Skaf: É hora de equilíbrio

O movimento dos caminhoneiros afirmou que até sexta-feira 25 (amanhã) dará livre passagem para cargas vivas e remédios. Mas que se um acordo não for alcançado, a partir de sábado, dia 26, nenhum tipo de carga passará.

O movimento não pode impor sofrimento às cargas vivas, deixar que animais morram de fome e sede nas estradas, nem privar a sociedade do livre trânsito de remédios e produtos perecíveis.

Identificamos em relatório do Ministério das Minas e Energia de abril que o preço interno do diesel S 10 cobrado pela Petrobras está 5% acima do padrão internacional (preço do golfo do México).

A Petrobras deve ter liberdade para definir os preços, mas tem a responsabilidade de não tirar vantagem excessiva de seu poder de monopólio e impor valores acima do mercado internacional. É hora de ter equilíbrio.

Paulo Skaf

Presidente da Fiesp e do Ciesp

Petrobras explica na Fiesp novas regras de contratação de fornecedores

Agência Indusnet Fiesp

As novas regras de contratação de fornecedores da Petrobras, que entram em vigor para todo o país a partir de 15 de maio, foram explicadas para uma plateia lotada na Fiesp nesta quarta-feira (18 de abril) por Arnaldo Coelho (compliance), Alex Bessa e Gerson Rentes (regulamento de licitações e contratos) e Daniel Salles e Natalia Camargo (Sistemas Petronect, o serviço de comércio eletrônico pelo qual a Petrobras realiza compras e contratações). Também houve uma sessão de atendimento a empresas, para esclarecimento de dúvidas.

A abertura do evento foi feita por José Ricardo Roriz Coelho, segundo vice-presidente da Fiesp e diretor titular de seu Departamento de Economia, Competitividade e Tecnologia. A Cadeia Nacional de Fornecimento de Bens do Setor de Petróleo e Gás tem grande importância na economia do Brasil, respondendo por 3,7% do PIB do país e empregando mais de 700.000 pessoas.

O Plano de Negócios e Gestão 2018-2022 da Petrobras prevê investimento total de US$ 74,5 bilhões na exploração e produção. O efeito sobre a economia paulista é grande, porque o Estado concentra a maioria do parque fabril nacional dos fornecedores de bens para o setor de petróleo e gás, com 51% do valor da produção, 57% dos postos de trabalho e 51% do faturamento do setor. A cadeia de fornecimento é espalhada por todo o território estadual.

Resultado da Lei 13.303/16, que determina, basicamente, a realização de licitações públicas para todas as contratações, impedindo que estatais, sociedades de economia mista e suas subsidiárias realizem compras por meio de convite direto a fornecedores. A aplicação da lei é obrigatória a partir de 1º de julho de 2018, e na Petrobras começa em 15 de maio a aplicação do Regulamento de Licitações e Contratos Petrobras (RLCP).

Todas as oportunidades de negócios serão publicadas no Portal de Compras, que foi adaptado para atender à lei e passa a integrar páginas para cadastro nas fases de habilitação e de pré-qualificação. Os fornecedores que já possuam cadastro ativo serão considerados habilitados automaticamente em uma licitação cujos requisitos do edital sejam idênticos. Outro destaque refere-se à disponibilização do Catálogo Eletrônico Padronizado (CEP) de bens ou serviços a serem adquiridos.

Para ter acesso ao Regulamento de Licitações e Contratos da Petrobras (RLCP), clique aqui.

Para ter acesso às apresentações feitas no seminário, clique aqui.

Seminário realizado por Fiesp e Ciesp abordou as novas regras de contratação de fornecedores da Petrobras. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Com participação da Fiesp, Movimento Produz Brasil defende valorização do conteúdo local

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

A Fiesp fez nesta sexta-feira (16/12) o lançamento em São Paulo do movimento Produz Brasil (Mais indústria, mais empregos, mais Brasil). A iniciativa tem como objetivo valorizar o conteúdo local e preservar a capacidade de produzir do país. É integrada por 14 instituições, representantes de milhares de empresas de diversos setores, incluindo a Fiesp e as federações das indústrias dos Estados da Bahia (Fieb), do Rio (Firjan), Minas Gerais (Fiemg), Rio Grande do Sul (Fiergs) e Santa Catarina (Fiesc).

Na abertura do evento, José Ricardo Roriz Coelho, vice-presidente da Fiesp e diretor titular de seu Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec), explicou que o investimento em petróleo e gás é um dos mais atraentes para o Brasil. “Não podemos perder a oportunidade de criar excelentes empregos no Brasil”, disse.

Roriz defendeu uma política de conteúdo local bem feita. Eliminá-la seria prejudicial, disse. Não é momento de revisar uma política que vem sendo aplicada de fato desde 2005, afirmou. A avaliação imediatista e simplista feita sobre ela não leva em conta o impacto que isso teria na economia brasileira, explicou.

É um equívoco, em sua avaliação, dizer que a política de conteúdo local provoca custos para a sociedade. Não há, lembrou Roriz, dinheiro subsidiado para isso. A sociedade é na verdade beneficiada pela política de conteúdo local, explicou Roriz, usando entre outros exemplos as vagas geradas graças às regras de conteúdo local. De 54.000 em 2004, o número de empregos na indústria fornecedora da cadeia de petróleo e gás foi para 116.000 em 2014. E o país vem evoluindo na curva de aprendizado científico e tecnológico.

Dizer que o custo é mais elevado para produzir no Brasil não leva em conta os problemas estruturais do país nem os benefícios dados a empresas no exterior, afirmou Roriz.

Segundo o vice-presidente da Fiesp, estamos reindustrializando o Brasil ao insistir em setores como o naval, em que temos que concorrer com países em que a escala de produção é muito maior, há mão de obra mais escolarizada e maior intensividade de capital.

Em sua apresentação, Roriz enfatizou a situação econômica atual, com PIB em queda de 3,5% em 2016 e crescimento previsto de apenas 0,7% em 2017. O desemprego, de 11,8%, é o maior desde o início da série e ainda deve aumentar. A capacidade ociosa oscila entre 20% e 30%. As empresas estão endividadas e sua alavancagem aumentou. E elas não geram caixa para pagar suas despesas financeiras.

Será, perguntou, que neste momento é prioridade discutir o conteúdo local?

A política de conteúdo local (PCL) deve ter como principais objetivos adensamento da cadeia produtiva – e que ela seja eficiente e competitiva; internalização e desenvolvimento de setores de maior conteúdo tecnológico, o que requer prazo para consolidação das empresas, com política estável; o programa deve ser previsível, para que as empresas possam planejar ações e tomar decisões de investimento e desenvolvimento de fornecedores. E ela deve incentivar/apoiar, e não punir os agentes nela envolvidos.

