O que realmente interessa ao Brasil

Os setores produtivos estão prontos para colaborar com o governo eleito no que for necessário para garantir o bem do país. O Brasil precisa entrar em uma rota de crescimento sustentado, capaz de gerar emprego e renda para sua população.

Para isso, consideramos fundamental a aprovação de um projeto de reforma da Previdência com a maior urgência possível, de preferência ainda em 2018. Quanto mais o tempo passa, mais se agrava a bomba do déficit previdenciário.

É muito importante também trabalharmos com afinco para buscar a reforma tributária, o ajuste fiscal, a queda de juros, a redução da burocracia e a melhoria do ambiente de negócios para estimular novos investimentos.

Isso é o que realmente importa ao Brasil. Os setores produtivos nacionais estarão ao lado do governo eleito para trabalhar por esses pontos, que interessam a toda a Nação.

Sobre nomes para a composição do novo governo ou sobre a estrutura organizacional dos ministérios, entendemos que esta é uma responsabilidade do presidente eleito, Jair Bolsonaro, que tem a legitimidade conferida por mais de 57 milhões de votos para organizar a administração do Estado da forma que considerar mais eficiente. Ele tem o nosso voto de confiança para isso.

Paulo Skaf

Presidente da Fiesp e do Ciesp

Empresas têm FAP disponível no site da Previdência a partir desta sexta-feira (28)

Agência Indusnet Fiesp

A partir desta sexta-feira (28), os extratos do FAP (Fator Acidentário de Prevenção) por estabelecimento estarão disponíveis para conferência por meio de senha na página da Secretaria da Previdência.

Caso os empresários verifiquem divergências quanto aos elementos do cálculo, as contestações poderão ser feitas exclusivamente por formulários eletrônicos disponíveis no mesmo endereço eletrônico, de 1 a 30 de novembro deste ano. O prazo para contestação é curto, por isso o acompanhamento mensal das ocorrências que compõe o FAP é fundamental.

O FAP é um multiplicador relativo ao RAT (Riscos Ambientais do Trabalho) e é um instrumento de redução dos custos com o tributo previdenciário, estimulando políticas de prevenção e redução de acidentes de trabalho. Para auxiliar as empresas na gestão do FAP-RAT, em parceria com os sindicatos patronais, a Fiesp criou a Central de Inteligência que contribui com informações para a tomada de decisão nos processos de segurança e saúde do trabalhador.

Secretário da Previdência, Marcelo Caetano, participa de debate sobre FAP-RAT na Fiesp

Agência Indusnet Fiesp

Como parte dos permanentes esforços da Fiesp nas discussões sobre a importância do Fator Acidentário de Prevenção (FAP) e da contribuição relativa aos Riscos Ambientais do Trabalho (RAT) para as empresas, o Departamento de Ação Regional (Depar) recebeu na manhã desta segunda-feira (17/9) o secretário da Previdência do Ministério da Fazenda, Marcelo Caetano, para debater a gestão eficiente destes dois mecanismos de segurança do trabalho.

Na avaliação do diretor adjunto do Depar, Sylvio de Barros, a criação de uma cultura de segurança nas pequenas e médias companhias é essencial para que a oneração dos empregadores como um todo seja menor. Segundo ele, há diferenças gritantes entre empresas do mesmo setor. “É preciso compreender que o assunto passa pela capacitação dos trabalhadores e pela qualidade do ambiente de trabalho das pessoas”, frisou Barros durante a aberto do evento.

O secretário de Previdência, por sua vez, detalhou a metodologia estabelecida pelo Conselho Nacional de Previdência (CNP), que se reúne uma vez por mês com caráter deliberativo, para o cálculo do FAP. Além disso, Caetano contou quais os benefícios a estrutura atual considera como seguro: de natureza acidentária, por invalidez, morte por acidente de trabalho e aposentadorias especiais, por exemplo. “O FAP surgiu a partir da legislação de 2003 e atribui a competência do cálculo ao CNP com o intuito de precificar a sinistralidade, observando a experiência do setor privado de seguros”, disse.

Confira o boletim de áudio dessa notícia:

Da Associação Brasileira de Recursos Humanos de São Paulo (ABRH-SP), o diretor jurídico Wolnei Ferreira falou da importância de conhecer casos de afastamentos e desligamentos de empregados, envolvendo também o corpo médico da empresa para apurar o fato ou eventuais dúvidas e o corpo jurídico corporativo, com prazos e informações para defesa.

