Especialistas discutem problemas estruturais da educação

Rosângela Gallardo, Agência Indusnet Fíesp

Os problemas estruturais da educação brasileira foram discutidos no último painel do Congresso da Indústria 2010, realizado pela Fiesp/Ciesp nesta segunda-feira (8), no World Trade Center (WTC), em São Paulo.

Segundo Maria Helena Guimarães de Castro, presidente do Conselho Superior de Responsabilidade Social (Consocial), o risco de apagão de mão de obra está diretamente relacionado à educação, especialmente no ciclo básico. Ela também alertou que o grande problema do Brasil não é a quantidade de investimento em educação, mas a eficiência desses gastos.

E destacou: “O Brasil destina cerca de 5% de seu PIB para a educação, índice próximo dos países desenvolvidos. Mas, diferentemente dessas nações, temos um problema de escala, pois nossa população em idade escolar corresponde ao índice demográfico de 20 Finlândias”.

A presidente do Consocial foi enfática ao afirmar que o Brasil precisa melhorar seus gastos visando três alvos:

  • Formação dos professores e, consequentemente, a remuneração da classe;
  • Adoção de políticas públicas para alunos de educação infantil entre 4 e 5 anos;
  • Melhoria dos currículos do Ensino Médio, ciclo onde a evasão escolar chega a 45%.

 

“A situação do Ensino Médio é bem grave, pois apenas 15% dos alunos matriculados nessa fase dominam as competências do Fundamental”, pontuou Maria Helena Castro.

Na avaliação da especialista, um dos fatores para essa distorção é o conteúdo ministrado, excessivamente enciclopédico e que não aprofunda os conhecimentos. “É preciso diminuir o número de disciplinas obrigatórias”, opinou.

Já em relação ao Ensino Superior, ela informou que a situação é curiosa: “O Brasil produz pesquisa de ponta em 10 ou 12 universidades com ensino de excelência, mas no conjunto não há a internacionalização do conhecimento.”

Contribuição da Indústria

Walter Vicioni, superintendente operacional do Sesi-SP e diretor regional do Senai-SP, salientou que a nova ordem econômica passa pelos recursos humanos, as habilidades e as competências dos trabalhadores, foco prioritário do Sesi-SP e do Senai-SP.

“Nossa diretriz educacional tem como meta a correlação entre a educação, o desenvolvimento humano e a competitividade”, destacou, lembrando que na década de 1940 os empresários tinham a total dimensão da importância da educação. “Não por acaso, eles criaram o Sesi e o Senai para formar de modo contínuo”.

Nos últimos seis anos, o Sesi-SP ampliou em 46% suas matrículas no Fundamental, e tem projeção de atender cerca de 72 mil alunos nesse ciclo, em período integral, em 2015. Outra importante mudança criada foi o desenvolvimento do currículo integrado de 40 horas semanais, desmistificando a ciência e a tecnologia.

Vicioni pontuou que a grande expansão educacional a ser proporcionada pela entidade virá do Sistema Sesi de Ensino: “Podemos multiplicar nosso modelo educacional para todo o estado, mas sempre respeitando as especificidades locais, porque quem dá identidade à educação é o professor”.

Em relação ao Senai-SP, ressaltou o crescimento geral de 40% na oferta de vagas e da criação de cinco novas faculdades entre 2004 e 2009. “Estamos ampliando oportunidades para que as pessoas tenham ensino de qualidade na área tecnológica, pois, de mais de 24 mil cursos superiores existentes no Brasil, apenas 2,8% são de tecnologia”, informou Vicioni.