Universidades paulistas contribuem no desenvolvimento de soluções P+L

Celso Lopes, Agência Indusnet Fiesp

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Giorgio Arnaldo Enrico Chiesa, professor da FEI e Coordenador de Projetos do IPEI. Foto: Vitor Salgado

Logo após a apresentação do case da Reallen, a Conferência de Incentivo às Práticas de Produção Mais Limpa apresentou as “Formas de Apoio das Universidades para implementar ações de Produção Mais Limpa nas Empresas”.

O primeiro a explanar sobre como as universidades estão contribuindo para o processo foi Giorgio Arnaldo Enrico Chiesa, professor da FEI e Coordenador de Projetos do IPEI, com o tema “Projeto de Lavadora de Roupas que permite o Reúso da Água e Conservação de Tecidos”.

Chiesa esclareceu que o projeto foi desenvolvido pelos alunos do curso de engenharia têxtil em parceria com a empresa Whirlpool Latin America, líder do mercado latino-americano de eletrodomésticos e que atua no país com as marcas Brastemp, Consul e KitchenAid.

O trabalho, que teve investimentos de apenas R$ 2.500 permitiu que a lavagem de roupas fosse feita com menos água e, o que é mais importante, não comprometendo o produto: “Houve eficiência do processo em termos de reúso e ganho na qualidade final. Conseguimos reduzir em 50% o consumo da água em uma lavagem simples e 30% na dupla” observa Chiesa.

O professor Chiesa conclui dizendo que em breve, haverá demonstrações no mercado de como o projeto desenvolvido por alunos da FEI funciona efetivamente.

Economia

José Carlos Jacinto, coordenador do Núcleo de Estudos de Produção Mais Limpa da Universidade Anhembi Morumbi, apresentou o tema “As Ações do Núcleo de Estudos em Produção mais Limpa na Universidade Anhembi Morumbi” em que fala de um grupo de estudos, criado neste ano, com alunos dos cursos de engenharia elétrica, tecnologia em sistema de informação, engenharia mecânica, engenharia de produção e ciência da computação.

Eles trabalham no desenvolvimento de combustíveis mais econômicos para projeto ERRBA, um monoposto de três rodas, fabricado em fibra de vidro com reforços estruturais em alumínio: “Com etanol, o carro teve uma redução de consumo de 196,343 km em relação a gasolina”.

Adequação sustentável

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Roberto Gardesani, do Centro de Ciências Sociais Aplicadas do Mackenzie. Foto: Vitor Salgado

Roberto Gardesani, coordenador do MackLOGS do Centro de Ciências Sociais Aplicadas do Mackenzie, mostrou aos presentes um breve estudo das Cadeias de Suprimentos e Reversa do Setor de Equipamentos Eletromédicos com Vistas na Adequação à Diretiva WEEE e Rohs (Waste Electrical and Electronic Equipment, diretiva da comunidade europeia sobre desperdícios elétricos e equipamentos eletrônicos, o qual junto da diretiva Rohs, tornou-se lei europeia a partir de 2003).

O estudo faz parte do Projeto Ambientronic, apresentado na Fiesp em 2009, e que visa o desenvolvimento de produtos, adequando de modo sustentável equipamentos eletromédicos às recomendações das diretivas WEEE, e que participam o Ministério da Ciência e Tecnologia, Meio Ambiente, Indústria, Comércio Exterior e setores acadêmicos e empresariais.

Importante salientar que, caso esses equipamentos não seguirem as diretrizes determinadas, a Comunidade Europeia não realizará sua importação.

Energia limpa

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Alberto Akio Shiga, do Núcleo de Produção Mais Limpa da Universidade São Judas. Foto: Vitor Salgado

Alberto Akio Shiga, coordenador do Núcleo de Produção Mais Limpa da Universidade São Judas Tadeu, apresentou a breve palestra “Núcleo de Produção Mais Limpa e Sustentabilidade”.

Em sua participação, falou sobre a fase de aproveitamento do sistema eólico e alguns pontos do recém-criado projeto “Totem”, que prevê utilização de aproveitamento da energia solar e posterior transformação dessa energia na universidade.

Interesse global

Por fim, Roberto Moreira, diretor Pedagógico do Complexo Educacional FMU, cumprimentou a iniciativa da Fiesp/Ciesp na elaboração do evento e alertou para o intercâmbio que ocorre com alunos de Colônia na Alemanha, preocupados com as questões de meio ambiente: “Produção Mais Limpa tem repercussão mundial e muitas pessoas interessam-se em saber o que o país está fazendo para que a prática se torne um hábito”.

Moreira disse também que os estudos de questões ligadas ao Meio Ambiente não envolvem apenas alunos de cursos de engenharia, mas de todo o complexo da FMU e isso estabelece uma conscientização ainda maior por parte de todos.

