente identifica esses interesses concretos para que haja uma solda e depois vem o governo e concretiza, ou não vamos sair do lugar”, afirmou o embaixador.

De acordo com Barbosa, não há necessidade de esperar um acordo oficial de cooperação bilateral para discutir o tema e remover obstáculos concretos ao comércio de ambos os países. “São barreiras burocráticas. O acordo de comércio virá um dia. Hoje, sem nenhum acerto de garantia de investimento ou de bitributação, o nosso comércio com os Estados Unidos está em torno US$ 60 bilhões.”

O embaixador acredita que o empresariado está no caminho certo, de buscar objetivamente facilidades para aumentar o comércio entre Brasil e EUA. E reforça que o mais apropriado no momento é “identificar as oportunidades concretas que existem e pedir depois ao governo para sacramentá-las sem barreiras.”

As iniciativas que partem do setor privado também foram destacadas por João Augusto de Castro Neves. “Num cenário como esse, no qual o governo vai enfrentar mais desafios econômicos, precisar de mais recursos e investimentos, é importante começar a buscar mais o setor privado, ajustar uma proposta que atraia o setor privado”.

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Susan Kaufman. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Em sua apresentação, Susan Kaufman Purcell fez algumas ponderações sobre os acordos comerciais firmados hoje. “Infelizmente, o Brasil tem vizinhos conflituosos no que diz respeito ao comércio”, afirmou. Na avaliação da diretora do Center for Hemispheric Policy da Universidade de Miami, uma solução para o país alcançar novos acordos de comércio com os países desenvolvidos seria deixar o Mercosul. “Não digo que não há oportunidades comerciais e econômicas com o Mercosul. Só acho que o acordo regional é um entrave aos esforços do país em se tornar mais competitivo”, concluiu.

Futuro da indústria no Brasil depende de mudança de estratégia, diz especialista norte-americano

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A indústria brasileira tem futuro, mas isso depende de uma estratégia de crescimento que contraria a política de subsídio e incentivos pontuais ao setor. A avaliação é de Albert Fishlow, professor emérito da Universidade de Columbia (em Nova York) e da Universidade da Califórnia.

Autor do livro “O novo Brasil”, país que estuda há mais de 40 anos, o professor acredita ser equivocada a intenção de resgatar a indústria nacional dos anos 1970, sendo mais eficiente, hoje, investir na produtividade industrial com avanços em tecnologia. “O único país que mantém a importância do setor industrial do passado é a Alemanha”, afirmou Fishlow em sua participação no “Fórum Brasil-Estados Unidos”, organizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) na manhã desta quinta-feira (06/06). O debate foi mediado pelo diretor-titular-adjunto do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Mário Marconini.

Fórum Brasil-Estados Unidos: mais produtividade. Helcio Nagamine/Fiesp

Fórum Brasil-Estados Unidos: debate sobre a produtividade da indústria nacional. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


“Estados Unidos, Inglaterra, França… a participação do setor industrial começou a baixar nesses países e não me parece relevante a ideia de evitar isso simplesmente dando subsídios, aumentando tarifas e retomando políticas que foram usadas no passado”, explicou.

Segundo o professor, alterar a composição da indústria não significa recuperar uma participação no Produto Interno Bruto (PIB) perto de 28%, marca alcançada no auge do setor manufatureiro nos anos 1980. “O setor industrial precisa aumentar sua produtividade de maneira regular. Isso é a base do crescimento”.

Mais investimentos

Nesse cenário, outro obstáculo à expansão da atividade econômica brasileira é a falta de investimento. “Na China, por exemplo, os investimentos representam uma fatia de 50% do PIB, enquanto a Índia investe quase 40% do PIB e a Coreia do Sul ao menos 30%”, disse o professor.  Ao comparar esses países com o Brasil, no qual os investimentos atingem cerca de 18% do PIB,  Fishlow concluiu que, mantida essa taxa, o país não tem condições de crescer nem mesmo 3% ao ano.