Abertura do evento de lançamento do Movimento Produz Brasil, na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

A expansão e diversificação das atividades econômicas é um de seus efeitos, com o desenvolvimento econômico e social de forma sustentável. Roriz usou como exemplo a experiência da Noruega, que partiu do zero e chegou ao posto de maior PIB per capita do mundo com sua política para o setor do petróleo. E há, disse, outros exemplos de políticas adequadas de conteúdo local em outros países, como o Reino Unido – e mais recentemente, a Arábia Saudita.

E há os contraexemplos, de países que não implantaram uma política industrial com foco no conteúdo local para estruturação de sua cadeia produtiva e não se beneficiaram da exploração de petróleo. Deixaram de gerar riqueza (renda) para o país e apresentam uma difícil condição econômica e política.

O Custo Brasil e o câmbio valorizado, ressaltou Roriz, neutralizaram nos últimos anos tanto a política de conteúdo local quanto qualquer outro instrumento de política industrial. Boa parte da diferença de preços prejudicial ao que é fabricado no Brasil decorre do Custo Brasil, segundo Roriz. E, destacou, apesar da Petrobras alegar que a política de conteúdo local aumenta o custo dos seus investimentos, indícios de sobrepreço são observados nos investimentos da Petrobras em áreas nas quais não há regras de conteúdo local.

Roriz avalia que não são excessivos os índices estabelecidos para conteúdo local, considerando a composição do preço dos produtos industrializados.

Desde o aprimoramento da política de conteúdo local até o momento mais recente, os setores produtores de óleo e gás tiveram resultados mais significativos que a indústria de transformação e que a economia como um todo. O valor adicionado pelo setor cresceu 111% de 2004 a 2014, contra 12% para a indústria de transformação e 37% para o total da economia.

Com base na matriz de insumo-produto e na matriz de impacto intersetorial, calcula-se que cada bilhão de dólares investido na construção de uma plataforma com 55% de conteúdo local gera produção de R$ 4,1 bilhões na economia brasileira como um todo.

Contexto da indústria de petróleo e gás

Karine Fragoso, gerente de Petróleo, Gás e Naval da Firjan, fez palestra no lançamento do Produz Brasil. Ela explicou que o preço atual do petróleo não tira o espaço para ainda fazer muita coisa no Brasil, apesar do maior custo, por exemplo, do pré-sal. Investimento requerido é maior, mas ainda há folga considerável para atividades exploratórias.

Ela destacou que a alta produtividade dos campos do pré-sal os torna atraentes. O óleo é de qualidade mais alta, e os riscos geológicos são menores, explicou. E o fim da exigência da Petrobras como operador único pode levar à aceleração dos investimentos, gerando oportunidades para toda a cadeia produtiva.

Em relação ao conteúdo local, Karine disse que teve mais êxito no mundo quando isso foi associado a outras políticas industriais. Deve haver valorização da produção nacional com isonomia de bases comparativas, a partir da construção de mecanismos de política industrial que permitam a realização de investimento e negócios sustentáveis.

O país não deve nunca, disse a gerente da Firjan, cair na tentação de acelerar a produção de petróleo sem que isso seja acompanhado pelo desenvolvimento da indústria nacional. Essa é uma lição deixada pela Noruega, afirmou.

O Produz Brasil, explicou, defende a manutenção das regras de conteúdo local e seu aperfeiçoamento. A ideia é que haja evolução para política baseada em incentivo. Uma política industrial mais ampla deve ter a extensão do Repetro (regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens que se destina às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e gás natural) ao encadeamento produtivo, em vez de servir apenas à operadora e seus fornecedores diretos.

Em reunião com presidente da Petrobras, Skaf defende equilíbrio na avaliação do conteúdo nacional

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Petrobras, Pedro Parente, apresentou nesta segunda-feira (26/9) na sede da Fiesp o Plano Estratégico e Plano de Negócios e Gestão 2017-2021. E na reunião se comprometeu a estudar duas questões levantadas pela Fiesp. A primeira é relativa ao mercado de asfalto, tema sobre o qual Parente recebeu um estudo do Departamento da Indústria da Construção da Fiesp (Deconcic), entregue por seu diretor titular, Carlos Eduardo Auricchio.

A segunda questão é o desinvestimento no setor de gás natural. Foi levantada por Carlos Cavalcanti, diretor titular do Departamento de Infraestrutura da Fiesp (Deinfra).

No encontro, Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp, disse que é preciso buscar equilíbrio entre as visões sobre conteúdo nacional, lembrando que muitas empresas investiram e se prepararam para atender à Petrobras. Parente se disse a favor de uma política de conteúdo local, mas afirmou que havia muita coisa errada na que foi adotada. Metas irrealistas, reconheceu Parente, provocaram uma série de problemas. “Com nossa escala e nosso poder de compra, podemos alavancar a indústria nacional”, declarou, ajudando-a a se tornar competitiva. “Queremos ter política inteligente de conteúdo nacional.”

Reunião na Fiesp em que Pedro Parente apresentou o Plano Estratégico da Petrobras. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

O Plano

Antes de Parente fazer sua apresentação, Paulo Skaf listou a longa lista de cargos do executivo em importantes empresas privadas e estatais. Foi boa notícia sua nomeação, por sua seriedade e competência, afirmou Skaf. Sabíamos da importância da Petrobras para o país e das dificuldades da empresa, disse. Ninguém está mais preparado do que ele para resolver esses problemas. Cadeia de petróleo e gás tem grande alcance, destacou.

O presidente da Petrobras explicou que no plano, de 5 anos, há horizonte de 2 anos para concentração de esforços para uma virada na empresa, em segurança e alavancagem. Depois virá período de volta do crescimento. Terminados os 5 anos, a empresa produzirá 3,4 milhões de barris de petróleo e gás, mas o período inicial será de austeridade.

>> Ouça o presidente da Petrobras

A intenção da Petrobras é se tornar uma empresa integrada de energia, com foco em óleo e gás. Para Parente, a capacidade técnica da Petrobras é única, reconhecida especialmente na exploração em águas profundas.

Pela primeira vez, disse Parente, há métrica de segurança (36% de redução na taxa de acidentes registráveis, de 2,2 acidentados por milhão de homens-hora para 1,4) e financeira, de redução da alavancagem de 5,3 para 2,5 dívida líquida/EBDA até 2018. Resultados na segurança demandarão muito treinamento.

Cerca de 100 pessoas participaram da elaboração do plano, que prevê para o novo sistema de gestão metas compartilhadas e cruzadas, com seu acompanhamento sistemático e a correção de desvios. Principal ferramenta será o orçamento base zero. Aspecto muito importante é a meritocracia.

Pilares são preços competitivos, redução de investimentos mantendo a produção, eficiência de Opex (despesas operacionais) e parcerias em desinvestimentos. A transformação cultural é vista pela direção da Petrobras como essencial para o sucesso do plano. Metas para 2018 são desafiadoras, mas a simulação de cenários mostra que são factíveis. Nos gastos operacionais gerenciáveis a meta é redução de 18%.

