‘Quanto mais cedo aplicarmos recursos, menos recursos vamos ter que aplicar’, diz membro do Consocial em lançamento do programa Fiesp e Ciesp pela Primeira Infância

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Não há investimento mais inteligente e de retorno mais alto. Principalmente num país pobre e tão desigual como o Brasil. Com esse foco, foram lançados, na manhã desta sexta-feira (28/09), o programa Fiesp e Ciesp pela Primeira Infância e o projeto Empresários pela Primeira Infância. O objetivo das duas ações, apresentadas na sede da federação, é mapear a situação da primeira infância no Brasil, bem como as oportunidades de participação ativa dos empresários na construção de uma sociedade mais capaz de aprender, julgar e agir. O lançamento teve a participação do presidente em exercício da federação e do centro das indústrias, José Ricardo Roriz Coelho.

“A etapa mais importante da vida são os primeiros mil dias de uma criança”, disse Roriz. “Estou feliz por estarmos assinando esse termo de cooperação técnica”.

Para Roriz, crianças bem preparadas desde cedo terão mais base para se desenvolver no futuro, inclusive na vida profissional.

Presidente do Conselho Superior de Responsabilidade Social (Consocial) da Fiesp, Raul Cutait lembrou que a primeira infância “tem sido um tema marginal, que não ganhou a importância necessária”. “A Fiesp está envolvida com os temas ligados ao bem-estar dos cidadãos”, disse. “Ou investimos nos jovens ou o mundo não vai crescer como deve”.

Outra personalidade envolvida com os projetos, o presidente da fundação que leva o seu nome, José Luiz Egydio Setúbal, destacou que “o melhor investimento é aquele feito na primeira infância”. “As crianças de hoje serão os funcionários dos senhores nas próximas décadas”, disse. “Não podemos esquecer da importância da educação: a criança que não se prepara não conseguirá ser uma profissional do século 21”.

Diretora global da Ready Nation, entidade sem fins lucrativos com atuação mundial com foco no desenvolvimento econômico a partir do investimento na infância e na juventude, Sara Watson foi outra convidada da cerimônia de lançamentos. “Hoje é um grande dia para as crianças e para a economia brasileiras”, disse. “Não posso imaginar grupo mais poderoso para ajudar a infância do que esse que temos aqui”.

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Roriz (ao centro) e autoridades na assinatura dos projetos em prol da primeira infância. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Sara explicou que a Ready Nation é uma organização de empresários com 2.200 membros mundo afora. Duas das mais novas bases do grupo foram abertas no Brasil e em Uganda. “As crianças são o nosso futuro”, disse. “Precisamos ajudar as famílias e abrir o mercado de trabalho para mães e mulheres”, afirmou. “Só assim teremos crescimento econômico”.

Entre as ações de sua instituição, ela citou a possibilidade de fazer contribuição com dinheiro e oferecer trabalho voluntário, além do apoio à divulgação de informações e na formulação de políticas públicas na área. “Nos Estados Unidos, uma marca de macarrão incluiu dicas de cuidados com os pequenos em suas embalagens”, contou. “Uma ação simples e capaz de ajudar muita gente”.

O mesmo vale para a divulgação de informações na mídia e para a ajuda na supervisão de ações locais, nacionais e internacionais. “Nos sentimos honrados em compartilhar o que já aprendemos na área e ajudar na criação de ações novas”, disse.

Para combater injustiças

O primeiro painel de debates da manhã apresentou justamente o programa Fiesp e Ciesp pela Primeira Infância. E foi conduzido pelo membro do Consocial Marcos Kisil.

“Estamos focados num problema real, numa área negligenciada”, disse.  “Existe conhecimento técnico e científico para ser aplicado, precisamos fechar parcerias”.

De acordo com Kisil, o Consocial elegeu a primeira infância como tema. “Não adiante ter um bom software no futuro se o hardware não vai rodar”, afirmou. “Quanto mais cedo aplicarmos recursos, menos recursos vamos ter que aplicar: o retorno pelo investimento é maior quando se investe cedo”.

Com esse foco, a ideia é ajudar a combater injustiças sociais. “Mesmo numa cidade como São Paulo, na periferia, muitas vezes não se sabe se vai ter comida na mesa”, disse.

E aí entram ainda questões como a violência emocional e física, marcas que “ficam para o resto da vida”.

