Conteúdo local, nova regulação do pré-sal e licitações podem movimentar setor de energia

Mayara Baggio, Agência Indusnet Fiesp

Em busca de uma saída para o destravamento dos investimentos em energia no país, principalmente no setor de petróleo e gás, o Departamento de Infraestrutura da Fiesp (Deinfra) realizou um workshop com especialistas no dia 17 de maio. Para eles, as novas regras de conteúdo local, a regulação do pré-sal e rodadas de licitações devem movimentar o setor.

“Precisamos do Brasil do futuro agora. Sempre buscamos o ótimo e perdemos a oportunidade que muitas vezes se apresenta de fazer o bom”, afirmou o diretor adjunto da Divisão de Energia do Deinfra, Nelson Gomes, sobre a postura do país diante dos desafios do segmento energético.

O vice-presidente e diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp (Decomtec), José Ricardo Roriz Coelho, lembrou que a economia brasileira passa pelo pior momento de sua história e deu ênfase à importância do conteúdo local para o desenvolvimento da indústria nacional. “Investimos muito menos em capital fixo do que deveríamos; as empresas estão gerando caixa para pagar despesas financeiras diante de juros abusivos”, lamentou. Roriz falou ainda sobre a necessidade de balanceamento das regras de conteúdo local, de modo que o regulamento não afaste as chances de investimentos. “A pressão não pode atrapalhar os negócios”, lembrou.

O setor de petróleo e gás agrega hoje cerca de 2,6 mil empresas, entre pequenas e médias, 115 mil trabalhadores – com salário médio mensal 40% maior do que na indústria de transformação – e uma taxa de investimentos, em relação ao faturamento, de cerca de 9%.

Na avaliação do coordenador-geral da Política de Concessão de Blocos Exploratórios do Ministério de Minas e Energia, Lauro Bogniotti, a capacidade do Brasil de fazer negócios está bem atrás de países como México, Colômbia, Peru e outros concorrentes de investimentos na América Latina. Bogniotti ressaltou ainda que dez novas rodadas de leilões do setor acontecerão nos próximos três anos, quatro delas ainda este ano.

Já o secretário-executivo do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Antônio Guimarães, alertou para a importância do Brasil conhecer o tamanho do desafio a ser enfrentado no setor. “Estamos passando por uma verdadeira revolução mundial, uma modernização dos mercados que consomem energia, com uma participação maior do Oriente, com destaque para a Ásia”, explicou. Para ele, o momento atual pode indicar grandes oportunidades para investimentos em petróleo e gás natural no mundo, especialmente no Brasil, em virtude das grandes reservas contidas no pré-sal.

Também participaram do debate o professor doutor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Marcelo Colomer, que chamou a atenção para o novo patamar de preço do petróleo e como as disputas com novas fontes e tecnologias trazem desafios para o setor de petróleo e gás.

O presidente do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, por sua vez, falou sobre as consequências graves para o setor da ausência de leilões no período de 2008 a 2013, que afastou os investidores do país.

Workshop na Fiesp teve como tema investimentos em energia. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

BNDES explica na Fiesp mudanças no financiamento para o setor de petróleo e gás

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O setor de petróleo de gás tem capacidade muito grande de geração de empregos de boa qualidade, com salários em média superiores em 40% ao da indústria em geral, destacou José Ricardo Roriz Coelho, diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp (Decomtec) ao abrir nesta quinta-feira (13 de abril) o seminário Novas Linhas de Financiamento do BNDES para o Setor de Petróleo e Gás.

A informação sobre as mudanças no banco vai ser difundida pela Fiesp e pelo Ciesp, com o envio da apresentação do BNDES às diretorias regionais do Ciesp, disse Roriz Coelho. E Decomtec e Ciesp estão à disposição para esclarecimentos, afirmou.

Luiz André Sá D’Oliveira, chefe do Departamento de Gás e Petróleo do BNDES (Degap), explicou as novas políticas operacionais do banco. Um dos focos da revisão feita na atual gestão do BNDES foi a alocação prioritária de recursos em TJLP para investimentos com maior retorno social que privado. Micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), investimentos em saúde, educação, meio ambiente e exportação são beneficiados.

O foco no projeto substitui o foco no setor. Projetos de petróleo e gás, incluindo infraestrutura para transporte dos produtos, podem se encaixar nas linhas incentivadas com até 80% de financiamento pelo BNDES com TJLP.

A classificação dos projetos começa com o enquadramento, depois da apresentação da proposta pela empresa. O valor gasto a partir do recebimento da carta pelo banco, em caso de aprovação do financiamento, é reembolsável.

A linha Progeren, de capital de giro, isolada, não vinculada a projetos, é oferecida conforme o porte da empresa. Para MPMEs de até R$ 90 milhões de receita bruta, essa linha tem 100% de TJLP. A proporção é de 50% TJLP/50% mercado para as empresas com faturamento anual de até R$ 300 milhões, e juros de mercado acima disso.

Para empresas com relação dívida líquida/ebtida acima de 4 se exige fiança bancária. Abaixo disso, garantia real de 130% e fiança pessoal do tomador.

O custo das operações diretas do BNDES inclui o custo financeiro (TJLP ou Selic), a remuneração básica do banco, de 1,7%, único para todos os setores, mais a taxa de risco de crédito, calculada para cada operação (de 0,5% a 4,86%).

Nas operações indiretas o spread do agente financeiro e a taxa de intermediação substituem a taxa de risco de crédito do BNDES.

Requisitos para o beneficiário são capacidade de pagamento, cadastro comercial satisfatório, obrigações fiscais e previdenciárias em dia, ausência de pendências com o BNDES, dispor de garantias (que podem ser fiança bancária) para cobrir o risco da operação, cumprimento das disposições ambientais.

Durante a carência, ou seja, o período de investimentos no projeto, a distribuição de dividendos fica limitada a 25% do lucro líquido.

O Degap, setor de petróleo e gás do BNDES, de 2010 a 2014 teve período de boom, mas a partir de 2014, com a queda dos preços internacionais do petróleo e a crise, houve redução dos desembolsos. Há um início, muito leve, de recuperação no financiamento, disse D’Oliveira.

Para a cadeia de fornecedores, houve bastante investimento em subsea em 2013 e 2014, natural devido ao avanço do pré-sal.

D’Oliveira explicou que mudou a classificação do porte das empresas. São consideradas MPMEs as que faturam até R$ 300 milhões por ano (micros até R$ 360 mil, e pequenas, R$ 3,6 milhões).

Os desembolsos cresceram muito entre 2007 e 2008 e 2015, de forma anticíclica, caindo a partir de 2015 por efeito da crise.

Os financiamentos podem ser diretos –a partir de R$ 20 milhões- ou feitos via bancos comerciais (que assumem o risco da empresa, ficando para o BNDES o risco do banco).

Seu departamento também cuida da navegação de cabotagem, disse. Vinculado ao Ministério do Planejamento, o BNDES é 100% estatal. Seu departamento fica vinculado à Diretoria de Produtos e Serviços, que inclui as indústrias de base (petróleo e gás, mineração e metalurgia, papel e celulose e outros).

Reunião em que o BNDES explicou mudanças operacionais a empresários do setor de petróleo e gás. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Reunião em que o BNDES explicou mudanças operacionais a empresários do setor de petróleo e gás. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Programa Nagi P&G de inovação no setor de petróleo e gás é finalizado com sucesso

Amanda Viana, Agência Indusnet Fiesp

Para capacitar, apoiar e assessorar empresas na introdução ou no aprimoramento do sistema de gestão da inovação, a Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-SP) e a Universidade de São Paulo (USP), criaram o programa Núcleo de Apoio à Gestão da Inovação na Cadeia de Petróleo e Gás (Nagi P&G), financiado pela Finep.

O programa, que foi encerrado em cerimônia na sede da Fiesp e do Ciesp nesta quarta-feira (14/10), teve duração de 14 meses, com 5 módulos, somando 116 horas entre capacitações coletivas e consultorias individuais. O processo começou com mais de 200 empresas, e 83 delas continuaram até o final do programa, nos 10 polos formados. Também houve a participação de 15 instituições apoiadoras, 20 consultores e bolsistas atuantes.

