Política industrial brasileira não é suficiente para garantir bom desempenho do setor

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

A política industrial brasileira foi insuficiente para garantir o bom desempenho do setor diante dos entraves estruturais existentes no país. Com isso, o chamado “Custo Brasil” e a sobrevalorização do real oneraram o custo de produção da indústria de transformação brasileira em 34,2% na média entre 2008 e 2012, quando comparada a dos países fornecedores.

Isso tem se traduzido em crescente participação de importações na absorção interna de bens industriais: de 11,6% em 2004 para 23,1% em 2013. E, claro, na queda na receita de exportações da indústria de transformação:  menos 29% entre 2004 e 2013.

Essas são algumas das conclusões do estudo “Plano Brasil Maior: resultados e obstáculos à Política Industrial brasileira”, elaborado pelo Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O Plano Brasil Maior (PBM) é um conjunto de medidas de Política Industrial anunciado pelo governo federal em 2011 com o objetivo de atenuar deficiências do ambiente competitivo no país.

“Analisamos como foi a evolução da competitividade brasileira nos últimos dez anos, que avanços tivemos, quais foram os problemas encontrados nesse período e como estamos agora”, explica o vice-presidente da Fiesp e diretor titular do Decomtec, José Ricardo Roriz Coelho. “O trabalho aponta para algumas direções que, na nossa avaliação, o país devia tomar”.

Roriz Coelho: análise do impacto de fatores como a taxa de juros e o câmbio. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Segundo ele, “o câmbio, a taxa de juros, a carga tributária, os nossos problemas de infraestrutura e o excesso de burocracia tiveram um impacto muito grande na perda de competitividade do Brasil nos últimos anos”.

Para exemplificar o que diz, Roriz lembra que a indústria de transformação nacional sofre uma “sobrecarga” tributária de 134%.

Ou seja, com participação no PIB de 13,0%, contribui com 30,4% da arrecadação de tributos do país. “O Plano Brasil Maior foi muito bem intencionado, mas não suficiente para suprir as várias perdas que tivemos no período”, afirma Roriz.

Câmbio e juros

Entre os algozes do fortalecimento da indústria nacional, os fatores câmbio e taxa de juros estão entre os pontos destacados no estudo do Decomtec.

Entre 2005 e 2013, a taxa real de câmbio esteve, em média, 40% sobrevalorizada. “O câmbio atual torna o produto brasileiro muito caro”, diz Roriz. “O aumento da renda no país foi muito bom, mas quem capturou esse crescimento foram os importados.”

Isso porque o custo de produção por aqui é alto, tendo sido onerado em 34,2% entre 2008 e 2012. “Gastamos mais para produzir em relação aos outros países fornecedores”, afirma.

Um olhar para os juros não apresenta perspectivas mais animadoras. Desde 2004, na média, a taxa de juros de capital de giro no Brasil foi de 38,9% ao ano, ou 14,2 vezes maior do que os 2,72% dos principais países fornecedores.

“Existe um conjunto de ações que devem ser tomadas, na nossa análise, para retomar a competividade do passado”, explica o diretor titular do Decomtec. “E isso passa pela taxa de juros, pelo câmbio, por melhorias de infraestrutura, pela qualidade dos serviços públicos e pela diminuição da burocracia”, diz.

De acordo com Roriz, o Brasil precisa aumentar o investimento. “O investimento brasileiro é muito baixo.”

Sobrou para a balança comercial

O estudo do Decomtec aponta que a balança comercial de produtos manufaturados passou de um saldo de US$ 5 bilhões em 2004 para um déficit de US$ 105 bilhões em 2013. Com isso, a perda de competitividade agravou a desindustrialização, de modo que a participação da indústria de transformação no PIB regrediu a 13,0% em 2012, o menor patamar dos últimos 50 anos.

Outra questão destacada no trabalho é que desindustrialização é um processo cumulativo, refletindo diversos anos com ambiente competitivo muito adverso. É por isso que a desindustrialização avançou em 2012, mesmo com a desvalorização cambial e a redução do diferencial de preços em desfavor da produção doméstica.

Vale a pena lembrar ainda que, ao contrário do que acontece no Brasil, nos demais países a participação da indústria de transformação no PIB encontra-se quase estabilizada.

Em 2004, esse percentual era de 19,0% nos países fornecedores e de 19,2% aqui. Já em 2012, esse percentual passou para 17,6% naqueles países, contra os 13,0% do Brasil.

