Conteúdo local, nova regulação do pré-sal e licitações podem movimentar setor de energia

Mayara Baggio, Agência Indusnet Fiesp

Em busca de uma saída para o destravamento dos investimentos em energia no país, principalmente no setor de petróleo e gás, o Departamento de Infraestrutura da Fiesp (Deinfra) realizou um workshop com especialistas no dia 17 de maio. Para eles, as novas regras de conteúdo local, a regulação do pré-sal e rodadas de licitações devem movimentar o setor.

“Precisamos do Brasil do futuro agora. Sempre buscamos o ótimo e perdemos a oportunidade que muitas vezes se apresenta de fazer o bom”, afirmou o diretor adjunto da Divisão de Energia do Deinfra, Nelson Gomes, sobre a postura do país diante dos desafios do segmento energético.

O vice-presidente e diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp (Decomtec), José Ricardo Roriz Coelho, lembrou que a economia brasileira passa pelo pior momento de sua história e deu ênfase à importância do conteúdo local para o desenvolvimento da indústria nacional. “Investimos muito menos em capital fixo do que deveríamos; as empresas estão gerando caixa para pagar despesas financeiras diante de juros abusivos”, lamentou. Roriz falou ainda sobre a necessidade de balanceamento das regras de conteúdo local, de modo que o regulamento não afaste as chances de investimentos. “A pressão não pode atrapalhar os negócios”, lembrou.

O setor de petróleo e gás agrega hoje cerca de 2,6 mil empresas, entre pequenas e médias, 115 mil trabalhadores – com salário médio mensal 40% maior do que na indústria de transformação – e uma taxa de investimentos, em relação ao faturamento, de cerca de 9%.

Na avaliação do coordenador-geral da Política de Concessão de Blocos Exploratórios do Ministério de Minas e Energia, Lauro Bogniotti, a capacidade do Brasil de fazer negócios está bem atrás de países como México, Colômbia, Peru e outros concorrentes de investimentos na América Latina. Bogniotti ressaltou ainda que dez novas rodadas de leilões do setor acontecerão nos próximos três anos, quatro delas ainda este ano.

Já o secretário-executivo do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Antônio Guimarães, alertou para a importância do Brasil conhecer o tamanho do desafio a ser enfrentado no setor. “Estamos passando por uma verdadeira revolução mundial, uma modernização dos mercados que consomem energia, com uma participação maior do Oriente, com destaque para a Ásia”, explicou. Para ele, o momento atual pode indicar grandes oportunidades para investimentos em petróleo e gás natural no mundo, especialmente no Brasil, em virtude das grandes reservas contidas no pré-sal.

Também participaram do debate o professor doutor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Marcelo Colomer, que chamou a atenção para o novo patamar de preço do petróleo e como as disputas com novas fontes e tecnologias trazem desafios para o setor de petróleo e gás.

O presidente do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, por sua vez, falou sobre as consequências graves para o setor da ausência de leilões no período de 2008 a 2013, que afastou os investidores do país.

Workshop na Fiesp teve como tema investimentos em energia. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Em meio à crise, especialistas da indústria de petróleo pedem atenção ao setor durante workshop na Fiesp

Anne Fadul, Agência Indusnet Fiesp

O cenário do setor brasileiro de petróleo é dramático este ano e precisa de atenção, afirmou Flavio Rodrigues, diretor do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), durante o workshop “Petróleo e Gás Natural: Perspectivas e Desafios” promovido pela Federação das Indústrias do Estado de Paulo (Fiesp), nesta quarta-feira (21/10), na sede da entidade.  Segundo o diretor, é preciso estar alerta devido à queda no preço internacional do petróleo, que ocasionou a redução nos investimentos da Petrobrás e o recuo econômico no país.

Para ele, é necessário tomar algumas medidas para aumentar a atratividade no Brasil e fomentar investimentos no setor. “Isso inclui mudanças no modelo de conteúdo local e no sistema de partilha para o pré-sal, estabilidade tributária e regulatória. Desta maneira, há possibilidade de outros operadores nesta área”, exemplificou.

“A crise ficou ainda mais aguda devido aos já citados problemas financeiros da Petrobrás. Como os investimentos da estatal representam de 70% a 80% do total do setor, vocês podem avaliar o que isso representa em termos de retração para a indústria como um todo?”, questionou Álvaro Teixeira, diretor da divisão de energia do departamento de infraestrutura (Deinfra) da Fiesp e mediador do workshop.

Também presente no encontro, Eloi Fernandez, diretor geral da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), afirmou que a indústria de petróleo brasileira “sofre hoje dificuldades por conta da forte dependência de um único comprador, a Petrobras. E acontece o que estamos passando atualmente, quando dá um problema com esse cliente, estagna tudo”, disse. Segundo Fernandez, para que o Brasil se torne competitivo na área e tenha uma atividade viável é necessário que o preço do barril seja acima de U$ 50.
>> Ouça reportagem sobre o setor de petróleo e gás

Workshop na Fiesp sobre perspectivas e desafios para o petróleo e o gás natural. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Gás natural no Brasil

Edmar de Almeida, Professor Doutor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e também convidado do evento, falou sobre as perspectivas do mercado nacional de gás natural. Aproximadamente 50% do total da oferta de gás no Brasil é importada. Segundo o professor há barreiras aos investimentos em exploração e produção de gás em terra no Brasil. “O desenvolvimento do gás em terra vai precisar de políticas específicas, mudanças regulatórias e/ou novos mecanismos de incentivos”, afirmou.

Com relação à exploração de gás não convencional (shale gas) no Brasil, Almeida aponta os desafios. “É preciso disseminar conhecimento técnico sobre os não convencionais, coordenar institucionalmente e buscar uma visão convergente no Estado Brasileiro, capacitar institucionalmente para regular e fiscalizar e atrair empresas interessadas em investir no aprendizado tecnológico para produzir gás e óleo não convencional nas condições geológicas brasileiras.”

Oportunidades
Única representante da indústria química no workshop, Fatima Ferreira, diretora da Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) falou da expectativa em relação ao pré-sal. “A matéria-prima é o diferencial de competividade para o setor, e o pré-sal é uma grande oportunidade para o Brasil. Sem matéria-prima competitiva não existe indústria petroquímica”, disse.

