Fiesp – nota sobre o PIB

O Ministério da Fazenda começou o ano com uma estimativa de crescimento de 0,8% para a economia, e os números do PIB divulgados hoje (28/8) mostram que o país deve sofrer uma queda de 2,5% a 3%.

“O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, erra na condução da política econômica ao aumentar impostos, elevar os juros e restringir o crédito, o que só piora a recessão e amplia o desemprego”, diz Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp.

“A criação de um imposto sobre a circulação financeira ou de qualquer outro será rejeitada por todos os setores da sociedade”, afirma.

Federação das Indústrias do Estado de São Paulo

Centro das Indústrias do Estado de São Paulo 

Steinbruch: ‘Brasil precisa de uma política econômica que promova o crescimento’

Nota oficial

O Comitê de Política Monetária  (Copom) do Banco Central (BC) divulgou nesta quarta-feira (16/07) a manutenção da taxa básica de juros, a taxa Selic, em 11% a.a.

Para Benjamin Steinbruch, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a manutenção da taxa Selic nesse patamar mantém o risco da economia brasileira, que ingressa na recessão.

Um amplo conjunto de indicadores mostra que a atividade está fraca na maioria dos setores. A produção industrial no segundo trimestre será, muito provavelmente, o quarto trimestre consecutivo de queda, configurando um quadro recessivo na indústria de transformação. Nos demais setores, como o de comércio e serviços, indicadores mostram que o pessimismo e a morna atividade prevalecem.

“A confiança do empresariado não é uma simples questão de humor. Sua base é formada no crescimento das vendas, capacidade de produção, desempenho do mercado. Quando a demanda enfraquece e não se vê possibilidade de reversão no curto prazo, a confiança diminui e o investimento se retrai”, afirma Steinbruch.

“É preciso reduzir a taxa de juros para estimular a demanda da economia, os investimentos produtivos e recolocar o país na rota do otimismo. O Brasil precisa de uma política econômica que promova o crescimento, crie rendas e gere empregos”, conclui o presidente da Fiesp.

Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp)

>> Ciesp: manutenção da Selic em 11% a.a. enfraquece a economia e derruba ainda mais a produtividade 

Brasil precisa de poupança doméstica para crescimento sustentável

Agência Indusnet Fiesp,

Para manter o atual ritmo de crescimento, a política econômica brasileira precisa de alguns ajustes. Esta é a visão do diretor do Instituto de Columbia de Estudos Latino-Americanos e diretor do Centro para Estudo do Brasil, Albert Fishlow, que ministrou palestra na quarta-feira (9), aos membros do Conselho Superior de Estudos Avançados (Consea) da Fiesp.

“O Brasil, com uma taxa estável de crescimento de 5% ao ano até 2020, precisará investir de 6 a 7 pontos do PIB numa poupança doméstica para não depender de investimentos externos”, afirmou.

Apesar de o Brasil participar de fóruns econômicos mundiais como o G-20, Fishlow acha arriscado criar dependência excessiva de recursos estrangeiros. “Os países têm prioridades internas e, num momento de crise, priorizam sua própria economia”, alertou.

“A exemplo do que fizeram países como Chile, Índia e China, o setor público brasileiro precisa ser fonte de poupança em vez de fonte de gasto”, explicou. “Se o Brasil não limitar o gasto público terá problemas semelhantes aos que tiveram Coréia do Sul, Tailândia, Indonésia, entre outros”, acrescentou.

O especialista também chamou atenção para os gastos previdenciários do Brasil, que são os maiores do mundo. E revelou: “A previsão é que, em 2025, a Previdência Social terá menos contribuintes e mais usuários”.

Exportação
O comércio exterior já teve períodos melhores. De acordo com Albert Fishlow, o Brasil chegou a exportar entre 5 e 6% do Produto Interno Bruto (PIB). Atualmente, participa com uma porcentagem muito baixa, de apenas de 1,2% do comércio internacional.

Ainda assim, o especialista destacou o desenvolvimento dos setores de manufatura, agrícola e, num futuro próximo, o petróleo que será extraído da camada pré-sal. “E para aumentar a produtividade é necessário concorrer com outros mercados”, argumentou.

Neste sentido, Fishlow destacou a participação da China – em sua opinião, o maior concorrente comercial do Brasil na próxima década –, com 40% do PIB no comércio internacional.

“É preciso que o setor público também subsidie maiores investimentos em tecnologia, educação e qualificação profissional”, complementou. Ele criticou a alta carga tributária e afirmou que “o Brasil está no ponto limite de aumento de impostos”.

A taxa de câmbio também se apresenta como entrave ao desenvolvimento. “A melhor maneira de resolver esta questão é fazer uma taxa de poupança e se o país baixar a taxa de juros evitará a entrada de dinheiro externo interessado apenas em lucrar com os juros”, afirmou.


Ousadia
“O Brasil não pode abrir mão do crescimento, até porque tem um mercado interno muito forte, com uma massa de novos consumidores das classes D e E”, acrescentou.O presidente em exercício da Fiesp, Benjamin Steinbruch, defendeu que “é preciso dar prioridade ao crescimento, mas respeitar variáveis”, como a necessidade de criação de uma poupança doméstica proposta por Fishlow.

O dirigente empresarial destacou ainda a “sorte” de o Brasil dispor de produtos de primeira necessidade da China, como grãos, minério e petróleo. “Se não for desta vez que ousarmos no crescimento, dificilmente teremos a mesma oportunidade futuramente”, completou.

“Temos que nos cobrar, mas o governo precisa fazer sua parte, como gastar melhor. O Brasil não tem carência de arrecadação e pode produzir mais. Falta olhar para o futuro”, opinou.