Segundo Kisil, outro objetivo do programa liderado pela indústria paulista é fortalecer a equipe técnica do sistema Fiesp/Ciesp/Sesi para apoiar empresas e empresários na construção de ações para a primeira infância.

Além da Fundação José Luiz Egydio Setúbal/Instituto Pensi e ReadyNation como parceiras, a iniciativa tem o apoio da Fundação Abrinq, Unicef, United Way Brazil, Gife e Idis.

Primeira Infância

O painel seguinte foi moderado pela vice-presidente do Consocial, diretora Titular do Comitê de Responsabilidade Social (Cores) da Fiesp e diretora Titular do Núcleo de Responsabilidade Social do Ciesp, Grácia Fragalá. E destacou a primeira infância.

Grácia citou o envolvimento dos profissionais ligados à área na federação e no centro das indústrias. “Nossa equipe é pequena, mas faz muito barulho”, disse.

Coordenadora de Políticas Públicas da Fundação Abrinq, Maitê Gauto contou que a associação existe desde 1990. E que trabalha pela garantia dos direitos de crianças e adolescentes. “Temos Ttrês pilares: educação, saúde e proteção”, disse. “Já foram mais de 8,5 milhões de crianças e jovens atendidos”.

Entre os programas mais importantes da fundação, ela citou ações como os projetos Empresa Amiga da Criança, Prefeito Amigo da Criança e Presidente Amigo da Criança.

Diretora executiva da United Way, maior rede de organizações não governamentais há 17 anos no Brasil, Gabriella Bighetri explicou que a entidade consiste numa associação de empresas que investe na educação de crianças e jovens. “Estamos em 130 cidades e 11 estados”, disse.

Segundo ela, “todo mundo é sensível ao tema, mas pouca gente investe na área”. “Por isso procuramos a Great Place To Work, responsável pelos guias das melhores empresas para trabalhar, para sugerir a inclusão de categoria de suporte à infância”, disse. “O lançamento foi no ano passado e ainda fizemos um guia explicando porque apostar nessa etapa da vida”.

Gabriella afirmou que apenas 30% das empresas têm creches no Brasil. “Na primeira infância, temos 700 conexões neurais por minuto”, disse. “Aos quatro anos, uma criança tem mais da metade do potencial mental de um adulto”.

E tem mais: “pais tranquilos rendem mais, a produtividade aumenta, o horário flexível reduz faltas”. “Apresentamos pesquisas e propomos políticas para além do que a lei nos obriga a fazer, precisamos inovar”.

Ribeirinhos

Outra debatedora presente foi Paula Fabiani, presidente do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis).

Com o projeto Primeira Infância Ribeirinha, o Idis conseguiu medir o impacto, monetizar o peso do investimento social. “Pelas distâncias, pelo isolamento, as crianças ribeirinhas da Amazônia têm pouca assistência”, disse. “Precisam de políticas públicas”.

Com esse foco, o programa em questão visava garantir o desenvolvimento integral de crianças de 0 a 6 na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Rio Negro, no Amazonas.

“Medimos o impacto para ver se aquela ação estava funcionando, com a coleta qualitativa de dados: o que mudou? Mudou para quem? Quanto vale a mudança? Monetizamos o impacto”, explicou.

Segundo ela, foi forte a correlação entre a frequência das visitas de atendimentos pelos agentes envolvidos e a mudança relatada. “Chegamos à conclusão que, para cada R$ 1 investido no projeto, foram gerados R$ 2,82 na forma de benefícios para a sociedade”, disse. “Por fim, conseguimos aprovar a lei que instituiu o Programa Infância Amazonense”.

Chefe do escritório do Unicef em São Paulo, Adriana Alvarenga lembrou que os empresários não podem perder a chance de apoiar a primeira infância. “Não é apenas a coisa mais certa a fazer, é a coisa mais inteligente a ser feita”, disse.

A Unicef está presente em 1.921 municípios de 18 estados brasileiros. “Precisamos colocar a criança e o adolescente no coração das políticas públicas”, afirmou. “Apresentamos diagnósticos dos problemas, identificamos gargalos, ajudamos na definição de objetivos, monitoramento e avaliação”.












Entrevista: Sara Watson fala sobre a Primeira Infância

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Por Isabela Barros (com colaboração de Karen Pegorari Silveira)

Não há um período mais crítico para o desenvolvimento de uma criança do que os primeiros mil dias de vida. Ainda assim, apenas 15 países – incluindo Cuba, França, Portugal, Rússia e Suécia – adotam as três políticas fundamentais para apoiar o desenvolvimento saudável do cérebro das crianças, segundo o relatório Early Moments Matter for Every Child, publicado pelas Nações Unidas.

