País precisa de mais opções de matrizes energéticas, diz secretário de Minas e Energia

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A prioridade da política energética brasileira está baseada em hidroeletricidade, biomassa e eólica, fontes que representam 75% da expansão do sistema elétrico nos próximos anos, afirmou o secretário Altino Ventura Filho, do Ministério de Minas e Energia.  No entanto, as operações hidrelétricas, base dessa expansão, têm um horizonte de 12 a 15 anos, alertou ele, indicando que será necessário um substituto para o “carro-chefe” da matriz energética brasileira.

Os participantes do seminário na Fiesp: diversificação para evitar problemas futuros. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Os participantes do seminário na Fiesp: diversificação para evitar problemas. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

A abertura oficial do seminário da FGV na Fiesp foi feita pelo gerente do Departamento de Energia (Deinfra-Energia) da Fiesp, Roberto Moussalem.

Ventura Filho: hidrelétricas esgotadas em 15 anos. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Ventura Filho: soluções para o setor de energia já estão atrasadas. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

“As soluções já estão atrasadas”, afirmou Ventura durante o seminário O Futuro Energético e Geração Nuclear, realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na tarde desta quarta-feira (13/07), na sede da entidade.

Segundo Ventura, a solução para substituir as hidrelétricas, esgotadas em no máximo 15 anos, partirá de uma mistura de fontes como a nuclear, térmica e o uso de gás natural.  O secretário destacou a geração de energia nuclear como um dos alvos de uma política mais efetiva e de curto prazo. “A política nuclear no Brasil neste momento consta da decisão do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) de construir Angra 3,  dos nossos estudos de planejamento de longo prazo que preveem essas necessidades nucleares e no plano de 2030. Essa é a politica atual, mas nós precisamos avançar em relação a ela”, afirmou.

Enquanto as soluções e o substituto das hidrelétricas não chegam, a capacidade instalada para geração de energia elétrica precisa duplicar nos próximos 15 anos, afirmou o secretário.  Segundo Ventura, o setor precisa crescer pelo menos 4% ao ano para suprir a demanda.

Segundo levantamento da FGV divulgado durante o seminário, o crescimento estimado da demanda de energia elétrica entre 2012-2021 deve ser de 4,9% ao ano, o equivalente a um aumento total de 55% durante o período.

Novo modelo de negócio

Moussalem: apoio da iniciativa privada. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Moussalem: iniciativa privada pode dar a sua contribuição. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O chefe de gabinete da presidência da Eletrobras Eletronuclear, Leonam dos Santos Guimarães, afirmou que impulsionar a geração de energia nuclear no Brasil é como “quase construir um novo negócio” já que o modelo com o qual setor conta para negociar é da década de 1970. “O grande ineditismo é explorar as possibilidades de negócios que possam se adaptar as características do setor energético nuclear considerando o cenário econômico atual”, avaliou Guimarães.

O gerente do Departamento de Energia (Deinfra-Energia) da Fiesp, Roberto Moussalem, defendeu a atuação da indústria no setor de energia nuclear. “A Fiesp entende também que há na energia nuclear um espaço muito importante para participação do setor privado. Na planta de energia nuclear o setor privado pode dar sim sua contribuição, aportando recursos e operando essas unidades”, afirmou.

Fiesp e Firjan abrem espaço para energias renováveis no Humanidade 2012

Cesar Augusto, Agência Indusnet Fiesp

O presidentes da Fiesp, Paulo Skaf, e da Firjan, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, dedicam suas agendas nesta terça-feira (19/06) ao debate sobre “Energias Renováveis para o Desenvolvimento Sustentável”. Este é o tema do evento que acontece no Humanidade 2012, das 9h às 17h30, no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, em paralelo à Rio+20.

O objetivo deste encontro é apresentar a importância do tema, analisar as modalidades de geração de energia limpa, como hidroeletricidade, biocombustíveis e outras fontes.

Além dos presidentes da Fiesp e da Firjan, estão confirmadas as presenças dos ministros Edison Lobão (Minas e Energia) e Pepe Vargas (Desenvolvimento Agrário); do diretor de Tecnologias e Política Energética Sustentável da AIE, Philippe Benoit; do diretor geral brasileiro da Itaipu Binacional, Jorge Samek; do ministro do Clima, Energia e Construções da Dinamarca, Martin Lidegaard; do presidente da EPE, Maurício Tolmasquim; do presidente da Eletrobras, José da Costa Carvalho Neto; do chefe de Energias Renováveis da AIE,Paolo Frankl; do gerente de Meio Ambiente e Infraestrutura do BID, Alexandre Rosa; do diretor executivo da Unica, Eduardo Leão de Souza.

Após os debates, haverá o lançamento do filme de Biodiversidade da Fiesp, Firjan e BID.

Humanidade 2012

O Humanidade 2012 é uma realização da Fiesp, do Sistema Firjan, da Fundação Roberto Marinho, do Sesi-SP, Senai-SP, Sesi Rio e Senai Rio, com patrocínio da Prefeitura do Rio, do Sebrae e da Caixa Econômica Federal, concebida para realçar o importante papel que o Brasil exerce hoje como um dos líderes globais no debate sobre o desenvolvimento sustentável. O evento acontece no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, entre os dias 11 e 22 de junho. O espaço de exposições é aberto ao público e a agenda completa de eventos pode ser consultada no site www.humanidade2012.net. A reunião será transmitida ao vivo pelo site.

Acompanhe a cobertura da Rio+20 no site da Fiesp