13º PRÊMIO DE CONSERVAÇÃO E REÚSO DE ÁGUA – CASES VENCEDORES

 

 

 

 

 

 

 

O Prêmio FIESP de Conservação e Reúso de Água objetiva conhecer, difundir e homenagear, anualmente, empresas que utilizam boas práticas na promoção do uso eficiente de água, com medidas efetivas na redução do consumo e do desperdício de água, gerando benefícios ambientais, econômicos e sociais e aumentando a competitividade do setor, bem como dar ampla publicidade às ações realizadas pela indústria paulista na construção do desenvolvimento sustentável.

Em 2018 foram 25 projetos inscritos para concorrerem ao Prêmio, nos links abaixo é possível conferir os projetos das empresas vencedoras.

Médio/Grande Porte

  • L’oreal Brasil

Projeto: Visão Fábrica Seca – Uma abordagem para redução do consumo de água

 

Micro/Pequeno Porte

  • Metalúrgica Inca

Projeto: Economia de água no setor de Injeção

 

Conheça as ganhadoras das menções honrosas!

Acesse aqui.

L’Oreal e Metalúrgica Inca vencem 13ª edição do Prêmio de Conservação e Reúso de Água

Agência Indusnet Fiesp

A Procosa, fábrica da L’Oréal na cidade de São Paulo, venceu a 13ª edição do Prêmio de Conservação e Reúso de Água da Fiesp na categoria das indústrias de médio e grande porte. Entre as empresas de pequeno porte, a ganhadora foi a Metalúrgica Inca. A cerimônia de entrega do prêmio, no prédio da Fiesp, foi realizada nesta quarta-feira (28 de março).

O Prêmio de Conservação e Reúso de Água prestigia as indústrias que adotam boas práticas e projetos voltados à água. Em 2018, inscreveram-se 19 empresas na categoria  médio e grande porte e 6 entre as de micro e pequeno porte, totalizando 25 inscritos. Entre eles, representantes dos setores de perfumaria e cosméticos, químico e metalúrgico, entre outros. Todos os projetos são detalhados no site do prêmio.

L’Oréal e Metalúrgica Inca vencem 13ª edição do Prêmio de Conservação e Reúdo de Água. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Desde 2006, já foram inscritos 261 projetos de 185 empresas participantes, com investimentos superiores a R$ 857 milhões e economia de água de 130.972.975 m³/ano, mais de. O reúso é feito por 82% das empresas participantes.

Nelson Pereira dos Reis, diretor do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp (DMA), lembrou que o Prêmio foi instituído em 2002, quando ocorreu a primeira crise hídrica, como iniciativa de apoio às empresas.

Na categoria médio/grande porte o primeiro lugar coube à Procosa (L’Oréal), com o projeto Visão Fábrica Seca – uma abordagem para redução do consumo de água, em sua fábrica Procosa, na capital (SP). A L’Oréal está presente em mais de 130 países, é líder mundial em beleza e acumula mais de um século de experiência, estando presente no Brasil desde 1959. Ao longo de cinco anos, o investimento feito foi de cerca de R$ 980.000.

Como justificativa, segundo relatório da ONU, o Brasil está entre os países com maior estresse ambiental devido a mudanças nos fluxos naturais dos rios levando à degradação dos ecossistemas. Sem mudança, o mundo sofrerá déficit de 40% no abastecimento de água em 2030.

Nesse sentido, o intuito do projeto foi reduzir o impacto ambiental em suas atividades e o consumo de água na cadeia produtiva, tanto da rede pública quanto de mananciais superficiais e subterrâneos, além da redução do consumo específico de água e incremento do reúso.

O projeto foi colocado em prática na fábrica Procosa, unidade com mais de 44 mil m2 de área construída, voltada à fabricação de produtos cosméticos, como shampoos, condicionadores e maquiagem. Na planta, um dos maiores consumos de água se dava nas torres de resfriamento por condensação de água, as quais eram utilizadas para resfriamento dos compressores de água gelada. Foram substituídos por compressores com condensação a ar e alta eficiência energética.

Outro ponto de atenção foi o reúso de água de osmose. A água utilizada nos produtos passa por ultrafiltragem, e esse sistema descartava aproximadamente 40% da água neste ponto do processo e se passou a reaproveitar 100%, que se destina agora à distribuição em vasos sanitários. Também se montou mictório ecológico – que não utiliza água e que contém dispositivo que elimina odor. Outra ação foi a instalação de redutores de consumo na totalidade das torneiras dos banheiros da unidade.

Essas ações se complementaram com a instalação de hidrômetros online para detectar os principais consumidores e possíveis vazamentos na rede de distribuição. Também se alterou a sequência de produções, dispensando lavagens e sanitizações entre lotes de fabricação.

A fim de envolver os colaboradores e terceiros para desenvolver a cultura de sustentabilidade, em 2017 se colocou em operação a “Casa Verde”, na qual se pôde visualizar as boas práticas sustentáveis no ambiente familiar.