Para Fatima, o uso do gás também é uma oportunidade de diversificação e aumento da competitividade. “Hoje não temos gás natural competitivo. Já tivemos no passado, o que nos levou a investir em fábricas que vêm sendo gradativamente fechadas. A indústria química é também a única que utiliza gás natural como matéria-prima. Nesta aplicação, o consumo é de apenas 1,4 milhão de m3/dia. No entanto, nesse uso se agrega em média 8 vezes o valor do gás nas cadeias”, disse.

Segundo a diretora, o setor químico é um dos grandes propulsores da economia brasileira, e o aumento de produção da indústria química estimula a produção de outros setores, havendo um efeito dinâmico em cadeia.

Empresários participam de Seminário sobre as Oportunidades de Negócios do Pré-Sal

Dulce Moraes, Agência Indusnet (com informações do Competro)

Na manhã desta quarta-feira (23/4), aconteceu, na sede da Fiesp, mais uma edição do “Seminário As Oportunidades do Pré-Sal: Como minha Indústria pode Participar deste Mercado”.

O diretor de P&D da indústria Planeta Azul, Marcelo Meirelles Freitas, explicou como a sua empresa foi reorientada, a partir dos conhecimentos adquiridos Núcleo de Apoio à Gestão da Inovação na Cadeia de Petróleo e Gás Paulista (Nagi-PG) da Fiesp e Ciesp, para tornar-se uma fornecedora da cadeia produtiva do Petróleo e Gás.

Marcelo Meirelles Freitas, da empresa Planeta Azul, apresenta o seu case em Seminário na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/FIESP

O evento contou com a palestra do engenheiro Virgílio Calças Filho, ex-gerente de Engenharia da Petrobras que esclareceu que não apenas as empresas de grande porte podem participar desse mercado e que indústrias dos mais diversos setores podem se tornar fornecedora da Petrobras.

Virgílio apresentou, em sua palestra, como as micro, pequenas e médias empresas podem se inserir no setor de Petróleo e Gás (P&G) e se tornarem fornecedoras da cadeia.

O coordenador de Conteudo Local e Relações com o Mercado Fornecedor da Petrobras, Rosewelter Balbino de Barros, explicou aos participantes como as micro e pequenas indústrias podem tornarem-se fornecedoras da petroleira estatal.

 

Gestão da Inovação 

A especialista em Inovação, Claudia Pavani. Foto: Helcio Nagamine/FIESP

Um dos itens essenciais para capacitação das empresas neste mercado – a inovação – foi o tema da economista Claudia Pavani, mestre em Inovação Tecnológica e Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Claudia enfatizou aos empresários como a gestão da inovação e imprescindível para aproveitar as oportunidades do Pré-sal.

No final do evento, cinco empresas assinaram termo de adesão ao Núcleo de Apoio à Gestão da Inovação na Cadeia de Petróleo e Gás Paulista  (Nagi-PG) da Fiesp e Ciesp.

As empresas participantes do Programa recebem uma capacitação completa para tornarem-se fornecedoras das principais empresas do segmento de Petróleo e Gás.

O programa tem inscrição permanente e está aberto para indústrias de todos os portes e setores. Os interessados devem entrar em contato com o Competro/Fiesp, através do e-mail: nagipg@fiesp.com ou pelo telefone: (11) 3549-4520.

Delegação da Suécia debate relações com o Brasil em visita à Fiesp; Skaf propõe intercâmbio na área educacional

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

A Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp) recebeu nesta segunda-feira (11/11) a visita da Academia Real Sueca de Ciências e Engenharia. O patrono da academia, o rei da Suécia Carl XVI Gustaf, esteve presente no encontro. Além de participar de debates sobre inovação e competitividade nas relações entre o Brasil e a Suécia, a delegação se reuniu com a diretoria e com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

Ao lado do rei da Suécia Carl XVI Gustaf (à direita na foto), Paulo Skaf disse que o Brasil precisa de muitos parceiros. “Tenho certeza que a Suécia pode ser um grande parceiro brasileiro.” Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

 

Skaf agradeceu a presença da delegação, em nome de todos os setores produtivos brasileiros, e reforçou a importância de aumentar os negócios entre os dois países.

“A corrente de comércio da Suécia em 2012 foi de US$ 340 bilhões. A brasileira ficou em torno de US$ 500 bilhões. Isso nos estimula a procurar as razões pelas quais a nossa troca de comércio é tão modesta. Deveríamos estar comprando muito mais da Suécia e também vendendo mais para eles, assim como deveria ser maior o investimento de um país para o outro”, afirmou o presidente da Fiesp.“O Brasil tem um grande potencial e precisa de muitos parceiros. E tenho certeza que a Suécia pode ser um grande parceiro brasileiro.”

Ao falar dos investimentos da indústria paulista em educação, o presidente da Fiesp aproveitou a oportunidade para propor um intercâmbio entre as universidades da Suécia com as entidades da indústria como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) e o Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP).

O presidente do Conselho da Academia e líder da delegação, Leif Johansson, disse que a Suécia tem muito interesse no Brasil. “Nossa meta é fazer a imersão profunda em coisas brasileiras, comparar o Brasil e a Suécia e avaliar como os países podem se desenvolver de forma independente e também em conjunto”, declarou. “Temos muito interesse em participar na economia crescente do Brasil, promovendo a ciência em áreas como estrutura energética, inovação, empreendedorismo e sustentabilidade. Sem dúvida, a Fiesp é uma organização importante para chegar a esse objetivo.”

Leif Johansson (2º da esquerda para a direita): “Temos muito interesse em participar na economia crescente do Brasil”. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

 

Perguntas

Os principais temas questionados pelos membros da delegação sueca foram competitividade, infraestrutura, pré-sal e investimentos do país em educação.

