‘Sempre tivemos criatividade e inventividade’, diz conselheiro do Conic da Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Foi uma aula sobre a história e o desenvolvimento do setor aeronáutico brasileiro a reunião do Conselho Superior de Inovação e Competitividade (Conic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na manhã desta sexta-feira (14/02), na sede da instituição. O debate teve como convidados o vice-presidente executivo de engenharia e tecnologia da Embraer, Mauro Kern Jr, que destacou a construção da competitividade na área, e o conselheiro do Conic Satoshi Yokota.

Segundo Yokota, o setor aeronáutico é uma referência no país. “Sempre tivemos criatividade e inventividade”, disse. “Santos Dumont foi um gênio e antes dele já tinha gente inventando coisas na área”.

Apesar disso, conforme Yokota, muitos investimentos não prosperavam porque faltava “massa crítica e competitividade global”. Foi quando teve início, depois da Segunda Guerra Mundial, um trabalho mais consolidado na área, com a criação, por exemplo, de uma escola de formação de engenheiros, o Instituto de Tecnologia e Aeronáutica (ITA). “A partir de 1950 o ITA começou a formar engenheiros, que se espalharam pelo Brasil”, explicou.

Yokota: “Santos Dumont foi um gênio e antes dele já tinha gente inventando coisas na área”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Yokota: “Santos Dumont foi um gênio e antes dele já tinha gente inventando coisas na área”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Mais adiante, em 1969, foi fundada a Embraer, até hoje a maior referência de inovação na área no país. A empresa surgiu como sociedade de economia mista, com dedução de imposto de renda para os investidores e a isenção de taxas de importação. Entre as encomendas iniciais, 80 aeronaves modelo Bandeirante e 112 do tipo Xavante.

Uma nova mentalidade

Depois da crise dos anos 1980 e 1990, a empresa entrou em sua terceira fase, a atual, privatizada e com mais foco no mercado. “Uma nova mentalidade se instalou na Embraer”, explicou Kern Jr.

Daí surgiram os estudos para o desenvolvimento de aviões maiores, processo que começou com a família ERJ – 145. A partir dos anos 2000, ganham espaço os segmentos de aeronaves executivas e de defesa. “As companhias aéreas regionais viviam um cenário de crescimento”, afirmou o vice-presidente executivo de engenharia e tecnologia da Embraer.

Tudo ia muito bem até os ataques terroristas às Torres Gêmeas em Nova York, nos Estados Unidos, em setembro de 2001. “O mercado todo entrou em crise, mas decidimos não interromper a produção”, disse Kern Jr.

Kern Jr: foco na inovação e na diversificação. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Kern Jr: foco na inovação e na diversificação. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

A partir de então, o destaque ficou com a família Embraer 170-190, com capacidade para em torno de 100 passageiros e potencial para atender diferentes modelos de negócios dentro da aviação, “como as empresas de baixo custo ou de atuação regional”. “A diversificação é importante, depender da aviação comercial apenas é uma opção perigosa”, afirmou o executivo.

Resultado desse esforço, Kern Jr destacou que o modelo Phenom 300, da empresa, foi “o avião mais vendido na aviação executiva em 2013”. “Nenhum outro fabricante desenvolveu tantos aviões novos como a Embraer num espaço tão curto de tempo”.

Futuro

Rumo ao futuro, de acordo com o executivo, o plano é investir nos mais de 19 mil funcionários, com programas como o de especialização em engenharia, feito em parceria com o ITA. “Procuramos os melhores engenheiros do Brasil e oferecemos a eles um curso de 15 meses de duração antes mesmo deles começarem a trabalhar conosco, é um projeto muito bem sucedido”, disse.

O reforço da Embraer como uma marca global é outro foco. “Hoje são mais de 90 países usando aviões da empresa”, explicou. A fabricante tem bases nos Estados Unidos, França, Portugal, Reino Unido, Emirados Árabes, Singapura e China. “É importante montar os aviões perto dos mercados onde eles vão ser entregues. Isso reduz muito os custos”.

A reunião do Conic: mais debates e estudos sobre inovação em 2014. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

A reunião do Conic: mais debates e estudos sobre inovação em 2014. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Outro foco: seguir investindo em pesquisa e desenvolvimento. ”Estamos entre as empresas brasileiras que mais investem em pesquisa e desenvolvimento”, disse Kern Jr. “Foram 217,2 milhões de euros aplicados na área em 2012”.

Mais estudos e debates

O presidente do Conic, Rodrigo Costa da Rocha Loures, conduziu a reunião. E destacou o objetivo de ampliar a realização de estudos e debates sobre inovação e competitividade em 2014. Em 2013, foram 61 recomendações/ações nas mais variadas áreas.