Os resultados obtidos são significativos: redução de 45% de litros/unidade produzida em 2017, comparada a 2005; redução de 88.000 m3, em 2017, em comparação a 2005, o que equivale a 35 piscinas olímpicas; e o reaproveitamento de 100% de água de osmose.

Esta foi a primeira vez que a L’Oréal Brasil se inscreveu no Prêmio de Conservação e Reúso da Fiesp e já sai como vencedora. De acordo com Thiago Ferreira de Aquino Ramos, gerente corporativo de saúde, segurança e meio ambiente da L’Oréal Brasil, o objetivo foi diminuir a pegada hídrica em suas operações, em função do compromisso com a conservação de água, redução de CO2 e redução da geração de resíduos. O resultado foi obtido por meio de um conjunto de ações realizadas nos últimos 13 anos. Segundo Ramos, o principal consumo hoje vem da lavagem de reatores, foram instaladas algumas tecnologias, e ajustes na forma do processo de fabricação dos produtos, levou à essa redução. As iniciativas do consumo doméstico (aeradores em torneiras e mictórios sem utilização de águas) também contribuíram para o resultado final. “Como a água é um insumo essencial na Procosa, o desafio é sempre reduzir o seu uso”, disse.

De acordo com Eduardo Pinheiro, coordenador de meio ambiente da planta de São Paulo, em 2019 será instalada nova estação de tratamento, também como apoio ao reúso, rumo ao projeto de transformação da Procosa em fábrica seca, ou seja, zerar o consumo de água (exceto a usada no tratamento diferenciado na produção e no consumo humano), contando-se com circuito fechado.

Menções Honrosas na categoria média/grande porte:

General Motors – Conservação e Reúso de Água – Complexo São Caetano (SP) – o projeto de água de reúso na GM foi repaginado em função da crise hídrica, em 2014 e, desse ano para cá, aumentaram-se os novos pontos de reúso, diminuindo o envio de efluente para despejo. A água de reúso é usada em sanitários, processos, lavagem de pisos, torres de resfriamento, resfriamento de bombas e sistemas de incêndio. Na produção de manufatura dos veículos são utilizados, em média, 550 milhões de litros de água por ano. Em 2017, em comparação com 2015, o consumo de água por unidade produzida foi reduzida em 40%. 24% de toda a água utilizada na planta é água de reúso. De 2014 a 2017, o aumento do consumo de água de reúso foi da ordem de 220%. Também foram substituídas torneiras e instalados redutores de vazão. A GM conquistou o certificado de Aterro Zero, sendo a primeira empresa em São Caetano do Sul a obter a marca de 100% de resíduos industriais gerados a partir do seu processo produtivo.

Companhia Brasileira de Alumínio (CBA, em Alumínio, SP) – Progressos no tratamento de água industrial e no uso de água no processo produtivo do alumínio para redução de captação de água nova – a produção de alumínio primário e seus produtos transformados necessitam de volumes expressivos de água e é essencial a redução da captação e do consumo. A redução da captação de água nova é meta estratégica da companhia, contemplada no Planejamento Estratégico para 2025, por meio de iniciativas individuais, em equipe e de empresas terceiras, mas especialmente por alterações na própria planta, incluindo melhoria na gestão. A partir do balanço hídrico, obteve-se eficiência da ordem de 85,8%, em 2017. Em relação à captação de água nova, em 2017 captou-se uma média de 160 m3/h, redução significativa, pois em 2015 era de 262 m3/h, redução de 39%, portanto. A utilização de água de reúso na planta, de 52,2%, em 2015, se elevou para 73%, em 2017. E estes índices foram obtidos apesar do aumento de produção verificado, que não teve impacto no consumo de água.

Raízen EnergiaReúso de águas na Raízen traz mais energia – na unidade Maracaí (Assis, SP), quebrou-se um paradigma com a utilização do condensado de cana-de-açúcar, resultante da primeira evaporação do caldo, como reposição nas caldeiras. Não só foram reduzidos os volumes de captação de água e de lançamento de efluentes, como também essas ações trouxeram adicionalmente ganhos energéticos no aproveitamento de correntes quentes. Na unidade Raízen Diamante (Jaú, SP) o destaque foi o reúso direto dos efluentes líquidos. As duas unidades reduziram a captação de água em mais de 540 milhões de litros, equivalente ao abastecimento anual de uma cidade de 9 mil habitantes. O volume dos efluentes foi reduzido em mais de 175 milhões de litros. O ganho energético com o reúso de águas quentes do processo nas caldeiras equivale a 2,5 milhões de kW em 2018/2018, suficientes para atender a demanda anual de 1.237 residências e 4.300 habitantes. Os resultados globais da Raízen levaram à redução de captação de água de quase 9 bilhões de litros em três anos, equivalente ao consumo anual de uma cidade de 143 mil habitantes. Esse volume equivale a 44 bilhões de copinhos de água, que, enfileirados, representa, 76 voltas no nosso planeta ou o volume de 3.500 piscinas olímpicas.

