Seminário destaca iniciativas de parceria entre Brasil e Europa para pesquisa e inovação

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

O Velho Mundo está de portas abertas para os pesquisadores brasileiros, que são bem-vindos na tarefa de promover a inovação tecnológica. Para reforçar esse convite, foi realizado, na manhã desta quinta-feira (22/05), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista, o Seminário Brasil – União Europeia, Cooperação para Inovação Tecnológica. O evento contou com a participação de representantes daquele continente, que vieram destacar ações na área de pesquisa como os programas Horizonte 2020 e Euraxess.

Coordenado pelo diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Thomaz Zanotto, o seminário teve a presença ainda do vice-presidente do Conselho Superior de Inovação e Competitividade (Conic) da federação, Roberto Paranhos do Rio Branco. O coordenador adjunto de Pesquisa para Inovação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Sérgio Queiroz, foi outro convidado.

“A inovação é a chave do progresso e da competitividade em nível global”, explicou a embaixadora da Delegação da União Europeia (UE) no Brasil, Ana Paula Zacarias. “Por isso, 3% do PIB [Produto Interno Bruto]  europeu até 2020 será voltado para ciência e inovação”.

Ana Paula: “A inovação é a chave do progresso e da competitividade em nível global”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Ana Paula: “A inovação é a chave do progresso e da competitividade em nível global”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Segundo ela, por isso, o esforço em divulgar as iniciativas europeias nesse sentido em todos os países. “Precisamos por em conjunto os centros de pesquisa”, disse. “Custa muito caro construir uma estrutura assim, por isso a importância das parcerias”.

Horizonte 2020

Em termos de pesquisa, inovação e parcerias, o programa Horizonte 2020 é destaque. A iniciativa prevê um montante de 80 bilhões de euros para o financiamento de atividades na área entre 2014 e 2020. “Não queremos que essas atividades fiquem restritas aos laboratórios, mas que cheguem ao povo”, explicou o chefe do setor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Delegação da União Europeia no Brasil, Piero Venturi.

De acordo com Venturi, a UE é hoje um destaque mundial em termos de inovação, ficando à frente de nações com muita tradição na área, como o Japão. “Estamos focados em pilares como excelência científica, desafio social e liderança industrial”, afirmou. “Também queremos oferecer subsídios e apoio para pequenas e médias empresas a partir desse trabalho”.

Venturi: “Também queremos oferecer subsídios e apoio para pequenas e médias empresas”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Venturi: “Também queremos oferecer subsídios e apoio para pequenas e médias empresas”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Dessa forma, o Horizonte 2020 “está aberto a todos os pesquisadores brasileiros dos setores público e privado”. “É preciso apenas seguir os requisitos do programa para participar”, disse Venturi.

Entre as áreas prioritárias para a participação dos brasileiros estão Agricultura e Bioeconomia, Energia e Ciências do Mar. Conforme Venturi, também foram firmados acordos com instituições brasileiras como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) e o próprio Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).


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Sobre o Euraxess

Oficialmente descrita como uma rede internacional para a mobilidade de pesquisadores, o programa Euraxess foi criado para estimular, proteger e fortalecer o ambiente de pesquisa e inovação a partir do apoio a esses agentes. Isso com a oferta de boas oportunidades de carreira para  esses profissionais.

Para isso, foi criado um portal de empregos online com ofertas de emprego e de financiamento de pesquisa com mais de 8 mil universidades e centros especializados inscritos. “Os brasileiros são bem-vindos”, disse um dos representantes nacional do Euraxess Links Brasil, Paulo Lopes.

Segundo Lopes, há 20 mil currículos cadastrados no portal.

Com o objetivo de divulgar a iniciativa no Brasil, estão sendo realizados workshops e ações como os “saraus científicos”, nos quais os pesquisadores apresentam seus trabalhos em dez minutos, para um público leigo, do modo mais descontraído possível. “Mostramos que ciência e inovação podem sim ser apresentadas de forma divertida”, explicou a outra representante do Euraxess Links Brasil, Charlotte Grawitz.

O exemplo da Fapesp

Coordenador adjunto de Pesquisa para Inovação da Fapesp, Sérgio Queiroz destacou que “é bom ver a indústria paulista engajada nesse esforço de desenvolver a inovação”.

E reforçou que, responsável por 34% do PIB nacional, o estado de São Paulo é dono de “50% da ciência brasileira”. “Hoje, 1,64% do PIB estadual está ligado à pesquisa e desenvolvimento, diante de 1,1% da média do país”, disse.

Nesse cenário, a Fapesp, criada em 1962 para apoiar a pesquisa em todas as áreas do conhecimento, responde por 46% dos recursos disponíveis para a área em São Paulo. A fundação tem orçamento anual em torno de R$ 1 bilhão. “Um terço disso é aplicado na concessão de bolsas”, explicou Queiroz.

