Iniciativas Sustentáveis: Enerpeixe – Qualidade de vida em foco

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Por Karen Pegorari Silveira

Os países do BRICS, bloco econômico composto pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, perdem anualmente mais de 20 milhões de vidas produtivas por ano para doenças crônicas não transmissíveis, como as cardiovasculares, respiratórias, câncer, obesidade e diabetes. Essas doenças são decorrentes, entre outros fatores, de um estilo de vida com alta prevalência de inatividade física, alimentação de alto valor calórico, tabagismo, além de fatores de risco intermediários como obesidade, hipertensão arterial e altas concentrações de colesterol e glicemia. No caso de adultos trabalhadores, soma-se a esses fatores de risco a necessidade de adaptação ao modelo de trabalho atual, caracterizado por alta competitividade, demanda psicossocial e pressão por desempenho, segundo relata Alberto Ogata, diretor adjunto do Comitê de Responsabilidade Social da Fiesp, no livro Temas Avançados em Qualidade de Vida.

Com este crítico cenário muitas empresas notaram a necessidade de mudar o quadro incluindo programas de promoção da qualidade de vida para seus colaboradores, melhorando seu bem-estar e consequentemente a produtividade e competitividade do seu negócio.

A Enerpeixe, usina hidrelétrica do grupo EDP, localizada na cidade de Peixe, no Tocantins, é uma dessas empresas que enxergou na prevenção de doenças e na promoção da saúde e bem-estar uma forma de ajudar seus trabalhadores e ainda atingir melhores resultados. Para isso, adotaram o Sistema de Gestão Integrada e Sustentabilidade (SGIS), o qual é certificado nas normas ISO 9.001 (Qualidade), ISO 14.001 (Meio Ambiente) e OHSAS 18.001 (Saúde e Segurança Ocupacional) e cultura organizacional baseada nos seguintes princípios: A vida sempre em primeiro lugar; Respeito Incondicional; Ética e busca do melhor para todos; Responsabilidade pelo todo; Coerência no falar e no fazer; Justiça na igualdade e na diferença; Foco em soluções e no propósito maior; Busca da excelência pelo humano; Espírito de equipe e companheirismo; Conhecimento compartilhado; Inovação Constante; Cliente: a nossa razão de ser.

Baseados neste modelo de gestão, eles desenvolveram diversas iniciativas como, avaliações com uso de balança de bioimpedância; ginástica laboral; gincana de integração na equipe; sala de descanso; dormitório; sala de jogos; dia para visita dos filhos; encontro anual de famílias; apoio à família com descontos em academias, escolas de idioma, farmácias e outros; comemoração de dias sem acidentes de trabalho; palestras motivacionais, de educação financeira, prevenção de doenças, e segurança no trabalho; Código de Ética; Voluntariado; atividades de relacionamento com a comunidade do entorno; campanhas de vacinação, entre outras ações.

Tais programas conferiram à empresa o reconhecimento do Prêmio Nacional de Qualidade de Vida, promovido pela Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV), na Categoria Empresa de Pequeno Porte – Certificação Bronze.

O gerente de Operação e Manutenção, Eduardo Bess Ferraz, comenta que a empresa acredita que “a adoção de uma cultura empresarial focada na valorização do ser humano traz melhorias significativas em diversos aspectos, desde o clima organizacional até o desempenho da empresa. Através da promoção da saúde e qualidade de vida de seus colaboradores há uma consolidação dos valores e princípios organizacionais e, por sua vez, maior engajamento e satisfação dos colaboradores com consequente melhoria nos resultados técnicos e financeiros”.

Sobre a Enerpeixe

A Enerpeixe é uma concessionária de serviços públicos de energia elétrica, constituída pelos acionistas EDP Energias do Brasil S.A. – de capital particular com 60% das ações, e Eletrobras Furnas – de capital estatal com 40% das ações. A Enerpeixe possui 49 colaboradores, sendo 39 na UHE Peixe Angical (Peixe–TO) e 10 na Sede Social (São Paulo–SP).

publicado em 03 de abril de 2018

Iniciativas Sustentáveis: Lubrasil – Promoção da saúde biopsicossocial

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Por Karen Pegorari Silveira

O modelo de saúde biopsicossocial é um conceito amplo que estuda a causa ou o progresso de doenças utilizando-se de fatores biológicos (genéticos, bioquímicos, etc), fatores psicológicos (estado de humor, de personalidade, de comportamento, etc) e fatores sociais (culturais, familiares, socioeconômicos, médicos, etc). O modelo biopsicossocial é o contrário do modelo biomédico atual, o qual atribui a doença apenas a fatores biológicos como vírus, genes ou anormalidades somáticas.

