A tecnologia que ajuda as polícias a combater o crime em debate no II Congresso Internacional de Direito Digital na Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

O compliance e o combate à corrupção estiveram no centro dos debates do segundo painel do II Congresso Internacional de Direito Digital, realizado na sede da Fiesp, nesta terça-feira (27/9), e seguindo até amanhã, quarta (28/9).

Delegado Federal e Professor da Escola Nacional de Polícia Judiciária, Edson Garutti, destacou que o padrão digital está sendo implantado aos poucos na investigação criminal no Brasil. E nem sempre do modo mais eficiente. “Por baixo, temos que ter 12 senhas parar abrir o computador e trabalhar num inquérito”, disse. “Sendo que algumas são alteradas a cada 30 dias”.

Outros sistemas, como o cartorário, já são, segundo Garutti, eletrônicos. “Mesmo que o inquérito policial seja em papel”.

Há outros pontos que, para o delegado, precisam ser aprimorados. “O servidor da Polícia Federal de São Paulo não comporta a quantidade de dados que temos ali”, explicou.

E isso num contexto em que o auxílio que o meio digital traz para as investigações criminais é tão importante. “Assim mapeamos manchas criminais, tendências e padrões”.

Sobre compliance, que na verdade é seguir normas legais e regulamentares para evitar desvios e fraudes, a prática ajuda na intermediação da governança corporativa com o poder público. “A experiência das instituições financeiras em anos de compliance auxilia na interação com o poder público”.

Delegada de Polícia Civil em São Paulo, Fernanda Herbela citou o exemplo de uma funcionária do setor de compliance de uma empresa que foi demitida ao apontar uma falha aos gestores. “Precisamos pensar em formas de proteger e valorizar quem trabalha na área”, afirmou.

Em relação à tecnologia que ajuda a desvendar crimes, Fernanda destacou que a Polícia Civil de São Paulo está em fase adiantada de implementação do inquérito eletrônico. “Será um grande ganho para todo o sistema de justiça criminal”, disse.

E isso para não falar no aumento da segurança jurídica. “Uma vez feito no sistema digital, o inquérito não pode ser mais alterado, não dá para abrir o processo e arrancar uma folha”, explicou.

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O painel sobre compliance e corrupção: pontos a avançar em matéria de polícia e tecnologia. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Diante de tantas possibilidades, o desafio é justamente saber o que priorizar. “Há um excesso de informação”, disse. “Na investigação do atentado na Maratona de Boston, em 2013, foram enviados mais de 100 mil vídeos para a polícia. Mas quem consegue analisar 100 mil vídeos?”.

Contra meninas e mulheres

E por falar em prioridades, a promotora de Justiça em São Paulo Valéria Scarance aproveitou a sua participação no congresso para destacar o fato de que a internet “virou arma letal contra meninas e mulheres”.

“Temos pesquisas que mostram que 80% das mulheres temem o estupro, que há um estupro a cada 12 segundos no Brasil e que 30% dos brasileiros acham que a mulher é culpada pelo estupro”, disse.

Um cenário em que a internet virou um instrumento a serviço desse tipo de crime. “Estamos falando de práticas como a divulgação de fotos sensuais por adolescentes, por exemplo”, disse. “São imagens repassadas, repassadas e repassadas. Há jovens que nunca superam esses traumas”.

Segundo Valéria, outra prática muito comum é o chamado revenge porn ou “pornografia da vingança”. “É quando os homens postam fotos reais ou montadas da intimidade de suas parceiras depois do rompimento da relação”, contou. “As mulheres são julgadas porque fizeram as fotos e vivem um verdadeiro ‘feminicídio virtual’. É uma morte em vida”, afirmou. “O meu dia a dia é lidar com famílias devassadas por esse tipo de coisa, a gente tem que mudar essa realidade”.

A promotora informou ainda que os homens divulgam essas fotos principalmente nas empresas, com ameaças feitas no ambiente de trabalho. “Em 49% das publicações, junto com a foto aparecem informações de trabalho das mulheres, em 59% o endereço completo da empresa, em 26% o e-mail e em 14% o endereço do trabalho”, disse. E isso não é tudo: “39% das vítimas tiveram a sua carreira completamente prejudicada e 51% delas agora pensam em suicídio”.

Sim, ainda pode ficar pior: “38% dessas mulheres foram assediadas na rua ou no trabalho. As pessoas repassam as imagens das conhecidas”, disse Valéria. “Em vez de avisar as colegas, repassam as fotos”.

Como podemos mudar essa realidade? “Primeiro, não julgando essas mulheres. Precisamos informar e sensibilizar as pessoas com campanhas educativas e informativas”.



Congresso de Segurança da Fiesp: especialistas discutem como investigar fraudes nas empresas

Alice Assunção e Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

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Flavio Ainbinder, gerente de Segurança Corporativa da Nextel. Foto: Tâmna Waked/Fiesp

Demissão por justa causa ficou banalizada e o mais importante para evitar fraudes é o trabalho de inteligência e conscientização desenvolvido por um departamento de investigação e apuração estruturado dentro da empresa, avaliou o gerente de Segurança Corporativa da Nextel, Flavio Ainbinder.