O programa de parcerias e desinvestimentos, na estimativa do Plano, pode alavancar investimentos adicionais de mais de US$ 40 bilhões em 10 anos.

Produtividade do pré-sal é maior do que a esperada (em média 26.000 barris por dia). Há menor necessidade de Capex para a mesma produção. Aumento da participação do pré-sal na carteira de produção leva a uma diminuição dos custos operacionais.

Petrobras pretende reduzir seu risco principalmente no midstream e no refino. Para isso, mais do que parcerias, quer alianças estratégicas que tragam aprendizado. Vai sair de uma série de áreas, como produção de biocombustíveis, distribuição de GLP e produção de fertilizantes. Vai ainda reestruturar os negócios de energia, consolidando-os em busca de maximização de valor para a empresa.

Investimentos em refino e gás serão para manter capacidade, não para ampliá-la.

Em tecnologia há duas estratégias principais, com a de curto prazo voltada a reduzir custos, e a segunda visando à adequação à nova economia, de baixo carbono, com crescimento das energias renováveis no mix e exigência de redução da emissão de CO2.

Parente ressaltou a importância da gestão do processo de contratação, com ações em projetos e operação, conformidade, geração de valor e riscos. O fortalecimento dos controles internos e da governança, disse, dá mais transparência e eficácia do sistema de prevenção e combate a desvios. Série de medidas já implementadas permitem a melhora da governança, afirmou.

Ressaltou que não há decisão que seja tomada fora de um colegiado. Separação de autorização de despesas e autorização de pagamento é outro ponto importante.

Parente encerrou a apresentação com a leitura dos direcionamentos estratégicos de longo prazo, para depois dos cinco anos do plano.

José Ricardo Roriz Coelho, vice-presidente da Fiesp e diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec), avaliou como consistente e convincente o plano da Petrobras. Ressaltou o enorme peso dela no PIB brasileiro.

Skaf encerrou a reunião desejando sucesso a Parente, lembrando que o êxito dele na Petrobras terá grande reflexo sobre a economia. “Temos que olhar para a frente.”

 

Conta da Petrobras não fecha, diz na Fiesp especialista em infraestrutura

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), disse na Fiesp nesta sexta-feira (17/6) que a Petrobras está quebrada. “A conta não fecha”, afirmou durante reunião do Conselho Superior de Infraestrutura da Fiesp. O preço do petróleo, que deve se manter entre US$ 45 e US$ 55 por barril por longo tempo, o câmbio, o enorme endividamento e os cortes nos investimentos –e consequentemente nas perspectivas de aumento de produção- estão entre os obstáculos que ele vê para a empresa.

Pires defendeu a capitalização da empresa, sugerindo que o governo seja responsável por algo como 30% do novo investimento, ficando os restantes 70% para a iniciativa privada. Para isso, listou uma séria de mudanças que seriam necessárias para tornar o negócio atraente para os investidores. “Não dá para recolocar a empresa na rota da rentabilidade sem a capitalização”, afirmou.

O diretor do CBIE explicou o que considera um tripé para refundação da Petrobras: melhora da governança corporativa; plano estratégico de qualidade, realista, com foco nas áreas de atuação mais atrativas; melhor estrutura de capital.

Os números

Com uma dívida de R$ 502 bilhões (em dezembro de 2015), dos quais R$ 280 bilhões vencendo entre abril de 2016 e 2020, a Petrobras precisaria ter R$ 650 bilhões a R$ 700 bilhões para cobrir a necessidade de caixa no período, mas só haverá de R$ 230 bilhões a R$ 280 bilhões de geração de caixa, sugerindo funding gap de R$ 450 bilhões. Dificilmente a produção crescerá até 2020, disse.

Houve corte de investimentos, e a meta revista de produção, que é de 2,7 milhões de barris por dia, representa crescimento de 35% em relação à atual produção de 2 milhões de barris por dia. E mesmo isso, no cenário atual, é difícil, analisa Pires, ressalvando que está mais otimista com o novo governo, que nomeou gente preparada, como Pedro Parente, o novo presidente da Petrobras.

Pires ressaltou que a maioria do crescimento de dívida, de R$ 106 bilhões em 2009 para R$ 502 bilhões de reais, não se deveu a investimentos. Foram R$ 160 bilhões em subsídios para gasolina e diesel entre 2010 e 2016. Outros R$ 80 bilhões se deveram a “custos extraordinários”, em projetos sem retorno financeiro, inviáveis, como Rnest, Comperj e as refinarias premium do Maranhão e do Ceará.

Outros R$ 20 bilhões foram gastos em custos extraordinários nos investimentos em outros ativos de midstream e downstream. Por fim, R$ 75 bilhões em variações cambiais da dívida sem hedge.

Para chegar a um nível sustentável de 1,5 vezes a dívida líquida/EBITDA, o primeiro ponto, segundo Pires, seria dividir a conta entre os stakeholders, como feito no setor elétrico em 2001. O consumidor precisaria devolver o subsídio de R$ 160 bilhões (ou R$ 220 bilhões, com correção), por meio de uma fórmula de preços que permita prêmio em relação aos preços internacionais, por um determinado período. Isso é um erro para corrigir outro erro, mas precisa ser feito para recuperar a Petrobras, disse.

Outra questão seria a renegociação com credores, que emprestaram com a perspectiva de produção de até 5 milhões de barris por dia.

Em relação aos ativos que poderiam ser vendidos, Pires considera viáveis os de distribuição de combustíveis, termoelétricas, ativos internacionais como a Petrobras Argentina e o lease back de plataformas. Isso geraria US$ 10 bilhões a US$ 15 bilhões, muito abaixo do US$ 52 bilhões ambicionados no plano de desinvestimento.

Pires considera que seria útil a Petrobras vender parte dos campos, por não ter capacidade de investimento para explorá-los. Custos do pré-sal vêm caindo, pela boa surpresa na produtividade, e dão atratividade às áreas, disse.

Sobre os ativos da Petrobras que estão em monopólios naturais, como gasodutos, Pires considera que se forem vendidos sem atenção à regulamentação, podem criar uma “grande bagunça” no mercado. Carlos Cavalcanti, vice-presidente do Coinfra, citou posicionamento da Fiesp em relação à venda das distribuidoras de gás. Lembrou que a entidade emitiu duas notas duras na época do negócio. “Estamos atentos”, avisou.

Agenda para o setor

Em sua apresentação, Pires listou pontos que considera necessários para o setor energético:

Redefinição do papel da Petrobras e do governo no desenvolvimento do setor;

Estabelecer mecanismo transparente para alinhamento de preços de combustíveis e redefinir o modelo de investimento para expansão do parque de refino e da malha de gasodutos do país;

Promover a indústria do etanol e a retomada de investimentos em usinas de biomassa;

Melhorar práticas de governança corporativa na Petrobras, para proteção contra interferência governamental e política em sua política de preços, de investimentos, estrutura organizacional e gestão operacional;

Aprimorar a governança dos reguladores do setor e aumentar a responsabilidade e transparência de decisões.

