Projeto eliminou contaminação no solo e poluição atmosférica

Camila Grillo, Agência Indusnet Fiesp

A preservação do meio ambiente por meio de ações inovadoras tem gerado resultados eficientes na economia. Um exemplo é a Guarany Indústria e Comércio Ltda., que com o projeto “Eliminação do desperdício de óleo solúvel nos Centros de Usinagem” gerou uma economia de R$ 36.597 por ano.

A empresa passou a reutilizar o óleo incorporado ao cavaco, tendo retorno anual de 1.530 litros. Essa experiência rendeu o 1º lugar na categoria Micro e Pequena Empresa do Prêmio de Mérito Ambiental. O case será um dos exemplos a ser apresentado na 5ª Mostra Fiesp/Ciesp de Responsabilidade Socioambiental, de 21 a 23 de novembro, na sede da federação.

Com investimento de R$ 6.500, a indústria conseguiu eliminar a contaminação do solo onde o cavaco era depositado e reduzir a poluição atmosférica. Além disso, obteve retorno do valor em menos de cinco meses. A empresa destinou adequadamente os resíduos e as sucatas provenientes do processo de usinagem, reduziu o desperdício de óleo e valorizou o cavaco, cujo valor de venda subiu de R$ 6,50 para R$ 7,50, quilo, um aumento de 15,38%.

Rally sustentável

Outro exemplo de ação para o meio ambiente é o projeto da General Motors, “Chevrolet Flexpedition – Um passeio pela GM do futuro”. A indústria levou 20 jornalistas para conhecer o conceito de sustentabilidade aplicado em suas unidades de São Caetano do Sul, São José dos Campos, Sorocaba, Indaiatuba, Mogi das Cruzes, Rio Grande do Sul (Gravataí) e Argentina (Rosário).

A imprensa pode conhecer de perto o processo de reciclagem, da indústria, redução de consumo e resíduos, uso de tecnologias limpas, reflorestamento, captação de CO², envolvimento da comunidade em ações educativas e equilíbrio entre a economia ambiental e social.

A expedição mostrou, na prática, que é possível atingir um equilíbrio entre a produção de carros e o meio ambiente. O resultado foi uma evolução nas relações entre empresa e seus diversos públicos. A ação foi acompanhada de perto pelos clientes da marca através de um blog, interação nas redes sociais e, também, comunicação impressa.

Desenvolvimento Social e Resultado Econômico

Para ilustrar as práticas de responsabilidade socioambiental realizadas pelos mais diversos setores da sociedade, a 5ª Mostra de Responsabilidade Socioambiental também contará com a presença decases das premiadas Oxiquímica, Metalúrgica Inca, Grafimec e Eletrolux.

Com o tema “Desenvolvimento Social e Resultado Econômico”, o evento reunirá empresários, governos e entidades da sociedade civil para debater o desenvolvimento sustentável e o crescimento econômico.

Serviço
5ª Mostra Fiesp/Ciesp de Responsabilidade Socioambiental
Tema: Desenvolvimento Social e Resultado Econômico
Período: 21, 22 e 23 de novembro de 2011
Local: Sede da Fiesp, Av. Paulista, 1313 (em frente ao Metrô Trianon)

Transporte aquaviário seria solução para reduzir poluição em São Paulo

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Imagem relacionada a matéria - Id: 1540119843

Frederico Bussinger, durante reunião do Cosema/Fiesp

O transporte representa 13% das emissões totais planetárias, mas São Paulo ocupa posto crítico nesta contabilidade: tem mais de 90% do seu transporte concentrado no sistema rodoviário, enquanto no Brasil soma 60%. Os dados foram apresentados por Frederico Bussinger, que já esteve à frente da Secretária dos Transportes de São Paulo e do Metrô e foi secretário-executivo do Ministério dos Transportes.

Ao tratar da “Modalidade, Logística e Meio Ambiente: aliados estratégicos”, na reunião do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Fiesp, realizada nesta terça-feira (25), Bussinger lembrou que o Brasil sofre de um fenômeno perverso: tem matriz energética limpa comparada a outros países e, ao mesmo tempo, uma das matrizes de transporte mais sujas do mundo, cenário desenhado por conta do que chamou de “rodoviarismo”.

Ele também criticou o fato de os transportes representarem um subconjunto dentro do setor de energia nas políticas públicas, quando deveria ser prioritária. O transporte representa 23% das emissões mundiais de Gases de Efeito Estufa (GEE). Em São Paulo, é bem mais.

Bussinger explicou que, apesar da dificuldade real na obtenção de dados, tendo como referência o balanço energético de 2008 (ano-base 2007), o resultado é que o setor responde por 57% das emissões totais.

Previsões

Ao comentar sobre a Lei da Política Estadual de Mudanças Climáticas (PEMC) – que prevê a redução de 20% na emissão de GEE até 2020 para todos os setores –, o palestrante reforçou: “Ou há mudanças na matriz do transporte ou não será atingida a meta estabelecida nem para São Paulo, nem para o Brasil”. E recomendou:  “O sistema precisa duplicar a sua eficiência”.

De acordo com dados de 2005, ano base da PEMC, São Paulo emite 40 milhões/toneladas de CO², patamar que pede redução para 32 milhões até 2020. As projeções, segundo Bussinger, é que São Paulo cresça 75% (2005-2020), tendo como principal vilão o transporte individual, que dobrará se nada for feito. A emissão alcançaria, então, 76 milhões/ton.

“Para que se cumpra a lei, seria necessário reduzir 44 toneladas, mais do que se emite hoje”, disse o especialista. E citou o fato de aproximadamente 46% dos caminhões transitarem, em São Paulo, sem carga, indicando o baixo grau de eficiência sistêmica e a concentração do transporte no sistema rodoviário.

Como solução, apontou o que já foi feito em outros países: a condução de mercadorias sobre águas com baixo impacto ambiental. “O transporte aquaviário é parte da solução, mas é preciso estar no planejamento de São Paulo”, concluiu.