Premier turco busca aproximação com Mercosul e assina acordos para maior fluxo comercial

Agência Indusnet Fiesp 

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Recep Tayyip Erdogan (ao centro) veio ao Brasil para articular aproximação com o Mercosul e assinar acordos que aumentem fluxo comercial entre Brasil e Turquia. Foto: Vitor Salgado

O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, afirmou na noite desta quarta-feira (26), que o recente acordo para enriquecimento de urânio do Irã, assinado entre Brasil e Turquia, irá fortalecer a parceria comercial entre os dois países.

Tanto, que nesta quinta-feira (27), o premier turco se encontrará com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para a assinatura de acordos que prometem aquecer as trocas comerciais. “Durante minha visita, quero articular uma aproximação com o Mercosul e assinar acordos que garantam o aumento no fluxo comercial entre Brasil e Turquia”, disse o premier.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, que acompanhou Erdogan durante encontro empresarial na Fiesp, enalteceu a “promissora parceria”, mas desmentiu a hipótese da assinatura de um acordo de livre comércio entre o Mercosul e Turquia. “Não existe acordo, apenas conversas iniciais […] O foco do Mercosul está nas negociações com a União Europeia e México”, explicou.

Miguel Jorge também disse aos empresários turcos que, para este ano, os investimentos de empresas brasileiras no exterior devem alcançar cifras superiores a US$ 15 bilhões. A projeção representa uma alta em relação ao volume aportado no exterior no ano passado, de US$ 10 bilhões, mas ainda bem abaixo do valor registrado em 2008, de US$ 20,5 bilhões.

Dados do próprio ministério mostram que nos primeiros quatro meses, a corrente comercial entre os dois países cresceu 53%, quando comparado com o mesmo período do ano passado. O fluxo comercial entre Brasil e Turquia alcançou US$ 1 bilhão em 2009. O Brasil vendeu aos turcos US$ 610 milhões e comprou US$ 399 milhões no ano, o que representou um arrefecimento de US$ 100 milhões, em comparação a 2008.

Minérios (18,8%), máquinas e aparelhos mecânicos (10,1%) e alumínio (9,6%) lideram as exportações brasileiras para o país. Do lado das compras, mais de 50% da pauta é concentrada em automóveis (21,7%), ferro fundido e aço (20,3%) e fibras sintéticas (12,4%).

De acordo com diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca, o comércio ainda é muito pequeno, mas com possibilidade de ampliar-se em cinco vezes. “O Brasil, apresenta oportunidades de negócios nos mais variados campos”, disse o diretor do Derex, e destacou ainda a posição privilegiada o Brasil para atender a demanda mundial por alimentos que, até 2025, segundo ele, deverá saltar para 4 bilhões de toneladas.

“Se algum país tem potencial para garantir a segurança alimentar no globo, esse país é o Brasil”, explicou. Inclusive, um dos acordos que o premier assinará com o presidente Lula se refere a este setor, além de outro com foco nas barreiras sanitárias e bitributação.

O secretário de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Meziat, também abordou o potencial entre as duas nações. Ele destacou as oportunidades no setor automobilístico, área e que a Turquia vem se destacando com o fornecimento de autopeças. De acordo com ele, cerca de 1,8 mil empresas brasileiras já fazem negócios com as empresas turcas.