Monopólio afetará competitividade do setor petroleiro no Brasil, diz especialista


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Marco Tavares, sócio-diretor da GasEnergy

Na medida em que não há competição, o governo corre o risco de arcar com o custo da exploração da camada do pré-sal. Foi o que afirmou Marco Tavares, sócio-diretor da GasEnergy, empresa de consultoria no setor de gás natural, petróleo e energia no Brasil e Conesul.

Convidado a ministrar palestra sobre o futuro do petróleo e pré-sal no Brasil, em reunião do Conselho Superior de Infraestrutura (Coinfra), nesta sexta-feira (18), Tavares disse que deixar a operação 100% nas mãos da Petrobrás em áreas como a de Santos seria compreensível. Entretanto, em outras regiões, o monopólio seria uma forma de impedir trocas tecnológicas e privar dos avanços de conhecimento que outras empresas possam proporcionar.

“O sinal que estamos dando nesse momento com o pré-sal é que de queremos atrair investidores financeiros. Mas quem vai querer participar de algo que não saberá o custo de produção, já que a decisão de veto será dada pela própria Petrosal – a companhia que cuidará da produção? Seria como assinar um cheque em branco”, argumentou.

Segundo Tavares, o modelo de concessão tem o bônus de assinatura, no qual o governo se apropria no instante zero, antes do risco geológico, antes do risco de produção. Atualmente, para cada três barris produzidos em campos de alta prospectividade, dois ficam nas mãos do governo. Um barril vai para o produtor pagar seus custos, correndo riscos de custo e o geológico.

“Acho que ainda há muita coisa para se discutir. Não vejo questionamentos sobre o assunto, que é de interesse de todos e deveria ser debatido democraticamente. Nessa questão do novo modelo, estou muito pessimista”, explicou o especialista.

Já a respeito do gás natural, Tavares levantou o histórico do combustível que passou por um plano de massificação em 2003 e hoje há excedentes por falta de demanda. “A trajetória do gás saiu da escassez até chegar à sobra. É importante aprender com os erros. E nesse setor vemos que problemas de planejamento de um agente podem seus mudar dados. É o que acontece quando não temos mais de um agente”, concluiu.


Concessão x Partilha

O atual modelo é o de concessão, também chamado de privatizante. Ele permite que os consórcios para exploração dos poços estabeleçam parcerias com empresas privadas e que possuam mínima interferência do governo.

O formato de partilha determina que a Petrobrás terá um mínimo de 30% de todos os consórcios. Além disso, a estatal poderá participar de leilões para adicionar ainda mais este porcentual.


Perfil
Marco Tavares é engenheiro químico e possui dois MBAs em Marketing e Internacional Gas Business Manegement Certificate pelo Internacional Human Resources Development Corporation (IHRDC). Com mais de 25 anos nos mercados de petróleo, gás natural e indústria petroquímica, já atuou em empresas como Copesul, Petróleo Ipiranga e na espanhola Repsol-YPF.