Ações da indústria paulista vão além da preservação ambiental

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Buscar complementações entre o setor industrial e os agentes de governo, aproveitando a facilidade de identificar as medidas para a redução da emissão de gases de efeito estufa. Com este propósito, Afonso Moura, coordenador da Comissão de Mudanças Climáticas da Câmara Ambiental da Indústria Paulista (Caip) apresentou durante a XIII Semana Fiesp/Ciesp de Meio Ambiente, nesta terça-feira (7), as ações horizontais realizadas pelo setor secundário.

Ao mostrar alguns exemplos do que a indústria paulista tem realizado, sinalizou que ainda há grandes desafios. “O esforço agora é potencializar ações para que mais indústrias e cidadãos possam fazer o que boa parte das nossas iniciativas já resultou”, explicou Moura, que é também gerente técnico da Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel (ABTCP).

Para ele, as oportunidades casam estrategicamente com o Plano Nacional de Eficiência Energética e de Recursos Hídricos, entre outros temas que vêm se somando a fim de buscar convergências. “Hoje há bastante reciclagem, reúso, entre outras tantas soluções, e algo mais importante ainda é a utilização de subprodutos de um processo como matéria-prima de outro processo”, explicou.

Outro aspecto muito relevante para São Paulo é a reconfiguração do modal de transporte de insumos e produtos acabados. Moura ressaltou que o estado paulista é maior que muitos países, e que transportar toda a riqueza apenas pelo modal rodoviário é algo que precisa ser revisto.

“As ferrovias trazem produtos do Mato Grosso para o porto de Santos, com transporte especializado, e isso aperfeiçoa a logística como um todo”, detalhou o coordenador, que aposta também na frota de veículos abastecidos com biodiesel.

Produtividade

Afonso Moura expôs ainda que a adoção de tecnologias que elevam a produtividade dos processos e a alteração das matrizes energéticas, com a utilização de combustores menos carbono intensivos, são muito positivos e relativamente simples. “O ganho em eficiência energética, obtido através da substituição de equipamentos elétricos torna as empresas mais competitivas”, analisou.

Segundo o especialista, o que impulsionou a competitividade no setor de papel e celulose foi a queima de resíduo (chamado de ‘licor negro’) nas caldeiras de recuperação, por meio da melhoria da evaporação e do aumento do teor de sólidos, além de produção de vapor.

Moura comentou ainda que a ABTCP, com o apoio de comissões técnicas, desenvolve trabalhos como o Position Paper, que inclui o setor no contexto de esforços globais para a estabilização do clima. “Reduzir emissões de gases de efeito estufa é reduzir desperdícios”, finalizou.