Ganham cada vez mais destaque produção e consumo sustentáveis

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Inovar é transformar conhecimento em valor. É preciso medir o que se está fazendo e acompanhar a eficiência ao longo do tempo, pois não se pode melhorar o que não se conhece. Deve-se compreender, no âmbito da empresa, o que a sustentabilidade representa para ela de acordo com o seu perfil. A observação partiu de Marlúcio de Souza Borges, diretor-adjunto do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp (DMA) em seminário sobre a produção e consumo sustentáveis realizado nesta sexta-feira (11/11).

Inicialmente, o especialista traçou um histórico de sustentabilidade. Na década de 1970, predominava o sistema comando/controle, e se registraram movimentos verdes. Em 1980, houve um movimento mais voltado à produção e prevenção, com o fortalecimento das ONGs e a ISO 9001. Já no período 1990/2000 há uma consolidação com a realização da Rio 92 e a introdução efetiva da ISO 14001, além de debates iniciais em torno da Produção Mais Limpa (P+L). Em 2000/2010, nova guinada com a Mudança do Clima, a assinatura do Protocolo de Kyoto, o surgimento do Índice de Sustentabilidade na Bovespa (ISE), incrementados por debates sobre ecoeficiência e os necessários relatos de sustentabilidade (GRI). Com a Rio+20, entram em pauta a Produção e Consumo Sustentáveis e a economia circular.

Há a percepção mundial de um consumo desenfreado e, em 2003, o processo de Marrakesh incorpora a questão do consumo com mais sustentabilidade. O Brasil aderiu a esse acordo em 2007.

“Conceitualmente, Produção e Consumo Sustentáveis (PCS) trata da aplicação de abordagem integrada entre produção e consumo com vista à sustentabilidade. Há relação de dependência e influência de um e outro”, explicou Borges. “A produção afeta o consumo por meio do design do produto, e o marketing modifica o comportamento humano de maneira global. As demandas dos consumidores influenciam as decisões dos produtores”, avaliou.

Com a Rio +20 se sinalizou para a necessidade de mudanças estruturais a fim de se alcançar padrões de sustentabilidade atendendo às necessidades da sociedade e do planeta. Nela, foi ratificado o marco decenal de programas de produção e consumo sustentáveis, e um dos compromissos dos signatários é que os países devem produzir seus planos, segundo explicou o expositor. Assim, o Brasil teve seu primeiro ciclo avaliativo (2010-2014) e o segundo se encontra em processo de discussão (2017-2020), tendo como questão central a PCS. O Acordo de Paris, assinado em 2015, deu mais destaque ao tema, inclusive no período em que ocorre a COP22, em Marrakesh, até o dia 18 de novembro, com discussões em torno da implementação efetiva dos termos do Acordo.

Outro fator apontado por Borges é que o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 12 está na agenda global de desenvolvimento pós-2015. Assim, o conceito avança e é replicado na cadeia produtiva.

O Guia de Produção e Consumo Sustentáveis surgiu nesse contexto, voltado às PMEs, que compõem toda a base do fornecimento – mais 90% das empresas existentes em São Paulo são micro e pequenas. Portanto, o Guia tem esse viés, identificar pressões, traduzir tendências e sinalizar oportunidades.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1539786805

Seminário do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp sobre produção e consumo sustentáveis. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Nova demanda: as compras públicas

Ainda segundo Marlúcio Borges, as organizações sofrem pressões globais: redução dos recursos naturais, biodiversidade, exigência dos acionistas, atuação das ONGs e dos consumidores, mudança climática e questões de legislação.

Para ele, as compras públicas oferecem oportunidades, mobilizam setores e promovem escala, em produtos e serviços, a fim de atender critérios viáveis do ponto de vista econômico. As empresas são motivadas a fazer investimento, modernizar seus processos e desenvolver novos produtos.

No Brasil, em 2015, essa modalidade de compras públicas representou R$ 55 bilhões. Em 2014, foram quase R$ 40 bilhões, e as MPEs representaram 57% desse montante (dados Sebrae).

