Presidente da Petrobras descarta aumento da produção de gasolina para compensar etanol

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, descartou por ora qualquer mudança no plano de negócios 2012-2016 da estatal relacionada ao aumento da capacidade para produção de gasolina para suprir o buraco da oferta de etanol.

Maria das Graças Foster, presidente da Petrobras

“Vamos dar tempo ao tempo. Os grupos estão estudando, mas hoje eu digo para vocês que o que está no plano de negócios e gestão não prevê a incorporação de novas unidades de processo com vocação para gasolina”, afirmou a presidente da petroleira estatal.

Após participar da cerimônia de encerramento do 13º Encontro Internacional de Energia da Fiesp, Graça Foster disse que a Petrobras está “trabalhando forte para que o etanol volte”. Ela ainda sugeriu que os usineiros do setor sucroalcooleiro devem resolver com o Ministério de Minas e Energia “equações” como a formação de política de preços.

Crise do etanol

Depois de comemorar um salto da produção em 2008, chegando 648,85 milhões de toneladas, a produção brasileira de etanol amarga uma forte crise, na qual muitas usinas, endividadas, estão sendo colocadas à venda.

“A gente entende o discurso dos usineiros. Eles colocam que têm algumas dificuldades no mercado e que há um desequilibro entre os preços que podem praticar. Eu considero importante que eles resolvam essa equação junto ao Ministério de Minas e Energia, junto à Agência Nacional de Petróleo”, afirmou a executiva da Petrobras.

Ultimamente, falta etanol para abastecer até mesmo à demanda interna, por conta de quebra de safras, condições climáticas adversas, endividamento e ausência de novos investimentos. Ainda assim, a presidente da Petrobras não considera mudanças nos projetos da estatal para atender à demanda deixada pelo biocombustível.

“Eu sou meio rígida nas questões de mudança de escopo. Li outro dia que está decidido mudar o escopo do projeto das novas refinarias para mudar o perfil. Se a gente faz isso agora, você pode colocar aí mais um atraso expressivo em cima dessas refinarias que nós tanto precisamos e que nós já estamos há um ano e meio trabalhando”, reiterou.

Para Graça Foster, a capacidade aumentada de produção da gasolina oferece um alívio momentâneo, mas criará um novo problema: o excedente de oferta do combustível fóssil quando o etanol retomar o fôlego, comportamento que ela acredita ser possível em 2014.

“E quando o etanol voltar, como é que nós ficamos com esse investimento para uma gasolina que hoje falta, mas com a volta do etanol se completa? O mercado aponta que no próximo ano a oferta já esteja maior e que em 2014 já esteja resolvido”, ponderou a presidente da Petrobras, sem deixar claro se haverá novos ajustes de preço da gasolina. “Preço também é um assunto que está sempre sendo colocado em pauta.”