Chuvas e enchentes de verão causam prejuízo de R$ 3,4 bilhões às empresas de SP

Rose Matuck, Agência Indusnet Fiesp

Uma pesquisa realizada pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp, após o fim do verão passado, com 478 empresas na grande São Paulo, revelou que a cada mês de chuvas em excesso há uma perda de R$ 1,3 bilhão. Já os danos causados por enchentes são de R$ 2,1 bilhões.

Segundo o estudo, mais da metade das empresas apontaram como os principais problemas causados neste período: atraso na entrega de produtos, ausência ou atraso de pessoal. A consequência de tudo isso, perda de, aproximadamente, R$ 3,4 bilhões mensais.

“Enchentes acontecem no mundo todo, de tempos em tempos, mas aqui o problema é crônico, ocorre quase anualmente. Autoridades municipais e estaduais têm de manter rios limpos, construir piscinões, atuar sobre ocupações irregulares em áreas de risco”, afirma o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

Para Skaf, a responsabilidade não é só dos governos; a sociedade civil pode e deve contribuir para que essa lamentável situação não se repita. “O Sesi-SP, além de ensinar aos seus alunos a respeitar o meio ambiente e a lidar corretamente com o lixo, ainda realiza ações comunitárias de conscientização. Agora o momento é de solidariedade, mas assim que passarmos essa fase crítica, temos de transformar os discursos em realidade para que no próximo verão não haja mais tragédias,” ressalta.

Efeitos das chuvas e enchentes nas empresas

Com base nas enchentes e chuvas do verão (2009/2010), a pesquisa ouviu empresas de todos os portes e diversos setores. Para 41% das empresas, o excesso de chuvas e enchentes tem afetado suas atividades. No entanto, para 39%, as chuvas enfrentadas nos meses de verão causam dificuldades com o transporte dos produtos das empresas, levando a atraso nas entregas.

Já para 24% o problema maior é a falta de pessoal ou o atraso de funcionários que trabalham na produção. Para 15% das empresas, o prejuízo está relacionado aos custos operacionais e, para 14%, a dificuldade enfrentada é o transporte de matérias-primas, causando a parada da produção.

Outro prejuízo citado por 4% das empresas está relacionado à carga, enquanto que, para 3%, o estoque e maquinário foram prejudicados devido à inundação da fábrica.

Na estratificação por porte, enquanto 43% das pequenas empresas tiveram dificuldades no transportes de seus produtos (atrasos), 50% das grandes empresas não foram afetadas pelo excesso de chuvas e enchentes.

Valor dos prejuízos

A pesquisa também mensurou os prejuízos sofridos pelas empresas. As mais afetadas em seu faturamento mensal (19%) apontam danos no estoque e maquinário, bem como prejuízos por dia parados para limpeza.

Nesse caso, o valor médio das perdas é de 6,5%. Já para 47% das empresas que sofreram perdas devido à grande quantidade de chuvas nos últimos anos, causando problemas no transporte e fornecimento de matérias-primas, ausência ou atraso do pessoal, o valor médio das perdas é de 4,2% do faturamento mensal.

Na divisão por porte, 18% das pequenas empresas tiveram danos de em média 7,1% de seu faturamento. Para 22% das médias empresas, as perdas ficaram em média 5,5%, enquanto que para 8% das grandes o lucro ficou em média 4,5% mais baixo.

Os maiores problemas

Segundo o levantamento do Depecon, as empresas apontaram como os principais problemas: transporte, fornecimento de matérias-primas, ausência ou atraso do pessoal. Para 47% das empresas, esses fatores equivalem a um prejuízo médio de 4,2% de seu faturamento mensal.

Quando analisado por porte, 48% das pequenas empresas revelam que esses danos ocasionaram perdas de em média 4,6% de seu faturamento, enquanto que para 47% das médias a perda foi em média de 2,7%. Já para 35% das grandes, o valor é de 7,2% em média.