O primeiro painel de debates do “Fórum Brasil-Estados Unidos”  contou ainda com a participação de Paulo Vieira da Cunha, sócio da Tandem Global Partners e ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central. Cunha também fez críticas à falta de investimentos no país. “A produtividade aqui é baixa e falta estratégia para estimular o investimento”, explicou. “Não é apenas apertar o cinto um pouco. Precisamos aumentar a produtividade do investimento brasileiro”, afirmou.

Brasil terá safra recorde de soja 2012/13, aponta estudo Rally da Safra

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

O desempenho histórico das lavouras do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul contribuíram para que o Brasil registrasse uma safra recorde de soja 2012/13. O volume alcançará 84,4 milhões de toneladas de soja – contra 66,4 milhões de toneladas em 2011/12, totalizando um aumento de 27,7%. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (26/03) durante a coletiva do estudo Rally da Safra 2013, em evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

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André Pessôa, coordenador geral do Rally da Safra: 'Logística mais cara é aquela que não existe. Estamos no limite do uso da que temos. Precisamos de medidas emergenciais para não penalizar o setor pelo nosso sucesso'. Foto: Julia Moraes/Fiesp

A expedição técnica percorreu mais de 60 mil quilômetros entre os dias 28 de janeiro e 13 de março, coletando amostras nas lavouras de milho e soja em 12 unidades da federação: Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Piauí, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Tocantins. Estas unidades representam 96,6% da área cultivada da soja e 72,3% da área de milho no Brasil.

Com o registro de uma colheita recorde, o Rio Grande do Sul foi o destaque desta edição. De acordo com André Pessôa, coordenador geral do Rally da Safra e diretor da Agroconsult, apesar da estiagem do mês de dezembro, o estado produziu 49 sacas por hectares de soja e safra de 13,5 milhões de toneladas. “Este número é espetacular. É mais do que o dobro da produção da temporada passada [6,5 milhões de toneladas]. Tanto na colheita de soja quanto na de milho, o estado teve uma safra muito boa. O desempenho do sul do país contribuiu para que a gente tivesse uma safra de soja acima do esperado”, avaliou Pessôa.

Já o Paraná registrou a maior produtividade do Brasil, com 56 sacas por hectares e produção de 15,8 milhões de hectares – em 2011/12 foi de 10,9 milhões de toneladas. Santa Catarina chegou a 54 sacas por hectares e 1,6 milhões de toneladas.

Na região centro-oeste, o destaque positivo é Goiás, com 54 sacas por hectares. Mato Grosso ficou pouco abaixo do esperado, com média de 52 sacas por hectares. Um dos motivos, apontados por Pessôa, foi o excesso de chuvas no processo da soja tardia.

A região nordeste registrou uma queda significativa na colheita, com destaque para Piauí, que teve a pior produtividade no país, em função da estiagem de 45 dias, totalizando 31 sacas por hectares. A Bahia também teve um desempenho abaixo do esperado, com uma produção de 42 sacas por hectares.

Outro problema que assolou as lavouras brasileiras, de acordo com o coordenador geral do Rally da Safra, foi a incidência de pragas, que aumentou os custos da produção de soja e milho brasileira.

Milho verão

O milho verão alcançou 36,7 milhões de toneladas na safra 2012/13, com produtividade média de 85 sacas por hectares. Na safra 2011/12 o número foi de 75 sacas por hectares. Com destaque para o Paraná, cuja produção recorde chegou a 145 sacas por hectares. Santa Catarina registrou 120 sacas por hectares e o Rio Grande do Sul atingiu 97 sacas por hectares. Goiás de também apresentou uma ótima produtividade, com 144 sacas por hectares, seguido por Minas Gerais, que registrou 102 sacas por hectares.

Década de crescimento

De acordo com Pessôa, o Brasil registrou um crescimento significativo no setor do agronegócio nos últimos 10 anos. Segundo coordenador geral do Rally da Safra, neste período a área de plantio de soja brasileira cresceu 50% – de 18,5 milhões de hectares em 2002/03 para 27,8 milhões de hectares em 2012/13, uma expansão de 4,1% ao ano. Neste mesmo período, a produção aumentou 62%, de 52 milhões de toneladas (2002/03) para 84,4 milhões de toneladas (12/13).

