Feirão do Imposto alerta população sobre malefícios da alta carga tributária no país

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

Cerca de 70% da população brasileira não sabem que pagam impostos em itens de alimentação, remédios, veículos e bebidas e, muito menos, o seu impacto no custo do salário mínimo. Os dados foram divulgados pelo coordenador Nacional do Feirão do Imposto, Tiago Coelho, durante o lançamento da 10ª edição do Feirão do Imposto, realizado nesta terça-feira (11/09), na sede da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp).

O evento contou com a participação do presidente em exercício do Ciesp, Rafael Cervone; do ex-ministro de Infraestrutura e ex-presidente da Embraer e Petrobrás, Ozires Silva; do coordenador do Movimento Brasil Eficiente (MBE), Carlos Schneider; do presidente da Confederação Nacional dos Jovens Estudantes (Conaje), Marduk Duarte; do diretor do Núcleo Jovens Empreendedores do Ciesp (NJE), Tom Coelho; e do diretor-titular-adjunto do Comitê dos Jovens Empreendedores da Fiesp (CJE), Marcos Zekcer.

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Rafael Cervone: "Temos que trabalhar por uma desoneração forte e não podemos continuar aceitando isso". Foto: Everton Amaro

Rafael Cervone ressaltou o empenho da Fiesp e do Ciesp, por meio do presidente Paulo Skaf, na luta por uma carga tributária mais justa. Cervone parabenizou os representantes do Conaje e os membros do NJE e CJE por conscientizar a população sobre o quanto a carga tributária representa no dia a dia da sociedade brasileira.

“Esse evento é fundamental para esclarecer a população e, mais do que isso, reduzir esta carga tributária. Nós temos que trabalhar por uma desoneração forte e não podemos continuar aceitando isso”, afirmou Cervone.

De acordo com o presidente da Conaje, Marduk Duarte, a realização da 10º edição do Feirão do Imposto – marcada para este sábado (15/09) em 200 municípios de 18 Estados brasileiros; no Estado de São Paulo a mobilização acontecerá nesta sexta-feira (14/09), à partir das 9h, em frente ao prédio da Fiesp – só foi possível graças à mobilização das entidades de classes e representantes da indústria de todo o país.

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Marduk Duarte, presidente do Conaje. Foto: Everton Amaro

“Está na hora de abrir este debate para toda a população. Eu tenho certeza de que com o apoio da sociedade, das entidades da indústria e de outros setores, todos unidos, vamos conseguir um resultado mais rápido”, salientou Duarte.

Desoneração do ensino

O ex-ministro Ozires Silva lembrou que o Brasil é um dos únicos no mundo que concede tributos na área educacional. Para ele, esta “medida equivocada” contribui para que o país perca espaço no mercado internacional.

“É um disparate tão grande tributar a educação. O país dá um tiro no pé do cidadão no instante em que ele está sendo preparado para se tornar um grande cidadão, pagador de imposto; ele acaba sendo derrubado pela própria tributação”, avaliou Silva. “Com essa estrutura educacional e incapacidade que estamos transmitindo para cada brasileiro nós não vamos construir o país que sonhamos.”

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Ozires Silva, ex-ministro de Infraestrutura. Foto: Everton Amaro

O ex-ministro acredita que a mobilização dos jovens empreendedores contribuirá para a adoção de políticas de qualidade de vida para as próximas gerações. “Fico triste de ver que o Brasil está sem plano de futuro, sem projeto, sem saber para onde ir. Nós precisamos mudar este país para assegurar às próximas gerações uma qualidade de vida que nós, agora, não estamos podendo desfrutar”, disse.

Para Carlos Schneider, coordenador do MBE, o evento ajudará a conscientizar a população sobre os malefícios da carga tributária, que, por sua vez, cobrará do governo transparência a correta aplicação destes recursos.

“Se a população for esclarecida, ela pode ser parceira neste esforço”, ressaltou. E completou: “O Brasil não tem senso de urgência para entender os problemas e resolver no tempo certo. À medida que a gente consiga melhorar a eficiência da gestão pública, o governo precisará de menos recursos”.

Aumentos de população e de renda causam desequilíbrio entre demanda e oferta

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

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Da esq. p/dir.: André Pessôa, da Agroconsult, e Alexandre Mendonça de Barros, da MB Agro

A fim de analisar o investimento internacional e a expansão da oferta agrícola, o Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp convidou especialistas atuantes no setor para sua reunião mensal, realizada nesta segunda-feira (18) na sede da Sociedade Rural Brasileira.