Nossa entrevistada Sara Watson, diretora da organização americana ReadyNation, comenta sobre este e outros dados, e alerta que apoiar a primeira infância tem implicações em toda a sociedade, por isso, se queremos que as crianças se tornem profissionais de sucesso ou consumidores, tudo começa nos primeiros cinco anos de vida.

Leia mais na integra da entrevista:

O fácil acesso aos cuidados infantis essenciais é primordial para a estabilidade da força de trabalho hoje e para moldar a qualidade da força de trabalho do futuro. Um relatório da ReadyNation demonstra a importância de assegurar que bons programas para a primeira infância estejam disponíveis para ajudar as crianças no estágio mais fundamental de seu desenvolvimento cerebral – do nascimento até os 5 anos – para estabelecer uma base para o sucesso na escola, nas carreiras e além. Sendo assim, quais seriam os cuidados essenciais que formam um adulto forte e produtivo?

Sara Watson – Crianças precisam de uma série de cuidados em seus primeiros anos para que o seu cérebro e o seu corpo possam se desenvolver. Precisamos pensar em três categorias: uma boa família, educação e cuidados de saúde e nutrição. Crianças podem aprender a partir do minuto em que nascem. Pais podem ler desde o primeiro dia, oferecer bons cuidados de saúde, nutrição, atenção.

Segundo outro relatório da ReadyNation Illinois um em cada sete entrevistados relatou que problemas de cuidados com a criança levaram alguém de sua família a deixar ou mudar de emprego. Outro estudo constatou que os pais que têm problemas de cuidado infantil acabam tirando uma média de cinco a nove dias de folga do trabalho, anualmente, para lidar com esses desafios. Esse estudo colocou um preço de US $ 3 bilhões em perda de produtividade dos empregadores americanos. Em sua opinião, quais ações o empresariado poderia tomar para evitar uma perda tão significativa como esta?

Sara Watson – Empresas podem adotar uma série de ações para ajudar os seus empregados, assim como outras pessoas da comunidade.

Assim, podem permitir que os pais se ausentem para cuidar dos filhos, apoiar a amamentação para ajudar as novas mães, oferecer jornadas de trabalho flexíveis para mães e pais, suporte para os cuidados com os filhos. E também ajudar oferecendo informações aos seus empregados sobre cuidados na infância, suporte financeiro para ajudar a pagar pelos cuidados necessários. É preciso destacar mensagens da importância da infância entre os empregados. Nos Estados Unidos, são usados recursos como newsletters e canais para dar informação sobre os primeiros anos. É preciso falar da importância das consultas médicas, de ler, cantar, tocar e interagir com os pequenos.

Pode citar alguns exemplos?

Sara Watson – A Home Depot, de varejo, nos Estados Unidos, disponibiliza informações em sua intranet sobre a importância de ler para as crianças.  Quinze minutos de leitura por dia já faz diferença nas habilidades de leitura no futuro.

Temos nos Estados Unidos empresas que disponibilizam informação sobre a primeira infância em seus produtos, em pacotes de macarrão, nas lojas, nas redes sociais. Tudo para dizer aos pais quão importantes os primeiros anos são.

A senhora conhece algum bom exemplo no Brasil para citar?

Sara Watson – Não conheço o Brasil tão bem para isso, mas uma companhia global com escritório aqui, que é a consultoria KPMG, tem nos Estados Unidos em muitos escritórios, o programa Família pela leitura, que promove o hábito entre as crianças, distribui livros.

Segundo pesquisa da Ready Nation, mais de 60% dos executivos dizem ser mais fácil encontrar profissionais com habilidades técnicas do que emocionais. Como é possível mudar isso?

Sara Watson – As pessoas agora entendem que existe uma relação entre a primeira infância e o desenvolvimento das habilidades emocionais na vida adulta. As empresas precisam de empregados que saibam ler mapas, mas que também tenham condições de resolver problemas, relacionar-se com outras pessoas, seguir adiante apesar das dificuldades.

Dar as crianças boa nutrição e educação, pais atenciosos, que acolhem quando ela chora, é uma forma de formar adultos confiantes no futuro.

Você costuma dizer que para ter uma economia em expansão, basta investir em crianças. Este conceito também se aplicaria para um negócio em expansão? Neste caso, por que uma empresa deveria investir no bem-estar infantil como estratégia de negócio?