Pires defende a exclusão (em discussão no Congresso) da obrigatoriedade da Petrobras ter no mínimo 30% dos consórcios e ser a exploradora única para exploração e produção de petróleo e gás natural na área do pré-sal. Também propõe retomar um calendário de leilões de petróleo a ser definido pelo Conselho Nacional de Política Energética.

Pires quer ainda a rediscussão do papel da PPSA no setor (para ativos de partilha já leiloados) e a revisão de sua governança, na tentativa de eliminar a ingerência do governo no cálculo da conta petróleo e seu poder de veto em questões estratégicas, como o desenvolvimento de produção marginal no país.

Outra questão é a autorização para farm-out em participações da Petrobras em ativos de cessão onerosa e do excedente da cessão onerosa e no excedente de 10% em relação ao mínimo exigido por lei de 30% para o desenvolvimento da área denominada como Libra.

Em relação a preços de combustíveis e downstream, mudar o estatuto da Petrobras, para incluir nele a fórmula de ajustes de preços e sua periodicidade. Seria preciso eliminar a arbitragem de preços na importação, por meio da criação de uma Cide.

Marcos Marinho Lutz, presidente do Coinfra, elogiou a apresentação de Pires, apesar de “nada animadora”. Em relação à situação da Petrobras, lembrou que a listagem em bolsa conseguiu blindá-la – caso contrário, o prejuízo teria sido muito maior.

Citou a dificuldade gigantesca de promover mudanças na Petrobras, por fatores como a atuação sindical e perguntou a Pires se haveria destruição de valor caso fosse feita uma cisão na empresa, com downstream de um lado e o upstream do outro. Pires acha que estrago maior que o que foi feito nos últimos anos não acontece, mas isso precisa ser estudado. Qualquer opção para reformar a empresa exige coragem, disse. E o processo vai ser difícil.

Reunião do Coinfra, da Fiesp, com a participação de Adriano Pires, do CBIE. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Regras claras, para atrair investimento privado, pedem especialistas em combustíveis

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Especialistas em combustíveis reunidos nesta segunda-feira (18/4) na Fiesp cobraram do Governo regras claras para o setor, como forma de atrair os investimentos privados necessários para garantir o abastecimento no Brasil.

O moderador do workshop, Alvaro Teixeira, diretor de Energia do Departamento de Infraestrutura da Fiesp (Deinfra, organizador do evento), ressaltou a importância do mercado de combustíveis no Brasil, o quarto maior do mundo, e com tendência a crescer. Há, disse, sentimento generalizado de necessidade de drástica mudança estrutural no mercado de combustíveis do país. A própria Petrobras tem dado indicação de mudanças em suas políticas de abastecimento. Exploração e produção concentrarão seus investimentos, o que abre lacuna na área de abastecimento. Cria-se oportunidade para o setor privado, com a estimativa da necessidade de investimento de R$ 32 bilhões em 15 anos.

Só que antes de investir é preciso conhecer a parte econômica, afirmou Leonardo Gadotti Filho, vice-presidente de Logística, Distribuição & Trading da Raízen. Não se sabe por exemplo o custo do transporte entre Paulínia e Brasília (via Oleoduto São Paulo-Brasília (Osbra), que faz parte da estrutura da Petrobras).  “Crucial para começar a discussão é abrir a caixa preta”, o preço do produto derivado de petróleo no Brasil.

José Augusto Dutra Nogueira, diretor de Operações da Cia. Brasileira de Petróleo Ipiranga, frisou necessidade de definir claramente regras, para atrair investimentos, que são significativos.

Também Luiz Augusto Horta Nogueira, professor da Unifei, chamou de caixa preta a estrutura de preços da Petrobras. É preciso conhecer os custos, disse, não o preço determinado pelo Governo. Num mercado onde preço é definido no Palácio do Planalto não há certeza de rentabilidade para agentes privados, afirmou Horta Nogueira. Em sua opinião, a abertura do mercado exige tornar mais realistas preços e custos.

Entender a tributação de combustíveis no Brasil é tarefa para especialistas, disse. Cofins e Cide, muito importantes do ponto de vista regulatório, tiveram administração equivocada, com visão de curto prazo que teve efeitos negativos sobre o setor de etanol, destacou. Recentemente, começou a haver correção nos tributos.

Horta Nogueira destacou que a expansão prevista no consumo de combustíveis aumenta a dependência externa. Falta capacidade de refino, e importação poderá chegar a 1 milhão de barris de petróleo por dia. “Não podemos aceitar isso passivamente. É muito dinheiro.” Ele defende a construção de capacidade local de produção de combustíveis, fósseis ou biocombustíveis.

Autossuficiência versus dependência

Não faz sentido, afirmou Teixeira, do Deinfra, o Brasil ser autossuficiente em petróleo e importar diesel. Rubens Cerqueira Freitas, superintendente adjunto de Abastecimento da ANP, apontou a diferença entre a posição do Brasil como quarto maior consumidor de combustíveis e sua posição apenas como oitavo maior refinador, com descompasso entre oferta e consumo.

“Somos dependentes de derivados de petróleo”, afirmou. Em 2015, a importação foi de 300 mil barris por dia (caindo em relação aos 400 mil barris por dia de 2014). E até 2026, dependência mais do que dobra, para 750 mil barris por dia. Para 2030, com crescimento 10 anos seguidos a 3% ao ano, chega a 1,2 milhão de barris por dia.

A ANP não considera prudente essa dependência, da qual 80% a 90% se refere a combustíveis veiculares. Excesso da capacidade de refino (EUA, por exemplo), parece ter levado à decisão de não investir em refinaria.  A análise de Freitas é que empresarialmente decisão faz sentido, mas não do ponto de vista da segurança energética.

Citou dois caminhos extremos para o Brasil, um deles a autossuficiência; o outro, a dependência. Entre os dois extremos, várias gradações.

Caso se opte pela autossuficiência, além de completar a Comperj, que apesar de estar nos planos da Petrobras para 2023, talvez não saia, a ANP propõe refinaria no Maranhão, garantindo autossuficiência do Norte e Nordeste em gasolina e óleo diesel. A outra seria próxima ao consumo do agronegócio, no Centro-Oeste ou Triângulo Mineiro. Para isso seria preciso encontrar investidores. Em relação a preços, à regra do jogo, “tudo tem que ser conversado”.

Caso a opção seja pelo outro extremo, a dependência (que, afirmou, não ocorre com nenhuma das maiores economias), o Brasil precisa se preparar, com portos com capacidade para 1 milhão de barris por dia, expansão dos dutos e ampliação dos estoques estratégicos.

Se for seguir o caminho da dependência, que já é o que acontece hoje, a ANP identifica 7 portos nos quais investir: Vila do Conde (PA), para o Norte, Itaqui, Pecém, Suape, São Sebastião e Santos, São Francisco (SC), em vez de Paranaguá. Seria preciso duplicar o Osbra, que vai de Paulínia ao Distrito Federal, e o Opasc, que liga Paraná a Santa Catarina.

