Com participação da Fiesp, Movimento Produz Brasil defende valorização do conteúdo local

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

A Fiesp fez nesta sexta-feira (16/12) o lançamento em São Paulo do movimento Produz Brasil (Mais indústria, mais empregos, mais Brasil). A iniciativa tem como objetivo valorizar o conteúdo local e preservar a capacidade de produzir do país. É integrada por 14 instituições, representantes de milhares de empresas de diversos setores, incluindo a Fiesp e as federações das indústrias dos Estados da Bahia (Fieb), do Rio (Firjan), Minas Gerais (Fiemg), Rio Grande do Sul (Fiergs) e Santa Catarina (Fiesc).

Na abertura do evento, José Ricardo Roriz Coelho, vice-presidente da Fiesp e diretor titular de seu Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec), explicou que o investimento em petróleo e gás é um dos mais atraentes para o Brasil. “Não podemos perder a oportunidade de criar excelentes empregos no Brasil”, disse.

Roriz defendeu uma política de conteúdo local bem feita. Eliminá-la seria prejudicial, disse. Não é momento de revisar uma política que vem sendo aplicada de fato desde 2005, afirmou. A avaliação imediatista e simplista feita sobre ela não leva em conta o impacto que isso teria na economia brasileira, explicou.

É um equívoco, em sua avaliação, dizer que a política de conteúdo local provoca custos para a sociedade. Não há, lembrou Roriz, dinheiro subsidiado para isso. A sociedade é na verdade beneficiada pela política de conteúdo local, explicou Roriz, usando entre outros exemplos as vagas geradas graças às regras de conteúdo local. De 54.000 em 2004, o número de empregos na indústria fornecedora da cadeia de petróleo e gás foi para 116.000 em 2014. E o país vem evoluindo na curva de aprendizado científico e tecnológico.

Dizer que o custo é mais elevado para produzir no Brasil não leva em conta os problemas estruturais do país nem os benefícios dados a empresas no exterior, afirmou Roriz.

Segundo o vice-presidente da Fiesp, estamos reindustrializando o Brasil ao insistir em setores como o naval, em que temos que concorrer com países em que a escala de produção é muito maior, há mão de obra mais escolarizada e maior intensividade de capital.

Em sua apresentação, Roriz enfatizou a situação econômica atual, com PIB em queda de 3,5% em 2016 e crescimento previsto de apenas 0,7% em 2017. O desemprego, de 11,8%, é o maior desde o início da série e ainda deve aumentar. A capacidade ociosa oscila entre 20% e 30%. As empresas estão endividadas e sua alavancagem aumentou. E elas não geram caixa para pagar suas despesas financeiras.

Será, perguntou, que neste momento é prioridade discutir o conteúdo local?

A política de conteúdo local (PCL) deve ter como principais objetivos adensamento da cadeia produtiva – e que ela seja eficiente e competitiva; internalização e desenvolvimento de setores de maior conteúdo tecnológico, o que requer prazo para consolidação das empresas, com política estável; o programa deve ser previsível, para que as empresas possam planejar ações e tomar decisões de investimento e desenvolvimento de fornecedores. E ela deve incentivar/apoiar, e não punir os agentes nela envolvidos.

Abertura do evento de lançamento do Movimento Produz Brasil, na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

A expansão e diversificação das atividades econômicas é um de seus efeitos, com o desenvolvimento econômico e social de forma sustentável. Roriz usou como exemplo a experiência da Noruega, que partiu do zero e chegou ao posto de maior PIB per capita do mundo com sua política para o setor do petróleo. E há, disse, outros exemplos de políticas adequadas de conteúdo local em outros países, como o Reino Unido – e mais recentemente, a Arábia Saudita.

E há os contraexemplos, de países que não implantaram uma política industrial com foco no conteúdo local para estruturação de sua cadeia produtiva e não se beneficiaram da exploração de petróleo. Deixaram de gerar riqueza (renda) para o país e apresentam uma difícil condição econômica e política.

O Custo Brasil e o câmbio valorizado, ressaltou Roriz, neutralizaram nos últimos anos tanto a política de conteúdo local quanto qualquer outro instrumento de política industrial. Boa parte da diferença de preços prejudicial ao que é fabricado no Brasil decorre do Custo Brasil, segundo Roriz. E, destacou, apesar da Petrobras alegar que a política de conteúdo local aumenta o custo dos seus investimentos, indícios de sobrepreço são observados nos investimentos da Petrobras em áreas nas quais não há regras de conteúdo local.

Roriz avalia que não são excessivos os índices estabelecidos para conteúdo local, considerando a composição do preço dos produtos industrializados.

