‘Uma empresa não pode ser do tamanho de uma pessoa, tem que ser maior’, afirma Ricardo Propheta

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Após descobrir um tipo de trabalho no qual se identificava ao trabalhar na GP Investimentos em 2002, o engenheiro de produção e atual sócio da BRZ Investimentos, Ricardo Propheta, teve a oportunidade de realizar vários tipos de negócios. Convidado para o seminário “Melhores Práticas de Gestão” — evento realizado quarta-feira (08/08) pelo Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em parceria com a Endeavor — , Propheta descreveu que a  atividade de um profissional de investimento de participações ou private equity (nome mais usado) está presente desde a análise e busca de oportunidades de investimento até a realização e acompanhamento das empresas.

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Da esq. p/ dir.: Patricia Meirelles, Wilson Poit e Ricardo Prophete, durante encontro do CJE da Fiesp

“Desde 2005, a GP tinha necessidade de fazer investimentos em empresas maiores – um perfil de investimento que a instituição faz. Como naquele momento a Poit Engenharia não tinha o tamanho necessário para GP investir, infelizmente não conseguimos identificar uma oportunidade viável. A história acabou esfriando, mas o contato com o Wilson Poit permaneceu”, recordou o diretor.

Em 2006, a GP precisava de alguém para liderar o início da área de private equity de sua subsidiária BRZ Investimentos. Ricardo Propheta assumiu o posto e hoje é diretor e um dos acionistas da BRZ, cujo perfil de investimento é completamente diferente da GP, explicou. “A BRZ tem algumas áreas de investimentos, não faz só private equity; também tem fundos líquidos, fundos de bolsa, de crédito, entre outros.”

Segundo Propheta, a principal área da BRZ hoje em dia é justamente o private equity, com investimento prioritariamente em participações minoritárias em empresas que estão indo muito bem no mercado. “Não buscamos organizações em dificuldades para tentar reverter a situação. Pelo contrário, buscamos empresas boas, que tenham um grupo de executivos excelentes. Queremos aquelas que precisem de capital financeiro, mas que também necessitem de capital humano, de gestão.”

Formalização

Após um telefonema para  Wilson Poit, rapidamente o investimento foi concretizado: “Já estávamos no final de 2007, foi muito rápido e simples”, afirmou Propheta. Ele se surpreendeu positivamente na Poit Engenharia, o que considerou “uma exceção”.

“Quando chegamos, a empresa já tinha um conselho de administração muito bem montado, e o que fizemos foi dar um pouco mais de formalidade ao conselho, tentamos implementar os níveis máximos de governança corporativa”, detalhou Ricardo Propheta. De acordo com ele, outro aspecto saudável para a Poit foi a criação de um comitê financeiro, com respaldo de uma assessoria do conselho que analisa os números da companhia.

O passo fundamental se deu no processo de profissionalização da gestão da companhia, possibilitado pelo dono da Poit Engenharia. “O Wilson teve a capacidade de buscar no mercado um grupo que fosse capaz de continuar o trabalho dele”, sublinhou o diretor.

Propheta ressaltou que a participação de um sócio financeiro (BRZ) foi importante também para estabelecer um diálogo com o dono da Poit, e mostrar a ele a importância desta profissionalização da empresa. “Ela está sempre na mão do empreendedor, mas é importante trazer pessoas de fora para continuar este trabalho; uma empresa não pode ser do tamanho de uma pessoa, tem que ser maior”, analisou, classificando como fundamental o ‘desapego’ de Wilson Poit com a empresa, antes centralizada.

Ao finalizar, Ricardo Propheta recomendou às companhias estarem sempre um passo à frente de suas necessidades. “Neste caso [da Poit Engenharia], foi um trabalho que sempre foi feito em melhorias de gestão, de reforço das equipes. E acho que isso deu respaldo para a empresa se tornar independente”, pontuou.