‘Precisamos nos preparar para o pós-crise’, diz coordenador do Comtextil em reunião sobre os rumos do setor

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Hora de se preparar para sair de crise. Com esse debate, apresentando as perspectivas para o setor, foi realizada, na tarde desta terça-feira (19/7), a reunião plenária do Comitê da Cadeira Produtiva da Indústria Têxtil, Confecção e Vestuário (Comtextil) da Fiesp.

Na ocasião, o debate foi conduzido pelo coordenador adjunto do Comtextil Marcelo Prado. Esteve presente ainda o coordenador do comitê, Elias Haddad.

Para Marcelo Prado, estamos num momento da crise em que não cabe mais falar de crise, mas “de como sair dela”. “Falar da crise fazia sentido em 2013”, explicou. “O mercado está ruim, mas algumas empresas estão andando e crescendo, o que elas estão fazendo? Precisamos nos preparar para o pós-crise”.

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O segundo da direita para a esquerda, Prado destacou a necessidade de inovação no varejo de roupas. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Nessa linha, o comércio do setor têxtil, incluindo o de vestuário, cresceu 5,4% ao ano no mundo entre 2000 e 2015. Nesse cenário, a China é a principal exportadora de têxteis e vestuários, com 34% das vendas globais ou US$ 274 bilhões movimentados. “Pelas matérias-primas que somos capazes de gerar, podemos ter muito sucesso no setor”, disse Prado. “Pena que a nossa política econômica não enxergue a indústria brasileira como geradora de empregos e de produtos de valor agregado”.

Entre as nações que estão ganhando espaço na área, o México é um destaque. “Alguns produtos mexicanos já chegam nos Estados Unidos com preços melhores que os dos produtos chineses”, explicou.

No ranking mundial de exportadores de têxteis, depois da China estão a Índia (6,1% do total exportado) e os Estados Unidos (6%). O Brasil vem em 25º lugar, com 0,7% de participação.

Vitrines

Ao explicar as principais características do comércio brasileiro de roupas, Prado explicou que o varejo físico distribui 92,3% de todo o consumo nacional de vestuário, tendo movimentado R$ 181,3 bilhões em vendas em 2015. O valor representa uma redução de 1,4% sobre 2014 e de 5,5% em volume de peças.

O Brasil tinha 160,1 mil pontos de venda de vestuário em 2015. Cerca de 58 mil deles, ou 35% do total, estão em shoppings.

Entre as lojas, as chamadas independentes respondem por 37% das vendas do setor em valores, com as de departamento especializadas (que só vendem roupas) detendo 31% do total vendido.

“Nos próximos cinco anos, estima-se um crescimento médio de 1% a 2% ao ano para o varejo de moda, com os importados recuando para menos de 10% dos volumes consumidos”, disse Prado. “Se a economia mudar de rumo e priorizar a produção e o investimento a gente decola”.

Inovar é preciso

Nesse cenário de boas perspectivas, o varejo será cada vez mais movido a inovações, com muita velocidade no lançamento de peças. “Quem diria que as grandes redes conseguiriam produzir 12 coleções por ano? Teremos um mix de produtos cada vez mais qualificado”, afirmou Prado.

Já o pequeno varejo precisará se especializar em nichos e neles se diferenciar com serviços e soluções mais especializados. “Quem trabalha do mesmo jeito há 40 anos não terá espaço”, explicou Prado.

Uma fonte de boas oportunidades para todos: atender novos segmentos consumidores, explorando novos nichos de mercado, com crescimentos superiores à média do mercado. “Não vale mais falar de moda infantil, mas sim de produtos para recém-nascidos, para aqueles que estão dando os primeiros passos e assim por diante, investindo nessa diversificação”, disse. “Novas linhas de produtos também são bem-vindas, inovações que encantem os consumidores”.