Desde o aprimoramento da política de conteúdo local até o momento mais recente, os setores produtores de óleo e gás tiveram resultados mais significativos que a indústria de transformação e que a economia como um todo. O valor adicionado pelo setor cresceu 111% de 2004 a 2014, contra 12% para a indústria de transformação e 37% para o total da economia.

Com base na matriz de insumo-produto e na matriz de impacto intersetorial, calcula-se que cada bilhão de dólares investido na construção de uma plataforma com 55% de conteúdo local gera produção de R$ 4,1 bilhões na economia brasileira como um todo.

Contexto da indústria de petróleo e gás

Karine Fragoso, gerente de Petróleo, Gás e Naval da Firjan, fez palestra no lançamento do Produz Brasil. Ela explicou que o preço atual do petróleo não tira o espaço para ainda fazer muita coisa no Brasil, apesar do maior custo, por exemplo, do pré-sal. Investimento requerido é maior, mas ainda há folga considerável para atividades exploratórias.

Ela destacou que a alta produtividade dos campos do pré-sal os torna atraentes. O óleo é de qualidade mais alta, e os riscos geológicos são menores, explicou. E o fim da exigência da Petrobras como operador único pode levar à aceleração dos investimentos, gerando oportunidades para toda a cadeia produtiva.

Em relação ao conteúdo local, Karine disse que teve mais êxito no mundo quando isso foi associado a outras políticas industriais. Deve haver valorização da produção nacional com isonomia de bases comparativas, a partir da construção de mecanismos de política industrial que permitam a realização de investimento e negócios sustentáveis.

O país não deve nunca, disse a gerente da Firjan, cair na tentação de acelerar a produção de petróleo sem que isso seja acompanhado pelo desenvolvimento da indústria nacional. Essa é uma lição deixada pela Noruega, afirmou.

O Produz Brasil, explicou, defende a manutenção das regras de conteúdo local e seu aperfeiçoamento. A ideia é que haja evolução para política baseada em incentivo. Uma política industrial mais ampla deve ter a extensão do Repetro (regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens que se destina às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e gás natural) ao encadeamento produtivo, em vez de servir apenas à operadora e seus fornecedores diretos.

Política industrial brasileira não é suficiente para garantir bom desempenho do setor

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

A política industrial brasileira foi insuficiente para garantir o bom desempenho do setor diante dos entraves estruturais existentes no país. Com isso, o chamado “Custo Brasil” e a sobrevalorização do real oneraram o custo de produção da indústria de transformação brasileira em 34,2% na média entre 2008 e 2012, quando comparada a dos países fornecedores.

Isso tem se traduzido em crescente participação de importações na absorção interna de bens industriais: de 11,6% em 2004 para 23,1% em 2013. E, claro, na queda na receita de exportações da indústria de transformação:  menos 29% entre 2004 e 2013.

Essas são algumas das conclusões do estudo “Plano Brasil Maior: resultados e obstáculos à Política Industrial brasileira”, elaborado pelo Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O Plano Brasil Maior (PBM) é um conjunto de medidas de Política Industrial anunciado pelo governo federal em 2011 com o objetivo de atenuar deficiências do ambiente competitivo no país.

“Analisamos como foi a evolução da competitividade brasileira nos últimos dez anos, que avanços tivemos, quais foram os problemas encontrados nesse período e como estamos agora”, explica o vice-presidente da Fiesp e diretor titular do Decomtec, José Ricardo Roriz Coelho. “O trabalho aponta para algumas direções que, na nossa avaliação, o país devia tomar”.

Roriz Coelho: análise do impacto de fatores como a taxa de juros e o câmbio. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Segundo ele, “o câmbio, a taxa de juros, a carga tributária, os nossos problemas de infraestrutura e o excesso de burocracia tiveram um impacto muito grande na perda de competitividade do Brasil nos últimos anos”.

Para exemplificar o que diz, Roriz lembra que a indústria de transformação nacional sofre uma “sobrecarga” tributária de 134%.

Ou seja, com participação no PIB de 13,0%, contribui com 30,4% da arrecadação de tributos do país. “O Plano Brasil Maior foi muito bem intencionado, mas não suficiente para suprir as várias perdas que tivemos no período”, afirma Roriz.

Câmbio e juros

Entre os algozes do fortalecimento da indústria nacional, os fatores câmbio e taxa de juros estão entre os pontos destacados no estudo do Decomtec.

Entre 2005 e 2013, a taxa real de câmbio esteve, em média, 40% sobrevalorizada. “O câmbio atual torna o produto brasileiro muito caro”, diz Roriz. “O aumento da renda no país foi muito bom, mas quem capturou esse crescimento foram os importados.”