Ambiente competitivo

Conforme a pesquisa do Decomtec, o principal fator determinante do insucesso das políticas industriais recentes não foram seus próprios instrumentos, mas o ambiente competitivo brasileiro como um todo, principalmente pela contribuição negativa da política macroeconômica nos últimos anos.

Nesse sentido, o custo das medidas do Plano Brasil Maior foi de R$ 8,6 bilhões – apenas 0,20% do PIB, ou 1,8% do total dos tributos pagos pela indústria transformação nacional.

Já o custo de cada ponto percentual da taxa básica de juros da economia, a Selic, no pagamento dos juros da dívida pública federal foi 189 % maior, de R$ 25 bilhões.

Assim, segundo o estudo, para retomar a industrialização perdida, é preciso ver acontecer medidas como a adoção permanente de instrumentos de apoio mais arrojados, a adoção de um sistema de governança mais eficaz na área, a oferta de maior segurança jurídica, a implantação de uma política macroeconômica mais consistente e ter como meta o aumento da participação da indústria de transformação no PIB.

“Não existe visão de longo prazo para atingir metas e objetivos”, diz Roriz. “O país trabalha muito em cima de improvisos. Essas metas devem atingir não só o desenvolvimento econômico, mas também o desenvolvimento social”, explica.

“É crescer em relação ao PIB, mas também o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Aumentar renda é importante, mas precisamos de todos esses fatores para promover o desenvolvimento dos brasileiros”, conclui.

 

Conselho Superior de Economia da Fiesp discute nova política industrial

Cesar Augusto, Agência Indusnet Fiesp

Com o objetivo de discutir A Nova Política Industrial do Governo Federal, o Conselho Superior de Economia (Cosec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), convidou para a sua 68ª reunião, nesta segunda-feira (12/11),  o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Mauro Borges Lemos.

Paulo Francini, Mauro Borges e Delfim Netto, durante reunião Cosec/Fiesp. Foto: Julia Moraes

 

Lemos detalhou as diretrizes e metas do Plano Brasil Maior, que aglutinou iniciativas anteriores de política industrial com novas ideias.

“Com a estabilidade econômica, passou a ser possível a adoção de uma política industrial, o que no cenário de instabilidade seria impossível no Brasil”, disse. “Temos uma presidenta muito pragmática, que percebeu a situação da Indústria brasileira e determinou que a política adotada trouxesse medidas de longo prazo e emergenciais, para aliviar o empresariado”, acrescentou o presidente da ABDI.

Ele citou as desonerações setoriais e as medidas recém-anunciadas de redução de preços no setor elétrico como exemplos de iniciativas emergenciais que podem dar alívio à indústria de modo geral, principalmente às eletrointensivas, como as siderúrgicas e do setor de alumínio.

Lemos definiu o plano do governo em um tripé: redução de custo do trabalho e capital; estímulo ao desenvolvimento das cadeias produtivas e estímulo às exportações. E ofereceu um balanço parcial das iniciativas: 63 medidas anunciadas, 48 já em operação e 15 em implementação.

A reunião contou também com as presenças do presidente do Cosec, Delfim Netto; do diretor-titular do Departamento de Pesquisas Econômicas (Depecon), Paulo Francini; e do diretor-titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) Ricardo Roriz Coelho.

Apresentações da Reunião do Comtêxtil de 16/10/2012

 

Estão disponibilizadas no menu ao lado as apresentações e os documentos citados  na Reunião Plenária do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecções e Vestuário (Comtêxtil), realizada no dia 16/10/2012.

 

 

 

 

Plano Brasil Maior: Estadão repercute artigo de Roberto Giannetti, da Fiesp

Agência Indusnet Fiesp

Em artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo desta quarta-feira (15/08), o diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Giannetti, analisa que o Plano Brasil Maior – lançado pela presidente Dilma Rousseff em 2011 – teve resultados modestos. E para que a economia brasileira seja dinamizada, afirma, é preciso que a execução de políticas fiscais seja eficiente.

Entre outras medidas, Giannetti ressalta no texto que a redução do custo da eletricidade é item prioritário da agenda competitiva brasileira. “A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) tem divulgado intensamente sua proposta neste tópico. Sem energia e frete doméstico competitivos, o setor produtivo não prosperará tanto quanto seria possível”, traz o artigo, assinado pelo diretor.