Sobre a competitividade, o diretor-titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec), José Ricardo Roriz Coelho, citou alguns dos entraves que o Brasil precisa enfrentar nessa questão. “Um dos problemas é o câmbio, porque durante um tempo tivemos o real sobrevalorizado, o que desorganizou os preços relativos no Brasil e perdemos a competitividade para exportar e no mercado interno. Também temos o custo de produzir no Brasil, que é muito caro”, explicou Roriz, que incluiu nesse custo as questões da infraestrutura e da baixa qualidade dos serviços públicos.

Roriz falou ainda que o Brasil precisa fazer um grande trabalho na área de inovação e tecnologia, para melhorar sua competitividade, além de fazer as reformas – tributária, jurídica e política.

O impacto dos investimentos do pré-sal para o Estado de São Paulo também foi tema de uma pergunta da delegação sueca. “De 2012 a 2016, o investimento do estado na área de petróleo e gás vai ficar na casa de R$ 175 bilhões. Em termos de serviços e produtos, São Paulo é responsável por 50% de tudo que se faz nessa área, mas, hoje, representa só 2% da produção. Esse número vai crescer para cerca de 20%, depois de desenvolvidos os campos do pré-sal”, disse Roriz, que avalia o pré-sal como uma grande oportunidade para São Paulo.

O diretor do Decomtec falou ainda sobre a questão da infraestrutura. “Embora o Brasil tenha imensos desafios pela frente, também é um país de grandes oportunidades. E pode trabalhar em conjunto com a Suécia para desenvolver esse potencial.”

Pré-sal deve ser aproveitado para trazer tecnologia ao país e estimular cadeia produtiva, diz Paulo Skaf

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp, de Barra Bonita

“A exploração do pré-sal deve ser uma oportunidade não apenas para estimular as exportações de petróleo e derivados do Brasil, mas, principalmente, para atrair tecnologia e estimular a fabricação de equipamentos e até de plataformas de exploração no país”.

A afirmação foi feita pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), Paulo Skaf, na manhã desta sexta-feira (25/10), durante a inauguração de uma nova escola do Sesi-SP em Barra Bonita, no interior do estado.

Quatro dias após a realização do primeiro leilão do pré-sal, no Campo de Libra,  Skaf ressaltou a importância da oportunidade. “Que o Brasil aproveite não só para tirar o petróleo e exportar, mas para trazer tecnologias, estimular empregos e a cadeia para produzir equipamentos e maquinários, que é do que realmente necessita o país”, afirmou.

Skaf na inauguração da escola do Sesi-SP em Barra Bonita: fabricação de equipamentos no Brasil. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Skaf na inauguração da escola do Sesi-SP em Barra Bonita: fabricação de equipamentos no Brasil. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

 

Autor da única oferta, o consórcio formado pela Petrobras, a anglo-holandesa Shell, a francesa Total, e as estatais chinesas CNPC e CNOOC venceu o leilão do Campo de Libra no pré-sal, o maior campo de petróleo já descoberto no Brasil. O grupo propôs destinar para a União 41,65% do óleo a ser produzido no local, percentual mínimo exigido.

A Petrobras ficou com 40% de participação, incluindo o percentual de 30% obrigatório por lei. Shell e Total ficaram com 20% cada uma. As chinesas ficaram com 10% de participação cada uma.

Crescimento econômico

O presidente da Fiesp ainda avaliou que a economia está melhor do que já esteve ano passado, mas afirmou que o crescimento ainda será abaixo da média mundial.

“Estamos vivendo uma época de vacas magras tanto no Brasil quanto no mundo. Devemos ter um crescimento de 2,5% em 2013, enquanto os países desenvolvidos devem crescer cerca de 3%”, disse Skaf.

 

Brasil só tem a ganhar com a exploração do pré-sal, afirmam debatedores do 14º Encontro de Energia da Fiesp

Adriana Santos, Agência Indusnet Fiesp

No primeiro dia do 14º Encontro de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), no painel “Pré-sal: A nova era do petróleo no Brasil” todos os participantes concordaram num ponto: o Brasil só tem a ganhar com a exploração do pré-sal. O debate foi coordenado por Marcos Nascimento, diretor do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp, tendo sido realizado na tarde desta segunda-feira (05/08), no Hotel Unique, em São Paulo. O Encontro segue até esta terça-feira (06/08).

O pré-sal é uma parte do subsolo localizada sob uma camada de sal nas profundezas do mar, com alto potencial de exploração de gás e óleo.

“Primeiro veio o desafio tecnológico, depois os regulatórios e, em seguida, a coordenação de políticas setoriais”, explicou Helder Queiroz Pinto Jr, diretor da ANP, apresentando uma linha do tempo do pré-sal.

Pinto Jr apresentou uma linha do tempo do pré-sal em debate no 14º Encontro de Energia. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Pinto Jr apresentou uma linha do tempo do pré-sal em debate sobre o assunto. Foto: Julia Moraes/Fiesp

 

Nos últimos 15 anos, o mercado de energia passou por uma grande transformação, com ampliação do horizonte para exploração. Nessa mesma linha de análise, Helder mostrou a evolução financeira arrecada pela União por meio dos royalties de gás e óleo. Para se ter uma ideia, em 1998 foram arrecadados US$ 200 milhões, valor que saltou para US$ 30 bilhões no ano passado.

Uma nova era

O pré-sal colocou o Brasil no caminho da inovação desde o princípio. As técnicas de perfurações das estruturas, inclusive, foram os primeiros desafios a serem enfrentados com o uso de tecnologia. A avaliação é de  outro painelista do debate, Armando Guedes, conselheiro do IBP. Segundo ele, em dez anos o pré-sal será responsável por quase 50% da produção de óleo no Brasil.“Esse crescimento e a demanda internacional fará com que a nação busque ainda mais inovação, para, por exemplo, criar ilhas artificiais que facilitem o transporte do petróleo do fundo do mar para a costa”.

Segundo ele, o horizonte aponta para um futuro promissor.“A utilização do gás e petróleo como grandes geradores de energia ainda deve predominar até o final do século, quando outras formas – como a energia solar – começarão a conquistar seu espaço”.