Este conceito, se usado dentro das organizações, pode promover a saúde, bem-estar, qualidade de vida e produtividade dos colaboradores e apesar de poucas empresas utilizarem, algumas já notam os benefícios da adoção desse modelo, como a Lubrasil, empresa do setor industrial de rerrefino de óleo lubrificante da cidade de Piracicaba, no interior paulista.

A empresa promove de forma integral a saúde de seus colaboradores por meio de ações que envolvem a saúde biológica, psicológica e comportamental. As atividades desenvolvidas na empresa vão desde as Sipat (Semana Interna de Prevenção de Acidentes no Trabalho), passando por consultas com psicólogos e workshops para sensibilização, inclusão e acolhimento de pessoas com deficiência.

De acordo com a supervisora de Recursos Humanos da Lubrasil, Vivian R. Lanzoni Menichetti, notou-se a necessidade de desenvolver uma cultura inclusiva entre os colaboradores a partir da dificuldade que eles apresentavam em relação a convivência e relacionamento com as pessoas com deficiência. “O principal desafio foi trabalhar a empatia, fazendo com que os mesmos se colocassem no lugar da pessoa com deficiência e se sensibilizassem para o respeito às suas necessidades e potencialidades”, relata.

Para dar vida ao desenvolvimento de uma cultura inclusiva, a Lubrasil teve o apoio do SESI com o Programa de Inclusão de Pessoas com Deficiência na Indústria. O objetivo do projeto é o de desenvolvimento de lideranças e gestores sobre conceitos básicos relacionados à promoção da diversidade e gestão de inclusão como valores estratégicos para o negócio e parte da Responsabilidade Corporativa. Foram realizados workshops de sensibilização e capacitação com lideranças e colaboradores.

Vivian conta ainda que após esta participação foi possível perceber mudanças no comportamento dos colaboradores, no sentido de ampliar a reflexão sobre as barreiras enfrentadas no dia a dia pelas pessoas com deficiência e com isso conseguiram incentivar a adoção de novas atitudes na convivência e relacionamento dos mesmos.

As atividades, segundo a supervisora de RH, proporcionaram melhora no relacionamento, engajamento e aproveitamento das pessoas com deficiência tornando-as parte do todo. Em sua percepção, os colaboradores estão com um novo olhar sobre a Inclusão.

Com relação a saúde psicológica dos colaboradores, a empresa implementou o Projeto Plantão Psicológico, que consiste no atendimento individual através de acolhimento, escuta e intervenção de uma psicóloga. Segundo Vivian, de um modo geral, as demandas observadas eram referentes a conflitos de relacionamento dentro da empresa, problemas com dependência química e problemas familiares.

A atenção à saúde e bem-estar físico dos colaboradores também é trabalhada na empresa através de conscientização. São realizadas palestras com temas de ergonomia, prevenção de câncer, saúde bucal, prevenção de acidentes, proteção auditiva, entre outros temas relevantes. Mais de 100 colaboradores participaram das últimas iniciativas em favor da saúde.

Para o presidente da Lubrasil, Nilton Torres de Bastos, as ações de Responsabilidade Social ajudam as empresas a engajarem seus colaboradores em temas importantes para sua competitividade, como saúde, qualidade de vida e inclusão. “A atividade da Lubrasil envolve riscos de uma refinaria e de transporte de resíduo perigoso e havia uma resistência por parte dos nossos colaboradores em colocar pessoas com deficiência no quadro. Para conscientizar e sensibilizar esses profissionais foi preciso um trabalho especializado como o do SESI, o que garantiu o bom relacionamento profissional e a aceitação desses trabalhadores”, relata Bastos.

Sobre a Lubrasil

A Lubrasil Lubrificantes, tem como principal atividade a coleta e o rerrefino de óleo lubrificante usado e ou contaminado (OLUC), a matriz está localizada em Piracicaba (SP) e possui filiais (pontos de coleta de oluc) distribuídas nas cidades de Santos (SP); Ribeirão Preto (SP); Serra (ES); Feira de Santana (BA); Rio Largo (AL); Araucária (PR); e Betim (MG). Atualmente possui 192 pessoas em seu quadro de colaboradores e possui certificações das normas NBR ISO 9001:2008, ISO 14001-2004 e OHSAS 18001:2007.

publicado em 03 de abril de 2018

Entrevista: Presidente do Consocial fala sobre proposta da Fiesp para gestão da saúde no Brasil

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Por Karen Pegorari Silveira

Com o objetivo de iniciar uma discussão e subsidiar a elaboração de um plano estratégico destinado a construir uma saúde de qualidade para todos no Brasil, além de fornecer elementos para implementação, a médio e longo prazo, através de políticas, normativas e estruturas que cumpram com os propósitos estratégicos e táticos para viabilizar o Sistema Único de Saúde (SUS), o Conselho Superior da Responsabilidade Social (Consocial), da Fiesp, presidido pelo médico-cirurgião Raul Cutait, desenhou uma nova proposta de sistema para o Brasil.

