Formato inovador acelera resultados em reunião preparatória para evento sobre bioeconomia

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Visto de fora, o evento Pre-summit: Call for action em Bioeconomia parecia um organismo em metamorfose, com os especialistas de diversas áreas se reunindo em grupos, trocando de grupos, de tamanho de grupo, discutindo temas, mudando de assunto e criando material aos borbotões – inicialmente de maneira que muitos viram como caótica, mas que no final ganhou corpo.

Organizado pela Anpei (Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras) e pelo IBQP (Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade), o pre-summit foi realizado pela Fiesp e pela Fapesp nesta quinta-feira (19/11) como forma de reunir pessoas capazes de dar contribuição importante para preparar o Call for Action in Bioeconomy Global Summit Brasil 2016. A dinâmica exaustiva do trabalho, coordenado por Rodrigo Costa da Rocha Loures, diretor titular do Conselho Superior de Inovação e Competitividade da Fiesp (Conic), deu bons resultados. Em 25 de fevereiro vai haver novo encontro, de um grupo agora coeso, com propostas para trabalhar em planejamento, conteúdo e comunicação.

Pedro Wongtschowski,  presidente do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial) elogiou “a solidez das conclusões, o que mostra a eficiência do processo escolhido. É mesmo um call for action, há muita coisa pela frente”.

No encerramento, Loures lembrou a importância de ficar claro que o evento se refere a negócios, “é for profit”. A articulação de empreendedores, investidores e outros stakeholders é uma agenda de mercado, protagonizada pelo universo empresarial. “É uma premissa.”

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Rodrigo Loures durante o Pre-summit: Call for action em Bioeconomia , na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


O pre-summit

Na abertura do evento, Loures falou sobre as mudanças necessárias para preparar o mundo para a agenda do desenvolvimento sustentável, com a bioeconomia. “O grande desafio é a construção de uma nova cultura”, disse. Loures explicou que o “potencial das pessoas não é aproveitado porque nossos modelos são inadequados. Precisamos nessa nova sociedade criar capacidades técnicas, organizacionais e políticas”, o que inclui a criação de políticas públicas.

O primeiro passo, segundo Loures, é descobrir o que as pessoas desejam fazer, juntas, nessa área. “Ao longo de 2016 vamos descobrir como implementar nossos sonhos.”

O pontapé inicial foi dado no pré-summit, que teve formato fora do normal, possível graças a uma equipe multidisciplinar especializada em fazer as pessoas interagirem e trabalharem de forma colaborativa, além de representar graficamente os resultados das conversas conforme se desdobravam.

A chuva de ideias vira representação no papel, durante o pre-summit. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

A chuva de ideias vira representação no papel, durante o pre-summit. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Entre as apresentações para estimular os participantes houve a de Wilson Nobre, da FGV (Fundação Getúlio Vargas), que falou sobre a intensa aceleração do poder de processamento dos computadores. Um equipamento de US$ 1.000 terá capacidade de processamento semelhante à do cérebro humano em 2023. Em 2050, ultrapassará a capacidade de todos os cérebros humanos juntos…

E mais – Nobre citou o visionário Ray Kurzweil, que previu que daqui a 15 anos, nanorrobôs inseridos no cérebro permitirão imersão virtual na nuvem, permitindo, como ocorre com os celulares hoje, a multiplicação por 10.000 da capacidade de processamento.

Para exemplificar o potencial do trabalho colaborativo, foi exibido o curta (pouco mais de 4 minutos) O Poder da Colaboração (Macrowikonomics Murmuration), do guru da inovação Don Dapscott, sobre o voo em bando dos estorninhos e o que o uso da mesma capacidade, de forma inteligente, conseguiria gerar.

Dali em diante foram perto de seis horas de trabalho intenso e colaborativo.