Competitividade 

Para Arthur Ramos, sócio da Booz Company, que também participou do painel, “a inovação transformou o Brasil em posição de líder em águas profundas”.  Arthur acredita que a discussão sobre o pré-sal deve percorrer toda a cadeia produtiva e a competitividade deve ser o foco, uma vez que essa é uma indústria geradora de muita renda.

O empresário ressaltou a pertinência e importância do tema para a Fiesp, uma vez que esse mercado necessita de capacitação de recursos humanos e tecnologia. Ele também destacou, assim como seus companheiros de debate, que a indústria naval teve a oportunidade de renascer com o advento do pré-sal. 

Exploração do petróleo no Brasil será debatida em evento da Fiesp

Agência Indusnet Fiesp

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) vai debater, nos dias 5 e 6 de agosto, o momento atual do pré-sal brasileiro no seu 14º Encontro Internacional de Energia,  a ser realizado no Hotel Unique, na capital paulista. Com o painel “Pré-sal: a nova era do petróleo no Brasil”, a entidade vai discutir o Programa de Investimentos da Petrobras, o desenvolvimento dos campos descobertos e a exploração e produção do petróleo, entre outros temas.

“A extração de petróleo da camada pré-sal abre um mar de oportunidades para o setor industrial, que está preparado para aproveitá-las. A indústria de base paulista já é a maior fornecedora da Petrobras e das empresas contratadas por ela”, afirma Carlos Cavalcanti, diretor do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp.

A chegada do primeiro leilão do pré-sal, previsto para outubro, no Campo de Libra na Bacia de Santos, promete um investimento na ordem de US$ 200 bilhões a US$ 300 bilhões. A previsão é de que a área gere uma produção de 1 milhão de barris por dia. Segundo a Agência Nacional o Petróleo (ANP), o Campo de Libra tem condições de começar a produzir em 2018.

“O pré-sal vai proporcionar impacto econômico e social, além de ser uma grande oportunidade para a indústria no País, que precisa estar preparada para atender esse crescimento de demanda e tecnologicamente pronta para vencer os desafios do petróleo explorado”, ressalta Cavalcanti.

Serviço
14º Encontro Internacional de Energia
Datas: 5 e 6 DE AGOSTO – das 8h30 às 18h
Local: Centro de Convenções do Hotel Unique – Av: Brigadeiro Luis Antônio, 4700 – Jd Paulista – São Paulo

É inconcebível desqualificar trabalho da Petrobras no pré-sal, defende Maria das Graças Foster

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

A presidente da Petrobras Maria das Graças Foster rebateu na manhã desta quarta-feira (10/04), na sede da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), críticas quanto à capacidade de produção da empresa na exploração do chamado pré-sal (denominação das reservas de petróleo e gás natural descobertas em subsolo marítimo na região litorânea entre os estados de Santa Catarina e o Espírito Santo).

“A produção de petróleo no pré-sal é realidade. Estamos produzindo e batendo recordes. Em 2012 atingimos 300 mil barris produzidos. Até 2017 produziremos um milhão; em 2020, mais de dois milhões. Uma produção excepcional”, disse Foster ao apresentar o plano de negócios e gestão da empresa para o período 2013-2017.

Maria das Graças Foster: meta para 2017 é de 2,75 milhões de barris por dia. Foto: Julia Moraes/ Fiesp

 

“No momento nossa produção já é expressiva. Levamos apenas sete anos para produzir 300 mil barris no pré-sal depois da primeira descoberta. No Golfo do México, os Estados Unidos demoraram 17 anos para produzir a mesma quantidade. É inconcebível qualquer desqualificação do trabalho da Petrobras  referente à produção no pré-sal”, acrescentou a presidente da Petrobras.

Foster disse que nos últimos 14 meses a Petrobras fez 53 descobertas de áreas com acumulação de hidrocarboneto – 15 delas na camada do pré-sal. “Nosso sucesso exploratório é de 64%. No resto do planeta, uma taxa de 30% é considerada altíssima. Ou seja, nosso desempenho é incrível.”

Antes de apresentar o plano 2013-17, Foster agradeceu ao presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf. Em seu pronunciamento, Skaf disse que a Petrobras está em boas mãos e que Foster tem o apoio das entidades para “realizar aquilo que a Petrobras precisa.”

Metas

Foster: total de investimentos planejados para 2013-2017 é de 236 bilhões.Foto: Julia Moraes/ Fiesp

Foster mostrou resultados da empresa em 2012 e revelou as metas de produção e investimentos para os próximos quatro anos: “Alcançamos a meta prevista para 2012, que era atingir a produção de dois milhões de barris de petróleo por dia. Mas a Petrobras  tem muito mais a produzir. Em 2013, manteremos a produção do ano passado, para no segundo semestre começarmos a rampa de crescimento da produção. Em 2017, a meta é de alcançarmos a produção 2,75 milhões de barris por dia”, afirmou.

Um dos grandes objetivos da Petrobras é alcançar, em 2020, 4,2 milhões de barris de petróleo. “É quase impossível acreditar que não alcançaremos esse volume. O plano é absolutamente factível. Temos os ativos necessários para alcançar a meta. Sete unidades estacionárias de produção entrarão em operação em 2013. Duas já estão em operação. A terceira estará funcionando em maio, no nordeste”, disse Foster.

Investimentos

A presidente da empresa apresentou também os planos de investimentos durante o período: “No último ano realizamos o maior investimento da história da Petrobras: 84,1 bilhões de reais. Nesse ano o investimento previsto é de 97,6 bilhões. O total, para 2013-2017, é de 236 bilhões”.

Segundo ela, não adianta obter resultados financeiros sem que se evolua na construção de unidades de produção, plataformas, térmicas e gasodutos. “Precisamos gerar a receita para contrairmos o menor volume de dívida. Em 2012, o físico e o financeiro andaram muito bem.”

Custos

A presidente dedicou parte de sua exposição para afirmar a necessidade de controlar custos. “A prioridade absoluta da Petrobras é a produção de petróleo e gás natural, assim como a busca pela excelência em redução de custos. A perspectiva é de dobrarmos de tamanho até 2020, mas não podemos deixar os custos subirem nessa proporção”, disse.