Isso porque o custo de produção por aqui é alto, tendo sido onerado em 34,2% entre 2008 e 2012. “Gastamos mais para produzir em relação aos outros países fornecedores”, afirma.

Um olhar para os juros não apresenta perspectivas mais animadoras. Desde 2004, na média, a taxa de juros de capital de giro no Brasil foi de 38,9% ao ano, ou 14,2 vezes maior do que os 2,72% dos principais países fornecedores.

“Existe um conjunto de ações que devem ser tomadas, na nossa análise, para retomar a competividade do passado”, explica o diretor titular do Decomtec. “E isso passa pela taxa de juros, pelo câmbio, por melhorias de infraestrutura, pela qualidade dos serviços públicos e pela diminuição da burocracia”, diz.

De acordo com Roriz, o Brasil precisa aumentar o investimento. “O investimento brasileiro é muito baixo.”

Sobrou para a balança comercial

O estudo do Decomtec aponta que a balança comercial de produtos manufaturados passou de um saldo de US$ 5 bilhões em 2004 para um déficit de US$ 105 bilhões em 2013. Com isso, a perda de competitividade agravou a desindustrialização, de modo que a participação da indústria de transformação no PIB regrediu a 13,0% em 2012, o menor patamar dos últimos 50 anos.

Outra questão destacada no trabalho é que desindustrialização é um processo cumulativo, refletindo diversos anos com ambiente competitivo muito adverso. É por isso que a desindustrialização avançou em 2012, mesmo com a desvalorização cambial e a redução do diferencial de preços em desfavor da produção doméstica.

Vale a pena lembrar ainda que, ao contrário do que acontece no Brasil, nos demais países a participação da indústria de transformação no PIB encontra-se quase estabilizada.

Em 2004, esse percentual era de 19,0% nos países fornecedores e de 19,2% aqui. Já em 2012, esse percentual passou para 17,6% naqueles países, contra os 13,0% do Brasil.

Ambiente competitivo

Conforme a pesquisa do Decomtec, o principal fator determinante do insucesso das políticas industriais recentes não foram seus próprios instrumentos, mas o ambiente competitivo brasileiro como um todo, principalmente pela contribuição negativa da política macroeconômica nos últimos anos.

Nesse sentido, o custo das medidas do Plano Brasil Maior foi de R$ 8,6 bilhões – apenas 0,20% do PIB, ou 1,8% do total dos tributos pagos pela indústria transformação nacional.

Já o custo de cada ponto percentual da taxa básica de juros da economia, a Selic, no pagamento dos juros da dívida pública federal foi 189 % maior, de R$ 25 bilhões.

Assim, segundo o estudo, para retomar a industrialização perdida, é preciso ver acontecer medidas como a adoção permanente de instrumentos de apoio mais arrojados, a adoção de um sistema de governança mais eficaz na área, a oferta de maior segurança jurídica, a implantação de uma política macroeconômica mais consistente e ter como meta o aumento da participação da indústria de transformação no PIB.

“Não existe visão de longo prazo para atingir metas e objetivos”, diz Roriz. “O país trabalha muito em cima de improvisos. Essas metas devem atingir não só o desenvolvimento econômico, mas também o desenvolvimento social”, explica.

“É crescer em relação ao PIB, mas também o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Aumentar renda é importante, mas precisamos de todos esses fatores para promover o desenvolvimento dos brasileiros”, conclui.

 

Evento na Fiesp vai debater como reindustrializar o Brasil urgentemente

Agência Indusnet Fiesp

Com o objetivo de discutir políticas para reindustrializar o Brasil e dinamizar a economia, o Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), promove o seminário “Reindustrialização do Brasil: chave para um projeto nacional de desenvolvimento”, no dia 26 de agosto. O evento terá quatro painéis e contará com a presença de 32 renomados especialistas.

Segundo diretor titular do Decomtec, José Ricardo Roriz Coelho, o contexto econômico não tem sido favorável aos investimentos em tecnologia. Por isso, o Brasil precisa ser mais agressivo nas políticas de pesquisa e desenvolvimento (P&D) e inovação a exemplo do que fazem os países desenvolvidos.

>> Conheça a programação do seminário “Reindustrialização do Brasil: chave para um projeto nacional de desenvolvimento”
Um dos painéis discutirá os “Instrumentos de política industrial e tecnológica para incentivar a reindustrialização do Brasil”.