Representando a visão da construção civil sobre a temática da segurança, o vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon), Haruo Ishikawa, lembrou que investir em segurança traz retorno para a empresa. “Muitos empresários acham que isso [FAP-RAT] é imposto; não é. Investir em segurança é retorno garantido, principalmente em um momento de economia fraca como agora. Esse debate é fundamental dentro e fora das indústrias”, defendeu.

O médico do trabalho e especialista em gestão do FAP-RAT-NTEP (Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário) Paulo Reis lembrou da geração das tributações sobre as folhas de pagamentos das empresas, da possibilidade de cobranças regionais sobre as taxas e de uma avaliação mais afinada de oportunidades na gestão eficiente destes benefícios por parte dos empresários.

Evento Gestão Eficiente do FAP, com Marcelo Caetano. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Evento Gestão Eficiente do FAP, com Marcelo Caetano. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Em reunião na Fiesp com participação de Rodrigo Maia, Skaf defende reformas

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Em reunião na Fiesp nesta segunda-feira (11 de dezembro) que teve palestra de Rodrigo Maia, presidente da Câmara, sobre as reformas necessárias para o desenvolvimento brasileiro, o presidente da entidade, Paulo Skaf, defendeu a aprovação da reforma da Previdência.

Skaf elogiou a eficiência de Maia à frente da Câmara, com uma visão de estadista e atuação em favor da aprovação das reformas. “Agora temos um novo desafio, que é a reforma da Previdência.”

A informação correta se espalhou de forma significativa, levando a maior apoio da sociedade à reforma, mas ainda há um espaço de informação errada sobre o assunto, disse Skaf. “Vamos fazer bastante esforço para que os que apoiam a reforma sejam reconhecidos.”

Rodrigo Maia disse acreditar que o Brasil vive um momento diferente. Antes assuntos como as reformas eram evitados. “Conseguimos desmontar alguns mitos importantes”, afirmou, um deles sendo a aprovação da reforma trabalhista, cujo alcance, ressaltou, foi estendido na Câmara.

Agora há outras agendas importantes, talvez com impacto até maior que a trabalhista, afirmou. Sem uma reforma da Previdência não há como evitar uma crise fiscal, segundo Maia. Há distorções que precisam ser corrigidas. Precisamos recompor o superávit primário, para que pelo menos fique estável a relação dívida/PIB. Os congressistas precisam entender que essa agenda só sairá da pauta quando for votada. “Espero que até o final de 2018 seja possível avançar nessa agenda que vai tirar o Brasil da crise.”

Maia destacou duas vertentes de seu trabalho na Câmara – reforma do Estado como um todo e segurança jurídica para o setor privado poder produzir. O Estado precisa existir para garantir educação de qualidade, saúde e segurança, e hoje não faz isso, afirmou.

“Carga tributária menor, simplificada, com estabilidade fiscal e segurança jurídica e infraestrutura. O resto o setor privado resolve”, resumiu o presidente da Câmara.

O Estado precisa ser reformado, não apenas na Previdência, defendeu Maia. “Nosso papel é criar condições para que a União, Estados e municípios possam voltar a investir.” R$ 22 bilhões em investimento no orçamento é volume ridículo frente ao orçamento de R$ 1,4 trilhão, avaliou Maia. “E vai diminuir no ano que vem e no outro.”

Precisamos, disse, reorganizar o Estado brasileiro, reorganizar as relações entre o setor público e o setor privado. “Vou introduzir o debate sobre a eficiência do Estado.”

Outro ponto sério, apontou Maia, é o das estruturas de controle, que deveriam evitar os desvios, em vez de somente punir as fraudes.

Quanto à reforma tributária, não é simples, mas é preciso organizar de forma rápida o Estado. O Brasil está perdendo uma grande oportunidade de se modernizar –com a grande exceção do agronegócio- pela falta de condições de investimento, disse Maia.

Jacyr da Costa, presidente do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp (Cosag), disse que o entrave tributário inibe a fabricação de produtos de maior valor agregado.