São Paulo e Minas Gerais são os Estados mais avançados nesse quesito. Em São Paulo, essas compras somam 13% do PIB paulista, traduzidos especialmente em artigos médicos, odontológicos e hospitalares, veículos rodoviários, gêneros alimentícios e informática. Mas a expectativa é que até 2020 as compras sustentáveis alcancem o patamar de até 20%.

Para concluir, Borges atualizou o que há em andamento: o SPPEL (Sustainable Public Procurement and Ecolabelling) um projeto global, capitaneado pelo PNUMA, em 11 países, a fim de dar organicidade ao processo, com o devido destaque também para a rotulagem ambiental. Há também um estudo chamado Paper Brasil, estudo preliminar que embasa a criação das PCS e propõe recomendações estratégicas.

Em termos legais, a Lei n. 8.666/1993 trata das compras públicas e o decreto federal 7746/2012 traz suas diretrizes de sustentabilidade.

Como fazer: case DPaschoal

O segundo painel, Medir e testar antes de trocar – O consumo consciente como estratégia de construção de relações sustentáveis e duradouras no varejo, trouxe o case DPaschoal. Entende-se que o varejo é importante setor nas relações de consumo pela sua geração de resíduos, portanto, a conscientização torna-se estratégica.

De acordo com Eliel Bartels, head de Engenharia da empresa, em 2007, segundo pesquisa e indicadores internos, percebeu-se forte queda da satisfação por parte do cliente. Portanto, modificar um sistema interno, de recompensa aos vendedores – o que poderia levar a trocas desnecessárias de peças do veículo, o que não era sustentável nem para o cliente e nem para a empresa, envolvendo risco futuro de sua própria sobrevivência -, apostou-se no mote trocar vendas por servir.

Nesse sentido, foi lançado o programa Economia Verde, que demandou tempo de treinamento de funcionários, substituição de outros e expressivos investimentos, inclusive em desenvolvimento de produtos específicos de medição de desgaste de pneus, pastilhas e amortecedores. Com o lançamento de cartão de fidelidade, o veículo é submetido a um check up, com a indicação de peças que devem ser obrigatoriamente substituídas em função de desgaste e por segurança, e outros itens que ficam armazenados no sistema da empresa. Calculado o tempo de desgaste do item, futuramente o cliente é avisado pela DPaschoal, para retornar às lojas para a manutenção, em um relacionamento mais estreito e de confiança. Com o sucesso do Economia Verde, 1.400 clientes aderiram à parceria, e os indicadores internos mudaram. Na análise da empresa, a cada revisão se abrem sete oportunidades futuras de atendimento, o que garante, inclusive, a sustentabilidade da empresa e dos negócios.

Clique aqui para fazer o download do GUIA PCS.

Entrevista: Guia de Produção e Consumo Sustentáveis

Imagem relacionada a matéria - Id: 1539786805

Por Karen Pegorari Silveira

Durante a Semana do Meio Ambiente, promovida pela Fiesp, foi lançada a edição do Guia de Produção e Consumo Sustentáveis – Tendências e Oportunidades para o Setor de Negócios.

A publicação pretende mostrar às empresas a necessidade de adotar um modelo de desenvolvimento com menos impacto ambiental, para preservar a oferta de recursos naturais e os serviços ecossistêmicos, essenciais à manutenção da vida no planeta.

Em entrevista ao Boletim Sustentabilidade Fiesp, o diretor adjunto do departamento de Meio Ambiente da Fiesp, Marlucio Borges, fala sobre o Guia PCS e as tendências apontadas por ele.

Leia a entrevista na íntegra:

A primeira grande tendência é a produção e consumo em uma lógica circular, na qual os materiais são constantemente reciclados e reutilizados. Qual o benefício para o empresário que aderir a este modelo de produção?