Para ler o artigo na íntegra, clique aqui.

Vitória Fiesp/Ciesp: Portaria do Ministério da Fazenda beneficia setores industriais

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

A Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp) obtiveram mais uma importante vitória com a publicação, pelo Ministério da Fazenda, da Portaria MF nº 206/12, no Diário Oficial da União no último dia 16 de maio.

A medida corrige distorção de portaria anterior e beneficia os seguintes setores: têxtil, confecção, calçados, autopeças, móveis e couro.

Quando a Portaria MF nº 137/12 foi publicada, em 30 de abril, o prazo de recolhimento referente a março já havia vencido.

Assim, determina-se a prorrogação do prazo de recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins relativos aos fatos geradores ocorridos em maio de 2012. Com vencimento em junho de 2012, o prazo foi estendido até o último dia útil da primeira quinzena de dezembro deste ano, ou seja, 14/12.

Esse pleito foi motivado pela divulgação das medidas do Plano Brasil Maior pelo governo federal.

Medidas do Plano Brasil Maior para o Comércio Exterior são “tímidas”, diz Fiesp

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Renato Corona, gerente do Decomtec/Fiesp

Em agosto passado, dois dias após o governo federal ter lançado o Plano Brasil Maior – que estabelece sua política industrial, tecnológica, de serviços e de comércio exterior para o período de 2011 a 2014 –, o Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp avaliou  as medidas constantes no Plano como “tímidas”, mas ressaltou o mérito da manutenção da indústria na agenda.

Para Renato Corona, gerente do Decomtec, o Plano Brasil Maior não tem característica de política industrial. “Na verdade, tem característica de distorção do desequilíbrio do ambiente macroeconômico que temos em relação às demais economias, e ainda assim são tímidas”, destacou durante a reunião do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp, nesta terça-feira (13). Ele disse ainda que a desoneração do PBM será de R$ 13,4 bilhões, e não R$ 24,5 bilhões, como anunciado pelo Ministério da Fazenda.

Descompasso

Na avaliação do coordenador de Análise Econômica do Comércio Exterior do Derex da Fiesp, Fabrizio Panzini, o governo errou o “timing” das medidas em relação ao comércio exterior. “Em 2008, quando foi lançado o Plano de Desenvolvimento Produtivo (PDP 1), que tinha como base o estímulo às exportações, a penetração de produtos importados já era muito forte, mas nada foi feito”, lembrou.

Fabrizio afirmou que o PDP 1 previa o aumento em 10% das empresas exportadoras, diversificação da pauta e destino e a ampliação dos produtos de maior densidade tecnológica na pauta de exportação. “Entretanto, os resultados mostram que houve concentração da pauta, com centralização nas exportações para a China e redução de 7% no número das empresas exportadoras. Os instrumentos não foram corretos no estímulo de objetivos e metas, e a crise internacional teve peso importante para frustrar a PDP 1”, revelou.

Para reverter o quadro, o coordenador assinalou como aspectos positivos do Plano Brasil Maior:

  • A intervenção da presidente Dilma Rousseff contra a postura refratária do Ministério da Fazenda;
  • Ampliação de propostas para o Comércio Exterior em comparação ao PDP 1;
  • Maior coordenação entre ministérios (Fazenda e Desenvolvimento, Indústria e Comércio);
  • Anúncio de medidas não esperadas pelo setor privado.

 

Insuficiência

Embaixador Rubens Barbosa, presidente do Coscex/Fiesp

O embaixador Rubens Barbosa, presidente do Coscex da Fiesp, reforçou que o Plano Brasil Maior é importante e sinaliza uma direção, porém, insuficiente. “Em minha opinião, grande parte do Plano não vai ser cumprida. O sucesso da política econômica e das exportações brasileiras esconde os problemas aqui apresentados, e isso vai continuar”, sentenciou.

Para o presidente do Coscex, a desvalorização do câmbio a R$ 1,71 será usada como justificativa para a não implementação das medidas. Ele emendou que o fato dos ministérios estarem conversando não significa coordenação: “Se a presidente Dilma Rousseff não interviesse, o pacote não teria saído”.