Sara Watson – Apoiar a primeira infância tem implicações em toda a sociedade. Se queremos que as crianças se tornem profissionais de sucesso, que possam fazer suas empresas bem-sucedidas, se tornem empreendedores, consumidores que possam comprar seus produtos, tudo começa nos primeiros cinco anos. O cérebro se desenvolve até os 20 anos, mas 90% do desenvolvimento cerebral ocorre até os cinco anos. Ou seja, é mais do que em qualquer outra etapa da vida.

Artigo: O desenvolvimento da primeira infância como alicerce do desenvolvimento sustentável

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Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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*Por Florence Bauer, representante do UNICEF no Brasil

A primeira infância, a etapa que começa no pré-natal e se prolonga até o sexto ano de vida, é um período crucial para o crescimento e o desenvolvimento do ser humano.

É exatamente nesses primeiros anos que o cérebro humano se desenvolve em um ritmo sem precedentes se comparado a qualquer outro momento da vida: nos primeiros 1.000 dias de vida, quase 1.000 células cerebrais se conectam por segundo. São essas conexões as responsáveis pela saúde mental e física, assim como pelos resultados da aprendizagem, pela aquisição de competências sociais e pela capacidade do ser humano de se adaptar e de ser produtivo. Por esse motivo, meninas e meninos precisam crescer em um ambiente estável, que os permita ter boa saúde e boa nutrição, que os proteja e os ofereça a possibilidade de aprender na idade certa; o que depende em grande medida do cuidado e da interação afetiva com os pais, as mães, os familiares e demais cuidadores.

Perder essa janela de oportunidade no desenvolvimento das crianças pode ter implicações sérias por toda a vida e para o desenvolvimento sustentável dos países[1], o que torna a tarefa de investir na primeira infância uma prioridade absoluta para todos. O setor privado precisa responder a esse chamado para a ação e assumi-lo perante os seus funcionários e colaboradores, clientes, fornecedores, investidores, entre outras esferas de sua influência.

As crianças são stakeholders fundamentais para as corporações – seja como consumidores, familiares de funcionários, jovens trabalhadores, ou como futuros funcionários e lideranças empresariais. Ao mesmo tempo, as crianças são membros importantes das comunidades e locais onde as empresas operam. Por conta disso, 10 Princípios Empresariais e os Direitos da Criança (CRBPs) foram desenvolvidos mundialmente pelo UNICEF e seus parceiros, em 2012, para orientar as empresas em suas estratégias de responsabilidade social. Até essa data, o reconhecimento da responsabilidade das empresas para com as crianças estava limitado à prevenção ou eliminação do trabalho infantil. Com os CRBPs, outras maneiras pelas quais os negócios afetam as crianças ficaram mais evidentes. Isso inclui o impacto de todas as suas operações comerciais – tais como seus produtos e serviços, seus métodos de marketing e suas práticas de distribuição – e de suas relações com os governos no âmbito local e nacional, além dos investimentos nas comunidades locais. E quanto mais jovens elas são, mais vulneráveis estão aos efeitos que os negócios têm sobre elas. Tais efeitos podem ser duradouros e até mesmo irreversíveis.

É urgente ao setor privado, portanto, investir na primeira infância, nos diferentes campos em que atua: a) no ambiente de trabalho, assegurando espaços adequados para as trabalhadoras amamentarem suas crianças; proporcionando horários flexíveis para que a amamentação não seja interrompida; provendo centros de desenvolvimento infantil adequados e de qualidade para filhas e filhos pequenos de seus funcionários, próximos ao local de trabalho ou de suas residências, ajudando a criar entornos seguros e com profissionais bem capacitados; estabelecendo horários flexíveis para que pais e mães com crianças pequenas na empresa e na cadeia de valor participem plenamente do desenvolvimento de seus filhos[2], assim como em momentos difíceis como quando estão doentes ou requerem consulta médica; assegurando licenças maternidade e paternidade remuneradas[3], indo além do que as legislações de seus países preveem em razão da necessidade de se propiciar um vínculo mais antecipado das famílias com suas crianças; b) no mercado, conscientizando consumidores e clientes sobre a importância da primeira infância por meio de seus canais de comunicação corporativos, contribuindo para os esforços públicos em prol da amamentação nos primeiros dois anos de vida, da alimentação saudável a partir do estímulo ao consumo de alimentos naturais e livres de açúcar, sódio e gordura e de práticas responsáveis de marketing não direcionado à criança; e c) nas comunidades onde os negócios operam e geram impacto, contribuindo de forma complementar com os esforços de geração de evidências e informações que permitam dar às famílias o acesso às políticas e aos serviços básicos, desenvolvendo localmente programas de capacitação e conscientização sobre a primeira infância e eliminando todas as formas de violência contra meninas e meninos.