Marlucio Borges – A lógica de PCS, na verdade, vai além da perspectiva de constante reciclagem/reutilização dos materiais. Pressupõe uma relação de dependência e de influência entre as dimensões de produção e consumo. Em outras palavras, uma dimensão influencia e é influenciada pela outra o que impacta de modo mais amplo o modelo de negócio das empresas. Assim, a ótica de PCS aporta ao empresário um entendimento mais robusto do papel da empresa no negócio e, portanto, permite identificar estratégias e práticas que garantem melhor desempenho, competitividade e posicionamento da empresa no mercado. Além disso, a abordagem de PCS está solidamente se concretizando como elemento de referência ao atendimento de outras políticas e instrumentos que vão desde às Políticas Nacionais de Mudança do Clima e de Resíduos Sólidos a protocolos globais como os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – ODSs (Agenda ONU pós-2015), sendo que o ODS12 trata especificamente de padrões de consumo e produção sustentáveis.

Sustentabilidade nas compras públicas também é um novo caminho e o governo brasileiro criou um programa que dá preferência a produtos e serviços com menor impacto socioambiental. Como esta mudança pode impactar as micro e pequenas indústrias?

Marlucio Borges – O Governo é um grande comprador respondendo por um percentual de compras no Brasil que pode chegar a 15% do PIB nacional segundo dados da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) o que, naturalmente, representa um potencial muito significativo de mercado.

As Compras Públicas Sustentáveis consolidam-se, portanto, como um movimento do Governo no sentido de estimular de modo sistematizado a valorização de negócios sustentáveis. Todavia, a grande questão no mundo todo é o modo de se implementar este processo de maneira que ele reverbere positiva e equanimente para todas as categorias de empresas e setores da sociedade. A gradualidade na adoção de princípios e critérios para CPS é sem dúvida uma das condições para permitir que as micro e pequenas empresas possam se aparelhar e se apropriar das vantagens econômicas e socioambientais desta iniciativa. Mesmo contando com uma maior flexibilidade frente às mudanças quando comparadas às grandes empresas, as micro e pequenas empresas contam com dificuldades e limitações crônicas cujo endereçamento também é condição para acessarem um fornecimento mais exigente previsto nas CPS.

Com a nova Resolução nº 4327 as instituições financeiras passaram a fazer mais exigências para liberar financiamentos às empresas. Como esta resolução atinge o segmento industrial e como o empresário pode se ajustar para obter benefícios através desta resolução?

Marlucio Borges – A Resoluçao nº4327 do Banco Central representa a consolidação de um movimento que tem como marco importante os Princípios do Equador e que trata não só da incorporação de regras de responsabilidade socioambiental nas atividades financeiras mas também da própria corresponsabilidade dos agentes financeiros nas operações de concessão de crédito. Vale registrar que esse movimento de incorporação já vem acontecendo na indústria há muito tempo e tem sido um papel nosso no DMA FIESP demonstrar ao empresariado como esse processo, à luz do entendimento e adoção de posturas sustentáveis, pode representar um ganho de valor para o negócio. No caso da Resolução 4327, apenas como exemplo e de modo muito sucinto, uma das abordagens da PRSA (Política de Responsabilidade Socioambiental) dos agentes financeiros refere-se à questão de gestão do risco socioambiental na qual procedimentos preventivos apresentam-se como um dos principais caminhos de atendimento. Nessa linha, há quase duas décadas o DMA/FIESP não só fomenta a adoção de práticas preventivas, como a Produção + Limpa (P+L), mas também prepara o empresariado por intermédio da disseminação de conceitos, capacitação e formação de parcerias estratégicas. Assim é, que durante esta Semana de Meio Ambiente 2015 da FIESP tivemos a satisfação de lançar o Guia Produção e Consumo Sustentáveis: tendências e oportunidades para o setor de negócios, uma parceria FIESP/PNUMA com foco em pequenas e médias empresas e, que tem em sua base de objetivos fortalecer o posicionamento da indústria e do empresariado facilitando  não somente o ajuste para o acesso a benefícios de uma Resolução como a 4327 mas principalmente se desenvolverem e gerarem desenvolvimento.