No encerramento de sua fala, Foster reiterou o compromisso da Petrobras com a indústria brasileira de bens e serviços. “O compromisso é cada vez maior, mas em bases sustentáveis. O trabalho é conjunto. Somos um somatório de talentos e capacidades”, encerrou.

No evento, Foster teve a companhia de quatro diretores da empresa: Almir Guilherme Barbassa (Financeiro e de Relações com Investidores); José Miranda Formigli Filho (Exploração e Produção), José Carlos Cosenza (Abastecimento) e José Alcides Santoro Martins (Gás e Energia).

Pré-sal deve ser transformado em renda para sociedade o quanto antes, diz diretor da Fiesp na Isto É Dinheiro

Agência Indusnet Fiesp

Imagem da reportagem. Foto: Agência Fiesp

O diretor-titular do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Carlos Cavalcanti, foi um dos convidados do painel “Pré-sal – um mar de oportunidades”, debate realizado pela revista Isto É Dinheiro no dia 26/11 – a cobertura pode ser lida na edição mais recente (nº 791), com o nome “Pré-sal, a hora é agora”.

Cavalcanti alerta para a necessidade de imprimir rapidez na criação da cadeia do pré-sal.

“Temos de transformar o óleo negro em renda para a sociedade o mais rápido possível.”

Segundo o titular do Deinfra, a indústria de base paulista já é a maior fornecedora da Petrobras e das empresas contratadas. Em sua análise,  o atual desenvolvimento da indústria de petróleo é similar ao do setor automotivo em 1960.

O diretor da Fiesp observou, ainda, que o governo de São Paulo não tem um plano concreto para a indústria de petróleo.

“Nada aconteceu para o desenvolvimento do porto de São Sebastião nem em termos de infraestrutura na Baixada Santista”, disse Cavalcanti, que mencionou a existência de um comitê formado por secretários estaduais sem interlocução com a sociedade.

P&G: programa da Petrobras facilita acesso de fornecedores a linhas de crédito

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

Segundo Gustavo Tauhata, as principais características do Programa Progredir são mais rapidez no acesso, custos menores e ajuda da Petrobras aos bancos para reduzir riscos. Foto: Everton Amaro

Um dos convidados do seminário Desafio São Paulo na Demanda do Pré-sal, Gustavo Tauhata, coordenador de Fomento a Cadeia de Fornecedores da Petrobras, apresentou nesta terça (27/11), na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o Programa Progredir.

A iniciativa integra o plano de ações estratégicas previstas no Plano de Negócios 2011-2015 para o fortalecimento e ampliação da cadeia produtiva da companhia.

O programa faculta às empresas que integram a cadeia de suprimentos da Petrobras a possibilidade de obter empréstimos junto aos seis bancos parceiros (Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Itaú, HSBC e Santander), com base nos contratos de fornecimento de bens e serviços assinados com a empresa.

As empresas beneficiadas realizam todas as operações pela internet, por meio do portal (www.progredir.petronect.com.br), de forma rápida e segura, sem envolver recursos da Petrobras.

Segundo Tauhata, as principais características do programa são mais rapidez no acesso, custos menores e ajuda da Petrobras aos bancos para reduzir riscos.

“O banco pode oferecer taxas menores porque a Petrobras ajuda mitigar riscos de crédito através de dados e informações cadastrais. E, por meio do comprometimento da Petrobras, a depositar na conta predeterminada pelo fornecedor”, disse Tauhata.

Em 18 meses, o programa cedeu cerca de R$ 4 bilhões até novembro deste ano – a meta é de R$ 5 bilhões até dezembro – para 404 empresas. São empresas de diversas áreas de atuação, mas de um perfil homogêneo. “É basicamente um fornecedor de pequeno e médio porte que não tem muito acesso a linhas de crédito”, explicou o coordenador de Fomento a Cadeia de Fornecedores da Petrobras.

José Luiz Marcusso, da Petrobras: ‘Fiesp tem sido uma grande parceira no desenvolvimento da cadeia de fornecedores’

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

José Luiz Marcusso: 'Nossos primeiros técnicos de operação e de manutenção foram formados em parceria com o Senai'. Foto: Helcio Nagamine

Após palestra no seminário Desafio São Paulo na Demanda do Pré-sal, evento realizado nesta terça-feira (27/11) na sede da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), o gerente geral da Unidade de Operações de Exploração e Produção da Bacia de Santos da Petrobras, José Luiz Marcusso, concedeu uma breve entrevista ao Portal Fiesp.

Segundo ele, a Fiesp, o Ciesp e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-SP) têm sido grande parceiros no desenvolvimento de fornecedores e de mão de obra para a cadeia produtiva de Petróleo & Gás (P&G).

Confira a entrevista:

Como o senhor avalia a sinergia entre a Petrobras e a Fiesp/Ciesp para desenvolver a indústria brasileira, inclusive dentro do contexto da política de conteúdo local?

José Luiz Marcusso – Fundamental, e vem ocorrendo. A Fiesp, diretamente ou através do Ciesp, é parceira da Petrobras para o desenvolvimento da Bacia de Santos desde 2006. Ainda em setembro de 2006, foi criado o fórum regional do Prominp [Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural, coordenado pelo Ministério de Minas e Energia]. E a integração da Fiesp – diretamente ou através do Ciesp – ocorreu, por exemplo, na participação em todos os eventos que envolve cadastro de fornecedores. A Fiesp tem sido uma grande parceira principalmente para o desenvolvimento da cadeia de fornecedores de bens e serviços. Esse é um grande desafio, paralelo à capacitação das pessoas em todas as áreas críticas do conhecimento. O desenvolvimento dessa indústria é fundamental não só para implantar esses projetos, mas principalmente para garantir a operação por um longo tempo. Imagine, por exemplo, uma turbina cuja manutenção é feita no exterior? Então, as pessoas acham que conteúdo local é uma exigência do regime de concessão. Não é só isso. A gente entende que ele necessário pelo volume de operações crescente. Não tem cabimento a gente ter que reparar equipamento no exterior. E nisso a Fiesp tem sido uma grande parceira, pelo papel que ela tem de representatividade frente à indústria brasileira.

