Carlos Cavalcanti, diretor do Deinfra: ‘Preço da energia vai baixar, mas o problema é quanto e como’

Carlos Cavalcanti em reunião do Conjur

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A energia no Brasil é a quarta mais cara do mundo, informou Carlos Cavalcanti, diretor-titular do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), um dos convidados da reunião do Conselho Jurídico (Conjur) realizada nesta segunda-feira (27/08).

De acordo com Cavalcanti, após a mobilização da Fiesp com a campanha “Energia a Preço Justo”, os preços pagos na conta de luz vão baixar, mas ainda não se sabe quanto e o modelo de redução.

“Nós não temos dúvida de que ela vai baixar. O problema é quanto e como”, afirmou o titular do Deinfra ao comentar a proposta de redução de 10% da tarifa de energia elétrica para empresas e usuários residenciais anunciada pelo Ministério de Minas e Energia em julho deste ano.

O diretor do Deinfra afirmou que redução da tarifa anunciada pelo governo, por meio da eliminação de encargos federais, não tem o efeito desejado pela entidade.

“Esse não é o objetivo da nossa campanha. O objetivo da nossa campanha é que reconheçam que os ativos das usinas estão amortizados e que se devolva este ganho por meio de uma redução de custo da energia. O resultado esperado pela Fiesp é uma redução de ao menos 30% da tarifa de energia elétrica no Brasil”, disse Cavalcanti.

“Querem discutir redução de tributos, nós vamos discutir, mas isso não tem nada a ver com o preço”, completou.

Presidente do IBDiC: Resultados da câmara de arbitragem na construção civil são mais próximos da realidade que os do judiciário

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O judiciário não é capaz de resolver os problemas com celeridade alinhada às demandas do setor de construção. A visão é do presidente do Instituto Brasileiro de Direito da Construção (IBDiC), Fernando Marcondes, durante sua participação no painel de abertura do 1º Congresso Internacional do IBDiC, realizado nesta segunda-feira (20/08) na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e Centro das Industrias do Estado de São Paulo (Ciesp).

Fernando Marcondes, presidente do IBDiC

“Nós sabemos que as ações judiciais rápidas duram cinco anos. As lentas duram 15, 20 anos. Às vezes, o estado da obra já é de depreciação e a discussão sobre a construção ainda está acontecendo no judiciário”, afirmou Marcondes.

Segundo ele, por conta da velocidade e principalmente pela especialidade das decisões, uma câmara de arbitragem “contribui muito para que as controversas no ambiente da construção possam ser solucionadas com mais rapidez e com resultados que se aproximam mais da realidade do que aqueles que são conseguidos no judiciário”.

O presidente do Conselho Superior de Assuntos Jurídicos e Legislativo (Conjur) da Fiesp, ministro Sydney Sanches, também participou da abertura do encontro e afirmou que faz parte da agenda de discussões o papel da Fiesp e do Ciesp na arbitragem e conciliação de conflitos no setor da construção.

Ministro Sydney Sanches, presidente do Conjur e da Câmara de Mediação e Arbitragem Fiesp/Ciesp

“Vamos abordar também em que consistiria a atuação da Câmara de Conciliação, Mediação e Arbitragem do Ciesp e Fiesp, da qual eu sou presidente, na solução de conflitos resultantes dos contratos decorrentes desses planos”, disse Sanches a jornalistas após a abertura do evento.

Três problemas

Na avaliação de Marcondes, as obras do setor de construção têm três problemas básicos: preço, qualidade e prazo. “É praticamente impossível uma obra terminar pelo preço que foi contratada e no tempo que foi contratada, e as questões de qualidade são discutidas, são questionadas”, afirmou o presidente do IBDiC.

“Essas questões de preço e prazo não acontecem porque alguém fez alguma coisa da maneira errada. Os projetos mudam ao longo do caminho, surpresas aparecem, questões geológicas, e tudo isso compromete o prazo da obra e compromete o preço também. Isso acontece ao longo do caminho desde a obra que a gente faz em casa numa reforma até uma construção de hidrelétrica de rodovia. E aí, se não temos um corpo técnico atuando na obra em tempo real, esses problemas não vão ser resolvidos ao longo”, explicou.

Paulo Skaf: ‘Primeiro passo é rever o preço da energia’

Agência Indusnet Fiesp

Paulo Skaf: "Estou completamente disposto a discutir impostos e a indexação, mas o primeiro passo é o preço da energia. Isso é muito caro no Brasil"

Diante da possibilidade de redução do custo da energia no Brasil por meio da desoneração de impostos, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, destacou que essa hipótese não pode lançar uma cortina de fumaça sobre a questão principal: o preço da energia cobrado atualmente pelas concessionárias.