Na opinião de Cutait o acesso à saúde, com qualidade, cria condições para as pessoas serem mais felizes e produtivas, algo positivo não apenas para si próprias, mas para toda a sociedade como um todo.

Leia mais na íntegra da entrevista:

Qual a principal motivação da Fiesp ao propor um novo modelo de gestão do acesso universal à saúde no Brasil?

Raul Cutait – É nossa percepção, alinhada com a visão do presidente Paulo Skaf, que a FIESP pode gerar importantes contribuições à sociedade civil, graças a sua estrutura, competência plural de muitos de seus membros e capacidade de atrair pessoas que não são obrigatoriamente a ela ligados, em prol de causas sociais motivadoras. Nesse sentido, o CONSOCIAL está desenvolvendo vários projetos, selecionados por seus membros, sendo um deles o da reavaliação do sistema de saúde do país, que interessa diretamente a cada brasileiro. Para esse projeto, temos tido o apoio intelectual de importantes figuras do setor público e privado, além da colaboração de economistas de saúde do Banco Mundial.

Diante dos principais desafios de gestão, financiamento e cobertura do atual Sistema Único de Saúde (SUS), quais seriam as mudanças propostas pelo novo modelo desenhado pelo Consocial?

Raul Cutait – Os principais tópicos são:

1) Implantação de redes. Dentro de atual estrutura descentralizadora da saúde, o município é o ponto final. Contudo, esse modelo tem gerado limitações de acesso e principalmente de qualidade de atendimento, além de problemas relacionados com o financiamento local. Nossa proposta é que em todo o país seja implantado o sistema de redes, congregando regiões geográficas que incluem vários municípios ou, então regiões geográficas de várias cidades grandes, que teriam assim mais de uma rede. Aliás, o conceito de rede já aparece em nossa constituição de 1988 e no estado de São Paulo, assim como na capital, já existe considerável avanço nessa direção. Para essas redes será importante levar em conta os aspectos epidemiológicos de cada região geográfica.

Estamos no presente desenvolvendo um documento a ser oferecido para o setor público que define o funcionamento das redes para, em seguida, lançar uma espécie de manual prático de implantação, com o intuito de ajudar os gestores públicos a administrarem as redes sob sua coordenação. Para tanto, estamos tendo o apoio imprescindível de experientes consultores do Brasil e do exterior.

2) Integração dos setores público e privado. É conhecida a limitação econômica para investimentos na área da saúde, levando à deficiência de incorporação de novas tecnologias, algo que o setor privado realiza com mais facilidade. É preciso pensar, em regiões onde isso favorece o setor público, em se atuar de forma integrada com o setor privado, comprando-se serviços e evitando-se investimentos que podem ser inviáveis ou dispensáveis.

3) Gratuidade do SUS. Este é um tema politicamente difícil, que tem que ser discutido sem paixão ou ideologia. Do ponto de vista pragmático, o fato é que nunca haverá disponibilidade financeira por parte dos governos federal, estadual e municipal para todas as necessidades relacionadas com custeio e investimento na saúde. É hora de se elaborar um árduo e difícil caminho onde cidadãos desprovidos de qualquer atendimento particular sejam atendidos pelo SUS, assim como aqueles com direito a atendimento privado usem o sistema privado. Lembrar que a Constituição fala em saúde como um direito do cidadão e um dever do estado, mas não menciona a gratuidade universal como modus operandi.

O que é preciso para colocar esta proposta em vigor e como seria sua implantação?

Raul Cutait – A iniciativa da implantação de qualquer dessas principais propostas parte, obrigatoriamente, do Ministério da Saúde, que terá que interagir com os poderes estaduais e municipais. Quanto tempo para essas mudanças ocorrerem? Antes de qualquer atitude, elas precisam ser discutidas e aceitas pela comunidade da saúde, entendendo-se que sua implantação certamente ocorrerá ao longo de vários anos. Uma das vantagens que o setor saúde tem em relação a outros é que a grande maioria de seus atores se coloca na posição de membros de um autodenominado “Partido da Saúde”, o que facilita o diálogo e o aprimoramento de projetos ao longo do tempo.

Finalmente, é preciso entender que quaisquer iniciativas pressupõem bons bancos de dados, algo ainda insuficiente no setor saúde, que por isso tem dificuldades para fazer a gestão administrativa e a do conhecimento, esta fundamental para se avaliar a qualidade das atenções de saúde.

Quais benefícios este novo modelo de gestão da saúde traria para o setor industrial e para a sociedade?

Raul Cutait – Uma sociedade mais justa passa, evidentemente, por melhor educação e condições socioeconômicas no mínimo dignas. O acesso à saúde, com qualidade, cria condições para as pessoas serem mais felizes e produtivas, algo positivo não apenas para si próprias, mas para toda a sociedade como um todo.

publicado em 03 de abril de 2018