Muito se fala do apagão de mão de obra no Brasil. Como a Petrobras pretende incentivar essas parcerias, inclusive com o Senai?

José Luiz Marcusso – A Petrobras está imbuída nesse esforço. Tudo isso começou com o governo federal, com a criação do Prominp em dezembro de 2003. Então, o Prominp vai completar 10 anos no ano que vem – um marco importante. A Petrobras tem muitas parcerias com o Senai. Dou alguns exemplos. Os nossos primeiros técnicos de operação e de manutenção, tanto da plataforma de Mexilhão como da unidade de tratamento de gás Monteiro Lobato, em Caraguatatuba, foram formados em parceria com o Senai – estou falando de técnicos próprios do Senai. E também as parcerias com as universidades e com as escolas brasileiras, principalmente com destaque no Senai na área técnica, estão ocorrendo há muito tempo.

A Fiesp e o Ciesp e o Senai lançaram um curso de gestão de inovação, em parceria com a Universidade de São Paulo, para empreendedores em P&G. Quais são os segmentos que a Petrobras identifica necessidade de produtos inovadores?

José Luiz Marcusso – Todo pré-sal tem um cenário de complexidade das operações de P&G. Uma comparação entre as bacias de Campos e Santos. Em Campos, a gente tem operações na faixa de 100 a 150 quilômentros [de distância] da costa. Em Santos, são 300 quilômetros. Em Campos, a gente tem operações de reinjeção de gás num nível de pressão de 300 quilograma-força por centímetro quadrado (kgF/cm²). Em Santos, a gente ultrapassa 500 kgF/cm². Presença de CO2 no gás natural? Então, há a necessidade de materiais mais resistentes à corrosão. Mais presença de óleo parafina. Maior quantidade de gás natural. Em Campos, para cada 100 mil barris por dia de petróleo, a gente produz 2 milhões de gás natural. Em Santos, esse número chega ao dobro, às vezes ao triplo, a depender da área. Têm muitas áreas de conhecimento com esse cenário já presente na Bacia de Santos.

Valor Econômico: Fiesp aponta benefícios de destinar recursos dos royalties do petróleo em educação

Agência Indusnet Fiesp

O que aconteceria se, no período de 2013 a 2030, os royalties do petróleo brasileiro fossem destinados à educação? A resposta a essa pergunta foi dada pelo estudo sobre crescimento de renda via royalties do petróleo, elaborado pelo Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e detalhado em reportagem publicada nesta terça-feira  (06/11) pelo jornal Valor Econômico.

Entre os possíveis benefícios citados no estudo é o aumento de 23% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano de 2030 – passando de R$ 8,01 trilhões (sem investimentos de royalties na educação) para R$9,83 trilhões. A reportagem cita ainda que o principal destino desses recursos, atualmente, é o custeio de gastos públicos.

Para o  vice-presidente da Fiesp e diretor-titular do Decomtec José Ricardo Roriz,  o Brasil não pode perder essa oportunidade. “Desenvolvimento social requer população mais educada com ensino de qualidade, e que atinja maior número de pessoas possível, além de professores bem remunerados”, diz ele na matéria.

Na reportagem, Roriz – que também é coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva de Petróleo e Gás da Fiesp – explica  que esse lado social alavanca o desenvolvimento econômico:  “Mais educação significa maior produtividade, produção com maior valor agregado e serviços de melhor qualidade”.

Comentando sobre o mesmo tema, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, afirmou que o Brasil precisa universalizar o atendimento de creches e construir um sistema de educação em tempo integral que proporcione educação de qualidade a todos os brasileiros.

“Sempre digo que a educação é a forma de se dar oportunidades iguais às pessoas. O que este estudo da Fiesp mostra é que além das oportunidades, o direcionamento dos royalties exclusivamente à educação trará maior crescimento econômico. Ninguém pode ser contra a construção de um Brasil que cresça mais e que dê oportunidades iguais aos brasileiros”, afirmou Skaf.

Leia abaixo a íntegra da matéria do Valor Econômico,  ou clique aqui [restrita a assinantes do jornal].

 

Em sua primeira reunião, Competro apresenta objetivo e estudos

Agência Indusnet Fiesp

Na primeira reunião dos membros do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria de Petróleo e Gás (Competro) da Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp), na manhã desta quinta-feira (27/09), o presidente das entidades, Paulo Skaf, ressaltou a importância do Comitê e citou as oportunidades que as novas descobertas do pré-sal trazem e que a indústria deve se aproveitar disso.

Presidente da Fiesp, ao centro, prestigia a primeira reunião do Competro realizada na manhã desta quinta-feira (27/09)

Os membros do comitê, coordenado por José Ricardo Roriz Coelho, também vice-presidente da entidade e diretor-titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp, reuniram-se com autoridades empresariais e lideranças do setor de petróleo e gás e expuseram os objetivos do comitê, falaram sobre Política de Conteúdo Local da Petrobras e apresentaram as alterações no Programa Paulista de Incentivo à Indústria do Petróleo (Decreto Estadual 58.388/2012).

Entre outros convidados, a reunião contou com presença do diretor regional do Senai-SP e superintendente do Sesi-SP, Walter Vicioni Gonçalves, e de representantes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Convidados nacionais e internacionais discutem preço de gás no Brasil

Cesar Augusto, Agência Indusnet Fiesp

A discussão sobre os preços do gás no mercado brasileiro, os investimentos realizados nos campos do pré-sal, as novas descobertas on e off-shore, o escoamento da produção e formação de preços deram a tônica dos debates acerca dos temas mais relevantes deste mercado em ebulição no nosso país.

Convidados internacionais como Ashley Brown, da University of Harvard e Ray Siada, da empresa Guardian, juntaram-se a Edmar Fagundes, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Flávio Abreu, do Sistema Firjan, para mesclar a experiência doméstica e internacional dos temas durante o painel “E&P e Preço de Gás”, agenda desta terça-feira do 13º Encontro Internacional de Energia da Fiesp.