No campo inovação, o embaixador analisou que os incentivos dados pelo governo federal terão pouco efeito, pois não toma nenhuma medida proativa. “Nossa capacidade de investimento se encontra estagnada há muito tempo. A Pesquisa e Desenvolvimento no Brasil, ao contrário dos países desenvolvidos, está em cerca de 20% apenas no setor privado, e os outros 80% estão no setor público”, apontou.

Rubens Barbosa afirmou ainda que há cinco anos o número de empresas exportadoras era maior que as importadoras, e que atualmente a situação é inversa. “Acho que o sucesso da política econômica, com a inflação controlada, crescimento de 7% e baixo número de desemprego no Brasil escondem uma realidade muito mais complexa. As exportações estão caindo, há comoditização do comércio exterior brasileiro e a concentração do número de empresas. Esperamos que medidas positivas sejam, de fato, aplicadas”, completou.

Benefício da desoneração da folha de pagamento não é pleno, diz Comtextil

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Maria Concepción Molina Cabredo gerente do Dejur/Fiesp

O Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecção e Vestuário (Comtextil) da Fiesp se reuniu na tarde desta quarta-feira (17) para avaliar os impactos do Plano Brasil Maior, de apoio à indústria, sobre os setores. E chegou à conclusão de que o benefício da desoneração da folha de pagamento, que integra a medida do governo, não é pleno.

A Medida Provisória 540/11 institui o Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra), propõe da redução do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) para a indústria automotiva e desonera a folha de pagamento das empresas que prestam serviços de tecnologia da informação e comunicação, indústrias moveleiras, de confecções e de couro.

A medida de desoneração propõe a substituição da contribuição ao INSS patronal, equivalente a 20%, por 1,5% sobre o valor da receita bruta. Mas esse benefício não será o mesmo para empresas com empregos terceirizados, já que haverá uma diferença no valor da cota patronal.

“Nem sempre o que se vende é o que se entrega… A terceirização fica fora do benefício”, afirmou a gerente do Departamento Jurídico da Fiesp (Dejur), Maria Concepción Molina Cabredo.

Renato Corona, gerente do Decomtec/Fiesp

Impactos

De acordo com Renato Corona, gerente do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec/Fiesp), os impactos provocados pela MP 540/11 “deverão ser distintos para cada empresa”.
Corona citou fatores que tornam os reflexos diferentes em cada companhia, como a distribuição das vendas da empresa em relação ao mercado doméstico e as exportações, o maior ou menor emprego de terceirizados e a compra e revenda de produtos importados (acabados e semiacabados).

A desoneração da folha de pagamento equivale a uma redução de 8% a 12% nos gastos com contribuição patronal à seguridade social da indústria de confecções, enquanto a do setor de calçados terá uma diminuição de 38% a 39% nos mesmos gastos.

No caso da indústria moveleira, a redução será o equivalente a 4% na contribuição à seguridade social.

Setor produtivo será ouvido em Brasília nos próximos dias

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, e o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, em encontro na sede da federação

 

 

A indústria de transformação está sofrendo muito com os efeitos do real sobrevalorizado, do dólar barato e das importações intensas. O alerta foi dado pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf, após reunião com o ministro Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O encontro ocorreu na manhã desta terça-feira (16) na sede da entidade, em São Paulo.

Na avaliação de Skaf, o ministro entendeu o momento sensível vivido pela indústria e se comprometeu a conversar mais de perto, já na próxima semana, com os setores que tiveram a folha de pagamento desonerada recentemente. O ministro prometeu, ainda, levar as demandas dos empresários ao Ministério da Fazenda.

No plano Brasil Maior, anunciado pelo Governo Federal, os benefícios alcançaram quatro setores: calçados, móveis, confecções e software. Para Pimentel, é natural que se faça uma calibragem das medidas no momento de sua regulamentação, já que, segundo ele, elas ainda não têm formato final. “É o momento de recolher opiniões e discutir com os setores. E há um trabalho próximo com a Fiesp”, afirmou.

Pimentel descartou, por enquanto, a ampliação da lista dos contemplados pelo plano do governo. Skaf, porém, pediu atenção a outros setores com mão de obra intensiva, como o de fundição, por exemplo.

Na mesa de debates estiveram presentes temas como medidas para agilização da defesa comercial – como preços de referência – para produtos com importação aquecida nos últimos meses, como armações de óculos, escova de cabelo e pisos laminados. E, ainda, o Reintegra – devolução de parte do valor exportado às empresas.