Além de capacitar e apoiar as empresas ao desenvolvimento da inovação tecnológica, o programa se insere no esforço do país para aumentar a competitividade das empresas brasileiras por meio de maior inovação, facilitando a aproximação de micro, pequenos e médios fornecedores das demandas da cadeia produtiva de petróleo e gás, visando ao aumento do conteúdo local, seja para produtos ou serviços.

O segmento de petróleo e gás tem demandado produtos e serviços com características e exigências mais severas, e o Nagi P&G pode auxiliar os empresários nessa missão, avalia Romeu Grandinetti, especialista em Projetos de Inovação Tecnológica do Ciesp. “O Nagi P&G coloca na gestão da empresa o assunto qualidade, faz com que as empresas aprendam a gestão de inovação, praticada no setor de petróleo e gás”, disse.

Grandinetti explicou ainda que a gestão de inovação é algo abrangente, que pode envolver atividades variadas. “A proposta do Nagi é dar um salto na gestão da empresa, potencializando-a para novas situações.”

De acordo com Oswaldo Kawakami, gerente geral da Unidade de Operações de Exploração e Produção da Bacia de Santos da Petrobras, a inovação precisa ser trabalhada constantemente, devido ao seu crescimento exponencial, e o país necessita de mais projetos que tragam e promovam a inovação, como o Nagi-PG. “Se as pequenas empresas conseguirem se capacitar nesse processo de inovação contínuo, provavelmente vão crescer muito.”

“Espero que essas empresas continuem tendo sucesso e que transfiram o conhecimento ao próximo, criando uma malha de empresas inovadoras e desenvolvendo ainda mais o país”, disse.

Evento de encerramento do programa Nagi P&G, parceria entre Ciesp, Fiesp, Senai-SP, USP e Finep. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

 

Veja abaixo o conteúdo dos módulos do programa Nagi P&G:

Módulo 1 – Oportunidades e Exigências do Setor de Petróleo e Gás.
Módulo 2 – Gestão da Inovação e Planejamento Estratégico.
Módulo 3 – Parceiros para a Inovação, Linhas de Financiamento e Incentivos à Inovação.
Módulo 4 – Ferramentas e Serviços disponíveis para as indústrias de P&G (Senai-SP).
Módulo 5 – Construção de Propostas de Planos de Gestão e/ou Projetos de Inovação.

Clique aqui para assistir aos depoimentos de empresas participantes do programa.  

Petróleo e Gás: Fiesp e Ciesp abrem programa de capacitação em inovação

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Começaram nesta sexta-feira (07/11) as atividades de mais uma turma do Núcleo de Apoio à Gestão da Inovação na Cadeia de Petróleo e Gás (Nagi PG), fruto de uma parceria entre a Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-SP) e Universidade de São Paulo (USP).

A primeira atividade do curso, que contou com a presença do professor doutor Moacir Miranda, coordenador de Projetos do Núcleo de Política e Gestão Tecnológica (PGT) da Universidade de São Paulo (USP), reuniu representantes de empresas que fornecem produtos e serviços para a Petrobras.

Moacir Miranda, coordenador de Projetos do Núcleo de Política e Gestão Tecnológica (PGT) da Universidade de São Paulo (USP) durante o curso. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O Nagi-PG busca capacitar e dar apoio ao incremento da inovação tecnológica nas empresas participantes, facilitando a aproximação de micro, pequenos e médios fornecedores às demandas da cadeia produtiva de Petróleo e Gás, com vistas ao aumento do conteúdo local.

Para um dos participantes do curso, o engenheiro Leonardo Brandi, supervisor de engenharia da Asco Numatics, é bem prática a abordagem da capacitação realizada na Fiesp. “É um curso bastante focado, direcionado”, analisa.

Segundo Brandi, o curso irá agregar conhecimento e experiência não somente à empresa, mas também para a Petrobras, empresa para a qual a Asca Numatics presta serviços. “A inovação já é uma tendência na empresa. E o curso vem somar informações para nos ajudar a ganhar ainda mais velocidade nas mudanças que são necessárias”, disse.

Visão parecida tem Claudia Bosqueiro, da área comercial da Maxiflow, empresa do setor de válvulas industriais. Ela elogiou a praticidade das exposições e dinâmicas apresentadas no Nagi PG.

Apesar de a Maxiflow ser relativamente nova no mercado, a inovação já é um tema importante, segundo Claudia. “A empresa está disponível para se adequar cada vez mais às necessidades do mercado e ao atendimento dos clientes”, afirmou.

Para o Paulo Claro Cunha Mello, diretor da Hidropig, que fornece tubulação para a Petrobras e outras empresas, o curso pode dar mais oportunidades de atuação em Petróleo e Gás. “Com a capacitação, esperamos que nós tenhamos mais e melhores chances de competir no mercado.”

Egidio Zardo Junior, analista do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp, explica como é a metodologia do programa Nagi PG. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Petróleo e Gás: potencial paulista pode ser convertido em riquezas

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp, de Campinas (SP)

Vice-presidente do Ciesp, Rafael Cervone, participa da abertura do congresso. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

 

A cada bilhão de reais investidos na cadeia do Petróleo e Gás no país, o estado de São Paulo captura de forma direta e indireta R$ 400 milhões, resultando na geração de nove mil postos de trabalho no estado.

Mas o verdadeiro potencial paulista, de acordo com o vice-presidente da Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Rafael Cervone, só poderá ser aproveitado plenamente se houver uma articulação legítima de empresas e instituições envolvidas no setor.

Cervone abriu o congresso Campetro – Campinas Oil & Gas, na cidade do interior, sobre oportunidades de negócios e investimento no setor. A iniciativa é do Ciesp e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), por meio do Comitê da Cadeia Produtiva do Petróleo e Gás (Competro) desta entidade.

“Todo esse potencial pode ser convertido em riquezas e desenvolvimento de tecnologia se houver uma excelente articulação”, disse Cervone.

Segundo ele, o Ciesp apoia as ações do Competro, criado em 2011, ao atender mais de 42 diretorias regionais e fazer interlocução dessas regiões com a Petrobras no que diz respeito a oportunidades de investimento e negócios.

Para José Nunes Filho, diretor do Ciesp Campinas, encontros como o Campetro estão em linha com a vocação da cidade em inovação e tecnologia.

“Temos a maior refinaria, que é a Replan, e demanda por serviços e produtos. Vemos grande oportunidade de gerar riquezas, emprego, desenvolvimento regional”, afirmou Nunes.

Até esta quarta-feira (05/11), o Campetro conta com palestras sobre novas tecnologias e perspectivas para o setor de Petróleo e Gás, além de rodadas de negócio e salas de crédito.

A diretoria do Ciesp-Campinas prevê que a rodada de negócios movimente cerca de R$ 20 milhões em um período de seis meses. O evento conta ainda com uma feira de exposições de produtos e uma demonstração da escola móvel de Robótica Subaquática do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP).

O diretor do Ciesp Campinas acrescentou que o objetivo do Campetro é estimular a cadeia com troca de experiências sobre tecnologias e discussões sobre as principais demandas do setor.

Petróleo e Gás: inscrições abertas para curso de Gestão da Inovação na Fiesp e no Ciesp

Agência Indusnet Fiesp

Depois de passar por nove regiões do estado, o programa do Núcleo de Apoio à Gestão da Inovação na cadeia produtiva de Petróleo e Gás (Nagi P&G) atende as empresas da Baixada Santista.

Desta vez, empresas de pequeno e médio portes que já atuam como fornecedoras da Petrobras são o público-alvo da iniciativa, resultado de uma parceria entre a Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) e a Universidade de São Paulo (USP).

A próxima turma começa no dia 7 de novembro, na sede da Fiesp e do Ciesp. Esta também é a data-limite para as adesões.

Mais informações

nagipg@fiesp.com

Estado-Maior da Armada destaca a importância da indústria em projetos da Marinha

Dulce Moraes e Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Com a presença de empresários e autoridades, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) sediou na tarde desta segunda-feira (20/10) o “Fórum com o Estado-Maior da Armada da Marinha do Brasil”.

O encontro, que contou com a participação do diretor titular do Departamento de Defesa (Comdefesa) da Fiesp, Jairo Cândido, e do chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante-de-Esquadra Carlos Augusto de Sousa, teve o objetivo de apresentar aos empresários a estrutura da instituição, os projetos já desenvolvidos em parceria com a indústria e o modelo de financiamento dos projetos estratégicos da Marinha do Brasil.