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Reunião na Fiesp com a participação de Rodrigo Maia, presidente da Cãmara. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Em referência à revolução na economia vivida no mundo, Maia disse que grandes organizações viram pó e empresas de garagem da noite para o dia viram corporações. Precisamos trazer essa inovação para o Estado brasileiro, afirmou.

O presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp (Cosag), Rubens Barbosa, disse que é preciso discutir a agenda da modernidade no Brasil. “Precisamos pensar em médio e longo prazo”, disse, citando os pontos listados por Maia. A reforma do Estado e a segurança jurídica, do ponto de vista empresarial, constituem uma agenda da modernidade. Pouca gente está focada nisso, disse. “Reformas estruturais significam modernização do Brasil.”

RenovaBio

Na abertura da reunião, Paulo Skaf destacou a vinda de Rodrigo Maia para a reunião e lembrou seu empenho para a aprovação do RenovaBio na Câmara. Skaf agradeceu a Maia, em nome do setor sucroalcooleiro de São Paulo, por sua competência no tema. Defendido pela Fiesp, o RenovaBio é um programa de incentivo ao uso de biocombustíveis.

Etanol

A reunião conjunta de Cosag e Coscex incluiu a apresentação de uma campanha em prol do uso do etanol feita pela Trouw Nutrition, braço para a nutrição do SHV, grupo de capital holandês com faturamento de 18 bilhões de euros e 60 mil empregados em todo o mundo. O slogan da iniciativa, lançada no último dia 4 de dezembro, é “Nossa frota é movida a etanol”.

“Os 160 veículos da nossa frota são movidos somente a etanol”, explicou o diretor presidente da Trouw, Stefan Mihailov. “Juntos, esses carros rodam 5,7 milhões de quilômetros por ano”.

Segundo Mihailov, o foco está no crescimento “econômico, social e ambiental”. “Nosso material de divulgação está à disposição das empresas, que podem inclusive usar tudo trocando apenas o nome”, disse. “O que nós queremos é estimular o uso do etanol”.

Outra convidada do conselho foi a deputada federal Tereza Cristina, que falou sobre o Fundo de Assistência ao Trabalhador (Funrural).

Segundo Tereza, foi realizada uma reunião com deputados sobre o tema, com a constitucionalidade do Funrural em debate. “São muitas as tentativas de negociação das dívidas dos produtores com o governo”, disse.

Atualmente existe uma Medida Provisória sobre o assunto. “O melhor da MP é o foco no futuro”, afirmou Tereza. “Por exemplo: 2,3% é uma alíquota alta para pagar sobre a produção bruta de uma propriedade”, disse. “Baixamos para 1,2% da receita bruta, conseguimos isso”.

Fipe apresenta na Fiesp proposta de nova Previdência, para novos trabalhadores

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

A Previdência Social é uma das políticas dirigidas ao mercado de trabalho. Diante dessa análise, Hélio Zylberstajn, professor livre-docente da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP) e pesquisador da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da USP (Fipe-USP), apresentou proposta de reforma da Previdência e sua interface com as relações do trabalho. O debate foi realizado durante reunião do Conselho Superior de Relações do Trabalho da Fiesp (Cort).

Inicialmente, o especialista contextualizou o fato de 95% dos trabalhadores contribuírem de 8% a 11% (até o teto em torno de R$ 5.000 de salário percebido), enquanto as empresas contribuem, em geral, na faixa de 20 a 22%. Soma-se a esses números a contribuição acidentária, que varia de 0,5% a 6%. Nos cálculos da Fipe, para sustentar os benefícios contributivos a alíquota de 17% (8,5% para trabalhadores e 8,5% para empregadores) levaria a um equilíbrio do sistema, mas hoje se cobra mais de 30%.

Na explicação de Zylberstajn, isto ocorre porque entram também os benefícios não-contributivos nessa conta e se cobra a mais do setor formal a fim de conceder benefícios aos que não colaboram com o sistema. “E como se resolve este problema? Se encarece a cunha tributária na folha de salário, é um dos defeitos básicos do nosso sistema”, avaliou.

Ao compreender que não é suficiente uma reforma paramétrica como a que está sendo proposta no governo do presidente Michel Temer, pois é preciso ainda muito mais a fim de resolver a atual situação da Previdência, o especialista passou a detalhar algumas medidas defendidas pela Fipe, o que inclui também a Previdência do funcionalismo público e sistemas de capitalização.

