Setor vê rentabilidade maior no campo em 2011

Rubens Toledo, Agência Indusnet Fiesp

Por conta dos períodos de seca prolongados, em várias partes do País, a safra brasileira de grãos 2010/2011 deve ficar abaixo do desempenho em safra anterior, afirmaram os especialistas André Pessoa e Alexandre Mendonça de Barros, palestrantes na reunião mensal do Conselho Superior de Agronegócio (Cosag/IRS), realizada nesta segunda-feira (6), na sede da Sociedade Rural Brasileira, na Capital.

Mas a dinâmica do abastecimento deve se acelerar, por conta da forte demanda internacional. Segundo André Pessoa, sócio-diretor da Agroconsult, “o próprio mercado interno está estocando volumes maiores, para 60 e até 90 dias, que em grande parte ficam nas mãos dos grandes consumidores”, afirmou.

Quanto à produção de café, o Brasil deve aumentar sua produção e também o consumo. “Em 2014, o País será o maior consumidor mundial, superando mesmo os Estados Unidos”, acrescentou Pessoa, que falou também da expansão de fronteiras da cultura da soja.

O também consultor Alexandre Mendonça de Barros apresentou os números da pecuária brasileira e chamou a atenção para o uso da linha de genéricos em defensivos agrícolas. “Os gastos com defensivos foram de US$ 6,9 bilhões em 2009. Neste ano, caíram para US$ 2,7 bilhões”, comparou.

Mendonça de Barros questionou os números oficiais no Censo Agropecuário, que “precisa ser concluído ou refeito”. “Temos tido dificuldades em fazer análises e estatísticas, porque as contas não fecham”, acrescentou.

Rentabilidade em alta

Membros do Cosag debateram ainda os cenários da agropecuária no Governo Dilma. O secretário estadual de Agricultura, João Sampaio, não vê grandes mudanças na política e crê que a rentabilidade no campo deve ser maior em 2011. Sampaio também não acredita em crises de abastecimento provocando altas inflacionárias, nem aumentos substanciais nos custos de produção.

“Nada indica que tenhamos impactos fortes nos preços dos fertilizantes, defensivos e óleo díesel, que são os insumos básicos na atividade agrícola”, falou o secretário. Sampaio aposta em bom desempenho nas culturas da cana-de-açúcar, flores/frutos, laranja, e na produção de madeira, papel e celulose.

Na pecuária, no entanto, o preço da carne bovina continuará alto (cerca de US$ 70 a arroba, atualmente), já que os criadores precisam recompor os rebanhos e preservar matrizes. “Esperamos uma acomodação dos preços, mesmo porque já bateram no teto”, afirmou o secretário.

Agenda 2011

Presidido pelo ex-ministro Roberto Rodrigues, o Cosag teve sua última reunião do ano, devendo reunir-se outra vez só em fevereiro de 2011. “Tivemos um ano produtivo. Juntamente com a Abag (Associação Brasileira do Agronegócio), este Conselho estreitou entendimentos com o Governo federal e construímos uma agenda importante dos principais temas do setor”, disse o ex-ministro.

A mudança na pasta da Agricultura, que passa a ser conduzida por Vagner Assis a partir de janeiro, também não preocupa o Conselho. “Não haverá mudanças da política atual”, acrescentou Rodrigues. A agenda do Cosag, no entanto, já tem alguns compromissos importantes na agenda 2011, como, por exemplo, o encontro com Eduardo Nunes, presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

“Temos observado discrepâncias nos números apontados pelo censo agropecuário e os volumes de estoques que são informados pela Conab. As divergências são significativas, e isso provoca desconfiança nos produtores”, assinalou o ministro.