O debate, moderado por Mauro Borges Lemos, da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), tem a participação confirmada de Alexandre Comin, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Antonio Fernandes dos Santos Neto, da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), Carlos Américo Pacheco (ITA), reitor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), José Roberto Mendonça de Barros , da empresa de consultoria MB Associados, Mansueto de Almeida, da Fundação Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Mariano Laplane, do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Mario Bernardini, da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e Paulo Pereira da Silva (Força Sindical).

Os comentários finais são de David Kupfer, professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e dois diretores da Fiesp: Roberto Giannetti da Fonseca, titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex), e José Ricardo Roriz Coelho, do Decomtec.

Durante o painel serão tratadas de questões como: é viável a política de conteúdo local para desenvolver fornecedores nacionais competitivos internacionalmente? É possível expandir a política de compras governamentais brasileira para todas as compras públicas? As margens de preferências estão adequadas? O uso da regulação setorial pode ser um instrumento de política industrial mais bem aproveitado no Brasil?

Também devem constar do debate essas questões: existem setores que são dinamizadores/vetores, como o setor de petróleo e gás, químico e infraestrutura, entre outros. É viável incentivar os setores dinamizadores? A desoneração dos insumos básicos industriais aumentaria a competitividade das principais cadeias produtivas? Como aumentar os investimentos em P&D e inovação no Brasil?

O evento terá transmissão on-line, em tempo real, pelo site da Fiesp: www.fiesp.com.br/online

Serviço

Seminário “Reindustrialização do Brasil: chave para um projeto nacional de desenvolvimento”
Data: 26/08/13
Horário: 8h30 às 18h30
Local: Edifício-sede da Fiesp, em São Paulo – Av. Paulista, 1313

 

Conselho Superior de Economia da Fiesp discute nova política industrial

Cesar Augusto, Agência Indusnet Fiesp

Com o objetivo de discutir A Nova Política Industrial do Governo Federal, o Conselho Superior de Economia (Cosec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), convidou para a sua 68ª reunião, nesta segunda-feira (12/11),  o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Mauro Borges Lemos.

Paulo Francini, Mauro Borges e Delfim Netto, durante reunião Cosec/Fiesp. Foto: Julia Moraes

 

Lemos detalhou as diretrizes e metas do Plano Brasil Maior, que aglutinou iniciativas anteriores de política industrial com novas ideias.

“Com a estabilidade econômica, passou a ser possível a adoção de uma política industrial, o que no cenário de instabilidade seria impossível no Brasil”, disse. “Temos uma presidenta muito pragmática, que percebeu a situação da Indústria brasileira e determinou que a política adotada trouxesse medidas de longo prazo e emergenciais, para aliviar o empresariado”, acrescentou o presidente da ABDI.

Ele citou as desonerações setoriais e as medidas recém-anunciadas de redução de preços no setor elétrico como exemplos de iniciativas emergenciais que podem dar alívio à indústria de modo geral, principalmente às eletrointensivas, como as siderúrgicas e do setor de alumínio.

Lemos definiu o plano do governo em um tripé: redução de custo do trabalho e capital; estímulo ao desenvolvimento das cadeias produtivas e estímulo às exportações. E ofereceu um balanço parcial das iniciativas: 63 medidas anunciadas, 48 já em operação e 15 em implementação.

A reunião contou também com as presenças do presidente do Cosec, Delfim Netto; do diretor-titular do Departamento de Pesquisas Econômicas (Depecon), Paulo Francini; e do diretor-titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) Ricardo Roriz Coelho.

É primordial dar urgência à política industrial para retomar crescimento, diz diretor da Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

José Ricardo Roriz Coelho, diretor do Decomtec da Fiesp, fala aos conselheiros durante reunião do Cosec

 

A medida crucial para retomada do desenvolvimento da indústria a brasileira é dar sentido de urgência às políticas para o setor e pressionar para que elas sejam mais efetivas, afirmou o diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, na segunda-feira (13/08), durante a reunião mensal do Conselho Superior de Economia (Cosec) da Fiesp.

Roriz Coelho falou aos conselheiros da federação sobre a competitividade brasileira da indústria brasileira e as oportunidades que o setor produtivo do país pode aproveitar para retomar o fôlego.

“Com o bom desenvolvimento demográfico e o aumento da população de classe média aumentando, você tem muita oportunidade aqui no Brasil, principalmente a partir de uma renda de US$ 8 mil per capta até US$ 20 mil por ano”, apontou o diretor. “É exatamente nessa faixa de renda que a população quer comprar carro, moto, geladeira, bens duráveis, não duráveis, bugigangas eletrônicas, não eletrônicas.” Ele projetou que 57% da população brasileira terá elevada propensão ao consumo de bens industriais em 2014.