Evento apresentou a empresários projetos da Marinha já desenvolvidos em parceria com a indústria. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

 

O diretor titular do Comdefesa/Fiesp deu as boas-vindas, enaltecendo a primeira visita do Estado-Maior da Armada à entidade. “Costumo dizer que a Fiesp é uma federação de bastante prestigio e que só aumenta e amplia a sua importância quando recebe um Fórum dessa magnitude e com a presença de tão importantes autoridades˜, disse Cândido, acrescentando que uma das missões do departamento é  fortalecer a indústria brasileira e que o evento foi organizado também com esse propósito.

Jairo Cândido: evento é mais uma iniciativa do Comdefesa/Fiesp para fortalecer a indústria brasileira. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Em seu discurso, o chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante-de-Esquadra Carlos Augusto de Sousa, enfatizou a crescente percepção da sociedade sobre a importância de o Brasil proteger a soberania de seu território e de seus recursos naturais. “A sociedade vem paulatinamente se conscientizando da imperiosa necessidade de um país possuir um Poder Naval forte, balanceado e dotado de credibilidade a fim de resguardar principalmente a plena soberania sobre a Amazônia Azul”, afirmou, destacando que a proteção a “este mar que nos pertence” é de responsabilidade de todos os brasileiros.

Souza observou que um dos benefícios para o país foi constatado pela própria indústria brasileira. “É fato que o conhecimento alcançado pela Marinha no desenvolvimento de projetos de engenharia e arquitetura naval, assim como a tecnologia absorvida pelo arsenal de Marinha do Rio de Janeiro na construção de fragatas e submarinos associada pelos estaleiros privados nas décadas de 1970 e 1980, contribuíram de maneira sinérgica para a capacitação da indústria naval brasileira.”

De acordo com o chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante-de-Esquadra Carlos Augusto de Sousa, efetivação de projetos da Marinha será possível com o trabalho conjunto com iniciativa privada. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Segundo ele, o incremento desse segmento implica processos evolutivos em outros setores e segmentos: eletroeletrônico, metalúrgico, mecânica pesada, motores de propulsão marítimos, armamentos e tecnologia da informação, entre tantos outros.

“Por outro lado, o emprego de alta tecnologia e a necessidade de autossuficiência na construção e manutenção desses meios têm feito que o Brasil intente alcançar a independência e a inovação tecnológica em distintas áreas, especificamente para a Defesa”, destacou Souza.


Amazônia Azul e o papel estratégico do Brasil

O chefe do Estado-Maior da Armada ressaltou que a Política de Defesa Brasileira se firma no “binômio indissociável Desenvolvimento/Defesa” e que o Brasil tem uma importância geopolítica.

“Neste momento acresce a percepção da importância do Atlântico Sul, como área de diálogo, de paz, livre de armas de destruição em massa e caracterizado por avanços permanentes em vários campos, dentre eles, o da segurança marítima.”

“Na Amazônia Azul, parcela brasileira desse espaço oceânico, circula cerca de 95% do comércio externo internacional e é onde estão situadas enormes reservas minerais e petrolíferas, e abundantes recursos de biodiversidade. O Brasil possui ainda milhares de quilômetros de rios navegáveis, dezenas de portos marítimos ao longo de cerca 8.500 quilômetros de costa de onde chegam e partem mais de 1.400 navios ao dia, revelando a importância da atuação da Marinha em uma extensa área continental.”

Segundo o contra-almirante Flavio Augusto Viana Rocha, dos 52 projetos prioritários para nacionalização de tecnologia, ainda há oito que precisam de parcerias com a indústria brasileira. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Diante dessa responsabilidade foram estabelecidos os projetos estratégicos do Plano de Articulação da Marinha. Na elaboração atentou-se para a necessidade de desenvolver projetos guiados pela independência nacional e pela capacitação tecnológica e autonomia. E a efetivação desses projetos, segundo ele, só será possível com o trabalho conjunto com a iniciativa privada.

Na sequência, o contra-almirante Flavio Augusto Viana Rocha, sub-chefe de estratégia do Estado Maior da Armada, destacou vários projetos já em andamento na Marinha, que estão sendo desenvolvidos com a participação da iniciativa privada.

Ele esclareceu que a Marinha Brasileira atua em apoio à política externa brasileira e também em missões de paz, citando como exemplo a missão Haiti, e também informou que a Marinha Brasileira pode assumir o comando de uma Força-Tarefa marítima sob mandato da Organização das Nações Unidas (ONU).

Entre as outras atividades desenvolvidas estão a de orientar e controlar a Marinha Mercante, no que interesse à defesa nacional; prover segurança da navegação; implementar e monitorar o cumprimento das leis e regulamentos no mar e nas águas interiores; atuar na prevenção e repressão de crimes ambientais no mar.

Segundo o contra-almirante Rocha, dentro da postura dissuasória adotada pelo Brasil está a negação do uso do mar para práticas hostis. Ele destacou entre os projetos já em andamento duas iniciativas: o Programa de Desenvolvimento do Submarino Brasileiro (Prosub) e a instalação da segunda Esquadra da Marinha na região Nordeste, que irá ampliar o alcance do Sistema de Vigilância da Amazônia Azul (SisGAAz), que, no primeiro momento, priorizará a vigilância das áreas do Pré-Sal.

Dos 52 projetos prioritários para nacionalização de tecnologia, ainda há oito que precisam de parcerias com a indústria brasileira. São projetos que necessitam desde fabricantes de hardware, sistemas de detecção de incêndios, queimadores catalíticos, blocos de conexão de alta pressão, console de governo, entre outros equipamentos e tecnologias.

O contra-almirante Rocha destacou que a participação das indústrias em projetos estratégicos, bem como o aumento da sinergia entre a Marinha e a indústria, terão claros reflexos no desenvolvimento do país, em benefício da população. “Isso trará a redução de custos e a tão almejada geração de empregos. O desenvolvimento da indústria nacional com a transferência de tecnologia de maneira sustentável gerará capacitação para a indústria e para a Marinha também.”


Financiamento a projetos da Marinha

Vice-almirante Anatalício Risden Junior: “Sem patamar orçamentário, dificilmente conseguimos prosseguir em grandes projetos” Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

O vice-almirante Anatalício Risden Junior, diretor de Coordenação do Orçamento da Marinha, também participou do fórum.

Ao apresentar modelos de financiamento interno e externo para o setor, ele destacou a necessidade de robustez orçamentária, sem os quais os projetos da Marinha ficam inviáveis. “Sem patamar orçamentário, dificilmente conseguimos prosseguir em grandes projetos”, disse o vice-almirante.

Ele também avaliou, durante sua exposição, a influência da demanda ao longo do tempo, sobretudo do próprio Estado, para manter os investimentos em projetos da Marinha de qualquer país.

“Se estudarmos os grandes clusters dos países, a base nacional de defesa funciona com subsídio, demanda do Estado ou com viabilização de financiamento para outros países comprarem da base industrial de defesa local. Não é milagre, é só isso”, explicou.


Sobre o Estado-Maior da Armada

Contra-Almirante Paulo Ricardo Finotto: o papel do Estado-Maior da Armada. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

O Contra-Almirante Paulo Ricardo Finotto deu um panorama sobre toda o organograma da Marinha do Brasil e a missão da Armada. “Estado-Maior da Armada é o órgão de direção geral”, resumiu.

As principais atribuições do órgão são coordenar as atividades desenvolvidas pela Marinha, assessorar o Comandante e atuar como interlocutor com o Ministério da Defesa, demais ministérios, entre outros atores.

De acordo com Finotto, ter um Estado-Maior da Armada não é exclusividade da Marinha do Brasil – diversos outros países têm órgão semelhante, assim como as outras duas Forças Armadas: Exército e Aeronáutica.