Paulo Skaf pediu que o Reintegra fique na casa dos 3%. O porcentual definido no plano pode variar de 0,5% a 3%. “Considerando o dólar a menos de R$ 1,60, devolver 3% não resolve, mas ajuda. Mas menos de 3% ajuda pouco”, avaliou.

Política Industrial do Plano Brasil Maior traz medidas relevantes, mas ainda insuficientes

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

José Ricardo Roriz Coelho, vice-presidente do Contec/Fiesp

Após o Governo Federal ter anunciado o Plano Brasil Maior, que propõe um pacote de incentivos à produção industrial, o Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp produziu uma avaliação geral do plano.

A análise foi apresentada pelo diretor-titular do Decomtec e vice-presidente do Conselho Superior de Tecnologia e Competitividade (Contec), José Ricardo Roriz Coelho, durante reunião do conselho nesta sexta-feira (12).

De acordo com o documento, os instrumentos de estímulo ao investimento e à inovação contemplam desonerações tributárias, como a redução do IPI sobre bens de investimento para 0% (prorrogação de medida já existente) e a redução do prazo para devolução de créditos de PIS/Cofins de 12 meses para apropriação imediata. Neste último, a proposta do Decomtec reduz em 1,0% o custo do investimento.

Estas medidas são consideradas importantes para o incentivo do investimento, mas requerem mais instrumentos para um efeito mais relevante na redução do custo, como a desoneração da folha de pagamentos do setor de bens de capital, entre outros.

Financiamento ao investimento

Outra proposta do Decomtec é a prorrogação do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), que foi fundamental para a retomada dos investimentos na crise econômica mundial em 2008. O adiamento a taxas de juros que podem chegar a 4,0% ao ano e a ampliação de seu orçamento, de R$ 75 milhões, são condições fundamentais para a manutenção do nível de investimento e do crescimento econômico.

A ampliação do crédito para capital de giro das micro, pequenas e médias empresas constantes no Programa BNDES de Apoio ao Fortalecimento da Capacidade de Geração de Emprego e Renda (BNDES Progeren) teve o orçamento elevado de R$ 3,4 para R$ 10,4 bilhões, bem como o prazo, elevado de 24 para 36 meses.

Nestas disposições estão incluídas as médias empresas dos setores de autopeças, móveis e artefatos. “É uma medida paliativa para poucos setores, mas vamos continuar trabalhando para promover uma ampliação neste sentido”, afirmou Roriz.

O relançamento do Programa BNDES Revitaliza, que apoia o investimento de setores intensivos em mão de obra, terá orçamento de R$ 6,7 bilhões com taxa fixa de 9%, vigente até dezembro de 2012.

“Incluído no rol, o setor de autopeças tem tratado o assunto com o governo, que por sua vez quer que o índice de nacionalização dos automóveis aumente junto com as exportações e, ao mesmo tempo, evitar as importações, já que 2,5 entre 10 automóveis são trazidos do exterior”, sinalizou o diretor.

Para ler o documento na íntegra, clique aqui.

Mais união para ampliar competitividade da cadeia produtiva do couro e calçado

Dulce Moraes, Agência Indusnet

Nesta segunda-feira (8), representantes do sindicatos e associações de fabricantes do setor coureiro-calçadista reuniram-se, na Fiesp, na 3ª reunião ordinária do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria do Couro e Calçado (Comcouro).

José Carlos Brigagão do Couto, coordenador do Comcouro, apresentou a nova estrutura do Comitê e as ações prioritárias que serão realizadas com o apoio de outros departamentos da Fiesp. Entre elas, o levantamento da carga tributária do setor e um mapeamento completo da cadeia produtiva em níveis nacional e estadual, do frigorífico ao curtume, passando por atividades como o design e produção de calçados, até o varejo.

O coordenador ressaltou que, para a consecução desse importante diagnóstico, será necessária a colaboração de todos os Sindicatos com envio das informações de seus setores ao Comitê.

Os impactos dos custos da mão de obra sobre a competitividade da indústria também esteve na pauta do encontro. Brigagão destacou que a desoneração de alguns setores anunciada no Plano Brasil Maior, apresentado pelo governo federal no último dia 2, tem gerado muitas dúvidas nas empresas quanto a sua aplicação.