A Agenda 2030 reflete um reconhecimento crescente em torno da importância do desenvolvimento da primeira infância; ele integra especificamente a meta 4.2 do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 4, mas está presente de forma transversal nos demais Objetivos. Conseguir que os ODS sejam uma realidade requer um grande esforço e o engajamento de todos os setores da sociedade. O setor privado, por sua vez, tem um papel específico de apoiar o cumprimento desses Objetivos. A melhor forma de fazê-lo, portanto, é comprometendo-se com o desenvolvimento da primeira infância.

*Florence Bauer é representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) no Brasil. Anteriormente, trabalhou junto à organização no País de 1999 até 2006. É mestre em Administração de Empresas, com especialização em Assuntos Internacionais na “Ecole des Hautes Etudes Commerciales du Nord” (EDHEC Business School), em Lille, na França, e tem pós-graduação em Estudos Políticos na Universidade de Londres.

[1] Há diversos estudos científicos que explicam como a primeira infância é também um excelente investimento. Estudo feito para High Scope Educational Research Foundation, em 1993, indica que cada dólar investido em políticas públicas destinadas a crianças de até 6 anos representa sete dólares economizados em políticas públicas de compensação e de assistência social. Análise semelhante foi feita pelo professor de Economia James Heckman, ganhador do Prêmio Nobel em 2000, em que cada dólar gasto com uma criança pequena trará um retorno anual de mais 14 centavos durante toda a sua vida.
[2] De acordo com dados do UNICEF, na América Latina, somente 6% a 36% dos pais participam de atividades de aprendizagem de suas crianças (3 a 5 anos de idade). A participação das mães é maior, variando de 31% a 82%. Da mesma forma, nos domicílios mais pobres, somente 4% a 22% dos pais e mães participam, enquanto, em domicílios mais ricos, 39% dos pais participam.
[3] No Brasil, dois indicadores relacionados às licenças remuneradas se mostram preocupantes: o curto período da licença-paternidade remunerada, de cinco dias corridos, em geral, e de 20 dias para as empresas que participam do Programa Empresa Cidadã (e que se beneficiam de isenção fiscal), e a alta taxa de demissões de mães brasileiras após o encerramento do período da licença-maternidade – pelo menos metade das brasileiras é demitida no período de até dois anos depois da licença-maternidade, segundo pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas em 2017.

Iniciativas Sustentáveis: Eli Lilly – Investindo no desenvolvimento integral

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Por Karen Pegorari Silveira

A primeira infância, que abrange desde a gravidez até os 5 anos de vida, constitui uma etapa central e uma janela importante de oportunidades tanto para o presente como para o futuro da sociedade. Alcançar o Desenvolvimento Integral na Primeira Infância implica ir além do olhar tradicional – voltado prioritariamente à sobrevivência da criança, em direção a políticas que permitam às crianças se desenvolverem plenamente em todas as dimensões: física, social, emocional e cognitiva.

Pensando nisso, a indústria farmacêutica Lilly se engajou em algumas iniciativas para atuar com esta finalidade. Em parceria com a United Way (UW), maior organização de filantropia do mundo, a empresa apoia o tema de duas formas: por meio do voluntariado – em que funcionários fazem trabalhos em creches/escolas da zona sul de São Paulo e oferecem mentorias; e com o investimento social – com contribuições mensais dos funcionários em dinheiro. Todos os meses, a Lilly realiza o matching (contrapartida) do valor total doado pelos funcionários.

Na Lilly Brasil, o programa de investimento social possui cerca de 240 funcionários, que contribuem mensalmente com um valor para ser destinado à United Way Brasil. Em 2017, a Lilly contribuiu com cerca de R$95mil reais para estes dois programas direcionados a primeira infância e outros dois programas direcionados a juventude.