Na avaliação de Roriz Coelho, não só o consumo será capaz de resgatar a indústria, mas uma política econômica menos moderada com relação à indústria, cujo principal objetivo são as metas anuais de crescimento da produção física, da taxa de investimento e do nível de emprego na indústria de transformação.

“Tem de ser urgente. No contexto atual, não há justificativa para gradualismos”, enfatizou o diretor da Fiesp.

Presidente da Fiesp reforça importância da política de conteúdo local da Petrobras

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

Ao encerrar o 13º Encontro Internacional de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o presidente da entidade, Paulo Skaf, aproveitou para destacar trecho da palestra da presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, momentos antes, que explicou ser uma decisão de estratégia competitiva a manutenção da política de compras da estatal, que impõe aos fornecedores a obrigação de oferecer produtos com uma porção mínima, de 62% a 65%, de conteúdo feito no Brasil.

Paulo Skaf, em encerramento do Encontro de Energia

Segundo Skaf, é importante que a Petrobras use seus investimentos como fomento de uma política industrial para o Brasil. “Não teria sentido o aumento da produção de petróleo e de gás, com o pré-sal. Tem que alimentar a cadeia produtiva brasileira, para que a gente possa vender serviços, vender produtos, gerando riquezas e empregos para o nosso país.”

Skaf afirmou que há muitas pequenas e médias empresas de qualidade, e detentoras de tecnologia, que passam por dificuldades, e que podem ser direta ou indiretamente fornecedoras da Petrobras.

O presidente da Fiesp aproveitou para elogiar novamente a parceria com o Sistema Firjan, mencionando algumas das realizações conjuntas, como o próprio 13º Encontro de Energia, o evento Humanidade 2012 e o MBA para Gestores de Escolas Públicas.

E convidou a todos para a edição 2013 com um voto: “Espero que no ano que vem, todos venham aqui com  uma grande economia nas suas contas de luz, tanto nas suas casas como nas suas empresas.”

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‘Queremos energia a preço justo para toda a sociedade. Não abrimos mão disso’, afirma Skaf

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

Na abertura do 13º Encontro Internacional de Energia, o presidente da Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Paulo Skaf, afirmou nesta segunda-feira (06 /08), no hotel Unique, na capital paulista, que as entidades e o Sistema Firjan não abrem mão do compromisso com a campanha que visa a redução do preço da energia para todos os brasileiros.

Paulo Skaf: "não abrimos mão daquilo que nós nos comprometemos e envolvemos toda a sociedade"

 

“Estou de acordo caso o governo crie uma possível política industrial e reduza ainda mais para a indústria. Mas nós não abrimos mão daquilo que nós nos comprometemos e envolvemos toda a sociedade. Nós queremos energia a preço justo para toda a sociedade. Baixar o preço da luz para a indústria, os hospitais, para as casas, para todas as residências”, afirmou.

“É lógico que é importante baixar o preço para a indústria. É a recuperação da competitividade”, assinalou Skaf, lembrando que o Brasil tem na hidroeletricidade a forma mais barata de se produzir energia e o “terceiro ou quarto” preço de conta de luz mais caro do mundo.

O presidente da Fiesp reforçou que quando se fala da redução do preço de energia não se deve misturar assuntos como a carga tributária os índices de indexação. “Se a intenção do governo é de fazer uma redução de encargos e de taxas em torno de 10%, então a nossa proposta é de no mínimo 30%. E algumas contas do Sistema Firjan me convenceram que o certo é 35%.”

De acordo com Skaf, o sistema Eletrobras – assim como Cesp e Cemig, exemplificando algumas das concessionárias – terá todo o direito de participar dos leilões. “Só que vai ter que baixar os preços”, destacando que no regime de preço livre, vigente desde 1995, não há mais direito de se falar em amortização de investimentos na geração de energia como motivo para renovar concessões.

O presidente da Fiesp disse ainda que Fiesp e Firjan estão juntas no sentido de buscar encaminhamento e soluções para as questões. “O Brasil não tem mais tempo. Estamos muito atrasados”, ressaltou.

O evento

O 13º Encontro Internacional de Energia acontece nos dias 06 e 07 de agosto, no Hotel Unique, em São Paulo, com o tema “Energia no Brasil: tão limpa, tão cara”. Durante dois dias são realizados vários debates com presença de autoridades e especialistas brasileiros e estrangeiros. Ao todo serão 27 painéis, mais de 110 palestrantes do Brasil, América do Sul e dos Estados Unidos. A realização é da Fiesp com correalização da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Sistema Firjan).

O evento também pode ser acompanhado pela internet por meio de transmissão on-line.

Veja as fotos do evento de abertura, realizado na manhã desta segunda-feira.