Reunião na Fiesp discute Plano Diretor para aproveitamento da água em São Paulo

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Foi realizada na tarde desta terça-feira (01/10), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a apresentação de estudos do Plano Diretor de Aproveitamento de Recursos Hídricos para a macrometrópole paulista.

A macrometrópole, foco principal do estudo, concentra 70% da população do estado e compreende as regiões metropolitanas de São Paulo, Baixada Santista, Campinas, Jundiaí e Piracicaba, além dos Vales do Paraíba, Ribeira de Iguape e Sorocaba.

O evento abordou temas ligados ao abastecimento de água em residências, indústrias, comércios, hospitais e agronegócio, além da geração de energia.

A reunião de apresentação  de estudos do Plano Diretor de Aproveitamento de Recursos Hídricos na Fiesp. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

A reunião sobre os estudos do Plano Diretor de Aproveitamento de Recursos Hídricos. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

 

Carlos Alberto Pereira, diretor técnico da Companhia Brasileira de Projetos e Empreendimentos (Cobrape), apresentou o Plano Diretor. “O tema é certamente um dos mais relevantes para a questão do saneamento e dos recursos hídricos”, disse. “É um trabalho que é realizado há cinco anos”, explicou.

Segundo Pereira, garantir a questão da segurança hídrica, mesmo durante momentos de escassez de água, é um dos principais objetivos do Plano. “Também queremos, com a criação dessas metas, atender as necessidades de desenvolvimento da região”, disse.

Com o trabalho, Pereira espera criar uma discussão dos arranjos institucionais necessários para a sustentação dos recursos. “O foco maior do Plano é criar a possibilidade de suprir com água bruta as demandas totais da macrometrópole, que representa 83% do Produto Interno Bruto do Estado de São Paulo”.

Outro grande objetivo do Plano, segundo o diretor técnico do Cobrape, é criar medidas para a solução de conflitos e discutir a necessidade das operações dos sistemas hidráulicos.

Durante a apresentação, Pereira afirmou que os recursos hídricos estão intimamente ligados ao desenvolvimento econômico. “A região da macrometrópole paulista tem vocação para se tornar uma região de primeiro mundo. Para isso, é necessária uma oferta de água abundante e de qualidade com segurança hídrica, capaz de atrair mais investimentos”.

Oferta x demanda futura

De acordo com Pereira, alimentar todas as demandas futuras da região é um “desafio significativo”. “Até 2035, a macrometrópole terá mais 6,5 milhões de pessoas, segundo a Fundação Seade”, disse Pereira.

Assim, tendo esse cenário em vista, o grupo comandado por Pereira trabalhou para a identificação de soluções viáveis, de modo que seja possível abastecer esse crescimento da demanda residencial, industrial e comercial. “Segundo um dos cenários futuros imaginados pelo Plano Diretor, será necessária uma oferta de 283 metros cúbicos por segundo em 2035“, concluiu.

Minimização de conflito

Marcelo Asquino, assessor de gabinete da secretaria estadual de Planejamento e Desenvolvimento Regional, que coordena os trabalhos do Plano Diretor, também falou durante o evento. “[A gestão da água] é um assunto que impacta a realidade das politicas públicas. O estudo é fundamental para que possamos nos antecipar a problemas futuros e planejar as ações a serem realizadas dentro de uma área imensa como a macrometrópole de São Paulo”, explicou.

O assessor do gabinete da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Rui Brasil Assis, foi outro participante.  “O foco do Plano é trabalhar o consumo humano, com a minimização de conflito, que já não são raros em nossa região”, iniciou Rui Assis.

“A questão dos recursos hídricos é fundamental. A partir de um planejamento das bacias do país poderíamos criar um crescimento real e sustentável. A Fiesp sempre apoiou o setor e os comitês de bacias”, disse Nelson Pereira dos Reis,  diretor-titular do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da instituição.

Nelson Pereira dos Reis: “A questão dos recursos hídricos é fundamental”. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Nelson Pereira dos Reis: “A questão dos recursos hídricos é fundamental”. Foto: Beto Moussalli/Fiesp