Semana de Meio Ambiente – Seminário: A Importância Estratégica dos ODS e exemplos de sucesso na implementação

 

 

 

Confira as apresentações realizadas no seminário “A Importância Estratégica dos ODS e exemplos de sucesso na implementação” realizado na Fiesp no dia 07 de junho.

 

Painel: A Importância Estratégica dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

 

Secretaria Nacional de Articulação Social, Secretaria de Governo da Presidência da República

Sergio Kelner – Diretor do Departamento de Educação para a Cidadania e Inovação 

 

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária –Embrapa

Daniela Lopes  Pesquisadora 

 

Painel: Exemplos de Sucesso na Implementação dos ODS´s

 

empresa de pequeno porte – Metalúrgica Inca Ltda.

Luis Bello – Gerente

 

empresa de médio porte – Micro-Química Ltda.

Cláudio Hanaoka – Diretor

 

empresa de grande porte – Embraer S.A.

Mayara Ribeiro – Analista de sustentabilidade

Guia de Produção e Consumo Sustentáveis: tendências e oportunidades para o setor de negócios

 O guia é um projeto fruto de uma parceria entre a FIESP, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, e o PNUMA, Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, principal organização dentro da ONU no campo ambiental.

A iniciativa tem como principal objetivo a sensibilização e o engajamento do setor industrial do Brasil e partes interessadas, especificamente do Estado de São Paulo, na implantação de políticas e práticas de Produção e Consumo Sustentável, com foco específico em empresas de pequeno e médio porte.

Clique aqui, para visualizar ou baixar a publicação em seu computador ou acesse o menu ao lado.

Era da abundância acabou e humanidade está entrando na escassez, segundo Pnuma

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Presidente do Instituto Brasil PNUMA, Haroldo Mattos

A  era da abundância de recursos naturais acabou e a humanidade está entrando na da escassez, declarou nesta terça-feira (22) o presidente do Instituto Brasil Pnuma, Haroldo Mattos de Lemos ao participar do painel sobre Economia Verde, durante a 5ª Mostra Fiesp/Ciesp de Responsabilidade Socioambiental.

“Quando eu era garoto, jamais se falava em reciclar coisa nenhuma. Não dá mais para pensar desse jeito. Nós temos que reciclar cada vez mais as coisas”, afirmou. Segundo Lemos, entre os anos 1950 e 2000, a atividade econômica brasileira aumentou 10 vezes enquanto 40% das reservas de petróleo se exauriram. Ainda assim, o Brasil ainda possui um saldo ecológico positivo, diferente dos Estados Unidos que, entre 1961 e 2005, se tornaram devedores ambientais.

Mas posição favorável do Brasil por conta da elevada capacidade de produção não é confortável, já que as robustas exportações de commodities, como o minério de ferro e alimentos brutos, podem levar a produção do país à exaustão.

“A biosfera concentrou certos recursos em alguns lugares. Por exemplo: minério de ferro e ouro. Estamos retirando essas matérias e espalhando pelo mundo inteiro. No futuro, se continuarmos fazendo isso, esses recursos irão acabar e seremos cada vez mais obrigados a reciclar”, concluiu Lemos.

Rumo à Economia Verde

Entre os dias 4 e 6 de junho de 2012, o Rio de Janeiro vai sediar a reunião de Cúpula da Terra Rio+20, oficialmente designada como Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável.

Steve Stone, chefe de Economia e Comércio do PNUMA

Além de ser uma tentativa da Organização das Nações Unidas (ONU) para progredir no compromisso da comunidade internacional de combate às mudanças climáticas do século XXI, Steve Stone, chefe de Economia e Comércio do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), acredita que esta é a oportunidade para o Brasil ocupar posição de destaque na reversão das mudanças.

“Somos a geração que está testemunhando essas mudanças e teremos a oportunidade de fazer alguma coisa na Rio+20. Considero o Brasil um importante líder como agende transformador”, disse Stone.

O relatório 2011 do Pnuma, Rumo a uma Economia Verde: Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável e a Erradicação da Pobreza, mostra como estão sendo desenvolvidas estratégias de Economia Verde, em que as empresas usam menos recursos naturais e cuidam melhor de seus resíduos.

De acordo com o documento, um investimento de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) global em dez setores-chave pode dar início à transição rumo à uma economia de baixo carbono e eficiência de recursos.

Por uma Economia mais Verde

Haroldo Mattos de Lemos, Presidente do Instituto Brasil Pnuma, Agência Indusnet Fiesp

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) define a economia verde como “aquela que resulta na melhoria do bem-estar humano e da igualdade social, ao mesmo tempo em que reduz significativamente os riscos ambientais e as carências ecológicas”.

A transição da economia tradicional para a economia verde envolve políticas e investimentos que desassociam o crescimento do atual consumo intensivo de materiais e energia. Nos últimos 30 anos, poucos países, como a Alemanha, conseguiram alguma desassociação, mas os resultados foram modestos para garantir nossa sustentabilidade.