Com o ‘Programa PIA’ (Primeira Infância Acreana e Amazônica) o foco é a promoção da cultura de estímulo ao Desenvolvimento na Primeira Infância através do fortalecimento do papel da família, da comunidade e da rede intersetorial de serviços para primeira infância. Os princípios norteadores do projeto são: Inserção na Atenção Básica e articulação com equipamento das políticas sociais nos territórios. (Programa Saúde na Escola, Centro de Referência da Assistência Social, Educação Infantil, Bolsa Família, Asinhas da Florestania, entre outros); abordagem Intersetorial – participação da gestão estadual e gestão municipal da saúde, educação, assistência social, direitos humanos, cultura, entre outras áreas; valorização da cultura e experiências das famílias e comunidades; brincar como recurso mobilizador da capacidade criativa das famílias e demais atores; família como protagonista no processo de desenvolvimento infantil integral; participação das reuniões das respectivas equipes dos territórios para discussão dos casos mais complexos e devidos encaminhamentos para a rede de cuidado.

Já com o ‘Programa Crescer Aprendendo’, que possui metodologia da United Way baseada em evidências, implementada em mais de 600 United Ways em todo o mundo, o objetivo é contribuir para o desenvolvimento das crianças de 0 e 6 anos por meio da oferta de informação de qualidade online e presencial para escolas e famílias em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Público impactado: Região do Campo Limpo. Cerca de 1000 crianças entre 0 e 6 anos e 400 familiares.

Segundo o gerente de Comunicação e Responsabilidade Social Corporativa, Fábio Oliveira, a empresa acredita que “não há investimento mais rentável do que aquele feito na primeira infância, pois toda a sociedade se beneficia quando uma criança é bem-sucedida em sua vida a longo prazo. Investir no desenvolvimento integral das crianças em seus primeiros anos de vida pode trazer um melhor desempenho acadêmico, maiores níveis de escolaridade, melhores competências no trabalho e menor taxa de criminalidade”.

Para apoiar a primeira infância internamente a Lilly também concede licença maternidade ampliada e extensão da licença paternidade por 20 dias. Como benefício oferece ainda o auxílio creche e permite horário de trabalho flexível.

Sobre a Eli Lilly

A fábrica da Lilly no Brasil foi inaugurada no ano de 1953, quando começou a produzir seus medicamentos na unidade fabril situada no bairro do Brooklin, capital paulista. Os primeiros produtos a serem fabricados no Brasil foram o Merthiolate, Isedrin, Xarope de Codestrina e Benzoped.

Iniciativas Sustentáveis: Kimberly Clark – Abraçar para desenvolver

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Por Karen Pegorari Silveira

As organizações estão cada dia mais preocupadas em responder a uma demanda do consumidor que vai além da entrega de produtos. Hoje a sociedade busca mais propósito ao realizar suas compras, avaliando não somente a qualidade do produto, como também o impacto que ele traz social e ambientalmente. Neste sentido, o olhar que as organizações devem ter sobre sua maneira de operar tem que levar em conta questões relacionadas à sustentabilidade com seus impactos socioambientais e resultados financeiros.

Com a Kimberly-Clark não é diferente, por isso através de uma de suas marcas, a Huggies – de cuidados infantis, ela se preocupa com seu principal público – as crianças de 0 a 3 anos, que fazem parte da primeiríssima infância. Para tanto, eles apostam no abraço, que é uma das principais representações do afeto e carinho, como fundamental para o desenvolvimento emocional e por isso desenvolvimento pleno desta criança. Hug, que em inglês quer dizer abraço, também inspirou o nome original da marca.

Para embasar os conteúdos comunicados pela empresa foi desenvolvido um estudo, com apoio de publicações científicas, dos 18 macrobenefícios físicos e psicológicos do abraço, que influenciam diretamente no desenvolvimento emocional das crianças. O conteúdo desse estudo tem sido amplamente divulgado pela marca.

De acordo com Patricia Macedo, diretora da categoria de cuidados infantis da Kimberly-Clark Brasil, “a partir de pesquisas, a Huggies descobriu os poderes comprovados que o abraço pode ter no desenvolvimento de bebês, por isso, o abraço sempre foi nossa verdadeira inspiração. A marca acredita tanto no poder do gesto para o desenvolvimento mais feliz e saudável dos bebês que ele é a maior inspiração para oferecermos solução completa de produtos que proporcionam mais conforto para as famílias e crianças”, explica.