O evento foi finalizado com a cerimônia de premiação do concurso “Incentivo às Melhores Práticas de Produção Mais Limpa”. Veja a lista dos vencedores:

·  Centro Universitário Belas Artes de São Paulo
Projeto: Exposição reciclável – Modulação Permanente com Racionalização
Camila Poio de Oliveira Bressan

·  Centro Universitário da FEI
Projeto: Otimização da Sucata Metálica Gerada em Indústria de Relaminação de aço carbono
Jordão de Moura Ferreira

·  Faculdades Integradas Rio Branco
Projeto: Inserção do Modelo Europeu de Jardins Verticais no Brasil
Caroline Cagnini de Almeida

·  Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU)
Projeto: Proposta de Sistema de Lavagem de Calçados Laváveis com Sabão de Cinzas
Aline Pereira dos Santos

·  Universidade Anhembi-Morumbi
Projeto: Meio Alternativo de Energia: Geradores a Diesel x Bi-combustível e Gás Natural
Tatiana Yambanis Thomaz

·  Universidade de Campinas (Unicamp)
Projeto: Utilização do Resíduo de Polimento de Porcelana na Confecção de Artefatos de Concreto
André Riceroto Amaral

·  Universidade de São Paulo (USP São Carlos)
Projeto: Redução de Impactos Ambientais e Gastos através da Minimização do Descarte de Peças Reprovadas em Testes de Qualidade
Rafael de Barros Cobra

·  Universidade de Taubaté (Unitau)
Projeto: “Sistema Eco-eficiente para Condicionamento do Ar em Automóveis”
Maria Claudia Costa de Oliveira

·  Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp Bauru)
Projeto: Usina de Incineração de Lixo com Cogeração de Energia
David Engler Faleiros

·  Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp Sorocaba)
Projeto: O Ponto Certo
Daniela de Andrade Mello Freire

·  Universidade Presbiteriana Mackenzie
Projeto: Sustentabilidade na Indústria Farmacêutica
Cesar Collet e Silva

·  Universidade Santo Amaro (Unisa)
Projeto: Reuso da Água da Máquina de Lavar
Claudia Lucia Mota

·  Universidade São Judas Tadeu (USJT)
Projeto: Sistema Autônomo para Eficientização na Produção de Energia Elétrica através da Luz Solar
Luana Antunes Afonso Pestana

·  Universidade Unimonte (Santos-SP)
Projeto: Implantação de Restaurantes Sustentáveis nas Indústrias
Paloma Kristine Teixeira

Realen folheados economiza R$ 72 mil por ano com prática de P+L

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Daniel de Oliveira Ferreira, gestor de Qualidade da Realen. Foto: Pedro Ferrarezzi

Celso Lopes, Agência Indusnet Fiesp

A primeira década do século 21 foi definitiva para uma mudança de posicionamento na Realen Folheados. A empresa prestadora de serviços em galvanoplastia de peças para ornamentação pessoal como anéis, brincos, correntes e pingentes teve seu case apresentado na terça-feira (14), durante a “Conferência de Incentivo as Práticas de Produção Mais Limpa” organizado pelo Ciesp/Fiesp.

O gestor de Qualidade da Realen, Daniel de Oliveira Ferreira, conta que com a implementação do Projeto P+L há cerca de dez anos, promoveu uma “Melhoria Contínua” em vários setores da empresa e conseguiu uma economia de aproximadamente R$72 mil por ano na redução de custos operacionais (água, geração de lodo e descartes etc.).

A quantia economizada tem servido para a ampliação e reestruturação do prédio da empresa e aquisição de novas tecnologias. “Verificamos como um fator indireto a mudança positiva na visão da comunidade e das organizações fiscalizadoras quanto ao segmento, uma vez que era somente visto como degradador do meio ambiente devido aos resíduos gerados pelo processo”, observa Ferreira.

De acordo com ele, a Realen investiu cerca de R$140 mil no Projeto P+L. Como resultado, conseguiu redução de:

  • Captação de água (economia de R$ 2.340/mês e R$ 28.080/ano);
  • Geração de lodo e seu descarte (de 408 kg/ano baixou para 42 kg/ano e gerou economia para descarte de R$ 600);
  • Redução da quantidade de produtos químicos utilizados no tratamento (R$ 1.920/mês e R$ 23.040/ano);
  • Redução de custos com operador do tratamento (antes gastava-se R$1.800 com encargos) e o tratamento era realizado em 30 dias/mês, hoje esse valor baixou drasticamente para R$ 120 (com encargos) e o tratamento é realizado em até dois dias/mês, gerando uma economia de R$20.160/ano).