Apoio às empresas

Com foco no mercado, a Fapesp possui programas como a Pesquisa Inovativa para a Pequena Empresa (Pipe). O Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) é parceiro nessa iniciativa. “O Ciesp nos ajuda a divulgar as ações do Pipe no estado”, informou Queiroz.

Segundo Roberto Paranhos do Rio Branco, o Ciesp oferece, com recursos próprios, apoio a 42 projetos de pesquisa em empresas em São Paulo. “Com a aprovação do Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp, foi feita essa opção”, explicou o vice-presidente do Conic.

Rio Branco: apoio do Ciesp à pesquisa nas empresas. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Rio Branco: apoio do Ciesp à pesquisa nas empresas. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

São realizados ainda trabalhos em conjunto com grandes corporações, como o Fapesp e Peugeot Citröen, de pesquisa sobre motores e biocombustíveis, e o Fapesp e Natura, com foco em bem estar e comportamento. “O desafio é estimular o desenvolvimento de pesquisas de alto impacto a partir dos temas apontados pelas empresas”, disse Queiroz.

Parceiros naturais  

Zanotto: “É  fundamental que as indústrias de São Paulo e do Brasil avancem com os europeus em inovação e tecnologia”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Zanotto: “É fundamental que as indústrias de São Paulo e do Brasil avancem com os europeus em inovação e tecnologia”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Para Thomaz Zanotto, a Europa é uma “parceira natural do Brasil” devido, entre outros fatores, à presença de comunidades variadas de imigrantes com essa origem por aqui. “Por isso é fundamental que as indústrias de São Paulo e do Brasil avancem com os europeus em inovação e tecnologia”, disse o diretor titular do Derex.

“Temos que alavancar esse processo”, concluiu.

Universidades e empresas precisam interagir mais, afirma diretor presidente da Embrapii em reunião na Fiesp

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Para o diretor presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), José Fernando de Oliveira, o mundo acadêmico precisa interagir e criar maior sinergia com o mundo empresarial. O dirigente foi o convidado principal da reunião do Conselho Superior de Inovação e Competitividade (Conic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que aconteceu na manhã desta sexta-feira (08/11), na sede da instituição.

“É preciso fortalecer as formas de conectar essa duas esferas”, avaliou.

Para Oliveira, o aumento da inovação na indústria brasileira é fundamental para vencer o cenário desfavorável atual.  “Precisamos criar um ambiente saudável para as empresas, além de condições para o aumento da atividade inovadora”, afirmou.

A reunião do Conic: universidades, empresas e cultura empreendedora em debate. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

A reunião do Conic: universidades, empresas e cultura empreendedora em debate. Foto: Beto Moussalli/Fiesp


Rodrigo Costa da Rocha Loures, presidente do Conic, concordou com a questão levantada pelo palestrante e ressaltou a importância da mudança no ambiente universitário brasileiro. Para ele, o desafio é fazer com que as universidades se transformem em centros promotores da visão empreendedora.

“O sistema universitário está configurado para formar apenas empregados. Mas os alunos não querem mais ser apenas empregados”, opinou.

A reunião contou também com a participação de Piero Venturi e Paulo Lopes.

Inovation Horizon 2020

A reunião contou também com a participação de Piero Venturi, conselheiro de ciência e inovação da Delegação da União Europeia. Ele falou sobre as atividades da área de inovação no contexto do novo Programa de Pesquisa da União Europeia.

Segundo Venturi, o programa Inovation Horizon 2020, que entra em prática a partir de 2014, tem como objetivo fazer com que a União Europeia passe a destinar, até o fim desta década, 3% de seu Produto Interno Bruto para pesquisa e desenvolvimento.

Venturi afirmou que um dos focos principais da UE atualmente é investir em inovação. “O foco do projeto Inovation Horizon 2020 é levar resultados de pesquisa ao mercado, buscando ações fortes e parcerias com indústrias”, explicou. Segundo ele, o programa receberá um aporte de US$ 55 bilhões em sete anos.

Venturi também chamou atenção para o atraso do Brasil em relação a países como os Estados Unidos, a Coreia do Sul e o Japão.

Euraxess

Paulo Lopes, representante da Euraxess, foi outro convidado do encontro. Ele abordou as ações recentes da rede internacional de pesquisadores, além das oportunidades de colaboração com a Fiesp.

“A Euraxess fomenta a mobilização de pesquisadores ao redor do mundo e os ajuda a desenvolver suas carreiras”, explicou. Além disso, a rede, “dá assistência aos pesquisadores aderentes”.

Palestra sobre Programa Horizon 2020 – Piero Venturi

Imagem relacionada a matéria - Id: 1540204936No dia 20 de março de 2013, o sr. Piero Venturi, chefe do Setor de Ciência, Tecnologia e Inovação da União Europeia (UE) no Brasil, apresentou detalhes do Programa Europeu de Apoio à Pesquisa  e Inovação – Horizon 2020 – aos membros do Comitê de Biotecnologia da Fiesp (Combio/Fiesp).

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