Entre erros e acertos, empresários relatam suas experiências no VII Congresso da Micro e Pequena Indústria

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

O último painel do VII Congresso da Micro e Pequena Indústria, realizado na quarta-feira (10/10) no hotel Renaissance, em São Paulo, reuniu empresários bem sucedidos de diferentes ramos em talk show mediado pela jornalista Sandra Boccia, diretora da revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios (PEGN).

Sérgio Gracia, diretor comercial da Kidy Calçados; Lito Rodriguez, fundador e presidente da Dry Wash; e Pierre Ziade, sócio-diretor da Eco-X (usina de processamento e reciclagem de resíduos) contaram um pouco de suas experiências no comando de seus negócios, com ênfase em erros e acertos. Responderam ainda a perguntas da plateia formada por empresários, estudantes e profissionais de diversos segmentos.

Da esquerda para a direita: Lito Rodriguez, fundador e presidente da Dry Wash; Sandra Boccia, diretora da revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios; Sérgio Gracia, diretor comercial da Kidy Calçados; e Pierre Ziade, sócio-diretor da Eco-X. Foto: Julia Moraes

Participação ativa

Pierre Ziade lidera a empresa Eco-X, em Guarulhos (SP), onde há quatro anos revende entulho de construção civil como insumo para novas obras. Ele contou que os dois primeiros anos do negócio foram conturbados – assim como para a maioria do empresariado brasileiro que decide empreender.

A empresa conta com três sócios, mas é ele quem diz estar na “linha de frente” no dia a dia. “Aprendi a lidar com a ‘solidão’ e a não tomar decisões por impulso. Avalio a situação e busco algum empresário mais experiente para me orientar”, afirmou Ziade, que ressaltou também a necessidade de se adquirir formas próprias de lidar com problemas.

“Controlo o fluxo de caixa diariamente, participo da área administrativa. Tínhamos uma pessoa que cuidava disso, mas não deu certo”, contou, aconselhando os microempresários presentes a acompanhar os processos e não delegar tarefas logo de início. “Foi um aprendizado importante, acompanho o dia a dia financeiro da empresa e sei de todas as contas que são pagas. Nada mais passa sem meu conhecimento”, concluiu Pierre Ziade.

Vontade de vencer

Sergio Gracia, diretor comercial da Kidy Calçados, de Birigui (SP), contou que sentiu medo no começo do negócio, em 1990. “Mas não o suficiente para dominar nossa vontade de vencer”, pontuou. Ele, que cursou veterinária no Rio de Janeiro nesta época, chegou a vender o próprio sapato que calçava para um amigo, “pelo triplo do preço que paguei”, lembrou, rindo.

No segundo ano de empresa, um grande erro: a empresa triplicou a produção do fim do ano acreditando nas vendas sazonais aquecidas. “Recebemos um mês e meio de produção de volta, não vendeu conforme a expectativa”, disse. A grande lição, segundo Gracia, foi a de não querer evoluir sem planejamento.

“Crescer sem planejar não dá. Nunca me distanciei das finanças da empresa. Elas são fundamentais, principalmente para se ter mais coragem de expandir, investir e acertar nas decisões”, ressaltou o diretor da Kidy Calçados. Nos momentos cruciais, Gracia revelou que aprendeu a compartilhar as deliberações com o irmão, seu sócio na empresa, que hoje exporta para 40 países.

Empreender ‘a seco’ 

Quando teve a ideia de oferecer o serviço de lavagem de carros sem utilizar água, Lito Rodriguez criou a Dry Wash, empresa que começou em 1994 e hoje soma franqueados em várias partes do mundo.

Rodriguez, que é presidente da Dry Wash, citou experiências da empresa em países como Índia, Austrália e Portugal. “Na Índia, por exemplo, alguém se interessou pelo conceito da empresa: o indiano quer oferecer a mão de obra e o consumidor é interessado no produto e no serviço”, detalhou o fundador da Dry Wash, ao afirmar que foi preciso criar uma cultura e alinhar a expectativa.

Entre outras passagens, Lito Rodriguez revelou que o primeiro plano de negócios foi feito no 18º ano de empresa. “Foi um erro. Sempre houve o plano mas não o consolidamos”, revelou . O grande acerto, de acordo com ele, foi a criação de franquias, com cerca de 200 contratos assinados. “É e sempre será importante para abrir canal de venda e conceituar o negócio. Lide bem com os problemas: alivia o peso e facilita as coisas”, arrematou.

