Escolas do Senai-SP debatem gestão de energia

Rodrigo Piazentino

Representantes de escolas do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) da capital se reuniram para debater a eficiência energética e a gestão de energia nas unidades da rede. O objetivo era contribuir não apenas com a redução de custos operacionais, mas também com a sustentabilidade. O encontro aconteceu no dia 23 de setembro, no Centro de Treinamento Senai “Jorge Mahfuz”, em Pirituba.

Na reunião, os participantes levaram contas de energia de cada unidade dos últimos seis meses para analisar o desempenho de cada uma.

“Falta monitorar as contas de energia. Você vê um adicional na fatura e sequer tenta saber porque houve o aumento”, afirmou Edson Pereira dos Santos, coordenador de atividades técnicas do Centro de Treinamento Senai “Jorge Mahfuz”. “A conscientização tem que ser de cima para baixo. Desde máquinas de operação ligadas sem produzir aos ar-condicionados refrigerando salas vazias”, disse Santos, um dos palestrantes do evento.

Santos destacou ainda a falta de incentivo governamental para a utilização de energia sustentável em casa. “Hoje os preços das placas solares e outros produtos foram barateados, mas, em contrapartida, aumentou o preço da conta”.

Jorge José Nunes, diretor da Escola Senai “A. Jacob Lafer”, em Santo André, falou sobre as ações realizadas em sua unidade. “O maior ganho foi nas oficinas de mecânica e eletro-eletrônica”, disse. “Antes se gastava muito com a manutenção diária das luminárias. Após trocarmos pelas lâmpadas florescentes, essa manutenção se tornou anual”.

E isso não foi tudo. “Implantamos sensores de presença com temporizador para evitar desperdícios de energia”, explicou. “É importante que todos os segmentos da indústria se conscientizem em prol da sustentabilidade.”

Com controle online e gerenciado por um software, a unidade de Pirituba desenvolveu um monitoramento elétrico para reduzir gastos. Isso incluiu o desligamento das luzes e do ar-condicionado das salas de aula durante intervalos, com o desligamento total após o expediente. “Transformar a unidade em um núcleo de capacitação é um objetivo a ser alcançado”, disse o diretor da unidade, Sidnei Roberto Maziero Petrin.

Segundo ele, outra preocupação é inserir os alunos nessas ações, sejam elas na indústria, nas escolas ou em suas casas. “O importante é disseminar essas ideias”.

A escola será a primeira a oferecer um curso de energia solar fotovoltaica, que converte a luz do sol em energia elétrica. Para saber mais sobre essa novidade, clique aqui.

 

 

III Fórum Internacional de Energia do Senai-SP discute eficiência energética

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Em meio a um cenário de escassez de água, com repercussão no setor elétrico, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) deu início na manhã desta segunda-feira (06/10), no Centro de Treinamento Jorge Mahfuz, em Pirituba (zona norte da capital), ao III Fórum Internacional de Energia.

Uma das principais pautas dos debates na programação do evento é eficiência energética. “Esse tema é de muita importância para o país no momento em que convivemos com um problema hídrico muito grave”, afirmou Ricardo Terra, diretor técnico do Senai-SP na cerimônia de abertura. “Mas se fizermos a lição de casa, no futuro teremos as soluções”, ponderou.

Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Ricardo Terra: “A equipe do Senai-SP se qualificou no tema da energia e hoje já prestamos serviços para um conjunto de empresas de São Paulo e até fora do estado, no sentido de ajudar essas empresas no seu ganho de produtividade”. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

O encontro conta a participação de representantes de empresas do setor energético e de tecnologia como a Siemens e a Philips. Os participantes do fórum também devem discutir caminhos para a geração de energia eólica.

A iniciativa da unidade do Senai de Pirituba reflete um esforço da instituição em São Paulo em estimular a cultura da inovação no país. Segundo Terra, há quatro anos a entidade paulista trabalha um planejamento para inovação com base em quatro pilares: prospecção da inovação, gestão de produtos tecnológicos, inovação na educação profissional e atendimento às empresas.

“A equipe do Senai-SP se qualificou no tema da energia e hoje já prestamos serviços para um conjunto de empresas de São Paulo e até fora do estado, no sentido de ajudar essas empresas no seu ganho de produtividade”, informou Terra.

O fórum termina nesta terça-feira (07/10). Em seguida, na quarta-feira (08/10), a unidade organiza a II Semana Tecnológica de Eletrônica.

“Toda a liderança da escola buscou preparar e planejar uma semana muito produtiva com grandes players da indústria. Temos empresas nacionais, multinacionais e transnacionais”, afirmou o diretor do centro de treinamento do Senai-SP em Pirituba, Sidnei Maziero Petrin.