“Está se embolando uma porção de coisas e desviando o foco do preço da energia. O Brasil tem um dos custos de produção mais baixos e um dos preços de conta de luz mais caros do mundo”, afirmou Skaf em coletiva logo após a cerimônia de abertura do 7º Encontro de Logística e Transportes, evento que ocorre nesta segunda (21/05) e também na terça-feira (22/05) em São Paulo.

Skaf destacou que o debate sobre o preço da energia tem três aspectos: o preço de origem, os tributos e os índices de reajustes. “Estou completamente disposto a discutir impostos e a indexação, mas o primeiro passo é o preço da energia. Isso é muito caro no Brasil. Temos a oportunidade agora, em 2015, em que temos que fazer por meio de leilões públicos, como manda a Constituição. Se quiser discutir paralelamente, vai discutindo separadamente. Se for para discutir imposto, ótimo. Precisa, então, discutir a redução de 20% no imposto e 20% no preço da energia”, disse.

O presidente da Fiesp abordou o mesmo tema em seu pronunciamento na cerimônia que abriu o evento. “Está tudo interligado. Toda essa questão está ligada à logística. Tudo é competitividade”, afirmou. “O que queremos é isonomia. O que queremos é produzir aqui, empregar aqui no nosso Brasil, dar condições de desenvolvimento ao nosso país”.

Skaf destacou ainda a importância dos 20 painéis e da presença de 80 especialistas no 7º Encontro de Logística e Transportes. “Um dos elementos da competitividade é a infraestrutura boa, a logística boa. E todos esses pontos, como rodovias, portos, aeroportos, marcos regulatórios, hoje são prioritários porque avançamos pouco. [O Brasil] está precisando se atualizar e recuperar o atraso”.

Preço do gás brasileiro inviabiliza crescimento da indústria petroquímica nacional

Flavia Dias, Agência Indusnet Fiesp

Henri Armand Sleznger, presidente do Conselho Diretor da Abiquim

“Não existe país desenvolvido sem uma indústria petroquímica forte. É essencial que o Brasil mude a lógica de pensar química. Pare de agir como consumidor e pense como fornecedor”, declarou Henri Armand Sleznger, presidente do Conselho Diretor da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), durante o  12º Encontro Internacional de Energia da Fiesp.

Segundo Sleznger, a indústria petroquímica brasileira apresentou um faturamento de R$ 130 bilhões, em 2010, ocupando a 7º posição no mercado mundial, com possibilidade de ocupar a 5ª colocação nos próximos anos, graças ao imenso potencial de matérias-primas básicas e às descobertas das fontes do Pré-Sal.

Porém, segundo o especialista, o País precisa tornar o preço compatível com o mercado internacional. “O preço do gás brasileiro inviabiliza o crescimento da indústria nacional. Enquanto os Estados Unidos vendem o barril a US$ 4, a nossa média de preço varia de US$ 12 a US$ 15”, analisou.

Infraestrutura

Edson Real, gerente de comercialização de Combustível da MPX

Para Edson Real, gerente de comercialização de Combustível da MPX, a demanda de gás natural no setor elétrico apresentará um crescimento anual de 2,3% até 2015, chegando a mais de 1 milhão de pés cúbicos em 2025. Para isso, o País precisa investir em infraestrutura. “A geração térmica será a âncora do desenvolvimento do mercado de gás natural. Para isso o Brasil precisa de matrizes energéticas robustas e seguras”, declarou.

Segundo Edmundo Alfredo da Silva, representante da Associação Brasileira de Geradoras Termelétricas (Abraget), o Brasil possui 12 bacias hidrográficas em funcionamento, responsáveis por 26% da geração térmica, com destaque para região Norte do País.

Mas as exigências ambientais comprometem o desenvolvimento do setor, que mostra uma escassez de novos projetos a partir de 2020. “As normas ambientais prejudicam a expansão do sistema. Não existem restrições à expansão térmica. As hidroelétricas teriam um valor muito grande para gestão de água”, argumentou Silva. E completou: “Não somos contra o controle de emissões, desde que seja feito com base técnica e premissas adequadas”.

Já Edmilson Moutinho, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (USP), defendeu os investimentos em projetos e pesquisas para boa utilização do gás natural. “No Brasil não existe uma pesquisa sobre essa matriz energética. Precisamos criar projetos inovadores, com a participação do micro e pequeno empresário. Um primeiro passo seria a criação e empresas incubadoras para o gás”, declarou.

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Acompanhe a cobertura do 12º Encontro Internacional de Energia