Contra essa dependência, Freitas aponta como fator de risco logístico o fato de 2/3 do petróleo vir por mar (o Brasil, lembrou, não tem dutos com vizinhos). No caminho há estreitos, como o de Ormuz e o de Málaca, o canal de Suez, o da Turquia, e o menos complicado, na Dinamarca. “Quando um deles trava, o quebra-cabeças todo se modifica.” Nos EUA há o problema dos furacões, que podem interromper o abastecimento. Também existem fatores políticos, como fragilidades momentâneas na União Europeia e terrorismo na região. China, com seu caixa, recheado de US$ 3,3 trilhões, ganha espaço e redefine interesses globais. E no Oriente Médio, o preço baixo do petróleo desestabiliza a economia dos países da região.

O superintendente adjunto da ANP deixou mensagem positiva para os investidores, com a oportunidade no refino, na produção de combustíveis e de biocombustíveis e na infraestrutura de terminais e dutos.

Workshop do Departamento de Infraestrutura da Fiesp sobre combustíveis. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Transição gradual

Gadotti Filho, da Raízen, considera uma segunda grande onda o posicionamento da Petrobras, com seu menor investimento na distribuição de derivados, retroagindo à porta da refinaria. Com isso toda a parte de logística, principalmente a primária, importantíssima, passa a ser exercida de algum modo pelas distribuidoras. Cabotagem, para N e Ne, com origem no Sudeste, e dutos, como o Osbra, que vai de Paulínia a Brasília, são os principais recursos, que a Petrobras já sinalizou que deverão ser assumidos pelas distribuidoras. Área tributária preocupa, por envolver diferentes Estados. E é preciso incorporar ganhos de eficiência. Usou como exemplo o fato de só se usarem caminhões-tanque no transporte de combustível da costa para o interior, o que dá margem de ganho.

Dutra Nogueira, da Ipiranga, vê desafio grande pela frente, saindo do monopólio da Petrobras. Não se pode imaginar que o processo de mudança seja rápido, destacou. Provavelmente acontecerá passo a passo. “Não dá para imaginar que a Petrobras vai sair da posição de monopolista de fato e que a iniciativa privada assuma da noite para o dia.” Ela terá que participar do jogo durante algum tempo. E os investimentos serão necessários, qualquer que seja o caminho seguido.

José Lima Neto, presidente do Sindicato Nacional das empresas de Distribuição (Sindicom), disse que será preciso equacionar o abastecimento para a demanda até 2030, que não será coberta pela capacidade instalada atual. Diminuindo o papel da Petrobras, a ANP, responsável pelo abastecimento, terá que definir quem serão os novos atores. Outras definições terão que ser feitas, como o combustível que será usado no futuro, ou se será importado.

Venda de distribuidoras de gás natural da Petrobras prejudica concorrência no setor

Fato relevante divulgado pela Petrobras na terça-feira passada (22/9), referente à venda da Gaspetro, informa que a empresa “está em negociação final com a Mitsui Gas e Energia do Brasil Ltda para a venda de 49% da holding”. Isso mantém o monopólio no setor de distribuição de gás, que continuará sob regime estatal, com 51% da holding nas mãos da Petrobras.

A Petrobras deveria ter aproveitado a oportunidade para aumentar a eficiência da cadeia de gás natural, que tem importância estratégica na recuperação da atividade industrial do país e na geração de empregos.

A venda, da forma anunciada, consolida a situação de falta de concorrência na distribuição de gás natural, que é danosa para o preço do produto, importante insumo para a indústria. Para fazer caixa no curto prazo, a Petrobras sacrifica a perspectiva de longo prazo da indústria brasileira, ao inibir novos investimentos no setor.

O processo de venda renderá à Petrobras menos dinheiro do que poderia. Uma estratégia de venda de cada distribuidora individualmente ou em blocos regionais aumentaria significativamente o valor do negócio, além de contribuir para o aumento da concorrência.

A posição da Fiesp é que a Petrobras se restrinja a atuar na área de exploração e produção e deixe a operação da malha de gasodutos e a distribuição de gás natural. “Obviamente, o resultado seria mais efetivo se a Petrobras vendesse, neste momento, 100% de sua participação nas distribuidoras, concentrando-se na produção de petróleo e gás, que é sua atividade-fim”, diz Paulo Skaf, Presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.

O atual modelo tira a esperança de ter o gás natural como fator de competitividade da indústria brasileira.

Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – FIESP

Venda da Gaspetro é novo capítulo na série de maus negócios da Petrobras

A Petrobras está para fazer mais um mau negócio. Está para ser anunciada a venda de 49% da Gaspetro, o braço de gás natural da empresa. Feita de forma apressada e sem transparência, a operação vai agravar a brutal falta de concorrência no setor.

O negócio não é apenas ruim. É o pior possível. Da forma como está sendo encaminhado, com todas as distribuidoras da Petrobras sob a holding Gaspetro, a alienação conseguirá preço mais baixo na venda dos 49% das ações do que se fosse feita a oferta, em leilões sucessivos, de cada distribuidora de gás separadamente ou em blocos regionais. Este modelo seria capaz de gerar concorrência entre os compradores interessados, despertando o apetite dos investidores, aumentando os ganhos da empresa.

A Petrobras negociou com nove empresas, mas sete já se desinteressaram pelo negócio.  “Do jeito que foi noticiado, é claro que pouca gente vai querer comprar”, avalia Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A Petrobras manteria o controle da empresa, cabendo aos novos acionistas apenas o papel de coadjuvantes. “É como comprar um carro novo e não poder dirigi-lo.”

A Fiesp propõe que a Petrobras atue na área de exploração e produção e deixe a operação da malha de gasodutos e a distribuição de gás natural. “Obviamente, o resultado seria mais efetivo se a Petrobras vendesse, neste momento, 100% de sua participação nas distribuidoras, concentrando-se na produção de petróleo e gás, que é sua atividade-fim”, diz Skaf.

A Fiesp, em total alinhamento com a sociedade brasileira e com o momento político, advoga transparência irrestrita nos negócios envolvendo a Petrobras, para evitar a repetição dos episódios da história recente da empresa. O processo de venda da Gaspetro, bem como o programa de desinvestimento da estatal, precisa ser interrompido imediatamente para ser retomado depois de uma ampla discussão com a sociedade. Orgulho e patrimônio do Brasil, a Petrobras precisa dialogar com os brasileiros. “Não dá para a discussão ser feita a portas fechadas, por instâncias internas da empresa”, afirma Skaf.

A Fiesp recorrerá aos órgãos de controle da administração pública, ao Poder Legislativo e, caso necessário, à própria Justiça, para garantir a satisfação dos interesses da sociedade brasileira.