Segundo ele, o teto do INSS, em torno de R$ 5.000, representa quase o triplo da renda média dos trabalhadores brasileiros e foge do padrão internacional. O que ocorre é que se atende amplamente à base da pirâmide. Em sua avaliação, o Brasil conta com um dos cardápios mais completos para proteção do emprego: seguro desemprego, FGTS (depósitos mais a multa de 40% em caso de dispensa sem justa causa), abono salarial e aviso prévio. Mas, ao mesmo tempo se insiste há décadas em treinamento para quem está desempregado, mas ainda assim há enorme rotatividade da mão-de-obra.

Enfim, há políticas públicas ineficientes e excesso de tributação na folha de pagamento, o que inibe a criação de vagas, incentiva a informalidade e restringe a poupança dos trabalhadores. “A Previdência deveria ser uma poupança para a aposentadoria”, explicou.

Em 2015, em termos de custos, 99% dos beneficiários do INSS recebem até 5 SM (salários mínimos), enquanto 1% recebe além deste teto. São quase 33 milhões de pessoas, que custam R$ 420 bilhões. No funcionalismo público é meio a meio: metade recebe até 5 SM, e metade ganha mais do que 5 SM, ao custo de quase R$ 260 bilhões para menos de 3 milhões de pessoas, configurando um volume desigual.

Proposta para o ajuste do sistema

E qual é a proposta da Fipe? Uma Nova Previdência para nascidos a partir de 2020, com reposição próxima a 100% para a base da pirâmide. O texto proposto tem como idade mínima 65-67 anos com tempo de contribuição de 40 anos para homens e 35 para mulheres. Entre os parâmetros a serem observados: universalidade – o que incluiria no mesmo modelo os setores público e privado e os militares -, equidade, ou seja, todos tratados da mesma forma e com as mesmas regras, equilíbrio atuarial para que o que se arrecada em uma geração dê conta das despesas quando essa geração se aposentar, eficiência a fim de minimizar a tributação, e simplicidade para que todos entendam as regras.

Nesse modelo, apesar da idade mínima, vigoraria a proporcionalidade. Assim, quem contribuiu ao longo de 20 anos e não a totalidade dos anos necessários, 40 anos, por exemplo, receberia proporcionalmente, a metade. Se contribuiu por apenas 10 anos, receberia um quarto do benefício. Para Zylberstajn, não seria como hoje, que se pode contribuir por 15 anos apenas, então se passa a colaborar próximo dos 50 anos por estar mais próximo da aposentadoria por idade, aos 65 anos, ou seja, um incentivo à não contribuição, em sua avaliação.

Portanto, segundo o expositor, quanto à Reforma da Previdência, a discussão sobre o déficit é irrelevante porque, no fim, “nós mesmos pagaremos a conta, e o verdadeiro problema é o gasto. Não basta olhar a foto, é preciso projetar o filme. O Estado não conseguirá pagar sozinho as aposentadorias e as pensões de todos, mesmo cobrando os devedores, e não temos o direito de passar essa conta para as gerações futuras”.

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Reunião do Cort em que foi apresentada proposta da Fipe para reforma da Previdência. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Nesse sentido, a proposta da Nova Previdência estaria alicerçada em quatro pilares:

1 – Renda Básica do Idoso (RBI) – seria incondicional para quem alcançasse a idade necessária, 65/67 anos, e seria pago um mínimo de R$ 500, por exemplo, mesmo para o caso dos não contributivos, caso dos trabalhadores rurais, que têm regime especial, mas impera a informalidade. Neste caso, também se inclui a assistência aos mais desprotegidos, como o Loas – Benefício de Prestação Continuada.

2 – Benefício Contributivo por Repartição (BCR) – como o INSS atual, estendido a todos os trabalhadores, inclusive militares e funcionários públicos, universal, mas comprimido com benefício em torno de R$ 1.500, que se somaria à renda básica.

Para o especialista, estes dois pilares abrigariam até 95% da população, e assim o INSS atenderia à base da pirâmide. Nessa sistemática, a alíquota giraria em torno de 12%, e a contraparte seria de 6% para empregados e 6% para empregadores.