Em fevereiro deste ano, o Conselho de Administração do Pnuma aprovou o relatório Rumo a uma Economia Verde: Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável e a Erradicação da Pobreza, que propõe investir 2% do PIB mundial em 10 setores estratégicos, para iniciar a transição para uma economia de baixo carbono e com eficiência de recursos. Os 10 setores identificados fundamentais para tornar a economia global mais verde são: agricultura, construção, abastecimento de energia, pesca, silvicultura, indústria, turismo, transportes, manejo de resíduos e água.

Investir 2% do PIB mundial corresponde, atualmente, a investir 1,3 trilhão de dólares por ano, o equivalente a 10% do investimento total anual em capital físico. O relatório do Pnuma propõe um modelo econômico que evitaria riscos, choques, escassez e crises, cada vez mais inerentes na atual economia de alta emissão de carbono, e contesta os mitos de que investimentos ambientais são contrários ao crescimento econômico.

O mundo gasta atualmente entre 1% e 2% do PIB global em subsídios que contribuem para intensificar os danos ambientais e ampliar a ineficiência na economia global, acelerando a insustentabilidade do uso de recursos, tais como combustíveis fósseis, agricultura, água e pesca. Diminuir ou eliminar estes subsídios liberaria recursos para financiar a transição rumo a Economia Verde.

Este modelo econômico é importante para o crescimento e erradicação da pobreza nas economias em desenvolvimento, onde a natureza ou os recursos naturais respondem por 90% do PIB de alguns países.

Emprego

A curto prazo, a queda dos níveis de emprego em alguns setores, como o da pesca, será inevitável, caso não ocorra a transição rumo à sustentabilidade. O setor pesqueiro recebe atualmente subsídios de cerca de US$ 27 bilhões por ano, o que gera uma capacidade de pesca duas vezes maior do que a capacidade dos peixes de se reproduzirem.

A criação de áreas marinhas protegidas e a desativação e redução da capacidade das frotas pode recuperar os recursos pesqueiros do planeta. A captura atual de 80 milhões de toneladas sofreria uma queda até 2020, mas poderia aumentar para 90 milhões de toneladas em 2050, de forma sustentável.

O relatório do Pnuma prevê que o número de empregos “novos e decentes criados” – desde o setor de energia renovável até o de agricultura sustentável – compensariam os empregos perdidos na antiga economia de alto carbono.

Custo ambiental do transporte

Um dos setores importantes para a cidade de São Paulo é o de transportes. O relatório afirma que os custos ambientais e sociais dos transportes, em termos de poluição do ar, acidentes e congestionamento do tráfego, custam atualmente de 10% do PIB de um país ou região. Recomenda a adoção de políticas, como desde o apoio à utilização de transportes públicos e não motorizados, até as que promovem a eficiência de combustíveis e veículos menos poluentes. Na Europa, os investimentos em transportes públicos rendem benefícios econômicos regionais superiores ao dobro do seu custo.

O uso dos combustíveis fósseis recebe mais de 500 bilhões de dólares ao ano em subsídios governamentais e, segundo o relatório, há evidências de que esses subsídios raramente atingem os mais pobres. Por outro lado, em 2009, os subsídios para o desenvolvimento e uso das energias renováveis foram de 10% do total dado aos combustíveis fósseis.

Produção e consumo sustentável

O diretor-executivo do Pnuma, Achim Steiner, declarou na ocasião do lançamento do relatório: “A Rio 2012 surge em um contexto de rápida redução de recursos naturais e de alterações ambientais aceleradas – desde a perda de recifes de coral e florestas à crescente escassez de terra produtiva; desde a necessidade urgente de fornecer alimento e combustível às economias, até os prováveis impactos das alterações climáticas descontroladas”.

A Economia Verde, conforme documentado e ilustrado no relatório do Pnuma, proporciona uma avaliação centrada e pragmática de como os países, as comunidades e as empresas iniciaram uma transição para um padrão mais sustentável de consumo e produção. Devemos avançar para além das polarizações do passado, entre desenvolvimento e meio ambiente, entre Estado e mercado.

Com 2,5 bilhões de pessoas vivendo com menos de US$ 2 por dia e com um aumento populacional superior a dois bilhões de pessoas até 2050, é evidente que devemos continuar a desenvolver e a fazer crescer as nossas economias. No entanto, esse desenvolvimento não pode acontecer à custa dos próprios sistemas de apoio à vida na terra, dos oceanos e da atmosfera, que sustentam as nossas economias e, por conseguinte, as vidas de todos nós.

Economia Verde é uma resposta à questão de como manter o impacto ecológico das ações da humanidade dentro dos limites do planeta. Visa relacionar as demandas ambientais para uma mudança de rumo dos resultados econômicos e sociais – em particular, o desenvolvimento econômico, o emprego e a igualdade.