Participantes de iniciativa da Fiesp e do Ciesp visitam Parque Tecnológico da UFRJ

Agência Indusnet Fiesp

Na última sexta-feira (19/09), um grupo de empresários integrantes do programa Núcleo de Apoio à Gestão da Inovação na Cadeia de Petróleo e Gás (Nagi-PG) – resultado de iniciativa da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp) – teve a oportunidade de realizar uma visita técnica ao Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Participantes do Nagi-PG realizam visita técnica ao Parque Tecnológico da UFRJ. Foto: colaboração local

 

Na ocasião, os participantes assistiram às palestras sobre inovação, ministrada pela engenheira Ana Guerreiro, da empresa FMC Tecnology, e sobre a Gestão de Projetos realizada no Centro de Pesquisas da Petrobras, por Eduardo dos Santos, do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes).

Eles também tiveram a oportunidade de conhecer de perto as instalações do Laboratório de Tecnologia Oceânica (Lab Oceano) que faz parte do Programa de Engenharia Naval e Oceânica do Coppe/UFRJ.

O Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (CoppeE/UFRJ) possui mais de 2000 projetos já realizados em convênio com a Petrobras, e é referência internacional em pesquisa e desenvolvimento.

Lab Oceano foi uma das instalações visitadas no Parque Tecnológico da UFRJ. Foto: colaboração Local

 

Sobre o Nagi-PG

O programa Núcleo de Apoio à Gestão da Inovação na Cadeia de Petróleo e Gás (Nagi-PG) é uma parceria entre a Federação e  o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) e Universidade de São Paulo (USP). A iniciativa vem capacitando indústrias paulistas em Gestão da Inovação.

Petróleo & Gás: conheça a programação do Nagi para capacitar empresários da área

Agência Indusnet Fiesp

Está aberta a temporada de oportunidades no setor de petróleo e gás. O Núcleo de Apoio de Gestão à Inovação da Cadeia de Petróleo e Gás (Nagi), uma parceria da Federação e do Centro das Indústrias de São Paulo (Fiesp e Ciesp) e da USP, já tem a sua agenda de capacitações definidas para o período de maio a setembro de 2014.

Para visualizar o Cronograma dos próximos encontros, clique aqui.

Brasil precisa de uma nova política de médio e longo prazo para setor de petróleo e gás

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Flávio Rodrigues, coordenador de relações externas do Instituto Brasileiro de Petróleo, Flávio Rodrigues, coordenador de relações externas do Instituto Brasileiro de Petróleo. Foto: Alberto Rocha/Fiesp

Especialistas da cadeia do petróleo e gás discutiram na manhã desta terça-feira (20/05), durante a Semana de Infraestrutura (L.E.T.S.) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o posicionamento do Brasil na geopolítica do petróleo e do gás para os próximos 10 a 15 anos.

No painel, o coordenador de relações externas do Instituto Brasileiro de Petróleo, Flávio Rodrigues, afirmou que o Brasil deve se mexer se quiser aproveitar nos próximos 15 anos o papel de relevância que tem assumido no setor de petróleo e gás no mercado internacional.

“O Brasil precisa de uma nova política de médio e longo prazo para o setor, principalmente pelo ressurgimento de novos atores de relevância como o México. Decisões têm de ser tomadas agora.”

Na avaliação da diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Magda Chambriard, o Brasil deve expandir a produção de gás natural pelos próximos 10 anos, mas não ao passo que fazem os Estados Unidos em sua produção.

Magda Chambriard, diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Foto: Alberto Rocha/Fiesp

“Os Estados Unidos têm condições de atuar mais rapidamente na produção porque em 150 anos eles perfuraram cerca de cinco milhões de poços. Isso faz com que eles tenham um tremendo conhecimento dos seus recursos petrolíferos”, afirmou Chambriard.

“Não temos gás suficiente hoje. Estamos confortáveis? Não. Vamos ter? Vamos”, prosseguiu Magda ao participar do evento.

Segundo ela, graças ao pré-sal, a produção de gás natural do Brasil vai evoluir significativamente na próxima década.

“Vamos ter gás natural por terra para consumo no Brasil, mas prioritariamente, nos próximos anos, esse gás virá dos projetos no pré-sal. Enquanto isso, vamos buscar gás em terra, mas prioritariamente o gás convencional”, confirmou Chambriard.

Segundo ela, há uma potencial demanda no provável déficit de gasolina em diversas regiões do Brasil a partir de 2022.

“Salvo São Paulo, todas as outras regiões vão precisar de gasolina que poderá vir, por exemplo, do gás natural”, disse a diretora-geral da ANP. “Tenho certeza que a questão decisiva para atendimento desse mercado certamente vai ser a inserção tecnológica”, completou.

Energia elétrica

Ieda Gomes, diretora da Energix Strategy. Foto: Alberto Rocha/Fiesp

Na avaliação de Ieda Gomes, diretora da Energix Strategy, a oferta de gás também pode ser estimulada pelos potenciais backups térmicos que deverão se configurar a partir da nova matriz de energia.

“A gente precisa de backup? Precisa. Vai ser térmico? Vai. Se for a gás natural, nossa oferta precisa crescer. Cerca de 50% da produção brasileira não chega ao mercado”, ponderou, no entanto, a diretora.

De acordo com o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires, falta uma política de incentivo à produção de gás mais expressiva.

Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura. Foto: Alberto Rocha/Fiesp

“O governo é muito tímido nas políticas de incentivo. Estamos muito bem estruturados, mas precisamos de mudança na política energética”, defendeu.

Ieda Gomes, da Energix, também acrescentou que não vê um empenho vigoroso do Ministério de Minas e Energia para incentivar a produção de gás natural na matriz energética.

“Não vejo colocada de maneira muito forte a intenção do ministério em incentivar o gás”, alertou.

L.E.T.S.
A Semana da Infraestrutura da Fiesp (L.E.T.S.) representa a união de quatro encontros tradicionais da entidade: 9º Encontro de Logística e Transporte, 15º Encontro de Energia, 6º Encontro de Telecomunicações e 4º Encontro de Saneamento Básico. O evento acontece de 19 a 22 de maio (segunda a quinta-feira), das 8h30 às 18h30, no Centro de Convenções do Hotel Unique, em São Paulo.

Mais informações: www.fiesp.com.br/lets

 

Rio de Janeiro sedia ‘UK Energy in Brazil 2014’; evento tem apoio da Fiesp

Agência Indusnet Fiesp

Está programado para o dia 25 de março, no hotel Windsor Atlantic, no Rio de Janeiro, a terceira edição do “UK Energy in Brazil 2014”.

No evento, que conta com o apoio institucional da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), empresas do Reino Unido apresentam novas tecnologias na área de Óleo & Gás e áreas de interesse mútuo, além de discutir oportunidades de colaboração e parceria com empresas brasileiras. As inscrições são gratuitas.

Nesta terceira edição serão realizados três workshops simultâneos com a participação de palestrantes de algumas das principais empresas do setor de Óleo & Gás do Brasil e do Reino Unido abordando as seguintes áreas:  Construção & Manutenção de Equipamentos Offshore; Tecnologias para Extensão da Vida Útil dos Campos; e Construção & Integridade de Equipamentos Submarinos.

Empresários brasileiros também terão oportunidade de reunir-se individualmente com representantes de empresas britânicas para discutir oportunidades futuras de cooperação e parceria.

A programação tem início às 8h30, com mensagens de boas-vindas e palestras de abertura por autoridades do Reino Unido e Brasil.

Depois de um intervalo para coffee break & networking, começam às 10h50 os workshops simultâneos.

O horário da tarde, de 14h às 17h, está reservado para encontros individuais entre empresas britânicas e brasileiras.

Mais informações

Site: www.ukenergyinbrazil.com.br
E-mail: ukenergy@hyrnastha-inovar.com.br
Telefone: +55 (21) 2432-6644

Workshop discute aumento da rede de fornecedores para o setor de petróleo e gás

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

O Comitê de Petróleo e Gás (Competro) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em parceria com a Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), realizou, na manhã desta quarta-feira (29/01), um workshop tecnológico que teve como objetivo dar início às atividades de desenvolvimento da rede nacional de fornecedores no setor de petróleo e gás.

Representantes de grandes empresas da área e autoridades estiveram presentes. Eduardo Berkowitz, diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp (Decomtec) e membro do Competro, comemorou a realização do evento, que, entre outras coisas, deu início aos processo de nacionalizar peças  que ainda não são fabricados no Brasil.

