Empresários lançam plano de ação contra a crise, na Fiesp

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João Paulo dos Reis Veloso

O ex-ministro do Planejamento, João Paulo Reis Velloso, apresentou nesta segunda-feira (16), na Fiesp, um plano de ação para combater os efeitos da crise financeira no Brasil e levar o País a crescer até 2%, ainda neste ano. Perspectiva que contraria o consenso de especialistas econômicos, que prevêem um crescimento pouco acima de zero.

Batizado de “Plano de Ação Contra a Crise”, o documento foi formulado pelo Fórum Nacional, composto por empresários do Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae).

Para Velloso, a principal proposta do documento é a de garantir o crédito interno e o externo ao setor produtivo, para preservar as empresas, garantir os empregos dos trabalhadores e reaquecer o mercado interno.

“Chegou um momento em que o Estado não pode apenas ficar na posição de aprovar medidas que, frequentemente, não se concretizam”, disse Velloso durante a apresentação do projeto.

O ex-ministro também ressaltou que o governo precisa superar a vulnerabilidade externa, que, segundo ele, só tende a crescer. Ele lembrou que o País fechou as contas, em 2008, com um déficit de US$ 28,3 bilhões.

De acordo com Velloso, este saldo negativo só será superado com a diversificação da pauta de exportação brasileira que, conforme o estudo, pouco mudou desde 1984.

“O Brasil precisa incorporar em sua pauta exportadora produtos diferenciados e serviços comerciais e mirar outros mercados, como o Oriente Médio, África, Oceania e Leste Europeu”, argumentou o ex-ministro do Planejamento.

Dentre as propostas do documento de quase 140 páginas destacam-se:

  • Usar o Pré-Sal para transformar o Brasil em um dos grandes produtores de petróleo;
  • Avançar na Matriz Energética;
  • Desenvolver a Biotecnologia à base da Biodiversidade;
  • Universalizar a inovação nas empresas brasileiras;
  • Estabelecer limites para todos os gastos públicos, inclusive assistenciais e de pessoal;
  • Revisar as estruturas dos Ministérios, geralmente superdimensionadas;
  • Revisar as mordomias dos congressistas;
  • Reduzir a taxa de juros (Selic e Spreads);
Ações de curto prazo
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Paulo Skaf

Para o presidente da Fiesp/Ciesp, Paulo Skaf, as propostas do documento servem como base para ampla discussão, com a sociedade, sobre o desenvolvimento do País, mas defende ações de curto prazo para evitar que os efeitos nocivos da crise se ampliem ainda mais. Skaf ressaltou que o País dificilmente terá um crescimento positivo neste ano.

Skaf argumentou que, no primeiro trimestre, o Brasil apresentará um crescimento negativo entre 1% a 1,5%. Em sua avaliação, isso já resultaria em uma recessão econômica, uma vez que o quarto trimestre de 2008 revelou um crescimento negativo do PIB de 3,6%. Recessão econômica é configurada quando um País apresenta, por dois meses consecutivos, crescimento negativo em sua economia.

Assim, nas contas de Skaf, para que o País não termine o ano com saldo negativo, o Brasil terá que mostrar nos próximos trimestres uma expansão de 1,7% a 2%, o que resultaria em um crescimento de pelo menos zero – ao contrário de países como a Alemanha e Japão, que devem encerrar o ano com retração de 4% a 6% em suas economias.

“Dificilmente teremos um PIB positivo neste ano. A falta de crédito, o maior vilão desta crise, engessa o setor produtivo que deixa de investir por falta de financiamento”, alertou Skaf.