Gerente da Petrobras afirma que estatal está preparada para “um eventual acidente”

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Marcos Vinicius de Mello, gerente setorial da Petrobras

Em meio à repercussão do vazamento de óleo na área do Campo de Frade, na Bacia de Campos (RJ), envolvendo a petroleira norte-americana Chevron, o gerente setorial de Meio Ambiente da Petrobras reconheceu nesta segunda-feira (21) que a atividade de exploração e produção é uma operação de risco, mas afirmou que a estatal está preparada para eventuais acidentes.

“Não podemos e nem vamos dizer que jamais vai acontecer. Pode acontecer”, disse Marcos Vinicius de Mello. “O que nós fazemos é gerenciar o risco associado a nossa atividade e nos preparar. Na Bacia de Santos como um todo, temos pelo menos oito embarcações dedicadas, que se ocupam 24 horas por dia da tripulação e equipamentos para atuar imediatamente.”

Ele participou da mesa redonda “Desenvolvimento Sustentável no Pré e no Pós-sal”, durante o primeiro dia da 5º Mostra Fiesp/Ciesp de Responsabilidade Socioambiental. “Se todo o resto falhar, essa embarcação vem na incumbência de iniciar o combate e a recuperação de um eventual vazamento de óleo”, acrescentou o gerente da estatal.

Revelado em oito de novembro, estima-se que o vazamento em Campus jorrou um volume entre 200 e 300 barris de petróleo por dia, segundo a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis.

Estrutura

O presidente do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Fiesp, Walter Lazzarini, reiterou a necessidade de se discutir possíveis consequências negativas na exploração de petróleo no pré-sal.

“É fundamental que tenhamos a preocupação de discutir aquilo que pode haver de prejuízo ou de impactos negativos pela exploração do pré-sal, na medida em uma região pode ser impactada pela falta de infraestrutura para receber a população, seguramente atraída pelos empregos gerados”, sublinhou Lazzarini. “Há necessidade que essa infraestrutura seja em termos de saneamento básico, em termos residências, escolas e hospitais.”

Lazzarini mediou o debate sobre pré-sal durante a 5ª Mostra de Responsabilidade Socioambiental, que até quarta-feira (23) receberá autoridades e executivos para debaterem a apresentarem casos de sucesso voltados ao desenvolvimento social e econômico.

No projeto Pré-Sal, Petrobras destinará investimentos também em logística

Agência Indusnet Fiesp

Ricardo Araújo, da Petrobras, anuncia ampliação de terminais para escoação do Pré-Sal

Parte dos investimentos totais da Petrobras – 224 bilhões de dólares previstos para o período de 2010 e 2014 – será destinada para aprimoramento logístico, disse Ricardo Albuquerque Araújo, gerente-geral de logística da Petrobras.

Durante o  6º Encontro de Logística e Transportes da Fiesp, nesta quarta-feira (15), Araújo confirmou que o Plano de Investimentos da estatal para período de 2011 a 2015 será conhecido ainda este mês.

No mês passado, a Petrobras informou que deve investir cerca de 350 milhões de dólares em um terminal flutuante para escoar a produção do pré-sal a partir de 2013. A instalação será construída entre Rio de Janeiro e São Paulo, uma vez que não é possível ampliar os terminais de São Sebastião (SP) e de Angra dos Reis (RJ).

Previsão

A produção de petróleo da Petrobras deve ficar em torno de 4 milhões de barris em 2014. O prognóstico para 2020 é de uma produção de mais de 5 milhões de barris de petróleo, sendo 1,07 milhão de barris provenientes do pré-sal, acrescentou Albuquerque.

Na próxima década Brasil investirá US$ 400 milhões em offshore, diz especialista

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

Alfredo Renault, superintendente da Organização Nacional da Indústria de Petróleo (Onip)

Discutir o futuro da cadeia produtiva de petróleo e gás, além dos investimentos na formação profissional especializada que atendam à demanda do setor petrolífero para extração das reservas do pré-sal foram alguns dos temas abordados durante Seminário Desafio Pensando no Futuro: Pré-Sal, realizado nesta terça-feira (1º), no Espaço Fiesp.

Segundo Alfredo Renault, superintendente da Organização Nacional da Indústria de Petróleo (Onip), o Brasil investirá cerca de US$ 400 milhões no setor offshore, responsável pela extração das reservas marítimas de petróleo e gás natural.

De acordo com dados da Petrobrás, 81% das reservas petrolíferas brasileiras estão concentrados no subsolo marinhos. Destes, 64% ficam em águas profundas e ultra-profundas. Além disso, 90% dessas novas reservas comprovadas de petróleo encontram-se no fundo do mar.

Renault acredita, no entanto, que, além dos investimentos no setor petrolífero, o governo federal precisa estabelecer uma política industrial específica para área de pré-sal. A medida, segundo ele, permitirá o desenvolvimento sustentável do setor e a participação das empresas nacionais, com destaque para os micro e pequenos negócios. “Precisamos de um planejamento com metas de médio e curto prazos. Assim teremos uma participação efetiva do empreendedor nacional neste mercado”, argumentou.

Royalties

A disputa pelos royalties de petróleo foi vista com preocupação por José Anibal, secretário de estado de Energia de São Paulo. Em sua avaliação, temas importantes como investimentos na área de infraestrutura, modernização e capacitação de mão de obra foram deixados de lado.

José Anibal, secretário de estado de Energia de São Paulo

“O debate sobre o pré-sal está focado na distribuição dos royalties. Está errado! Precisamos de uma ação bem organizada, que permita a qualificação dos recursos humanos, empresarial e um financiamento tecnológico. Não nos falta formulação. O que pode nos faltar é ação, convergência”, alertou.

Segundo Aníbal, o governo do Estado de São Paulo é favorável à repartição dos royalties, mas defende uma discussão do projeto já aprovado pelo Senado e que agora será votado na Câmara dos Deputados.

O substitutivo apresentado pelo senador Vital do Rego (PMDB-PB) propõe que, a partir de 2012, a União e os estados produtores fiquem com 20% dos royalties, cada um, e que os municípios confrontantes passem a receber 17%, chegando a 4% em 2020. “Este substitutivo provoca perdas para os estados produtores e para os municípios confrontantes”, concluiu o secretário.