Globalmente, a empresa atua também em inúmeros programas sociais em hospitais, como o No babies unhugged – projeto de voluntariado canadense que atende bebês prematuros – um público bastante específico e vulnerável que necessita de plena atenção para sobreviver. Os voluntários passam algumas horas por semana abraçando os bebês, aplicando o método reconhecido pela Organização Mundial da Saúde chamado Kangaroo Mother Care. Esse ato de afeto e carinho, cientificamente comprovado, contribui para que o bebê se desenvolva neste momento mais crítico. No Brasil 340 mil bebês nascem prematuros todos os anos, o que significa 12% dos nascimentos.

A Kimberly-Clark apoiou ainda o filme “O começo da Vida”, que trata exatamente do tema da primeira infância e já foi exibido em 89 países, impactando mais de 1,2 milhões de pessoas.

Além disso, a companhia oferece licença maternidade estendida de seis meses para todas as colaboradoras; Sala de amamentação, certificada pelo Ministério da Saúde no escritório de São Paulo; Home Office; Horário Flexível e Cursos de gestantes para colaboradoras e colaboradores que terão filhos em breve. Na Argentina, durante as viagens corporativas, as colaboradoras com filhos de até 1 ano que ainda estão no período de amamentação, têm a possibilidade de levar o seu bebê com um acompanhante

Por fim, a marca se posiciona como um agente atuante na sociedade, sendo parte das discussões e soluções dos problemas sociais, que ultrapassam as fronteiras meramente de negócios.

Sobre a Kimberly-Clark

A Kimberly-Clark é uma empresa norte-americana que produz as marcas Neve, Scott, Kleenex, Huggies, TMJ (Turma da Monica Jovem), Intimus e Plenitud. Também atua no segmento institucional por meio da K-C Professional com produtos para bares, restaurantes, indústrias e empresas. O escritório central está localizado na capital de São Paulo e há ainda 5 fábricas, em Camaçari (BA), Correia Pinto (SC), Eldorado do Sul (RS), Mogi das Cruzes (SP) e Suzano (SP), um Centro de Distribuição em Mogi das Cruzes (SP) e um escritório de Vendas em Recife (PE).

Consocial prioriza obesidade infantil, 1ª infância e inclusão de pessoas com deficiência em 2016

Bernadete de Aquino, Agência Indusnet Fiesp

Na última reunião do ano do Conselho Superior de Responsabilidade Social (Consocial) da Fiesp, realizada nesta quinta-feira (10/12) e presidida pelo cirurgião médico Raul Cutait, foram apresentadas propostas sobre temas que envolvem educação, saúde e cultura. Para discutir e colocar em prática esses projetos em 2016 o Conselho formou grupos de trabalho para cada um deles.

Uma das propostas é sobre o combate à obesidade infantil, mal que atinge um terço das crianças brasileiras e 40% dos paulistas entre 5 e 9 anos. Foi apresentada pelo cartunista Mauricio de Sousa, que defende a realização de uma campanha envolvendo a personagem Magali como a embaixadora da alimentação equilibrada. “Usando os personagens, livros, revistas e vídeos fica mais fácil levar a mensagem da boa alimentação”, explica.

Além da boa alimentação, o projeto apresentado pelo cartunista também inclui atividade física e o envolvimento da família. “Não é só a alimentação, há necessidade de brincadeiras, oficinas, projetos de rua e atividades como pular corda, correr e fazer academia de rua, para que a família toda se envolva, entenda e se conscientize”, diz.

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Mauricio de Sousa propôs usar Magali em campanha contra a obesidade infantil. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Integrante do Consocial, a secretária municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, Marianne Pinotti, vai coordenar o GT sobre inclusão da pessoa com deficiência e afirmou que um dos pontos de foco do grupo será o laudo médico. “Essa é uma questão discutida no mundo todo, diagnóstico não define o que a pessoa com deficiência pode fazer.”  Pinotti exemplifica citando que pessoas diagnosticadas como tetraplégicas podem ter tido o corpo afetado de formas diferentes, portanto com habilidades diferentes para o trabalho.

O GT também pretende realizar o mapeamento minucioso das vagas no mercado de trabalho para pessoas com deficiência na indústria paulista.

De acordo com Pinotti, de 1,279 milhão de vagas de cotas disponíveis no Brasil para pessoas com deficiência, mais de 330 mil são preenchidas (cumprimento de 25%). No Estado de São Paulo há 411 mil vagas, e 119 mil (29%) são cumpridas.