No caso do milho, a área plantada foi ampliada em 18% – de 13,2 milhões de hectares em 2002/03 para 15,6 milhões de hectares em 2012/13, uma elevação de 1,7% ao ano.

Porém, no entendimento de Pessôa, a falta de investimento em logística e o apagão da mão de obra no setor agrícola são grandes empecilhos para o crescimento da agricultura brasileira.

Segundo o coordenador do Rally da Safra, apenas 16% do volume de exportações de soja e milho brasileiro é realizado pelos portos do nordeste, o que, no seu entendimento é pouco funcional, tendo em vista que a região norte/nordeste é responsável por 83,5% da produção de soja e milho do país.

De acordo com Pessôa, os custos para exportação do produto pelos portos da região sul/sudeste provocam morosidade e ônus para os produtores da região norte/nordeste, com um custo médio de US$ 100 por frete.

“A logística mais cara é aquela que não existe. E nós estamos no limite do uso da que temos. E precisamos de medidas emergenciais para não penalizar nosso setor pelo nosso sucesso”, alertou.


Falta de produtividade está relacionada à falta de inovação no Brasil, segundo professor da Mauá

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

O brasileiro gera US$ 22 mil de riqueza de renda per capita contra US$ 100 mil do americano, o que significa que são necessários cinco brasileiros para gerar volume equivalente ao de alguém nos Estados Unidos.

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Afonso Carlos Braga, professor da Escola de Engenharia Mauá

A informação é de Afonso Carlos Braga, professor de administração e marketing B2B da Escola de Engenharia Mauá. O docente participou na tarde desta quarta-feira (10/10) do painel Inovar para agregar valor ao seu negócio,  no VII Congresso da Micro e Pequena Indústria (MPI).

“Isso não quer dizer que o brasileiro seja improdutivo, mas sim que poderia inovar mais”, afirmou Braga, acrescentando que 77% do aumento do mercado americano é de inovação.

E as micro e pequenas empresas são as que mais deve inovar – uma ideia criativa pode provocar mudanças radicais, mesmo nas empresas conservadoras, destaca o o Escola de Engenharia Mauá. “O crescimento contínuo leva ao sucesso”, afirmou.

Braga ressaltou que a inovação de valor é aquela que se aplica à realidade. “O importante é não ficar só nas ideias. A inovação tem que ser prática, tem que ser real.”

Formatos de inovação

“Inovar é fazer algo melhor, diferente da forma já existente”, conceituou o professor, lembrado que inovação pode tanto ser um serviço novo, uma maneira nova de organizar nosso negócio ou, até mesmo, um pensamento diferente. “É estar presente na empresa e prestar atenção aos detalhes”, afirmou.

Braga cinco conceitos de inovação:

1 – Inovação fechada: feita dentro da própria empresa.

2 –  Inovação aberta: conta com a colaboração e participação efetiva do público, com trocas de experiências e informações. As micro, pequenas e médias empresas têm muito mais facilidade para ouvir seus consumidores, principalmente pelos canais de comunicação online, como as plataformas de mídias sociais.

3 – Inovação Incremental: parte do que já existe e evoluir aos poucos.

4 –  Inovação disruptiva: muda a maneira pela qual o mercado vê o produto ou o serviço e quebra paradigmas.

5 –  Inovação radical: mudança completa do conceito do produto ou serviço no mercado.

Estadão destaca estudo da Fiesp sobre gastos com mão de obra e produtividade da indústria

Agência Indusnet Fiesp

Imagem relacionada a matéria - Id: 1540360796O jornal Estado de S. Paulo desta quarta-feira (25/07) destaca estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) sobre gastos com mão de obra e produtividade da indústria.