Rodada de negócios da Fiesp/Ciesp vai reunir 180 empresas na Santos Offshore

Odair Souza, Agência Indusnet Fiesp

A Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp) realizam nesta terça-feira (18), em Santos, uma rodada de negócios voltada à cadeia produtiva de petróleo e gás.

O evento faz parte da programação da 5ª edição da Santos Offshore Oil & Gas Expo – ponto de encontro anual para negócios entre empresas do setor, além dos segmentos de Petroquímica, Química, Construção Naval, Siderurgia, Metal-Mecânica, Portos e Meio ambiente.

Modelo

A Rodada de Negócios da Fiesp/Ciesp é uma eficiente forma de oferecer oportunidades de geração de negócios, por meio de relacionamento e do estabelecimento de contatos para comprar e vender bens, produtos e serviços, em um único espaço no período de quatro horas.

O evento conta com 20 empresas âncoras que relacionaram mais de 300 produtos e serviços de demanda. Na lista das grandes compradoras estão: Bardella, Shell, Rolls-Royce Brasil, Aker Solutions do Brasil, Modec Serviços de Petróleo do Brasil, Sog Óleo (Setal) e Gás, UTC Engenharia, BW Offshore do Brasil, entre outras.

Na rodada, cada empresa fornecedora terá 10 minutos por reunião para apresentar seu produto ou serviço às âncoras. Por meio de reuniões pré-agendadas e de reuniões de encaixes, estabelece-se o contato necessário para troca de cartões, catálogos e informações entre as empresas. Os participantes poderão realizar aproximadamente 15 reuniões com as empresas âncoras. Entre uma reunião e outra, poderão também estabelecer contatos futuros entre si.

Geração de negócios

Em 2011, já foram realizadas rodadas em Jundiaí (2), São José do Rio Preto, Indaiatuba e Marília, Santa Barbara D’Oeste, Itapetininga, Capital, Taubaté, Araraquara e Tatuí. No período foram mobilizadas mais 270 empresas âncoras e 1.800 empresas participantes, que proporcionaram quase 16.800 mil reuniões, com volume esperado de negócios perto de R$ 37 milhões.

“Neste ano, continuamos com o nosso principal objetivo que é facilitar a geração de negócios e incentivar a cultura de networking entre os associados do Ciesp”, explica o diretor de Produtos e Serviços do Ciesp, José Henrique Toledo Corrêa.

Oportunidades do pré-sal

De acordo com a Diretoria de Infraestrutura do Ciesp, os valores que a Petrobrás vai destinar nos próximos anos – para a construção de plataformas e de toda estrutura a ser montada na camada do pré-sal – representam uma parte considerável do PIB brasileiro.

“O Brasil deve sair de 17º produtor para ocupar, em 2015, o 5º lugar entre os maiores produtores de petróleo, se tudo correr de acordo com o plano de investimento aprovado. O setor de petróleo, gás e energia será responsável pelo crescimento de 1% a 2% do PIB nos próximos anos, podendo chegar a uma participação de 20% já em 2020”, prevê Júlio Diaz, diretor de Infraestrutura da entidade.

Serviço
Rodada de Negócios Ciesp da Cadeia de Petróleo e Gás no Santos Offshore 2011

Data e horário: 18 de outubro, às 15h
Local: Mendes Convention Center – Av. Francisco Glicério, 206, Gonzaga, Santos/SP

Preço do gás brasileiro inviabiliza crescimento da indústria petroquímica nacional

Flavia Dias, Agência Indusnet Fiesp

Henri Armand Sleznger, presidente do Conselho Diretor da Abiquim

“Não existe país desenvolvido sem uma indústria petroquímica forte. É essencial que o Brasil mude a lógica de pensar química. Pare de agir como consumidor e pense como fornecedor”, declarou Henri Armand Sleznger, presidente do Conselho Diretor da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), durante o  12º Encontro Internacional de Energia da Fiesp.

Segundo Sleznger, a indústria petroquímica brasileira apresentou um faturamento de R$ 130 bilhões, em 2010, ocupando a 7º posição no mercado mundial, com possibilidade de ocupar a 5ª colocação nos próximos anos, graças ao imenso potencial de matérias-primas básicas e às descobertas das fontes do Pré-Sal.

Porém, segundo o especialista, o País precisa tornar o preço compatível com o mercado internacional. “O preço do gás brasileiro inviabiliza o crescimento da indústria nacional. Enquanto os Estados Unidos vendem o barril a US$ 4, a nossa média de preço varia de US$ 12 a US$ 15”, analisou.

Infraestrutura

Edson Real, gerente de comercialização de Combustível da MPX

Para Edson Real, gerente de comercialização de Combustível da MPX, a demanda de gás natural no setor elétrico apresentará um crescimento anual de 2,3% até 2015, chegando a mais de 1 milhão de pés cúbicos em 2025. Para isso, o País precisa investir em infraestrutura. “A geração térmica será a âncora do desenvolvimento do mercado de gás natural. Para isso o Brasil precisa de matrizes energéticas robustas e seguras”, declarou.

Segundo Edmundo Alfredo da Silva, representante da Associação Brasileira de Geradoras Termelétricas (Abraget), o Brasil possui 12 bacias hidrográficas em funcionamento, responsáveis por 26% da geração térmica, com destaque para região Norte do País.

Mas as exigências ambientais comprometem o desenvolvimento do setor, que mostra uma escassez de novos projetos a partir de 2020. “As normas ambientais prejudicam a expansão do sistema. Não existem restrições à expansão térmica. As hidroelétricas teriam um valor muito grande para gestão de água”, argumentou Silva. E completou: “Não somos contra o controle de emissões, desde que seja feito com base técnica e premissas adequadas”.

Já Edmilson Moutinho, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (USP), defendeu os investimentos em projetos e pesquisas para boa utilização do gás natural. “No Brasil não existe uma pesquisa sobre essa matriz energética. Precisamos criar projetos inovadores, com a participação do micro e pequeno empresário. Um primeiro passo seria a criação e empresas incubadoras para o gás”, declarou.

Leia mais:

Acompanhe a cobertura do 12º Encontro Internacional de Energia