Rastrear o Ciclo de Vida dos produtos é outra grande tendência mundial e, em algum momento, as micro e pequenas empresas receberão demandas de seus clientes relacionadas às questões de sustentabilidade. Como estas empresas podem incorporar este processo e serem mais competitivas?

Marlucio Borges – Como tendência mundial penso em uma abordagem mais sistêmica, ampla e fundamentada sobre as dimensões de produção e consumo em todas as suas vertentes o que nos leva a um pensamento do Ciclo de Vida e não simplesmente em seu rastreamento. De modo sucinto, é possível assumir que para as micro e pequenas empresas um caminho inicial e necessário é buscar conhecimento sobre o seu próprio negócio e sobre o mercado para poder responder a perguntas simples mas fundamentais (que valem também para as grandes) tais com: onde estou? onde quero chegar? como chegar lá? O Guia PCS citado acima, já considerando o pensamento do Ciclo de Vida, dá algumas pistas para estas perguntas.

Inovação para a sustentabilidade também terá cada vez mais relevância na competividade das empresas pois, está diretamente relacionada à melhoria de eficiência e produtividade. Como este tipo de estratégia pode ajudar as micro e pequenas indústrias a ganharem mais mercado?

Marlucio Borges – Primeiro, é preciso entender o que significa inovação e como ela pode realmente transformar um negócio. Para o caso de micro e pequenas empresas tal entendimento se faz ainda mais essencial porque tem a ver com a capacidade de aderência e de assimilação deste fundamental agente de mudança. Uma das maneiras de se definir inovação é entendendo-a como um veículo que permite a transformação do conhecimento em valor. Sob este aspecto e de maneira geral, é preciso conceber estratégias simples que potencializem o conhecimento muitas vezes “escondido” nas empresas de modo que se transformem em valor. Vemos, por exemplo, conhecimentos do chão-de-fábrica que quando devidamente considerados e trazidos à tona trouxeram modificações práticas que geraram grande valor às empresas. Isso é inovação. Pensando em pequenas empresas, um grande desafio sem dúvida é efetivar estes caminhos de inovação. Sem querer ser repetitivo, mas já fazendo um convite à leitura, há também no Guia PCS FIESP/Pnuma: tendências e oportunidades para o setor de negócios um pouco desta discussão e sugestão de encaminhamentos.

Guia de Produção e Consumo Sustentáveis: tendências e oportunidades para o setor de negócios

Imagem relacionada a matéria - Id: 1539786805

 O guia é um projeto fruto de uma parceria entre a FIESP, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, e o PNUMA, Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, principal organização dentro da ONU no campo ambiental.

A iniciativa tem como principal objetivo a sensibilização e o engajamento do setor industrial do Brasil e partes interessadas, especificamente do Estado de São Paulo, na implantação de políticas e práticas de Produção e Consumo Sustentável, com foco específico em empresas de pequeno e médio porte.

Clique aqui, para visualizar ou baixar a publicação em seu computador ou acesse o menu ao lado.

‘Responsabilidade socioambiental é auferir lucro com ética’, afirma representante do BC

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

No primeiro painel do seminário “Produção e Consumo Sustentáveis”, realizado nesta quinta-feira (06/11), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, o tema debatido foi “Política Socioambiental do Sistema Financeiros e Seguros”. A mediação foi da analista no Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Regina Cavini.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1539786805

Seminário Produção e Consumo Sustentáveis debate Política Socioambiental do Sistema Financeiros e Seguros. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Os especialistas convidados focaram suas apresentações na resolução 4.327, de abril de 2014, do Banco Central (BC), que traz diretrizes para implementação da Política de Responsabilidade Socioambiental (PRSA) por todas as instituições do setor financeiro.

