Preço do gás brasileiro inviabiliza crescimento da indústria petroquímica nacional

Flavia Dias, Agência Indusnet Fiesp

Henri Armand Sleznger, presidente do Conselho Diretor da Abiquim

“Não existe país desenvolvido sem uma indústria petroquímica forte. É essencial que o Brasil mude a lógica de pensar química. Pare de agir como consumidor e pense como fornecedor”, declarou Henri Armand Sleznger, presidente do Conselho Diretor da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), durante o  12º Encontro Internacional de Energia da Fiesp.

Segundo Sleznger, a indústria petroquímica brasileira apresentou um faturamento de R$ 130 bilhões, em 2010, ocupando a 7º posição no mercado mundial, com possibilidade de ocupar a 5ª colocação nos próximos anos, graças ao imenso potencial de matérias-primas básicas e às descobertas das fontes do Pré-Sal.

Porém, segundo o especialista, o País precisa tornar o preço compatível com o mercado internacional. “O preço do gás brasileiro inviabiliza o crescimento da indústria nacional. Enquanto os Estados Unidos vendem o barril a US$ 4, a nossa média de preço varia de US$ 12 a US$ 15”, analisou.

Infraestrutura

Edson Real, gerente de comercialização de Combustível da MPX

Para Edson Real, gerente de comercialização de Combustível da MPX, a demanda de gás natural no setor elétrico apresentará um crescimento anual de 2,3% até 2015, chegando a mais de 1 milhão de pés cúbicos em 2025. Para isso, o País precisa investir em infraestrutura. “A geração térmica será a âncora do desenvolvimento do mercado de gás natural. Para isso o Brasil precisa de matrizes energéticas robustas e seguras”, declarou.

Segundo Edmundo Alfredo da Silva, representante da Associação Brasileira de Geradoras Termelétricas (Abraget), o Brasil possui 12 bacias hidrográficas em funcionamento, responsáveis por 26% da geração térmica, com destaque para região Norte do País.

Mas as exigências ambientais comprometem o desenvolvimento do setor, que mostra uma escassez de novos projetos a partir de 2020. “As normas ambientais prejudicam a expansão do sistema. Não existem restrições à expansão térmica. As hidroelétricas teriam um valor muito grande para gestão de água”, argumentou Silva. E completou: “Não somos contra o controle de emissões, desde que seja feito com base técnica e premissas adequadas”.

Já Edmilson Moutinho, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (USP), defendeu os investimentos em projetos e pesquisas para boa utilização do gás natural. “No Brasil não existe uma pesquisa sobre essa matriz energética. Precisamos criar projetos inovadores, com a participação do micro e pequeno empresário. Um primeiro passo seria a criação e empresas incubadoras para o gás”, declarou.

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