Daniel conta que a prática adotada pela Realen levou as empresas da região a adotarem o mesmo procedimento, devido ao trabalho de divulgação realizado pela Cetesb por meio da mídia e de cartilhas explicativas. “Sabemos que em nosso segmento foram realizados dois projetos de P+L, e que contou primeiramente com cinco empresas do setor e, em um segundo momento, com mais 19 empresas”, pontua.

Os projetos contaram com a participação e apoio do Ciesp, Cetesb, Indústrias do setor, ALJ e Sindijóias”.

Universidade e Indústria apostam na Produção Mais Limpa

Rubens Toledo, Agência Indusnet Fiesp

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Representantes das entidades e estudantes posam para foto durante a solenidade de premiação dos melhores trabalhos universitários Foto: Pedro Ferrarezzi

Estudantes de 14 universidades parceiras tomaram o Teatro Popular do Sesi durante a Conferência de Incentivo às Práticas de Produção Mais Limpa, realizada na manhã desta terça-feira (14), que aproximou indústria, academia e poder público em torno de um tema que se tornou vital para todos – a sustentabilidade.

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Eduardo San Martin, diretor de Meio Ambiente do Ciesp. Foto: Pedro Ferrarezzi

“Em vocês estão depositadas nossas melhores esperanças”, discursou Eduardo San Martin, diretor de Meio Ambiente do Ciesp, na abertura do encontro que contou com presenças do presidente da Cetesb, Fernando Rei, e do 2º vice-presidente da Fiesp, João Guilherme Sabino Ometto, que prestigiou a solenidade de premiação dos melhores trabalhos universitários.

Segundo o diretor, o conceito de produção mais limpa, embora já incorporado nas economias desenvolvidas, ainda não se firmou no Brasil, mas já está presente em todas as cadeias produtivas e é realidade nos segmentos cerâmico e têxtil, o pioneiro na aplicação dessas práticas.

“Cabe à academia, mais do que nunca, introjetar esses conceitos entre os seus alunos, que são os profissionais do futuro”, acrescentou San Martin, que é também coordenador do Programa de Produção Mais Limpa da Fiesp.

Assimilação

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José Carlos Jacintho, coordenador do Núcleo de Estudos de Produção da Anhembi-Morumbi. Foto: Pedro Ferrarezzi

Esse trabalho de “catequese” vem ocorrendo em várias instituições de ensino, que já mantêm núcleos de pesquisas e estudo de práticas que reduzem consumo de água e mesmo de energia. È da universidade o protótipo de veículo capaz de percorrer 150 quilômetros com um único litro de etanol ou 239 quilômetros com um só litro de gasolina, construído por alunos da Universidade Anhembi-Morumbi.

“Nossos alunos assimilaram o conceito de integração de processos, produtos e insumos e também a importância de neutralizar todo CO2 gerado na produção”, falou o professor-doutor José Carlos Jacintho, coordenador do Núcleo de Estudos de Produção dessa instituição.

Participação das MPIs

Iniciativas como esta, no meio acadêmico, ou no chão de fábrica, como o case apresentado pela Reallem, fabricante de bijuterias em Limeira que reduziu de forma significativa os resíduos tóxicos gerados na galvanoplastia das peças, mostram evolução dessas práticas. Em muitos casos, a universidade tem participado desses avanços.

Não sem razão o Departamento da Micro e Pequena Indústria (Dempi), da Fiesp, firmou convênio com 25 instituições de ensino. “Essa interação tem sido de grande valia às empresas de pequeno e médio porte e também para ambiente acadêmico”, discursou Carlos Monteiro, diretor-adjunto do Dempi/Fiesp.

Segundo Nelson Pereira dos Reis, diretor do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp, eventos como este coroam o esforço da entidade em busca da conformidade ambiental. A Produção Mais Limpa deve ser inserida no das inovações tecnológicas, afirma o diretor.

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Nelson Pereira dos Reis, diretor do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp. Foto: Pedro Ferrarezzi

“Não se pode vislumbrar um país desenvolvido sem investimentos maciços em pesquisa básica”, observa. O diretor acrescenta que, em parceria com a Cetesb, o departamento elaborou e publicou 15 guias ambientais, contemplando setores gráfico, têxtil, cerâmica vermelha, entre outros.

O presidente da Cetesb, Fernando Rei, situou a parceria com Indústria e Universidade, em torno da Produção Mais Limpa, como um projeto de nação, digno do estado moderno que deve caracterizar o século 21.

“E caberá ao governo a maior responsabilidade na mudança dos padrões de produção. É uma questão de decisão política”, frisou Rei, referindo-se à meta do governo paulista de reduzir em 20% as emissões de gases de efeito estufa até 2020, tomando 2005 como base de comparação.