O assessor do departamento de regulação do sistema financeiro do Banco Central, Antonio Marcos Guimarães, falou sobre as motivações do banco, pioneiro na criação de uma regulação.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1539786805

Antonio Marcos Guimarães, do Banco Central: "Responsabilidade socioambiental é auferir lucro com comportamento ético e responsável”. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

“A responsabilidade socioambiental ocorre quando se integram preocupações sociais e ambientais nas atividades do negócio e nas relações com as partes interessantes. Não queremos que essa questão seja tratada como filantropia ou marketing. Queremos efetividade”, afirma. “Responsabilidade socioambiental é auferir lucro com comportamento ético e responsável”, completou

Segundo ele, o Banco Central decidiu criar uma regulação porque percebeu que iniciativas de autorregulamentação não estavam tendo a efetividade necessária para garantir padrões mínimos, enquanto outras instituições mantinham uma posição negligente e expor o sistema financeiro a risco.

“Para reduzir essas falhas de mercado, nós resolvemos intervir com a norma para estabelecer padrões mínimos que todos têm que respeitar”, disse Guimarães que destacou que os próximos passos serão a criação do relatório de PRSA, para mensurar a efetividade da política, a implementação e auto-regulação.

Representando o lado das instituições financeiras Maria Eugênia Taborda, gerente de sustentabilidade do Itaú ressaltou a importância dos princípios de proporcionalidade e relevância na aplicação da regulação.

Segundo ela, com a criação da norma, muitos empresários consideraram que isso dificultaria o acesso ao crédito, mas ela acredita que a norma não tem o objetivo de limitar o crédito. “A gente não quer deixar de fazer negócios, a gente quer fazer bons negócios”, declarou.

E como fazer bons negócios com base na norma? “O banco tem todo interesse em dar crédito para todas as empresas, mas precisa pensar em mitigar os impactos socioambientais desses projetos e ajudar as empresas a se adequarem”, explicou a executiva.

Para Maria Eugênia, a norma dá as diretrizes, mas cada empresa precisa ser tratada de acordo com seu tamanho, tipo e peculiaridades. “Quando a gente fala em gestão de risco socioambiental, não é igual para todo mundo. Não dá para aplicar as mesmas normas ao pequeno empresário que eu aplico com uma grande empresa”, disse ela.

Estímulo às boas práticas

A diretora-adjunta da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e superintendente executiva de sustentabilidade do Santander, Linda Murasawa, falou sobre a relação da resolução com o programa de produção e consumo sustentável.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1539786805

Linda Murassawa: "O cumprimento das exigências e as práticas dos processos de sustentabilidade colocados pela ONU farão o Brasil ter destaque no cenário mundial". Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

“Cada vez que as empresas trazem conceitos de responsabilidade socioambientais, estão fazendo a mitigação de riscos de legislações ambientais, das questões sociais e também a econômica porque estão fazendo uma proteção ao capital”, afirmou. “Começa a ter mais eficiência, melhoria dos custos de produção, traz competitividade ao produto tanto no mercado nacional quanto no internacional.”

Segundo ela, o banco, baseado nas normas, tem um olhar de estímulo de crédito para os clientes que aplicam a responsabilidade socioambiental por ele ter boas práticas e destina capital para as empresas que estão cada vez mais aderentes às práticas. Além disso, Linda destaca que o banco também analisa sua própria “produção”.

“A produção e o consumo sustentável também se aplica ao banco. Um banco produz também. No caso do Santander, que tem cerca de 28 milhões de clientes, o envio de um extrato é um processo produtivo. Existe também do lado do banco uma preocupação com um processo sustentável.”

Para a representante da Febraban e do Santander, essa política também colabora para o País na competição internacional. “A gente compete com players muito pesados. Por isso quando eu falo que o Brasil tem política de responsabilidade socioambiental para os bancos, o setor industrial brasileiro respeita todas as regras nacionais e internacionais e tem aderência a políticas de sustentabilidade, fica mais fácil trazer o fluxo de capital para o País.”

“Tudo isso compõe um ecossistema, que traz um benefício para todos. O cumprimento das exigências e as práticas de todos os processos de sustentabilidade colocados pela Organização das Nações Unidas (ONU) vão fazer com que o nosso país tenha destaque no cenário mundial, que o Brasil já tem, mas tem espaço para crescimento.”