Segundo Berkowitz, o workshop é uma continuação dos trabalhos iniciados em 2013, quando foram identificadas oportunidades de nacionalização de peças e equipamentos de barcos de apoio usados pelo setor de petróleo e gás.

O workshop desta quarta-feira (29/01) na Fiesp: mais oportunidades para as empresas brasileiras. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

O workshop na Fiesp: mais oportunidades para as empresas brasileiras. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

 

“Oito ou nove projetos foram identificados em reuniões prévias e foram levados adiante por empresas âncoras. Agora essas empresas estão discutindo quais as próximas etapas para que esses projetos possam seguir em frente. Para que, por fim, seja desenvolvido o conteúdo local”, explicou.

Também presente ao encontro, Ubirajara Sampaio de Campos, subsecretário de Petróleo e Gás da Secretaria de Energia e coordenador do Programa Paulista de Petróleo e Gás – iniciativa que visa apoiar o desenvolvimento de fornecedores paulistas para a área – afirmou ser fundamental reuniões como a desta quarta-feira (29/01).

“Esse encontro é uma consequência de um trabalho anterior. A cadeia produtiva de petróleo e gás é um mercado muito diversificado, que irá crescer muito. São fundamentais esses encontros, porque há a necessidade de compreender quais as ações devem ser tomadas para a melhoria da cadeia”, disse

Novas frotas

Segundo Luís Fernando Mendonça, superintendente da Onip, “esse encontro é uma consequência do workshop de equipamentos para sistemas e equipamentos que são fornecidos para estaleiros que constroem barcos de apoio do tipo PSV, cuja demanda brasileira é muito grande”.

Segundo o superintendente, é necessária a substituição e o constante investimento na criação de novas frotas da cadeia de fornecimento. Para isso, a indústria brasileira precisa estar preparada e pronta para atender a demanda crescente.

“É fundamental desenvolver a cadeia de suprimentos e contribuir para que gargalos de equipamentos sejam desobstruídos”, disse.

Segundo Glauco Túlio, diretor de marketing comercial da empresa Tecmar – Motores Marítimos, o setor privado tem muito a ganhar com o workshop. “Hoje é o segundo passo para iniciar a produção e começarmos a busca de parceiros para nacionalizar produtos”, disse. “Buscamos aqui parceiros para desenvolvimento, pesquisa e usinagem, explicou Túlio.

Programa Nagi PG – Módulo V – Palestras e Materiais

Módulo V – Oportunidades e Desafios no fornecimento para a Cadeia Petróleo e Gás

Programa NAGI PG

Em anexo encontra-se a apresentação realizada na capacitação Módulo V do Programa NAGI PG.

Este Modulo está em reformulação!

Programa:

• Cadeia produtiva de P&G no Brasil: elos e diversos níveis. • Setor de P&G: políticas públicas, desafios e oportunidades. • Mapeamento de oportunidades de fornecimento do Prominp. • Diversos cadastros para fornecimento ao setor. • Conteúdo local e sua certificação. • Exigências do mercado: normas técnicas, órgãos envolvidos e certificações exigidas para fornecedores do setor de P&G. • Inserção de empresas na cadeia de fornecedores do setor e sua qualificação. • Apoio das certificadoras para o setor de P&G.

Exercício Prático

• Trabalho em grupos sobre oportunidades e exigências do setor.

Palestrante

• Especialista no setor de P&G.

 

Para visualizar o arquivo, acesse o menu ao lado direito.

Competro Fiesp divulga detalhes do Edital do BNDES para projetos de inovação do setor

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Empresas brasileiras que tenham Planos de Negócios voltados à projetos de inovação para o setor de Petróleo e Gás podem contar com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) e da agência Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

Foi aberto, na última quarta-feira (15/01), o edital para seleção dos Planos de Negócios de empresas do setor que podem ser contempladas pelo programa Inova Petro, uma iniciativa do BNDES e da Finep, com apoio da Petrobras.

O Comitê da Cadeia Produtiva do Petróleo e Gás (Competro) da Fiesp, informa abaixo as principais informações sobre esse edital. 

  • O objetivo da chamada:

Selecionar Planos de Negócios de empresas brasileiras que contemplem projetos de inovação para o setor de Petróleo e Gás dentro do escopo das linhas temáticas: Processamento de Superfície, Instalações Submarinas, Poço e Reservatórios.

  • Volume total de recursos disponibilizados:

chega a R$ 3 bilhões.

  • Valor mínimo para cada projeto apresentado: 

R$ 5 milhões.

  • Prazo e como participar:

Até o dia 20 de março de 2014, deve ser entrega da Carta de Manifestação de Interesse e Cadastro das Parceiras e Institutos de Ciência e Tecnologias (ICTs).

  • Prazo para apresentação de Planos de Negócios: 

até 22/07/14

  • Quem pode participar desta chamada:

Empresas âncoras que possuam receita operacional bruta (ROB) igual ou superior a R$ 16 milhões ou patrimônio líquido igual ou superior a R$ 4 milhões no último exercício, podendo fazê-lo de forma individual ou em parceria com empresas de qualquer porte ou ICT’s.

  • Que tipo de projetos serão selecionados:

Os projetos devem contemplar pesquisa, desenvolvimento, engenharia e/ou absorção tecnológica, produção e comercialização de produtos, processos e/ou serviços inovadores para a cadeia produtiva da indústria de petróleo e gás natural.

O edital na íntegra, com o detalhe de todos os procedimentos necessários, estará disponível amanhã (21/01) no site da Finep: www.finep.gov.br/inovapetro.

Pedidos de informação e esclarecimento de dúvidas poderão ser encaminhadas a qualquer tempo, por meio virtual, através do endereço eletrônico inova_petro@finep.gov.br.

Retrospectiva 2013 – Um ano de preparação para o crescimento no setor de petróleo e gás

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

2013 foi o ano de despertar as indústrias para o grande potencial de negócios e riquezas advindas da exploração de petróleo na camada do pré-sal na costa brasileira.

Para o coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva do Petróleo e Gás (Competro) da Fiesp,  José Ricardo Roriz Coelho, essa foi uma das principais diretrizes de atuação do Comitê neste ano.  E não por acaso.

Roriz Coelho: . “Continuando assim, levaremos 40 anos para nos tornarmos um país desenvolvido”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

José Ricardo Roriz Coelho: . “Em 2029, o setor (Petróleo & Gas) será o de maior produtividade, gerando empregos com altos salários”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

O pré-sal, segundo Roriz, trará como benefícios o desenvolvimento das cadeias produtivas, o aumento da competitividade de indústria nacional e, por consequência, mais empregos e desenvolvimento social ao país. “A previsão é que, em 2020, a participação do setor de Petróleo & Gás (P&G) no Produto Interno Bruto (PIB) chegue a 20%. E, no ano de 2029, o setor será o de maior produtividade, gerando empregos com altos salários”, afirma.

No entanto, para que essas perspectivas se confirmem é necessário o fortalecimento das políticas de conteúdo local que priorizem o desenvolvimento tecnológico da indústria nacional e que se crie um elo entre as demandas das indústrias e as ofertas de fornecimento das grandes operadoras e empresas do setor.

Workshop Tecnológico – Equipamentos Especiais para Barcos de Apoio

Uma iniciativa clara nesse sentido foi o Workshop Tecnológico – Equipamentos Especiais para Barcos de Apoio, promovido, em dezembro, pelo Competro da Fiesp e a Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip). O encontro, que apresentou os meios de financiamento para produção de maquinários utilizados na exploração de petróleo e gás, foi uma importante  contribuição para acelerar o processo de nacionalização de equipamentos e serviços para o setor.

Ações sinérgicas com entidades do setor, governo, lideranças empresariais, universidades e centros de pesquisas, bancos e agências de fomento foram os principais focos da atividade do Competro em 2013.

Maria das Graças Foster apresenta as metas da Petrobras para 2017. Foto: Julia Moraes/ Fiesp

No mês de abril, a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, esteve na sede da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), para apresentar o plano de negócios e gestão 2013-2017 da companhia petroleira.

No mesmo mês, representantes do Competro, participaram do seminário “Perspectivas, Oportunidades e Exigências de Petróleo e Gás”, na Universidade de São Paulo (USP).