Federação das Indústrias do Estado de São Paulo

Centro das Indústrias do Estado de São Paulo

Petrobras precisa ter papel menor no gás natural para permitir concorrência, diz vice-presidente do Coinfra

Anne Fadul, Agência Indusnet Fiesp

“Precisamos ter um mercado de concorrência no preço do gás natural no Brasil. O momento é tentar discutir qual o projeto de desinvestimento da Petrobras, para criarmos uma política de gás que seja competitiva para o país”, afirmou Carlos Cavalcanti, vice-presidente do Conselho Superior de Infraestrutura (Coinfra) da Fiesp. A declaração foi dada na manhã desta quarta-feira (9/9), durante a reunião mensal do conselho, ocorrida na sede da entidade, que abordou os desafios e oportunidades do gás natural no Brasil.

Segundo Cavalcanti, a ideia é desverticalizar a cadeia do gás natural no país, limitar o papel da Petrobras apenas às atividades de exploração e produção (E&P) e aumentar e permitir a atuação de empresas privadas nos setores de E&P, transporte e distribuição de gás natural. “Isso nos trará mais investimentos, aumento da oferta, atração de novos players e criação de um ambiente concorrencial. Modelo que interessa ao país e promove a competitividade da indústria”, afirmou.

Também presente no encontro, Augusto Salomon, presidente executivo da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), acredita que as barreiras e obstáculos ao crescimento do setor de gás natural no Brasil são o papel dominante da Petrobras na infraestrutura e políticas de governo que não reconhecem o papel do gás. “Falta oferta abundante e preços competitivos, há descasamento entre a operação das termoelétricas e os outros segmentos do mercado. Capacidade reduzida de investimento dos estados e da Petrobras na infraestrutura de gás e a falta de leque de financiamento em condições atraentes também contribuem para que o setor não alavanque”, disse.

Reunião do Coinfra em 9 de setembro, que teve como tema o gás natural. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

O gás canalizado ainda é pouco desenvolvido no Brasil. Apenas 3,8% dos domicílios são abastecidos com gás canalizado, contra mais de 60% nos Estados Unidos, Europa, Argentina e Colômbia. No entanto, há um enorme potencial para alavancar novos investimentos nos próximos anos. Segundo Salomon, a indústria do gás canalizado desempenha um papel importante na economia brasileira, gerando receitas, impostos e investimentos de bilhões de reais. A despeito da crise econômica, em 2014 a indústria investiu R$ 1,5 bilhões. A indústria gerou quase 20 mil empregos diretos e indiretos. O número pode dobrar se os investimentos forem acelerados.

Mercado atual

O consumo de gás natural quase dobrou em sete anos, e o número de consumidores quase triplicou em 10 anos. A maior parte do crescimento se deve a investimento das distribuidoras privatizadas. “O segmento residencial registrou um crescimento de 100% em 10 anos, com concentração nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, a partir de maciços investimentos da Comgas e CEG”, afirmou Salomon.

No entanto, os segmentos industrial, automotivo e cogeração tiveram seus consumos paralisados devido a preços altos e dificuldades enfrentadas pela indústria brasileira, à política de preços para gasolina e à ausência de política de incentivos, respectivamente.

Apesar do potencial, o mercado de gás está estagnado.A maior parte do crescimento da oferta, incluindo os terminais de gás, tem visado o atendimento das termoelétricas. O gás natural veicular, que já foi uma promessa com diversas campanhas de incentivo, vem tendo seu papel reduzido ao longo dos anos, na contramão do aumento da frota de carros e das importações de gasolina/diesel e devido ao preço elevado do gás. Indústrias e novos projetos se transferem para outros países, como os Estados Unidos e Oriente Médio, ou trocam de combustíveis”, afirmou o presidente.

Agenda positiva

Para Salomon, uma agenda positiva para o setor seria incentivar a eficiência setorial, aumentar a oferta de gás, ter políticas de preços e financiamentos e reduzir o papel do governo nos investimentos. “Ações como garantir o acesso de outros produtores a dutos de escoamento e estimular novos empreendimentos privados e reduzir o papel da Petrobras no controle da infraestrutura de gás contemplam esta agenda”, afirmou.

Petrobras não vai negociar plano de desinvestimento de cabeça baixa, diz especialista

Anne Fadul, Agência Indusnet Fiesp

“Apesar de a Petrobras estar em crise, ela não vai negociar com a cabeça baixa na hora de vender os ativos do seu plano de desinvestimentos.  Ela tem grande poder de negociação e, na maioria das vezes, negocia com mais poder do que uma empresa privada”, disse Diego Mendes, chefe do setor de petróleo, gás e petroquímicos do Itaú BBA. A afirmação foi feita durante o Worshop Gás Natural e Plano de Desinvestimento da Petrobras, realizada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) nesta quarta-feira (17/6), na sede da entidade.

Com o objetivo de elevar o fluxo de caixa, o plano de desinvestimento da estatal, que deverá ser anunciado ao mercado dentro de um mês, é de quase US$ 14 bilhões para os anos de 2015 e 2016 e será voltado para área de exploração e produção. O modelo de venda prevê participações minoritárias, com manutenção da Petrobras no controle acionário dos ativos.

Diego Mendes, do Itaú BBA, do setor de petróleo, gás e petroquímicos do Itaú BBA. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Mendes afirmou que a iniciativa abre oportunidade para o mercado, mas alertou que “o mais importante é a garantia de suprimento a preço competitivo”. Com relação à participação minoritária, o especialista disse que a Petrobras sempre quis ser um player ativo no mercado. “Desfazer do monopólio não é da natureza da empresa. Ela não vai vender seus bens a qualquer preço”.

Presente no evento, Carlos Eduardo Brescia, diretor de assuntos regulatórios e institucionais Companhia de Gás de São Paulo (Comgás), afirmou que a empresa tem participado de reuniões para ver como será esse processo de venda de ativos. “Primeiramente é preciso verificar se a estatal tem interesse em privatizar algum ativo. O modelo de venda pretendido não é o ideal, pois a Petrobras continuará no controle”, disse.

O diretor da Gas Energy Assessoria Empresarial, Ricardo Pinto, também participou do encontro e disse que tem recebido contatos solicitando apoio para analisar os ativos e garante que há interesse de grupos estrangeiros.

“É uma oportunidade que o país tem de viabilizar uma grande mudança no mercado de gás que hoje é monopolizado. Agora é o momento é de desverticalizar este segmento”, concluiu.

Em Santos, Fiesp e Ciesp lançam programa de gestão da inovação para Petróleo & Gás

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp, de Santos (SP)

Depois de passar por nove regiões do estado, o programa do Núcleo de Apoio à Gestão da Inovação na cadeia produtiva de Petróleo e Gás (Nagi P&G) chega à Baixada Santista.

Desta vez, empresas de pequeno e médio portes que já atuam como fornecedoras da Petrobras são o público-alvo da iniciativa, resultado de uma parceria entre a Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) e a Universidade de São Paulo (USP).

