Simulações da Fiesp mostram desemprego de 17% em 2025 sem equilíbrio das contas do governo

Patrícia Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

Simulações feitas pelo Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp (Decomtec) apontam que, sem equilibrar receitas e gastos do governo, a crise vai se prolongar por pelo menos mais uma década, e em 2025 o PIB per capita será 12,6% menor que o de 2013. O desemprego deve atingir 17%, a carga tributária chegará a 44,5% do PIB e a dívida bruta será de 167,4% do PIB.

O estudo sobre a crise econômica, uma das mais graves da história do país, mostra que no triênio de 2014 a 2016 o recuo do PIB deve ser de 7,4%, o mais profundo dos últimos 115 anos. O PIB deve ter queda acumulada de 9,4% nesse triênio, regredindo ao nível de 2009.

Além da redução do PIB, a crise é perceptível pelos mais diversos indicadores, desde a queda da confiança de famílias e empresários, redução dos investimentos e no nível de atividade de setores como indústria e até mesmo do comércio. Outro efeito da crise tem sido o significativo aumento do desemprego. Na média de 2014, a taxa de desemprego foi de 6,8%, e aumentou 1,7 ponto percentual em apenas um ano, para 8,5% na média de 2015. E as projeções indicam que o desemprego ultrapassará 10,0% na média de 2016, um crescimento de 3,2 pontos percentuais em apenas dois anos.

O estudo também destaca que a crise é consequência do desequilíbrio fiscal: o resultado primário do governo federal passou de +1,4% do PIB em 2013 para -2,0% do PIB em 2015. Em 2016 deve ser de -1,55% do PIB. De acordo com o levantamento, os resultados previstos para 2017 e 2018 são ainda piores, com déficits primários do governo federal atingindo -2,1% e -1,9% do PIB, respectivamente.

As simulações analisadas no estudo ainda indicam que o país terá mais uma década de crise se não houver mudança na política fiscal. Estima-se que, sem equilibrar receitas e gastos do governo, o país chegaria em 2025 com PIB per capita 12,6% menor que o de 2013; a taxa de desemprego atingiria 17%; a carga tributária teria nível de 44,5% do PIB; e a dívida bruta chegaria a 167,4% do PIB.

“Reequilibrar o orçamento não é uma opção, como alguns querem fazer crer. É condição fundamental para recobrar a confiança das famílias e empresas na viabilidade da economia brasileira, permitindo retomar o crescimento econômico e o emprego”, afirma o diretor titular do Decomtec, José Ricardo Roriz Coelho.

O estudo conclui que as medidas para ajustar as contas públicas são emergenciais, mas não se deve perder de vista que a gravidade da situação também requer uma reforma estrutural no gasto e na receita.

Por fim, o estudo salienta que a forma correta para ajustamento das contas públicas é cortar os gastos públicos, buscando a melhoria da gestão e aumento da eficiência do Estado.  “A sociedade brasileira não admite mais que o ajuste fiscal seja feito via aumento de impostos, como aconteceu no passado”, conclui Roriz Coelho.