Durante o evento, foi exposto o relatório sobre os Impactos Econômicos do Parecer da Advocacia Geral da União (AGU), que restringe a aquisição de terras por estrangeiros. O fundador e diretor da Agroconsult, André Pessôa, também apresentou as principais causas do desequilíbrio entre a oferta e a procura dos principais produtos agrícolas no mundo como soja, milho, trigo e arroz.

Segundo ele, a demanda está correndo à frente da oferta por vários motivos: aumento da população mundial, especialmente urbana, e avanço do poder aquisitivo. E, apesar da repetição anual do recorde da produção de commodities, os estoques das safras mais relevantes estão em níveis muito próximos aos da década de 70.

“Naquela época, foi importante a chamada “revolução verde”, para equilibrar o choque de demanda com o uso de tecnologias modernas e insumos aprimorados, o que permitiu aumento do nível de estoques e a queda do custo das principais commodities”, explicou André Pessôa.

E continuou: “Estamos na mesma situação daquela época: hoje temos uma ferramenta poderosa que é a biotecnologia, que tem permitido a manutenção de taxas de crescimento de produtividade positivas. No entanto, este aumento é decrescente”, analisou.

Dependência

De acordo com Alexandre Mendonça de Barros, sócio-consultor da MB Agro Associados, o Brasil conquistou uma segurança alimentar sólida e robusta, e tem sinalizado para que outros países abram seus mercados e dependam da oferta do Brasil. A China, por exemplo, está aumentando a renda e expondo sua dependência do produto brasileiro.

“Devemos ter uma postura condizente com a abertura de mercado do mundo, já que o paradigma chinês reza que o país jamais importará alimentos”, afirmou Barros. Outro aspecto ainda relacionado é que a segurança alimentar não se refere somente à disponibilidade física do produto, mas também à capacidade de renda para a sua aquisição.

Expansão

Conforme apresentado, apenas para aquisição da terra e a montagem da infraestrutura básica operacional dentro das fazendas, seria necessário investir, em bilhões, R$ 31,2 em grãos de algodão, R$ 43,8 em cana-de-açúcar e R$ 18,5 em florestas, totalizando R$ 93,5 bilhões. Isso sem contar outros R$ 64 bilhões para as usinas de cana, o que fecha a soma em mais de R$ 150 bilhões em aportes.

“Se este dinheiro não estiver disponível, cresceremos em um ritmo bem menor, já que o Brasil não é um país rico em capital. Estamos falando de quase um “pré-sal” da agricultura em investimento nos próximos anos”, sinalizou Alexandre Mendonça de Barros.

“Brasil terá que se reconfigurar para se adaptar à idade da população”

Agência Indusnet Fiesp,

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Rômulo Souza, secretário-executivo do Min. de Desenv. Social e Combate à Fome

O representante do governo fez o alerta, nesta terça-feira (24), no primeiro debate da 4ª Mostra Fiesp/Ciesp de Responsabilidade Socioambiental, sobre Desastres Climáticos, Epidemias, Pandemias, Drogas e Envelhecimento – Ação coordenada para a sustentabilidade global. A mostra prossegue até quinta-feira (26), na sede nas entidades, na Capital.

De acordo com Souza, a população brasileira atingirá em 2030 seu pico, com 207 milhões de habitantes: “A partir daí, começará a diminuir, e a projeção é que em 2040 sejam 205 milhões de brasileiros”, afirmou.

O inevitável envelhecimento da população trará ao País novos desafios. “O Brasil terá oportunidades excepcionais, mas também terá que se reconfigurar para atender estas pessoas”, salientou.

Souza explicou que o Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome trabalha com transição demográfica e de saúde: “Percebemos que a fecundidade vem caindo muito no Brasil, assim como a taxa de mortalidade infantil e o tamanho das famílias.”


Negócios
Mudanças na faixa etária da população pressupõem novos hábitos de consumo. Neste sentido, o secretário-executivo acredita que essas demandas proporcionarão oportunidades de negócios.

Na visão dele, o aumento da expectativa de vida e a maior inclusão de pessoas com deficiências no mercado também contribuem para este outro cenário.


Saúde
Ao mesmo tempo em que acontece a maturidade da população, cuidados com a saúde precisam ser repensados. É o caso, por exemplo, das novas patologias do trabalho, como sobrecarga, agressões, assédio moral e intolerância.

Segundo o secretário-executivo do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, o aumento do consumo de drogas é outra preocupação da sociedade contemporânea: “Precisamos desenvolver novas metodologias para manejo de usuários de drogas”.