Luiz Gonzaga, do Departamento Jurídico (Dejur) da entidade, explicou que as medidas anunciadas ainda dependem de regulamentação. “Elas, provavelmente deverão entrar em vigor em 1º dezembro de 2011”. Na avaliação do advogado, este é o momento ideal para que cada setor estude o impacto do plano sobre sua atividade e encaminhe seus pleitos à Fiesp. A partir disso, a federação estudará as medidas viáveis.

Paulo Schoueri, diretor da Central de Serviços (Cser), relembrou que todos os Sindicatos filiados à Fiesp já receberam um resumo do Plano Brasil Maior. E avisou que a Fiesp está à disposição dos Sindicatos para esclarecer dúvidas e tomar as medidas cabíveis em benefício da competitividade da indústria.

Plano Brasil Maior é positivo, mas tímido para a competição da indústria da saúde

Agência Indusnet Fiesp (com informações de Assessoria de Imprensa Calia|Y2)

Ruy Baumer, presidente do Sindicato das Indústrias de Artigos, Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios do Estado de São Paulo (Sinaemo) e coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva da Saúde (Comsaude) da Fiesp, representou o setor na cerimônia de lançamento do Plano Brasil Maior (nova política industrial), no dia 2 de agosto, no Palácio do Planalto, em Brasília.

Segundo Baumer, as medidas anunciadas mostraram uma direção positiva para o desenvolvimento do setor no Brasil. “O uso do poder de compra, os incentivos fiscais para investimentos produtivos e a defesa comercial com o objetivo de reduzir as importações predatórias são importantes, porém, essas medidas ainda são tímidas em relação ao que o setor precisa para tornar-se competitivo”, analisou.

“Haverá muito trabalho pela busca destas ações que tornem o setor menos frágil, ante a avalanche de importações que tanto atrapalham o desenvolvimento da indústria brasileira”, antecipou o presidente da Sinaemo.

A Abimo congrega 486 empresas e gera mais de 33,2 mil empregos. Em 2010, investiu R$ 271 milhões e faturou mais de US$ 4,8 bilhões.

“Espero que seja só o começo”, afirma Paulo Skaf sobre o Plano Brasil Maior

Agência Indusnet Fiesp

Em Brasília, Paulo Skaf avalia o Plano de incentivo à produção industrial anunciado pelo Governo

“Como um processo inicial foi positivo, mas o plano precisa ser complementado, pois ainda é insuficiente. Espero que seja só o começo”. Esta foi a ponderação de Paulo Skaf após o lançamento do Plano Brasil Maior, realizado nesta terça-feira (2) pelo Governo Federal. O presidente da Fiesp disse que segue confiante no anúncio de futuras medidas por parte da administração de Dilma Rousseff.

Em Brasília, Skaf acompanhou a divulgação do Plano de incentivo à produção industrial. Um dos pontos destacados pelo presidente foi o programa Reintegra, que irá devolver tributos a empresas exportadoras.

Skaf avaliou também que a desoneração da folha de pagamento necessita ser ampliada a todos os setores e não apenas aos quatro já anunciados (confecções, calçados, móveis e softwares).

No entanto, alguns itens da pauta de reivindicações da entidade ainda não foram atendidos, segundo o presidente. Entre eles está a ampliação do teto do Simples Nacional, que permitirá que um contingente maior de micro e pequenas empresas possam usufruir das vantagens fiscais do regime.

Skaf lembrou de outros assuntos que devem merecer mais atenção por parte do governo, principalmente o câmbio: “Vilão da competitividade brasileira”. Outro entrave ao desenvolvimento do setor produtivo, segundo ele, é o custo elevado da energia no Brasil, problema não enfrentado no plano governamental.

O presidente da Fiesp também sinalizou que gostaria de ver implantadas as propostas citadas pela presidente Dilma Rousseff para a defesa comercial, que incluem combate à pirataria e a adoção de medidas antidumping e que evitem o subfaturamento.

Plano Brasil Maior – Análise dos Instrumentos

O Plano Brasil Maior 2011/2014 é meritório por manter a indústria na agenda recente das políticas públicas do país.

O fato de ter colocado em conjunto diversos ministérios e importantes instituições de apoio ao desenvolvimento produtivo demonstra a preocupação do Governo Federal em dar continuidade às medidas da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP).

Para visualizar ou baixar a publicação, acesse o menu ao lado.

Este documento analisa e propõe melhorias para as medidas anunciadas, dando sentido de urgência à resolução de fatores críticos que a atividade industrial tem atravessado.