Avon – Projeto Renovare Aqua (SP) – O objetivo do processo foi buscar alternativas inovadoras a fim de reduzir a captação e consumo de água, através do reúso de efluentes provenientes da unidade de Interlagos e Comissão Interna de Conservação de Água. Entre as várias ações realizadas – instalação de medidores de vazão, campanhas de conscientização, estudo e reutilização da água de sanitização de processo e projeto de reúso de água em sanitários e sistemas industriais – foi obtido o seguinte resultado: a empresa reduziu 87.476 m3 de consumo de água, ou 23% desde 2013 a 2017. E atingiu a redução de 40% do consumo total de água desde 2005, antecipando sua obrigação de sustentabilidade, declarada no relatório anual Corporate Responsibility Report.

Na categoria pequeno porte a vencedora foi a Metalúrgica Inca – Economia de água no setor de injeção (Mococa, SP). Trata-se de uma empresa com foco voltado ao projeto, desenvolvimento, fabricação e comercialização de produtos estampados em aço; injetados em alumínio e zamac, sob pressão; acessórios injetados em plástico; e galvanização dos produtos. O objetivo do projeto foi economizar o volume de água potável utilizado no processo de Injeção com aquisição de novo equipamento. Com o novo sistema, economizou-se água potável – redução aproximada de 80% – e também energia elétrica. O payback previsto em até 15 anos se soma aos ganhos com produção e manutenção. A injetora de plástico adquirida requer menor volume de água potável em seu processo.

A Inca participa há dez anos do Prêmio de Conservação e Reúso de Água da Fiesp e neste período conquistou o primeiro lugar em três oportunidades, além de três menções honrosas, como enfatizou Riad Xavier Jauhar, diretor da empresa. Ele explicou que houve a substituição de uma máquina antiga de resfriamento do molde, pois a água era descartada por completo. Foi feita a aquisição de novo equipamento e também de um resfriador de água, e agora o processo se dá em circuito fechado, sem necessidade de descarte ou descontaminação. O investimento próximo de R$ 20.000,00, com payback de 8 anos, é relativamente baixo e demonstra que é possível buscar soluções funcionais e criativas, inclusive para pequenas empresas.

Menções Honrosas na categoria pequeno porte:

Eco Panplas Indústria e Comércio de Plásticos (Hortolândia, SP) – Uma solução sustentável para a reciclagem das embalagens plásticas contaminadas com óleo – O objetivo foi desenvolver um equipamento cujo sistema produtivo permita a reciclagem das embalagens de óleos, sem a utilização de água na descontaminação e sem geração de efluentes e resíduos. Com o desenvolvimento e uso de solvente ecológico em circuito fechado e contínuo, o óleo é separado das embalagens plásticas, permitindo a recuperação do óleo e do plástico, com escala de produção, e perda mínima do solvente, pois se trata de processo renovável e contínuo. Essa é uma solução para as embalagens de óleo lubrificante e óleo de cozinha (vegetal), que representam consumo anual, no Brasil, de 5 bilhões de litros, gerando 70 mil toneladas de plástico contaminado. Um litro de óleo lubrificante pode contaminar 1 milhão de litros de água. Um litro de óleo de cozinha contamina 25 mil litros de água. Essa tecnologia limpa tem alta capacidade de produção, 220 toneladas/mês, o equivalente a 4 milhões de garrafas processadas e 7,5 mil litros de óleo recuperados. Entre os ganhos, melhoria na gestão de riscos (zero risco e passivo ambiental) e resultados socioambientais e econômicos para a cadeia de plástico e logística reversa. O plástico moído, totalmente limpo, apresenta maior qualidade. Se antes se consumia 500 litros/dia com alto custo de tratamento, com reagentes e absorventes, cujo resultado era um plástico com óleo, após o projeto, eliminou-se a necessidade de água, não se gera efluentes e resíduos e recuperam-se todos os insumos, obtendo-se um produto ecológico.

Planeta Ecco produtos químicos – Redução do consumo de água em lavanderias através da implementação de sistema de reúso de baixo custo – o projeto voltado a lavanderias domésticas/industriais, a São Jorge e a Lavema. Os obstáculos a serem superados, especialmente pelas empresas de pequeno porte, é o custo elevado da instalação de sistemas de reúso, bem como a área a ser disponibilizada. O projeto provou que é possível implantar sistemas de baixo custo com recuperação mínima de 65-70% de todas as águas utilizadas nos processos de lavagem mecânica e manual, proporcionando redução média de 50% no gasto da água, abatidos os custos de tratamento químico. O retorno sobre o investimento é estimado em dois anos.