Centro de Treinamento em Pirituba recebe III Fórum de Energia e II Semana Tecnológica de Eletrônica. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp


Expansão da eficiência energética

Em sua palestra, o presidente da Associação das Empresas Brasileiras de Serviço de Conservação de Energia (Abesco), Rodrigo Aguiar, apresentou argumentos para que o conceito de eficiência energética seja adotado de vez pelas empresas, sobretudo do setor de energia elétrica.

Segundo Aguiar, o custo marginal de expansão do sistema elétrico gravita em R$ 120 o megawatt-hora enquanto um projeto de eficiência de energia elétrica custa R$ 60 o megawatt-hora.

“Isso é metade do investimento necessário para produzir energia. Então, o que estamos esperando?”, questionou Aguiar.

Rodrigo Aguiar: custo marginal de expansão do sistema elétrico gravita em R$ 120 o megawatt-hora enquanto um projeto de eficiência de energia elétrica custa R$ 60 o megawatt-hora. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

“O que precisamos é difundir o conceito de eficiência energética. Há necessidade de expansão desse mercado e o país vai conseguir crescer sem consumir tanta energia”, assegurou o presidente da Abesco.

Na avaliação de Aguiar, o conceito de eficiência energética é uma visão de longo prazo que o Brasil ainda não desenvolveu.

“Infelizmente, há muitos anos o Brasil não se preocupa com eficiência energética”, afirmou.

O presidente da Abesco informou dados de um ranking elaborado pelo Conselho Americano por uma Economia com mais Eficiência Energética (ACEEE, em inglês). De acordo com a publicação divulgada em julho deste ano, o Brasil ocupa a 15ª colocação em eficiência energética em uma lista com 16 países.

A nação mais eficiente em energia é a Alemanha, segundo o levantamento, seguida pela Itália.

“O Brasil só ficou na frente do México. E fez 30 pontos de 100 pontos possíveis, sendo as piores notas nos quesitos esforços nacionais (4 pontos) e área industrial (2 pontos)”, disse Aguiar.

Senai Pirituba forma novos empreendedores na área de serviços

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Centro de Treinamento Senai Jorge Mahfuz, em Pirituba

O Centro de Treinamento Senai Jorge Mahfuz, localizado no bairro de Pirituba (zona oeste de São Paulo), é um dos lugares onde os alunos podem se preparar para, literalmente, abrir as portas do sucesso. Entre os cursos com foco em manutenção elétrica de média tensão, cuja demanda é basicamente de empresas, a unidade é a única que oferece estrutura e treinamento para quem quer exercer a profissão de chaveiro.

No início do curso, em 2000, o Senai treinava apenas profissionais da área já empregados. Um ano depois abriu as portas para o público em geral, com aulas que totalizavam 60 horas. Desde 2008, quando o curso migrou da Escola Senai Mariano Ferraz (Vila Leopoldina) para o endereço atual, formaram-se cerca de 400 alunos.

Nesta mudança, a carga horária exigida aumentou para 72 horas, cumpridas atualmente por duas turmas de 10 pessoas que dividem a bem equipada sala de aula de segunda a sábado, em horários e dias alternados.

Muito além das chaves

Wagner Magalhães, coordenador de atividades técnicas do Senai Pirituba

Segundo Wagner Magalhães, coordenador de atividades técnicas, a procura pelo curso é constante. “O crescente mercado de trabalho na área de serviços tem demandado estes profissionais, em especial as seguradoras. O chaveiro é muito requisitado no atendimento automotivo e residencial”, explica. Ele frisa que o aluno não se limita apenas a fazer chaves, mas também trocar segredos de portas,  fechaduras de carros, entre outros serviços.

Os interessados em frequentar o curso de chaveiro no Senai Pirituba devem ter o ensino fundamental completo e no mínimo 18 anos de idade, mas isso não significa que a maioria dos alunos esteja nesta faixa etária. Na sala de aula, aprendizes de diferentes gerações dividem bancadas e ferramentas com o mesmo objetivo: ingressar no mercado e empreender seus próprios negócios.

Por não exigir nenhuma outra formação anterior, o curso de chaveiro possibilita para o aluno mais jovem um início profissional. Já para os mais experientes, um meio de complementar a renda ou até mesmo a aposentadoria mensal. “Esse lado social do curso nos deixa contente, de inserir pessoas sem especialização e também reincluir aqueles que já tiveram muitas portas de trabalho fechadas por conta da idade avançada”, analisa Magalhães.