Ele participou do segundo dia de debates do 1º Congresso Fiesp de Segurança Empresarial, realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) com o apoio da Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Abese).

“Impunidade é igual à fraude. Se a empresa de vocês ainda não começou a fazer o trabalho de investigação e punição, vamos continuar vendo ações criminosas dentro das empresas e, para isso, eu acredito que temos de estruturar um departamento de investigações que seja eficaz”, afirmou Ainbinder.

O gerente alertou, no entanto, para a atuação das empresas em um caso de fraude por parte de seu funcionário. Ele defende a atuação conjunta com a polícia para investigação de casos já existentes e, sobretudo, para prevenção de casos futuros.

“Cuidado! Se vocês demitirem por justa causa algum colaborador e não fizeram o trabalho de casa direitinho, não estruturaram a área, não buscaram evidência, isso vai voltar contra vocês”, aconselhou.

Ele garantiu que um trabalho de conscientização bem conduzido ajuda diminuir significativamente os casos de fraude.

“Não existe 100% de mitigação, mas existe mitigação. E se você conseguir conscientizar os colaboradores de que existe um trabalho sério dentro da sua empresa, de que as pessoas são responsabilizadas e a polícia é envolvida, o índice vai diminuir”, completou.

Ele reconheceu, no entanto, que não viável do ponto de vista de custos para a empresa conduzir todos os casos de fraude por meio da polícia.

“Por mim, todo crime deveria ser tratado pela polícia, mas nós vivemos no mundo real e sabemos que existe um custo alto: tem de contratar advogado – se não tiver advogado suficiente para fazer isso – e pagar por isso. Então, tem de ver a relação custo-benefício”, explicou.

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Luciana Freire destacou importância de guardar as evidências que comprovam a fraude. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Também favorável à atuação da polícia em ações de fraude na empresa, a gerente do Jurídico Corporativo da Fiesp, Luciana Freire, recomendou o envolvimento do Recursos Humanos na criação de uma área de investigação ou averiguação, além do jurídico, ouvidoria e departamento de segurança da empresa.

Luciana também destacou a importância de guardar as evidências que comprovam a fraude, como o computador e o e-mail corporativo usado pelo funcionário investigado.

“Não bastam fortes indícios. O juiz tem de estar convencido que houve fraude. E aí ele pode determinar perícia técnica nos computadores. Por isso, é interessante, assim que recomendar a demissão por justa causa, preservar o hardware, os e-mails dessa pessoa porque tudo isso pode ser objeto de perícia e pode se usado em favor do empregador”, explicou.

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Marcos Ricardo Parra: autoridades policiais enfrentam muita dificuldade em coletar e levar provas em uma empresa. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Polícia

Um dos palestrantes sobre o tema, o delegado titular da Polícia Civil do Estado de São Paulo, Marcos Ricardo Parra, afirmou que, apesar de ser um procedimento obrigatório, as autoridades policiais enfrentam muita dificuldade em coletar e levar provas em uma empresa envolvida – seja como vítima ou como autora – em um crime.

“O policial deve entrar na empresa, colher todas as provas, apreender instrumentos do crime, levar imagens de circuito e câmeras. Apesar de ser um protocolo policial, isso na prática cria o maior problema do mundo. Qualquer imagem que ajude nas investigações deve ser trazida para o inquérito policial, mas existe um entendimento contrário por parte de empresa que quer decidir se vai entregar ou não”, disse Parra.

Monitoramento  

Em seguida, José Rocha Filho, perito criminal federal do Instituto Nacional de Criminalística, abordou os aspectos técnicos na produção de imagens de monitoramento. Para ele, os sistemas de STV de segurança podem e devem ser maximizados para uso criminal.

Além disso, Rocha Filho detalhou as atuações do Instituto Nacional de Criminalística. “Trabalhamos com áudio e vídeo para realização de perícia”, disse.

“Entre outras coisas, realizamos analise de conteúdo, tratamos os vídeos para compreender o material analisado e estudamos fraudes em edição”, completou.

Indicadores

No encerramento do Congresso de Segurança Empresarial, Ricardo Franco Coelho, diretor do Departamento de Segurança (Deseg) da Fiesp falou sobre indicadores de riscos nas indústrias.

Segundo ele, o Deseg entende que um sistema de indicadores seria benéfico para a tomada de decisões sobre segurança na Indústria.

“Um sistema dessa natureza poderia integrar dados sobre eventos e medidas de proteção, avaliando e comparando ocorrências e performances conforme o segmento e a região. Trata-se de discussão em andamento, com a expectativa de que em algum momento possa se transformar em ação efetiva para colocar ao alcance do industrial e da sociedade informações relevantes sobre segurança, sob a perspectiva da iniciativa privada”.