Elaborado pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da entidade, o levantamento aponta que a produtividade do trabalho na indústria de transformação ficou negativa em 0,8% nos 12 meses terminados em maio de 2012 na comparação com o período anterior, enquanto a folha de pagamento do trabalhador teve alta de 3,4%.

Ainda conforme a pesquisa, a produtividade diminuiu em 10 dos 17 setores da indústria de transformação no acumulado 12 meses, abatida principalmente pela queda mais acentuada da produção física (-1,1%). As horas pagas também diminuíram (-0,6).

Em 2011, a produtividade da indústria também registrou queda, de 0,2% na comparação anual. A produtividade é medida pela relação entre a produção física e o número de horas pagas.

Leia íntegra da matéria sobre produtividade e salários: Salário sobe mais que desempenho indústria.

Clique aqui e veja estudo completo.

Presidente do Lide Economia propõe criação de conselho de gestão fiscal por MP

 Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

No que diz respeito a crescimento econômico, o governo não está na direção errada, mas é necessário acelerar o ritmo para devolver competitividade à indústria brasileira, afirmou nesta quarta-feira (04/07) o economista e presidente do Lide Economia, Paulo Rabello de Castro.

“O ministro [da Fazenda, Guido Mantega] já está baixando os juros. Já conseguimos um realinhamento cambial. O que falta? Falta realmente um choque de produtividade”, alertou Rabello, ao participar do Seminário Econômico Fiesp e Lide – “Agenda Brasil, Proposta para o Avanço Acelerado do País”, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.

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Paulo Rabello de Castro entrega propostas ao ministro Guido Mantega

Para o economista, a ineficiência do setor público está entre as principais causas da improdutividade brasileira. Segundo estudo apresentado nesta manhã pelo Lide a empresários, se a baixa produtividade da economia brasileira persistir, o país estará “arrecadando perda anual de R$ 1,3 trilhão em 2022”.

“Nós sabemos que uma parte importante dessa improdutividade está na ineficiência do próprio setor público. Portanto, temos uma proposta muito objetiva que eu gostaria que fosse convertida em Medida Provisória, se possível”, disse Rabello, sugerindo a implementação de um conselho de gestão fiscal. “Temos que apressar o passo com uma Medida Provisória porque é relevante e urgente que tenhamos um conselho de gestão fiscal. Seria um instrumento adequado.”

Outro assunto destacado pelo economista foi a simplificação fiscal. Rabello reforçou o pedido, feito há poucos meses a Mantega, para retomar uma proposta de único imposto na circulação de mercadorias e serviços, apresentada pelo próprio ministro da Fazenda em 2008.

“Essa proposta precisa ser retomada. Há uma dificuldade de aprovação, hoje, no Congresso Nacional, mas nós gostaríamos de dizer ao ministro que estamos aqui para protestar pelo apressamento do passo na votação de um projeto que realmente simplifique o país”, afirmou Rabello. “Seria bom se fosse pago um tributo só pela circulação de mercadorias e serviços. Eu acho que é isso que o contribuinte brasileiro merece”, concluiu.

Proposta para o Avanço

Durante a abertura do Seminário Econômico Fiesp e Lide, Paulo Rabello de Castro apresentou uma agenda elaborada pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide) com levantamentos conjunturais e propostas para estimular o crescimento econômico do país.

A “Agenda Brasil, Proposta para o Avanço Acelerado do País” lista cinco realinhamentos para aumento da produtividade e criação de riqueza: “Aumento da Eficiência no Setor Público”, “Transformar Juros em Infraestrutura Local”, “Eficiência Fiscal Competitiva”, “Socialização da Riqueza Nacional” e o “Tripé – Educação, Inovação e Sustentabilidade”.

“Que o senhor submeta à presidente Dilma Rousseff a possibilidade de termos uma espécie de agenda em curso com a sociedade brasileira. Obviamente, o governo já tem uma agenda de compromisso. Então seria uma agenda própria com a sociedade, capaz de acompanhar a implementação desses realinhamentos”, sugeriu Rabello ao ministro Guido Mantega.