Maratona para inovação

O participante da primeira turama, Francisco Cordeiro (SSE Sírio Sistemas Eletrônicos), elogia a iniciativa do NAGI-pg

Ao longo do ano, por meio do programa Núcleo de Apoio a Gestão e Inovação (Nagi-PG), o Comitê promoveu, com o apoio do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), uma maratona de palestras para apresentar as indústrias as potencialidades desse mercado, além de capacitá-las como fornecedoras as empresas do setor de Petróleo e Gás.

O primeiro treinamento foi realizado no mês de janeiro, na sede da Fiesp, atendendo pequenas e médias indústrias. Em fevereiro foi iniciada a capacitação no núcleo de Sertãozinho e, no mês de março, na cidade São José dos Campos.

No mês de abril, as empresas participantes da capacitação do Nagi-PG visitaram uma das maiores refinarias de petróleo do País, a Replan, na cidade de Paulínia.

Participantes do curso do NAGI-PG visitam a Refinaria Replan, em Paulínia

 

Em maio e julho foram realizados eventos de apresentação do programa nas cidades de Campinas, Mogi das Cruzes e Ribeirão Preto.  No mês de julho, as empresas participantes do programa começaram a receber o treinamento para preencherem o autodiagnostico da inovação

Em novembro, mais oportunidades do setor de petróleo e gás foram apresentadas a pequenas e médias empresas da cidade de Campinas e também puderam conhecer o programa Nagi PG que terá uma núcleo na região a partir de janeiro de 2014.. .

No dia 4 de dezembro, o programa Nagi-PG foi apresentado durante o Fórum para o Desenvolvimento do Polo Industrial de Cubatão, realizado na sede da Fiesp.

A meta do programa era capacitar 200 indústrias paulistas até o ano de 2014. Somente em 2013, o programa mobilizou mais de 330 empresas, em encontros regionais, apresentando  as oportunidades de negócios desse mercado.

Ao todo, 107 receberam capacitação específica sobre inovação tecnológica no setor de petróleo e gás e irão receber assessoria empresarial individual para elaborar seus projetos de inovação, nos 42 treinamentos promovidos.

Oportunidades para o setor

Para maximizar as oportunidades de negócio e aumentar a competitividade das indústrias, o Competro, com o apoio dos 42 escritórios regionais do Ciesp, promoveu o cadastramento das indústrias locais na Petrobras e a CadFor (companhia que representa 9 grandes operadoras internacionais de Petróleo).

Seminário Paulínia Petróleo & Gás

Desde 2012, foram promovidos mais de 2 mil encontros com essas empresas âncoras, em eventos como o Santos Offshore, realizado em 2012, e o “Paulínia Petróleo & Gás”, realizado no polo petroquímico de Paulínia.

Para ampliar oportunidades para empresas brasileiras do setor no mercado internacional, foi promovida uma missão empresarial no mês de maio à cidade de Houston, onde os empresários puderam participar da Offshore Technology Conference, rodadas de negócios e visitas técnicas às empresas locais.

Em abril, Eduardo Berkovitz Ferreira, membro do Competro, apresentou um panorama de oportunidades de negócios e investimentos no setor de Petróleo e Gás para comitiva de autoridades e empresários da cidade de Lobito, Angola.

Também no mês de abril, o presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp, embaixador Rubens Barbosa, publicou um artigo com uma análise sobre fornecimento e demanda global de petróleo.

Com o objetivo de apoiar a nacionalização da produção de equipamentos do segmento Offshore (hoje, praticamente dependente de importação), o Competro promoveu, em dezembro, o 5º Workshop Tecnológico Equipamentos Especiais para Indústria Naval e Offshore – Equipamentos Elétricos/Eletrônicos, Automação e Metal-Mecânica para Barcos de Apoio.

Mercado e gargalos

Jose Ricardo Roriz no 14º Encontro de Energia da Fiesp

Durante o 14º Encontro de Energia da Fiesp, no mês de agosto, o setor de petróleo e gás foi debatido em várias painéis: “Mercado de Gás Natural na América do Sul”;  “Gás Natural a Preço Justo!”; “Gás Não Convencional no Brasil e no Mundo”; “Pré-sal: A nova era do petróleo no Brasil”; “Oportunidades para o Setor Privado: do poço à chama”; “Estrutura de Refino: até quando o Brasil importará derivados de petróleo?” e “Petróleo e Gás Natural para um Brasil Competitivo”.

Em entrevista ao portal da Fiesp, em setembro, o coordenador do Competro, José Ricardo Roriz Coelho, reforçou o fato de que o setor de petróleo e gás será o de maior produtividade no Brasil em 2029.

De olho nos Leilões

O Competro acompanhou todas chamadas de leilões para exploração e produção dos blocos na Bacia de Santos e realizou um atento monitoramento das mudanças das regras para exploração e produção de Petróleo e Gás, buscando identificar benefícios às empresas nacionais, traduzindo tais demandas e repassando esta informação aos empresários.

Em outubro foi realizado um dos principais leilões para exploração e produção do Pré-Sal – o do Campo de Libra – que contemplou o consórcio formado pelas empresas Petrobras, Shell, Total, CNPC e CNOOC.

O presidente da Fiesp ressaltou a importância desses leilões. “A exploração do pré-sal deve ser uma oportunidade não apenas para estimular as exportações de petróleo e derivados do Brasil, mas, principalmente, para atrair tecnologia e estimular a fabricação de equipamentos e até de plataformas de exploração no país”, afirmou.

A previsão é de que a produção desse campo trará ofertas na ordem de centenas de milhões de reais em oportunidades de fornecimento para toda a cadeia do petróleo e gás, nos mais diversos setores da indústria nacional e poderá beneficiar diversos elos da cadeia produtiva, desde grandes até pequenas indústrias podem ofertar bens e serviços a estas primeiras.

Mais informações às indústrias

No ano de 2013 foram criados dois canais de comunicação para disseminar informações às empresas do setor. Um deles, aberto em setembro, foi a área “Petróleo e Gás” no portal da Fiesp. A página, totalmente dedicada ao tema petróleo e gás, reúne notícias, material multimídia, conteúdos de referência e a agenda de eventos relacionados a esses segmentos, realizados ou apoiados pela entidade.

E para ajudar as empresas a vencer uma dos principais obstáculos para inovar — acesso ao crédito — a Fiesp organizou o site Inovação Industrial, que divulga as principais linhas de financiamento para a inovação. De julho a outubro, o site obteve  15 mil visualizações.

Apresentações do 5º Workshop Tecnológico – Equipamentos Especiais para a Indústria Naval e Offshore

Apresentações feitas durante o 5º Workshop Tecnológico  – Equipamentos Especiais para a Indústria Naval e Offshore realizado na Sede da FIESP em 05/12/13.

* apresentações disponíveis no link à direita “Todos Demais Arquivos”

Empresas palestrantes:

01 – Contromation

02 – Contromation

03 – Tecmar

04 – Termodin

05 – GE Marine

06 – Junqueira Compressores (Parte 1 e Parte 2)

07 – SKM

08 – Apema

09 – FINEP

10 – ONIP

 

 

 

 

Entrevista: setor de Petróleo e Gás será o de maior produtividade no Brasil em 2029, afirma José Ricardo Roriz Coelho

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Ricardo Roriz, diretor-titular do Decomtec/Fiesp. Foto: Julia Moraes

A descoberta da camada do Pré-Sal em costas brasileiras trouxe um leque de oportunidades para as indústrias e investidores (nacionais e internacionais). As previsões apontam um aumento de participação do setor de petróleo e gás (P&G) no Produto Interno Bruto (PIB), saltando de 12% (registrados em 2012) para quase 20% no ano de 2020.

Em entrevista ao portal da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, vice-presidente da Fiesp e coordenador do Competro (Comitê da Cadeia Produtiva do Petróleo e Gás) da entidade, fala dos desafios e da importância de maior integração entre iniciativa privada e governos para que o país e os brasileiros possam usufruir dos benefícios desse imenso e importante nicho de mercado.

Para o empresário, todo esse potencial somente será convertido em riqueza, desenvolvimento tecnológico e negócios para as empresas brasileiras se houver uma excelente articulação entre todas as instituições que apoiam o setor no país.

Veja a entrevista na íntegra:

 

Qual foi o principal motivo de se criar um Comitê dedicado a Cadeia de Petróleo e Gás na Fiesp?