Reunião do lançamento da décima etapa do Nagi-P&G. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

 

O evento de lançamento dessa etapa aconteceu na manhã desta sexta-feira (17/10), no auditório da Unidade de Operações da Petrobras na Bacia de Santos (UO-BS), com presença de aproximadamente 40 representantes de empresas interessadas. A próxima turma começa no dia 07 de novembro, na sede da Fiesp e do Ciesp. Interessados podem fazer suas adesões até essa data (informações pelo e-mail nagipg@fiesp.com .)

Kalenin Branco, do Competro/Fiesp: o resultado do Nagi-P&G é a inserção de uma mentalidade inovadora dentro das empresas. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

De acordo com Kalenin Branco, integrante do Comitê da Cadeia Produtiva de Petróleo & Gás (Competro) da Fiesp, a área de P&G apresenta constante demanda por tecnologia, mas nem sempre as empresas se preparam de forma adequada para a gestão da inovação. “A ideia é que vocês se motivem a participar desse processo e abracem a gestão inovadora”, incentivou Branco. “O resultado é a inserção de uma mentalidade inovadora dentro das empresas.”

Na sequência do evento, o diretor da unidade do Senai-SP em Santos, Getúlio Rocha Junior, falou sobre os investimentos da instituição em uma nova escola, com atenção especial ao mercado de P&G. “Esperamos que seja um centro de excelência não só em nível nacional, mas em nível mundial”, afirmou Rocha Junior, colocando o Senai-SP à disposição de indústrias interessadas em serviços tecnológicos e formação de mão de obra especializada.

Representando o Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp, Egídio Zardo Junior explicou que, ao participar do programa, os principais benefícios das empresas são a possibilidade de avaliar o estágio de maturidade em inovação e, ainda, receber propostas de ações e de metas para aprimorar-se. A prospecção de novas oportunidades é outra vantagem possível.

“Desde 2012 o Nagi P&G mobilizou mais de 400 empresas em nove regiões. Tivemos 110 adesões e nossa meta final é de 80 empresas capacitadas”, enumerou Zardo Junior.

Moacir de Miranda Oliveira Junior, da USP: inovação é um encontro virtuoso entre ideias e necessidades do mercado. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

O programa dura sete meses entre capacitações coletivas, autodiagnósticos e consultorias individuais. Entre os módulos há um dedicado a linhas de financiamento e incentivos à inovação, facilitando o contato com agências de fomento. A última etapa, segundo ele, é uma assessoria que culmina com a elaboração de planos de gestão e inovação. O processo conta com o acompanhamento de um consultor.

Em sua apresentação, o professor doutor Moacir de Miranda Oliveira Junior, do Núcleo de Política e Gestão Tecnológica da USP (PGT/USP), explicou que inovação é um “encontro virtuoso entre ideias e necessidades do mercado” e que a gestão desse processo tem o papel de delinear diretrizes de atuação alinhadas com a estratégia corporativa, de modo a articular recursos humanos, financeiros, materiais e conhecimentos e competências de fontes internas e externas.

“No fundo, inovação é uma estratégia para a melhoria do resultado final”, resumiu.


Case de sucesso

Antonio Luiz Schiliro: “Setor é muito dinâmico. As demandas são grandes e é preciso se preparar muito bem antes de pensar em crescimento”. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Para mostrar um caso de sucesso foi convidado um participante do Nagi P&G, o empresário Antonio Luiz Schiliro, da AR – Ar Condicionado e Engenharia, que integra sistemas de tratamento de ar. “Dentro do Nagi tivemos a oportunidade de conhecer industriais e soluções”, ressaltou Schiliro, que falou das visitas técnicas propiciadas pelo programa – uma delas à Replan/Paulínia, por exemplo.

Outra oportunidade agarrada pelo empresário foi uma missão comercial organizada pela Fiesp e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) para a Europa. “Tivemos a oportunidade de conhecer todas a estrutura do setor naval na Finlândia e Noruega e participamos de encontros B2B com indústrias locais. E foi na Noruega que descobrimos a força das pequenas e médias empresas na cadeia de óleo e gás.”

No momento, a empresa está desenvolvendo trabalhos para a nova refinaria do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), com obras em andamento no município de Itaboraí (RJ) e para empresas que atuam em Macaé (RJ) – cidade-base para a Bacia de Campos. “Também estamos em Três Lagoas (MG) para uma fábrica que vai produzir fertilizantes nitrogenados”, acrescentou.

De toda essa experiência ficou uma lição. “Aprendemos que o setor é muito dinâmico. As demandas são grandes e é preciso se preparar muito bem antes de pensar em crescimento”, testemunhou Schiliro.

Dicas

Oswaldo Kawakami, gerente geral da UO/BS Petrobras: é fundamental que interessados em fornecer para a Petrobras atendam a requisitos técnicos envolvendo segurança, meio ambiente e saúde. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

O evento contou  ainda com a participação de Oswaldo Kawakami, gerente geral da UO/BS Petrobras.

Ele apresentou os investimentos previstos e em andamento para a Bacia de Santos até 2020.  “São cerca de 21 novas plataformas até 2020. Nove serão afretadas e 12, próprias da Petrobras. A gente calcula que teremos cerca de 60 contratos para cada plataforma. E 35.000 itens para cada uma delas. Imagine a quantidade de produtos que vamos precisar nos próximos seis anos”, sugeriu. “E a previsão é de que cada uma fique operando 20 anos.

Segundo ele, nos últimos dois anos a Petrobras contou com 1.056 fornecedores e 20.000 itens movimentados. “São mais de 300 recebimentos por mês.”

De acordo com Kawakami,  é fundamental que interessados em fornecer para a Petrobras atendam a requisitos técnicos envolvendo segurança, meio ambiente e saúde. Outro ponto a ser observado é manter cadastro atualizado junto à empresa. “É muito importante esse aspecto: a informação constante sobre a entrega. Outro é a alimentação dos aspectos fiscais e de entrega no Portal Petrobras. Se não faz essa alimentação, não temos como garantir o pagamento”, alertou.

O engenheiro e consultor Virgílio Calças Filho, ex-funcionário da Petrobras, também participou do evento. Ele apresentou os desafios para as empresas no pré-sal, em que as reservas, situadas em águas profundas, são mais difíceis de alcançar.

“Qualquer área da Petrobras que você vai trabalhar tem que levar em consideração muito fortemente esse aspecto de segurança, saúde e meio ambiente. Muitas vezes para ganhar meia hora em um serviço pode levar a um acidente que deixa o local um mês interditado. Segurança não é perda de tempo, segurança não é prejuízo. A Petrobras lida com produtos inflamáveis e é extremamente perigoso se não souber trabalhar com o produto.”

Ele destacou ainda que 80% de fornecedores de micro, pequenas e médias empresas. “Vocês têm chance de entrar nesse mercado.”