Professores da Universidade de Oxford apresentam a instituição a jovens empreendedores

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Na manhã desta terça-feira (21/08) aconteceu, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), mais um encontro do Ciclo Grandes Universidades, promovido pelo Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e Fundação Estudar.

A convidada desta vez foi a Oxford University, uma das mais antigas universidades do mundo e a primeira instituição de ensino superior da Europa.

Pierre Ziade, diretor-titular-adjunto do CJE/Fiesp, deu as boas vindas aos convidados e ressaltou a importância da iniciativa, considerando o objetivo do Comitê de fazer os jovens empresários pensarem muito além de suas empresas, e sim no desenvolvimento do País.

“Quando se fala em desenvolvimento se fala em formação de pessoas. E vocês, da Universidade de Oxford são especialistas na formação de pessoas e líderes”, ressaltou Ziade.

Ex-alunos da Universidade de Oxford contam suas experiências. Na foto, ao centro, o empresário Antônio Bonchristiano

A diretora-executiva da Fundação Estudar, Thais Junqueira, explicou o intuito dos encontros de trazer as informações sobre cursos das grandes universidades mundiais e reproduzir um pouco de seu ambiente, com a experiência de ex-alunos.

O economista e empresário Antônio Bonchristiano, conselheiro da Fundação Educar, contou como Oxford contribuiu no seu crescimento profissional. Bonchristiano foi o fundador do portal Submarino e é, atualmente, o vice-presidente e sócio da GP Investimentos. Graduado em Economia por Oxford, ele sente-se lisonjeado por fazer parte do conselho do College da Universidade.

O evento teve ainda a presença dos professores Andrew Hamilton, vice-reitor da Universidade de Oxford, e Gordon Clark, diretor internacional de graduação da Escola de Geografia e Meio Ambiente da Universidade de Oxford.

Celeiro de líderes

Andrew Hamilton, vice-reitor da Universidade de Oxford

Ao apresentar um panorama sobre a instituição, cursos e intercâmbios internacionais, Hamilton apontou duas razões para a Universidade ser destaque no mundo.

“Além de ser uma das mais antigas – é tão antiga que não sabemos quando começou –, Oxford tem uma forte tradição na formação de líderes. Já formou 26 primeiros-ministros britânicos e também outros líderes no mundo, como o ex-presidente Bill Clinton, dos Estados Unidos, e o atual Primeiro-Ministro da Índia, Manmohan Singh.”

Hamilton atribui isso ao sistema tutorial aplicado em Oxford. De uma a duas vezes por semana, o aluno se encontra com um especialista no assunto que pesquisa ou estuda. “Eu digo que não tem como se esconder. Tem que não só mostrar o material que desenvolvem, mas expô-lo.” Essa metodologia, segundo o vice-reitor, traz um grande desenvolvimento como indivíduos. “Isso instila uma autoconfiança intelectual importante para os líderes.”

De Oxford saíram grandes avanços científicos – como a descoberta da Penicilina, a técnica de Raio-X, o mais recente tratamento para a Malária, entre outros – e alguns ganhadores do Prêmio Nobel.

Sustentabilidade Global

Gordon Clark, diretor internacional de graduação da Escola de Geografia e Meio Ambiente da Universidade de Oxford

Em sua aula magna, intitulada O Mundo dos negócios e o meio ambiente na economia global, o professor Gordon Clark ressaltou o papel do Brasil no cenário global atual e afirmou que um dos principais desafios para o século 21 é assegurar e manter o desenvolvimento econômico.

Clark elencou o conceito  de “externalidade de preço”, isto é, atribuir-se um preço ao meio ambiente nas corporações, como ponto crucial nas decisões.

O especialista negou a crença de que meio ambiente e desenvolvimento são antagônicos. “Se bem administrados, podem ser complementares”, postulou. E defendeu a necessidade de se valorizar a integração global. “As barreiras só trazem empobrecimento global e degradação ambiental”, acrescentou.

Sobre as mudanças climáticas, Clark afirmou que sempre haverá vencedores e perdedores e citou exemplos. Na China há áreas com risco de desertificação e, no sul da Inglaterra, o aumento das chuvas beneficia algumas culturas. Para ele, a questão é como os vencedores poderão contribuir para os que perdem. Umas das sugestões seria um fluxo de capital de uma região para outra. Porém, isso deve ser pensado sempre a longo prazo.