José Ricardo Roriz Coelho – Criamos o Competro na Fiesp, em 2011, com o objetivo de reunir os representantes de entidades do setor, governo, lideranças empresariais, universidades e centros de pesquisas, os bancos e agências de fomento, que têm realizado diversas ações em sinergia para o fortalecimento da cadeia produtiva do Petróleo e Gás (P&G).  Nossa meta é servir de elo entre as demandas das indústrias e as ofertas de fornecimento das grandes operadoras e empresas do setor.

É certo que todo o imenso potencial do Pré-Sal só poderá ser convertido em riqueza, desenvolvimento tecnológico e negócios para as empresas brasileiras se houver uma excelente articulação entre todas as instituições que apoiam o setor de Petróleo e Gás. Nos países em que isso foi realizado com empenho − como Reino Unido, Noruega e Finlândia os benefícios para a indústria local foram evidentes.

E quais as principais conquistas nesses dois anos de existência do Comitê?

José Ricardo Roriz Coelho – Para as indústrias, eu destacaria a realização de eventos que permitiram as indústrias paulistas se cadastrassem junto a grandes empresas-âncoras como a própria Petrobras e a CadFor, que representa nove grandes operadoras internacionais de petróleo. Para isso contamos com apoio do Ciesp [Centro das Indústrias do Estado de São Paulo] em seus mais de 40 escritórios regionais.

Também realizamos missões empresariais internacionais para atrair investimentos e parcerias com empresas estrangeiras e as rodadas de negócios, como a da feira Santos Offshore, entre as empresas âncoras e fornecedores da cadeia.

Outra iniciativa importante são as capacitações de empresas promovidas pelo Núcleo de Apoio à Gestão da Inovação na Cadeia de Petróleo e Gás (Nagi PG).

O foco principal do programa Nagi PG é o estímulo à inovação das empresas?

José Ricardo Roriz Coelho – Sim. O programa Nagi PG (parceria da Fiesp, do Ciesp e da Universidade de São Paulo), pretende, até o ano que vem, auxiliar cerca de 200 micro, pequenas e médias indústrias paulistas a elaborar seus projetos de inovação e a identificar oportunidades de negócios com o setor de P&G. Serão formados dez núcleos de inovação tecnológica em diferentes regiões do Estado de São Paulo.

No Encontro de Energia, o senhor comentou que o Brasil tem perspectivas para se tornar um país desenvolvido até 2029. O setor de P&G contribuirá para isso?

José Ricardo Roriz Coelho – Para que o país cresça seu PIB per capita a taxas acima das atuais, chegando a cerca de 5% a.a., é necessário desenvolver uma estratégia de crescimento socioeconômico. Desta forma, o Brasil pode se tornar desenvolvido até 2029.

Estratégias semelhantes foram executadas em países desenvolvidos onde o PIB per capita dobrou em 15 anos. Nesses países a taxa de investimento foi superior a 30% do PIB e a participação da indústria de transformação no PIB, acima de 25%.

Mas, só atingiremos as metas se houver maior crescimento industrial no Brasil. E neste contexto, o efeito multiplicador do setor de P&G, que atinge toda a indústria de transformação, pode ajudar a dinamizar os setores de maior impacto socioeconômico para o país. A participação do P&G no PIB brasileiro poderá chegar a 20% em 2020 e, no ano de 2029, o setor será o de maior produtividade, gerando empregos com altos salários.

Quais estratégias e políticas precisam ser desenvolvidas para que isso se concretize?

José Ricardo Roriz Coelho – São várias ações necessárias, como: melhorar o planejamento da demanda, com frequência adequada das licitações; desenvolver clusters, otimizando a competitividade a partir da criação de incentivos específicos; rever a política de conteúdo local em P&G, dando mais efetividade à participação da indústria nacional; criar políticas de atração e desenvolvimento de tecnologia; criar uma agenda de desenvolvimento com competitividade para exportação; e melhorar acesso de financiamento em condições competitivas (FMM).

Outro aspecto é a sustentação da demanda local. É preciso acelerar a retomada dos leilões de concessão de blocos pela ANP [Agência Nacional de Petróleo], para que o país mantenha sustentabilidade do pipeline de blocos em exploração e desenvolvimento, mantendo a demanda atraente para a localização de bens e serviços no país no longo prazo.

E que medidas serão necessárias quanto ao gás natural?

José Ricardo Roriz Coelho – O preço do gás natural deve ser reduzido aos níveis internacionais. E para isso é preciso estimular o desenvolvimento produtivo da cadeia, ter agregação de valor e ampliar o uso do gás natural na geração de energia, na indústria, nas residências e nos transportes.

Como o senhor avalia a aprovação do projeto de lei que destina os royalties do petróleo para educação e saúde (PL 323/07)?

José Ricardo Roriz Coelho – Eu vejo essa destinação como muito positiva. O Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp, inclusive, já defendia essa destinação. Em novembro de 2012, publicamos o estudo simulando um cenário em que 100% dos recursos dos royalties e a participação especial (PE) fossem alocados em educação. O impacto disso seria um crescimento adicional no PIB de 1,14 p.p. anuais e de 0,57 p.p. anuais no PIB per capita, até o ano de em 2030.

A lei também tem méritos por carimbar metade dos recursos do Fundo Social para as áreas de educação e saúde, sendo inclusive uma conquista para nossa sociedade.

Qual é o impacto econômico e social provocado pela exploração do Pré-Sal?

José Ricardo Roriz Coelho – Permitirá que a atividade econômica não só do litoral, mas de todo o Estado se diversifique, em especial na prestação de serviços especializados relacionados à atividade exploratória.

Mas, para isso, é necessário que os investimentos privados sejam acompanhados de investimentos em infraestrutura pública, adequando às novas demandas por habitação, educação, saneamento, saúde, mobilidade e as peculiaridades ambientais de cada região.

Por isso, repito: é fundamental a integração entre todas as esferas de governo nas etapas de planejamento e implantação das ações necessárias.

E o Brasil está preparado tecnologicamente para acompanhar a demanda?

José Ricardo Roriz Coelho – A demanda para atender ao Pré-sal impõe grandes desafios aos fornecedores instalados, que precisarão se adequar e investir na qualificação de mão de obra especializada para aumentar sua participação nesta indústria.

É importante ressaltar que a exigência de aumento de conteúdo local em bases competitivas configura uma grande oportunidade para desenvolvimento das empresas, que deverão ser qualificadas e desenvolvidas para se tornarem fornecedoras da cadeia de P&G de forma sustentável.

Portanto, inovação e qualificação são os grandes desafios?

José Ricardo Roriz Coelho – Sim. Para que a indústria paulista garanta e amplie o fornecimento de bens e serviços é preciso atender às demandas tecnológicas, como engenharia, geologia e materiais especiais. Isso exige a qualificação tecnológica e o envolvimento intenso dos centros de pesquisa e inovação já existentes no Estado, como as universidades, institutos de pesquisas, entidades de fomento e parques tecnológicos.

Na Baixada Santista, por exemplo, será viabilizado pelo governo estadual o Parque Tecnológico de Santos (PTS), que irá desenvolver pesquisas específicas na área de P&G voltadas às empresas da região. O Senai-SP [Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo] está implantando projetos específicos para atender à demanda crescente da indústria paulista das atividades relacionadas a P&G e portuária.

Quais setores poderão se beneficiar com o Pré-sal?

José Ricardo Roriz Coelho – O setor de P&G movimenta uma ampla cadeia produtiva, tanto a “montante” como a “jusante”. Na “montante” temos, por exemplo, os setores de máquinas e equipamentos, siderurgia, metalurgia, material elétrico, o setor naval (que produzem, por exemplo, as embarcações de apoio) e outros segmentos industriais da cadeia química e eletrônica.

Já na cadeia “jusante” temos os serviços prestados às empresas, desde serviços técnicos gerais (de gestão, jurídicos, contábeis, projeto, construção, etc.) e serviços de transporte. Enfim, muitos setores serão beneficiados.

Está programado para outubro o leilão no Campo de Libra na Bacia de Santos. Como o Competro tem acompanhado os leilões?

José Ricardo Roriz Coelho – O Comitê tem acompanhado todas as chamadas de leilões para exploração e produção dos blocos na Bacia de Santos, incentivando a aceleração dessas chamadas. Em especial, analisamos as mudanças em relação às regras para exploração e produção nestes blocos no que se refere às exigências de conteúdo local determinadas pela ANP.

A cada novo leilão anunciado, ofertas na ordem de centenas de milhões de reais trazem oportunidades de fornecimento para toda a cadeia do petróleo e gás, nos mais diversos setores da indústria e aos diversos elos da cadeia, desde grandes empresas até pequenas indústrias que ofertam bens e serviços a estas primeiras.

A equipe técnica do Competro analisa as mudanças para identificar benefícios às empresas nacionais, traduzindo tais demandas e repassando a informação aos empresários. A nossa tarefa é traduzir tais oportunidades em informações para que as indústrias nacionais as identifiquem e participem ativamente deste crescente mercado.

O Pré-Sal atrai investimentos de grandes companhias multinacionais. Como as indústrias brasileiras podem se beneficiar?

José Ricardo Roriz Coelho – Temos a política de conteúdo local, implementada pela ANP desde início dos anos 2000. Ela permite que parte desses investimentos seja aproveitada pelos fabricantes nacionais, gerando emprego, renda e desenvolvimento tecnológico no Brasil. Essa política é essencial para reestruturar as principais cadeias produtivas que estão sendo desarticuladas devido ao grande aumento das importações.

Por outro lado, ela tem o mérito de estruturar o fornecedor de componentes e demais insumos estratégicos no Brasil, sendo também benéfica à sociedade e às indústrias dos elos finais das cadeias produtivas, as integradoras e montadoras.

A falta de mão de obra especializada é outro desafio para o setor?

José Ricardo Roriz Coelho – Sim, é claro. O crescimento sustentado da indústria depende da disponibilidade de profissionais capacitados em diversas áreas, com sólida formação e capazes de atuar com novas tecnologias e procedimentos.

Segundo cálculos do governo paulista, até 2025, as atividade relacionadas a P&G, bem como a portuária e naval, vão provocar, no litoral paulista, a criação de 130 mil empregos diretos (durante a implantação dos projetos), 71 mil empregos diretos (durante as operações) e 120 mil empregos indiretos.

Sendo assim, é necessário garantir acesso à capacitação profissional para atuação direta ou indireta no setor. E esse acesso é fundamental para a disseminação e perenização das riquezas advindas do Pré-Sal.

E como o Comitê avalia a necessidade de o setor “importar” mão de obra especializada?

José Ricardo Roriz Coelho – O fato de estrangeiros ocuparem postos de brasileiros nesse mercado não é bom para a economia. Uma empresa chega a pagar, além do salário, mais de US$ 100 mil/ano para manter um profissional estrangeiro e sua família no país. Seria muito mais competitivo contratar um profissional brasileiro, que está criticamente em falta no país.

Além disso, as empresas de engenharia estão atendendo à demanda com grande esforço frente ao déficit de quantidade e qualidade de engenheiros, em função da inadequada formação e qualificação de profissionais.

Outras dificuldades encontradas pelas empresas de engenharia dizem respeito ao cenário muito adverso (contratos de curta duração, preço global, prazos inadequados, remuneração sem margem para qualificação), falta de comunicação entre as empresas e as universidades e exigências contratuais que não incentivam a utilização de engenheiros júniores.

E quanto à questão logística e a modernização do Porto de Santos?

José Ricardo Roriz Coelho – O porto de Santos é a principal via de acesso utilizada pelos exportadores e importadores no Brasil. Há anos se sabe da necessidade de melhorias e elas deveriam ser contínuas, visando o crescimento projetado e o atendimento da demanda.

A Petrobras elegeu Santos como a cidade base para as operações do Pré-sal, levando para lá construções, edificações e a infraestrutura. E o Porto de Santos se insere nesse contexto como peça vital do processo. Há que se modernizar para oferecer um bom serviço.

E, obviamente, o porto em si somente não é a solução única, pois a infraestrutura no entorno é fundamental, como vias de acessos, equipamentos, aparelhagens, tecnologia e mão de obra treinada.

A Petrobras anunciou certa redução de investimentos na região. Como o Competro avalia isso?

José Ricardo Roriz Coelho – Temos acompanhado com muita atenção. Em maio, na reunião com os responsáveis pela base operacional de Santos, o Competro tomou conhecimento que a Petrobras definiu que a infraestrutura logística de apoio às plataformas do Pré-sal deverá ser realizada através de investimentos de empresas privadas. Isto é, a Petrobras não vai investir, mas pretende contratar e utilizar estes serviços caso sejam construídos.

Referente ao Centro de Pesquisas, soubemos que a Petrobras e as autoridades municipais e estaduais promoveram reuniões visando tirar o Centro de Pesquisa do papel, avançando definitivamente para construí-lo na cidade de Santos. O investimento previsto é de cerca de R$ 80 milhões.

Esse fato é muito importante, pois as empresas com excelência na área de P&G têm seus projetos já em construção na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro. É fundamental para o Estado de São Paulo e para a Baixada Santista conseguir a instalação desse Centro de Pesquisas, complementando os projetos desenvolvidos no Rio de Janeiro, o que, sem dúvida, atrairá muitas outras empresas para se instalarem junto à Petrobras nesse parque tecnológico.

Este Centro será um vetor de atração para a indústria da P&G instalada no Estado de São Paulo e um atrativo para as que desejam vir para o Brasil, agregando tecnologia, desenvolvimento de uma cadeia de fornecedores e mão de obra de qualidade para São Paulo.

>> Conheça a página da cadeia produtiva de Petróleo & Gás no site da Fiesp 

Evento na Fiesp vai debater como reindustrializar o Brasil urgentemente

Agência Indusnet Fiesp

Com o objetivo de discutir políticas para reindustrializar o Brasil e dinamizar a economia, o Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), promove o seminário “Reindustrialização do Brasil: chave para um projeto nacional de desenvolvimento”, no dia 26 de agosto. O evento terá quatro painéis e contará com a presença de 32 renomados especialistas.

Segundo diretor titular do Decomtec, José Ricardo Roriz Coelho, o contexto econômico não tem sido favorável aos investimentos em tecnologia. Por isso, o Brasil precisa ser mais agressivo nas políticas de pesquisa e desenvolvimento (P&D) e inovação a exemplo do que fazem os países desenvolvidos.

>> Conheça a programação do seminário “Reindustrialização do Brasil: chave para um projeto nacional de desenvolvimento”
Um dos painéis discutirá os “Instrumentos de política industrial e tecnológica para incentivar a reindustrialização do Brasil”.

O debate, moderado por Mauro Borges Lemos, da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), tem a participação confirmada de Alexandre Comin, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Antonio Fernandes dos Santos Neto, da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), Carlos Américo Pacheco (ITA), reitor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), José Roberto Mendonça de Barros , da empresa de consultoria MB Associados, Mansueto de Almeida, da Fundação Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Mariano Laplane, do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Mario Bernardini, da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e Paulo Pereira da Silva (Força Sindical).

Os comentários finais são de David Kupfer, professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e dois diretores da Fiesp: Roberto Giannetti da Fonseca, titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex), e José Ricardo Roriz Coelho, do Decomtec.

Durante o painel serão tratadas de questões como: é viável a política de conteúdo local para desenvolver fornecedores nacionais competitivos internacionalmente? É possível expandir a política de compras governamentais brasileira para todas as compras públicas? As margens de preferências estão adequadas? O uso da regulação setorial pode ser um instrumento de política industrial mais bem aproveitado no Brasil?

Também devem constar do debate essas questões: existem setores que são dinamizadores/vetores, como o setor de petróleo e gás, químico e infraestrutura, entre outros. É viável incentivar os setores dinamizadores? A desoneração dos insumos básicos industriais aumentaria a competitividade das principais cadeias produtivas? Como aumentar os investimentos em P&D e inovação no Brasil?

O evento terá transmissão on-line, em tempo real, pelo site da Fiesp: www.fiesp.com.br/online

Serviço

Seminário “Reindustrialização do Brasil: chave para um projeto nacional de desenvolvimento”
Data: 26/08/13
Horário: 8h30 às 18h30
Local: Edifício-sede da Fiesp, em São Paulo – Av. Paulista, 1313