Holanda mostra projetos bem-sucedidos de gerenciamento de resíduos sólidos

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp



Melanie Schultz van Haegen-Maas Geesteranus, ministra de Infraestrutura e Meio Ambiente do Reino dos Países Baixos

O setor de reciclagem pode ser uma excelente oportunidade de negócios para os empresários brasileiros. Pelo menos essa é a opinião do coordenador sênior da NL Agency, Herman Huisman, que participou nesta terça-feira (10/03) do Seminário Internacional de Gerenciamento de Resíduos Sólidos, realizado na Fiesp. O evento contou com a participação de empresários e representantes do governo da Holanda, referência mundial na adoção de práticas de gestão de resíduos.

De acordo com Huisman, a criação de um mercado para produtos recicláveis tornaria o setor lucrativo e mais atrativo para os empresários, contribuindo para a ampliação dos projetos de coleta seletiva. Além disso, o executivo da NL defendeu a redução dos aterros sanitários. “Os aterros sanitários deveriam ser menos atrativos e mais caros. Desta forma, somente os resíduos recicláveis seriam destinados a este espaço”, sugeriu.

 

Huisman considerou ambicioso o prazo estabelecido pelo governo brasileiro para o cumprimento da Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS), que entrará em vigor em 2014. “O tempo é bastante limitado para que vocês possam atingir os altos objetivos estabelecidos pela lei. É uma tarefa bastante difícil. Todas as cidades e Estados deverão ter elaborado um plano de resíduos sólidos neste verão, uma transição bastante audaciosa”, avaliou.

Experiência bem-sucedida

A ministra de Infraestrutura e Meio Ambiente do Reino dos  Países Baixos, Melanie Schultz van Haegen-Maas Geesteranus, compartilhou os avanços que seu país promoveu nos últimos 40 anos no gerenciamento de resíduos sólidos, a partir da criação de um projeto nacional que proporciona a elaboração de políticas ambientais eficientes e o surgimento de novas tecnologias. Hoje 80% dos resíduos sólidos holandeses são reciclados.

O Brasil experimentou um grande desenvolvimento econômico nos últimos anos e agora reconheceu a necessidade de implantar uma legislação e um projeto socioeducativo de gestão de resíduos sólidos, fundamental para o desenvolvimento econômico ligado à sustentabilidade”, salientou a ministra.

O vice-presidente da Fiesp e coordenador do Comitê de Mudanças Climáticas, João Guilherme Sabino Ometto, agradeceu a colaboração do governo holandês em compartilhar a suas experiências com os empresários paulistas.

Ele sugeriu que a Fiesp organize uma missão empresarial à Holanda com a finalidade de possibilitar a realização de novos negócios. E enfatizou: “Nós precisamos aprender com a Holanda todos os processos adotados no desenvolvimento do gerenciamento dos resíduos sólidos”.

O diretor do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp e do Ciesp, Eduardo San Martin, concordou com Ometto e ressaltou a importância da parceria entre o setor produtivo e as universidades na busca por políticas de produção mais limpa.

João Guilherme Sabino Ometto, vice-presidente da Fiesp

Segundo San Martin, nos últimos anos os empresários perceberam os benefícios da adoção de politicas sustentáveis. “A indústria de São Paulo vem adotando práticas de Produção mais Limpa. Tivemos conquistas expressivas no setor produtivo com a redução do consumo de água e energia. Um ganho ambiental acompanhado da redução dos custos”.

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, que cumpria agenda de eventos fora da entidade no início da manhã e não pode participar da abertura do seminário, deu início mais tarde à palestra “Responsabilidade pós-consumo de resíduos de embalagens”.

Skaf agradeceu a visita da comitiva holandesa e ressaltou que a gestão de resíduos sólidos proporcionará ganhos ao setor produtivo: “Quando você cuida do meio ambiente e produz de forma responsável, todos ganham. Temos a oportunidade de criar um novo negócio e bons empregos”.