Retrospectiva 2012 – Iniciativas para desenvolver a segurança pública e privada no Brasil

Agência Indusnet Fiesp

Com o objetivo de desenvolver o setor de segurança – pública e privada – no Brasil e no mundo, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), por meio de seu Departamento de Segurança (Deseg), promoveu ações nos dois âmbitos.

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Diretores do Deseg se reúnem com Ministro da Justiça

Em maio, diretores do Deseg tiveram um encontro com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. O objetivo da reunião, de acordo com Ricardo Lerner, vice-presidente da Fiesp e diretor titular do Deseg, foi manifestar a preocupação de empresários do ramo de sistemas eletrônicos de segurança para que haja uma definição clara e objetiva do mercado, dentro do Estatuto da Segurança Privada, como sendo uma atividade independente e complementar à segurança pública.

O encontro teve participação de dirigentes da Federação Interestadual de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Fenabese) e da Associação Brasileira de Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Abese).

Referências internacionais

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Ricardo Leirner visita Polícia de Nova York

Na primeira quinzena de julho, o diretor-titular do Deseg/Fiesp, Ricardo Lerner, esteve na cidade de Nova York, nos Estados Unidos, para conhecer o trabalho da New York City Police Foundation – NYCPF (Fundação Polícia de Nova York, em tradução livre), entre outros encontros com a própria polícia (NYPD) e com representantes do órgão de segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

No “Seminário de Tecnologia em Segurança Brasil e Alemanha”, em setembro, Selma Migliori, do Deseg/Fiesp e presidente da Fenabese, , apresentou as principais tecnologias de sistemas eletrônicos de segurança, com maior aplicação para o sistema de câmeras e videomonitoramento.

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José Laércio de Araújo, da Abese fala sobre Sistemas Eletrônicos de Segurança. Foto: Everton Amaro.

O evento mostrou números do setor nos dois países e mostrou diversas oportunidades de negócios neste mercado que é crescente no Brasil. Em seminário, José Laércio de Araújo falou sobre as conquistas da Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Abese).

A conselheira de assuntos econômicos do ministério federal da Economia e Tecnologia da Alemanha, ressaltou as relações econômicas entre Brasil e Alemanha, e integrantes da missão alemã de tecnologia em segurança apresentaram suas empresas e produtos a empresários brasileiros. O Brasil é o parceiro comercial mais importante da Alemanha na América Latina.

Grandes eventos no país

Imagem relacionada a matéria - Id: 1540127491A Fiesp divulgou versão eletrônica da agenda estratégica da segurança para Copa-2014 e Rio-2016.

O resultado deste trabalho foi a criação do documento Agenda Estratégica da Segurança – Grandes Eventos, que aborda os temas de Gestão, Integração de Ações, Legislação e Tecnologia.


Ações na segurança pública

Em setembro, a Fiesp desenvolveu e realizou um curso de gestão em excelência para profissionais de segurança pública, entre eles policiais civis e peritos criminais de unidades do interior e da capital, com base na metodologia de capacitação de gestores da iniciativa privada adotada pela Fundação Nacional de Qualidade.  O curso foi saudado por representantes da Polícia Civil.

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Delegados e peritos participam do curso Rumo ˆà Gestão de Excelência. Foto: Helcio Nagamine



Em outubro, delegados da Polícia Civil, Peritos Criminais e Médico Legista da Polícia Técnico-Científica receberam diplomas do curso em jantar na sede da Fiesp. O Deseg/Fiesp prestou homenagem aos delegados titulares dos 12º e 16º Distritos Policiais.

Seminário sobre fraudes

Em outubro, o seminário Fraudes na Indústria apresentou os conceitos, ameaças e estratégias de prevenção de fraudes cometidas contra a indústria e seus componentes financeiros e de pagamentos.

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Seminário sobre Fraudes na Indústria. Foto: Everton Amaro



Aspectos legais das fraudes corporativas também foram tratados no evento. Outro tema foi a Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), sistema que pode ocasionar alguns riscos às empresas, como fraudes e corrupção de arquivos, segundo alerta do presidente da NF e do Brasil – Grupo TAB, Antonio Gesteira.

Paulo Renato Sivieri, da Febraban e Banco do Brasil, revelou como as quadrilhas desviam pagamentos para contas de fachada e como as empresas devem agir para evitar prejuízos

Missão internacional

Em novembro, o Deseg/Fiesp liderou um grupo de empreendedores do setor de segurança empresarial e monitoramento eletrônico durante uma missão realizada em Milão, na Itália.

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Deseg, levam missão empresarial à Feira Sicurezza 2012


A missão teve como objetivo promover o conhecimento de tecnologias e processos em instalações como aeroportos, centros de comando e controle de arenas esportivas, além de promover relações institucionais e empresariais entre profissionais do ramo.

Feira

Em maio, a Fiesp esteve presente com um estande na 15ª edição da International Security Fair (Exposec), no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo.