Visão exclusivamente monetária estimula alta do câmbio e dos juros, diz diretor do Derex

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Roberto Giannetti da Fonseca, diretor-titular do Derex/Fiesp

O diretor-titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex), Roberto Giannetti da Fonseca, afirmou nesta sexta-feira (10) que a priorização da política monetária na condução da economia brasileira tem contribuído para a sobrevalorização do câmbio e alta dos juros.

Giannetti falou durante o seminário Uma Agenda para o Câmbio, evento que está reunindo especialistas, empresários e autoridades na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) nesta manhã.

O encontro visa destacar a importância do câmbio na indústria competitiva e estabelecer um diálogo entre governo, setor privado e academia para controlar um comportamento de alta cambial que tem abatido as exportações brasileiras e fortalecido as importações.

“Os coeficientes de nossas exportações são absolutamente dramáticos. A indústria está perdendo sua capacidade de competir no mercado interno”, alertou o diretor da Fiesp durante discurso de abertura do seminário.

De acordo com informações da entidade, a tendência das exportações brasileiras exibiu uma ligeira recuperação na leitura anual. O volume exportado do total da produção brasileira ficou em 14,7%  no primeiro trimestre de 2011, ante 14% em igual período do ano anterior.

Já na comparação com 2006, antes da crise financeira o mundial, o comportamento das vendas externas apresentou uma forte baixa frente a 18,9% exportados do total produzido no País no primeiro trimestre daquele ano.

Em contrapartida, a participação dos importados subiu de 13,7% no primeiro trimestre de 2006, e 18,6% no mesmo período de 2010, para 20,4% nos primeiros três meses deste ano.

Coordenação de políticas

Giannetti insistiu na articulação conjunta das políticas cambial, fiscal-tributária e monetária para refrear uma sobrevalorização cambial que até certo ponto, em sua opinião, é normal.

“No mercado de câmbio flutuante é normal que haja sobrevalorização e desvalorização, afinal, é flutuante. No entanto, o problema é o prazo, o tempo em que essa sub ou sobrevalorização permanece”, argumentou o diretor.