3 – Benefício Contributivo por Capitalização (BCC) – seria uma composição do FGTS mais o seguro desemprego, a fim de aproveitar o que já existe de encargo sobre a folha de pagamento, mas com o propósito de dar eficiência a esses recursos. A contribuição seria capitalizada e vinculada ao CPF e não mais ao emprego, como é vinculado hoje, e atrelada a uma conta de aposentadoria. No sistema proposto, a multa do FGTS seria mantida, mas socializada e capitalizada a fim de render juros, em contraponto à remuneração atual do fundo, que às vezes fica abaixo da inflação.

“O FGTS é salário do trabalhador e hoje se usa para financiamento de políticas públicas (habitação e infraestrutura, especialmente), o que é uma insensatez”, criticou Zylberstajn.

4 – Benefício Contributivo Voluntário por Capitalização (BCVC) – trata-se de aposentadoria complementar, e as empresas o teriam como ferramenta a fim de reforçar o pilar 3.

Para Zylberstajn, o desafio é a transição e seria preciso criar um fundo para este propósito, uma tarifa equalizadora a fim de suportar a migração entre os sistemas até que a reforma completa se dê em duas ou três décadas. O Brasil gasta atualmente 13% do PIB com a aposentadoria, segundo informou, e muito com o funcionalismo público.

Em sua conclusão, lembrou que segundo números divulgados recentemente pela Previdência Social, em 2016 a despesa total previdenciária – englobando tanto o Regime Geral como o Regime Próprio – representou 13,1% do PIB, e foram arrecadados R$ 513 bilhões, 8% do PIB, um déficit de 5% do Produto Interno Bruto.

Em reunião do Cosec, cientista político defende reforma tributária e previdenciária

Bernadete de Aquino, Agência Indusnet Fiesp

Reforma tributária e previdenciária, além da busca por eficiência administrativa, são fatores que podem fazer o Brasil lidar com as crises estrutural e conjuntural que atravessa e voltar a crescer. A afirmação foi feita nesta terça-feira (8/9) pelo cientista político Fernando Abrucio, durante reunião do Conselho Superior de Economia (Cosec) da Fiesp, presidida pelo ex-ministro da Fazenda Delfim Netto.

“São duas crises distintas, mas é preciso saber lidar com as duas coisas de tal maneira que uma ajude a sair da outra”, disse.

Segundo Abrucio, o amplo descontentamento social em relação ao atual panorama político e econômico do Brasil está diretamente ligado ao esgotamento do modelo econômico e da dificuldade dos interlocutores do sistema político e lideranças sociais em se comunicarem com a população.

Abrucio avaliou as consequências das investigações da operação Lava Jato, como o reflexo da atual crise do sistema político por ter atingido vários partidos, inclusive os não governistas.

“Não é muito fácil investigar crises envolvendo processos tão amplos de corrupção e de articulação dos setores público e privado. Os atores têm dificuldade de saber quem será o próximo e o que vai acontecer, e a investigação obviamente afetou a economia brasileira este ano.”

Reunião do Cosec da Fiesp reuniu o cientista político, Fernando Abrucio, e o deputado Ricardo Barros. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Reunião do Cosec contou com o cientista político, Fernando Abrucio, e o deputado Ricardo Barros. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Durante a reunião do Cosec, o palestrante citou ainda a inabilidade política da presidente Dilma Rousseff e a ineficiência administrativa como fatores que levaram aos problemas do Brasil na política econômica. “Tivemos erros, e há uma crise econômica que vai piorar antes de melhorar.”

Ao falar de gastos públicos, Abrucio lembrou do Fundo de Investimento Estudantil (Fies). “Os gastos do Fies são um estudo empírico maravilhoso para ver a ineficiência. Eu sou favorável ao financiamento, só que o tamanho que ele atingiu de um ano para o outro é absurdo, do ponto de vista da economicidade e da eficiência. É impossível sustentar”, analisou.

O país teve, no entanto, avanços, defendeu o palestrante. Entre eles a agenda da inclusão e da transformação. Ele lembrou que em 1998 um terço dos brasileiros de 7 a 14 anos estavam fora da escola, mas hoje esse número se resume a 3% da população.

Orçamento
O relator do Projeto de Lei do Orçamento 2016 na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), também participou do encontro na Fiesp. Segundo ele, um estudo feito pela consultoria da comissão de orçamento da Câmara e do Senado indica cortes possíveis para eliminar o déficit de R$ 30,5 bilhões previsto na peça enviada pelo Governo Federal.