Na Fiesp, Holanda mostra sua experiência sobre gerenciamento de resíduos sólidos

Nesta terça-feira (10/04), a Fiesp abre espaço para um debate fundamental: o desafio do gerenciamento de resíduos sólidos. Representantes holandeses explicarão sua trajetória, evitando-se erros comuns que ocorrem na implantação de um plano de gerenciamento de resíduos sólidos.

A Holanda é referência mundial quando o tema é gestão de resíduos, pois o tamanho do país e condições geográficas específicas impulsionaram os empresários a investir, desde 1970, em soluções ambientais eficientes e novas tecnologias. Resultado: cerca de 80% dos seus resíduos são reciclados, 16% incinerados e de 3 a 4% seguem para aterros.

Por meio de um projeto nacional envolvendo todos os setores e forte educação ambiental, o processo começa na arquitetura de um produto sustentável, que atende padrões rigorosos, reaproveitamento no final do ciclo, além de estímulos econômicos.

A ministra de Infraestrutura e Meio Ambiente da Holanda, Melanie Schultz van Haegen-Maas Geesteranus, participa da abertura ao lado do secretário de Estado do Meio Ambiente, Bruno Covas, e do presidente da Fiesp/Ciesp, Paulo Skaf.

O primeiro painel, sobre gerenciamento de resíduos na Holanda, contará com Herman Huisman, sênior da divisão de meio ambiente da NL Agency, entidade governamental de implementação de políticas nacionais.

Ao longo do dia serão tratados outros temas como responsabilidade pós-consumo de resíduos de embalagens, de eletroeletrônicos, gerenciamento de resíduos pelos municípios e para geração de energia. A Van Gansewinkel, maior empresa privada de reciclagem do país, traz sua experiência ao lado da universidade TU Delft, que trabalha no desenvolvimento tecnológico.


Desafio brasileiro

Em função da Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS), os brasileiros deverão se adaptar, até 2014, ao que determina a Lei. A implantação da logística reversa será um desafio e terá duas frentes a serem superadas.

Uma delas trata da geração de resíduos fora das residências, quando se vai trocar o óleo do carro, o pneu, a bateria, por exemplo, e o que sobra desta relação de consumo fica no prestador de serviço. Para isso, já existem algumas leis anteriores à PNRS relativas à destinação.

O segundo obstáculo a ser superado pela Política Nacional diz respeito ao que se torna resíduo na casa de todos nós. A embalagem, por exemplo, está cada vez mais presente nas relações de consumo e com peso maior, mas tem valor. Hoje se produz o dobro de resíduos em comparação há 10 anos. No Estado de São Paulo, cada cidadão gera 1.350 gramas de lixo/dia (Fonte: Abrelpe, 2011), o que, somando, dá 55 mil toneladas/dia.

Com a PNRS, a multa para o descarte de reciclados no lixo doméstico varia de R$ 50 a R$ 500 e, para pessoas jurídicas, de R$ 500 a R$ 2 milhões. A Lei trata da responsabilidade compartilhada pelos vários setores, importadores, indústria, comércio, governos e consumidor.


Perfil da Holanda

A gestão de resíduos entrou na agenda administrativa do país na segunda metade da década de 1970. Com condições geofísicas complexas para utilização de aterros sanitários – é plano, com lençóis freáticos elevados –, desenvolveu tecnologia para extração de gás que se transforma em eletricidade renovável. Nas grandes cidades, recipientes subterrâneos recebem os resíduos e apenas aqueles que não têm aproveitamento são incinerados, mas viram energia, inclusive para o aquecimento urbano destinado às residências.


Serviço

Seminário Internacional – Gerenciamento de Resíduos Sólidos: A Experiência Holandesa

Data: 10 de abril, terça-feira. Haverá tradução simultânea

Horário: 8h30 às 17h30

Local: Espaço Nobre, sede da Fiesp – Av. Paulista, 1313, 15º andar


Confira aqui a programação