Outro GT foi criado para discutir a proposta do maestro João Carlos Martins sobre formação musical como inclusão social. Segundo Martins há 200 pequenas orquestras pequenas no Estado de São Paulo, e a ideia é criar um curso à distância para aperfeiçoar a competência desses maestros e, por meio deles, atrair crianças e adolescentes para participar de um projeto de música local.

Primeira infância

Presente à reunião, o diretor, jornalista, apresentador de televisão, escritor e roteirista Marcelo Tas se dispôs a atuar no combate à obesidade infantil e a fazer parte do GT “Apoio à primeira Infância”, que pretende desenvolver estratégias para ampliar ações da sociedade civil e políticas públicas em busca de mais atenção à primeira infância – período desde a concepção do bebê até o momento em que a criança ingressa na educação formal.

Tas lembrou que a inclusão digital deve fazer parte do trabalho como uma ferramenta para “ouvir” o outro. “Uma chave para se aproximar desse projeto é ouvir inclusive as crianças, que são incríveis, a comunidade, a família. Com isso a gente pode alavancar, tornar mais eficiente esse processo todo”, conclui.

Segundo Cutait, na próxima reunião serão criados grupos de trabalho para os temas “Sustentabilidade na produção e consumo de alimentos” e “Criação de espaços de convivência para idosos”.

Reunião do Consocial, conduzida por Raul Cutait, definiu projetos para 2016. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Reunião do Consocial, conduzida por Raul Cutait, definiu projetos para 2016. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Crianças devem ter oportunidades iguais desde a Primeira Infância, defendem especialistas

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp 

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Osmar Terra, médico, deputado federal e líder da Frente Parlamentar da Primeira Infância

“O cérebro é ecológico, interage com o meio e estabelece conexões, por isso  a atenção deve ser redobrada quando o tema é Primeira Infância (PI), especialmente até o terceiro ano de vida.” A opinião é do médico e deputado federal Osmar Terra (PMDB), lider da recém-criada Frente Parlamentar da Primeira Infância. Otimista, ele acredita que haverá novo marco legal sobre o assunto até o final do ano.

Terra foi um dos convidados para debater a Primeira Infância em encontro do Conselho de Responsabilidade Social (Consocial) da Fiesp nesta quinta-feira (23). E justificou sua posição com estudos científicos: cuidados especiais nesta etapa são fundamentais, pois é quando a genética se organiza na construção de um ser humano equilibrado. Para isso, idealizou o programa Primeira Infância Melhor (PIM), que atende 100 mil crianças em casa, no Rio Grande do Sul.

Já no entendimento de Gaby Fujimoto, consultora sênior de educação infantil da Organização dos Estados Americanos (OEA), é preciso que todos os atores da sociedade sejam co-responsáveis pela PI, inclusive o empresarial, além do forte envolvimento dos pais.

Desafios

“Há alto índice de retorno quando existem investimentos nesta faixa etária, pois se consolida a base para a aprendizagem posterior, previnem-se danos temporários e perda de potencial que não será remediada depois”, de acordo com a especialista.

O professor Cesar Callegari, atuante no Consocial e no setor de operações do Sesi, que assumiu recentemente a Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação, elencou alguns dos desafios a serem superados:

  • A consolidação da identidade da educação infantil no sistema educacional;
  • A implantação da obrigatoriedade da Educação Básica a partir dos 4 anos, com cobertura total nesta faixa etária até 2016;
  • A mobilização de setores estratégicos da sociedade;
  • A ampliação do acesso à população rural.
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O ex-ministro Patrus Ananias, presidente do Consocial/Fiesp


O ex-ministro Patrus Ananias presidiu nesta quinta-feira (23) a primeira reunião de 2012 do Consocial da Fiesp. Após sua posse recente, o ex-ministro desenha novos planos de atuação para dar dinamismo ao Conselho. O primeiro deles foi debater a importância da Educação Infantil na Primeira Infância.

“O Brasil precisa avançar neste sentido”, afirmou o presidente do Consocial, para proporcionar condições de aprendizado e interação social. Tratar da Primeira Infância não é apenas dar atenção à dimensão social e pedagógica, mas proporcionar os mesmos direitos e oportunidades às crianças, independente de classe social”, apontou Ananias, frisando a necessidade de universalização da Educação Infantil. Outra sugestão dada, na reunião, é o aproveitamento da experiência das creches comunitárias.

Advogado, vereador em Belo Horizonte (1988), prefeito da capital mineira (1993-1996), deputado federal (2002), Ananias foi ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (2004-2010), no governo Luís Inácio Lula da Silva.