“É possível fazer um bom ajuste, mas precisa mexer na Previdência. Mexer bem”, disse, destacando que há dificuldade política para fazer isso. “Se o governo quisesse cortar já teria cortado.”

Na avaliação do parlamentar, cortar mais R$ 30 bilhões, que é déficit previsto no Orçamento enviado pelo Governo Federal, “não é problema”. Mas “fazer mais R$ 80 bilhões [para ter 0,7% de superávit primário] é difícil.”

Ele listou ainda os pontos em que houve aumento do custo, como a folha de pagamento, que vai exigir R$ 15 bilhões a mais – além de R$ 2 bilhões para absorver novos servidores concursados. “Ninguém quer entrar na questão da folha”, afirmou. Outro aumento de despesas ocorreu no Bolsa Família, cujo custo anual subiu de R$ 28 bilhões para R$ 29 bilhões.

O nó da Previdência
Barros listou a economia possível em várias frentes na Previdência, a começar pela aposentadoria por tempo de contribuição. “Se mexermos na regra e acabarmos com a aposentadoria por tempo de contribuição, dá R$ 1,3 bilhão em 2016 e R$ 64 bilhões de economia na Previdência em 10 anos”, afirmou.

Outro ponto a considerar, disse Barros, é a aposentadoria da mulher. Pela regra atual, as mulheres se aposentam com idade menor que os homens e vivem mais. “Se ajustarmos isso, só igualando homem e mulher, dá R$ 1,7 bilhão no ano que vem e R$ 39 bilhões em 15 anos”, calcula o deputado. “Se conseguirmos corrigir também a idade de aposentadoria dos trabalhadores rurais, de 56 anos para 61 anos, chegando a 65 anos, teremos impacto de R$ 2 bilhões em 2016 e R$ 58 bilhões em 10 anos.”

Há espaço também para cortes nos benefícios de prestação continuada (instituídos pela LOAS): R$ 99 bilhões em 10 anos; R$ 2 bilhões em 2016. Também é possível, sempre segundo Barros, economizar por meio do cancelamento de aposentadorias ilegais por invalidez – mais R$ 1,8 bilhão em 10 anos. O deputado também disse que se todas as aposentadorias do serviço público – federal, estadual e municipal – fossem geridas por um só órgão, a economia possível seria de R$ 22 bilhões.

Sociedade não aceitará aumento de impostos, afirma Skaf em nota

O governo publicou nesta sexta-feira (27/2) a Medida Provisória 669, que eleva as alíquotas de contribuição para a Previdência das empresas sobre a receita bruta, instituída no processo chamado de desoneração da folha de pagamento, a partir de 2011.

As empresas que recolhiam 1% sobre a receita bruta, passam a recolher 2,5%, e as que tinham alíquota de 2%, pagarão 4,5%.  Segundo a MP, as empresas poderão optar por pagar as novas alíquotas ou voltar ao sistema anterior.

Na prática, o governo acaba com o programa de desoneração da folha de pagamento.

Seria mais coerente se tivesse assumido de uma vez que o seu objetivo é extinguir o programa – aliás criado por esse mesmo governo com o objetivo de incentivar a criação de empregos e sob o argumento de que era necessário dar instrumentos para melhorar a competitividade das empresas.

É, portanto, um absurdo que o governo tenha que recorrer novamente ao aumento da carga tributária para socorrer suas finanças, num momento de queda da produção da indústria e de forte redução do emprego no país. Só em 2014, a indústria fechou 216 mil postos de trabalho e há grande chance de o PIB registrar crescimento negativo, tanto no ano passado quanto neste ano.

O ajuste fiscal que as contas públicas necessitam tem que ser baseado no controle do gasto, e não no aumento da tributação e no corte do investimento. O Brasil já paga uma das mais elevadas cargas tributárias do mundo, de 37% do PIB, quando os países com nível de desenvolvimento semelhante praticam entre 20% e 25% do PIB.

O governo promete corte de gastos, quando na prática o que se vê é que a estrutura continua inabalável. Nada aconteceu ainda.

As pessoas já estão sufocadas por tantos impostos e não podem arcar com mais nenhum aumento. A sociedade brasileira não aceitará aumento de impostos.

Paulo Skaf, presidente do Federação e do Centro das Indústrias das Indústrias do Estado de São Paulo