Palestras do evento de Lançamento do Programa NAGI PG – Núcleo Fornecedores Petrobras em Santos

 

Disponibilizamos as apresentações do evento de Lançamento do Programa NAGI PG – Núcleo Fornecedores Petrobras em Santos UO/BS, que aconteceu no dia 17 de outubro de 2014, em  Santos/SP

 

Para visualizar  as apresentações, acesse o menu ao lado

(todos demais arquivos/2014).

 

 

 

Objetivo do Evento:

Apresentar aos empresários de micro, pequenas e médias indústrias as oportunidades que o setor de Petróleo e Gás oferece e apresentado o Programa NAGI PG – Núcleo de Apoio à Gestão da Inovação na Cadeia de P&G , em que o empresário é capacitado a implementar em sua empresa a gestão da inovação e a preparar-se para atender as demandas e as exigências da cadeia produtiva do Petróleo e Gás.

No evento os empresários presentes também puderam assistir à apresentação de uma empresa participante do NAGI PG que identificou oportunidades e passou a prospectar o setor de petróleo e gás.

A Fiesp e o Ciesp também demonstram como estão apoiando as empresas a fazerem parte deste setor. Foi Assista o depoimento de empresários que já participam do Programa NAGI PG.

 

PROGRAMAÇÃO DO EVENTO

Das 8h30 às 12h00 – Auditório UO/BS Petrobras – Santos /SP

8h30 – Recepção e Welcome Coffee

09h00 – Abertura

Diretor da Petrobras UO/BS – Oswaldo Kawakami

Diretor FIESP/CIESP – Kalenin Branco

Diretor Senai SP/Santos – Getúlio Rocha Junior

Representante da USP/PGT- Moacir Miranda

09h15 – Palestra Plano de Investimentos Petrobras e Participação dos Fornecedores

Palestrante: Oswaldo Kawakami – Gerente Geral da UO/BS Petrobras

09h45 – Palestra Novas Oportunidades e Desafios no Fornecimento ao Setor de P&G

Palestrante: Consultor Virgílio Calças – Ex-Gerente da Refinaria da Petrobras de SJC

10h15 – Palestra Case de Sucesso – Depoimento Empresa do NAGI – Benefícios do Programa

Palestrante: Luiz Antônio Schiliró – Empresário Participante do Programa NAGI PG

10h45 – Apresentação do Programa NAGI PG

Palestrante: Egídio Zardo Junior – Representante da FIESP – Departamento de Competitividade e Tecnologia da FIESP

11h15 – Apresentação do Auto-Diagnóstico e Plano de Gestão da Inovação – PGI

Palestrante: Moacir Miranda – Coordenador de Projetos do PGT/USP – Núcleo de Política e Gestão Tecnológica

11h45 – Recolhimento do Termo de adesão ao NAGI PG e Próximos Passos

Perguntas dos empresários sobre o Programa NAGI PG e Termo de Adesão

12h00 – Encerramento

Setor de P&G:

Os investimentos estimados do setor até 2020 são da ordem de US$ 424 bilhões e tem potencial para gerar 3,5 milhões de empregos. A previsão é que o setor represente 20% do PIB brasileiro em até 10 anos.

 

Programa NAGI PG – Núcleo de Apoio à Gestão da Inovação na Cadeia de Petróleo e Gás

Até o final de 2014, o Programa NAGI PG irá capacitar cerca de 200 pequenas e médias indústrias paulistas da cadeia de petróleo e gás a implementar a gestão da inovação e a elaborar planos e projetos de inovação.

O Programa NAGI PG está sendo executado em nove núcleos desde 2012 (São Paulo, Vale do Paraíba, Mogi das Cruzes, Sertãozinho, Ribeirão Preto, Campinas, Sorocaba, Piracicaba/Limeira e RMSP) e o décimo núcleo será lançado no evento em Santos dia 17/10, com a participação de empresas fornecedoras da OU/BS da Petrobras. A expectativa é que todas as empresas presentes ao evento adiram voluntariamente ao Programa. No evento será apresentado um caso de sucesso de uma média empresa que participa de outro núcleo do NAGI PG e que passou a fornecer para o setor de P&G a partir de sua participação. Também será apresentado o conteúdo e cronograma do programa e os benefícios às empresas que aderirem. A primeira capacitação já iniciará dia 29/10 na Sede da Fiesp em São Paulo.

O Programa é subsidiado e conta com o apoio financeiro da FINEP – Financiadora de Projetos e do MCTI – Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, que aportou cerca de R$ 2 milhões investidos em capacitações das empresas.

A metodologia de aplicação do projeto, com duração total aproximada de seis a sete meses (finalizando em abril-maio/2014), contempla as seguintes fases:

• Sensibilização das empresas;
• Capacitações coletivas em inovação;
• Aplicação de auto-diagnóstico da inovação;
• Entrevistas individuais nas empresas para validação do auto-diagnóstico e entrega de relatório de melhorias;
• Assessoria empresarial individual para elaboração e entrega do Plano de Gestão de Inovação – PGI, para cada empresa participante.

O objetivo final é que o programa NAGI PG contribua para o aumento da maturidade em inovação das empresas fornecedoras da Petrobras e para o aumento de sua competitividade, identificando e apoiando-as no desenvolvimento de projetos de inovação de seus produtos e serviços voltados à cadeia de P&G, assim como a melhoria na qualidade de fornecimento à Petrobras.


 

Especialistas falam sobre a questão do desenvolvimento do mercado livre de gás natural

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

Luiz Henrique Guimarães, da Comgas: "Por que não se desonerar o gás natural?" Foto: Everton Amaro/Fiesp

Propostas para desenvolver o mercado de gás natural no Brasil foram apresentadas por profissionais do setor durante o painel com o tema “Desenvolvimento do mercado livre de gás”, agenda do final da tarde desta terça-feira (20/05) na Semana de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Para Luis Henrique Guimarães, da Comgas, o mercado livre não vai destravar o mercado de gás natural no Brasil. Segundo ele, o mercado precisa, primeiro, estabelecer uma meta. “A gente só vai conseguir destravar essa indústria se tiver foco, para que a gente possa conseguir a curto, médio e longo prazo, as medidas que vão, de fato, destravar esse mercado.”

Guimarães destacou que o grande problema no Brasil é a oferta, já que a demanda existe e é grande. Para mudar esse quadro, a proposta do executivo é a união da cadeia do gás para conseguir subsídios para o setor.

“O governo desonera tanta coisa nesse país. Por que não se desonerar o gás natural? O GLP tem um subsídio de cerca de R$ 4 bilhões de reais.  Um quarto desse subsídio, que corresponde a 1/26 do rombo do setor elétrico, faria com que a tarifa do gás para a indústria ficasse competitiva, o que destravaria o setor.”

Percival Franco do Amaral, da Ecom Energia, propõe separar a distribuição da comercialização. Foto: Everton Amaro/Fiesp

A proposta de Percival Franco do Amaral, da Ecom Energia, é separar a distribuição da comercialização do gás natural. “O modelo que se tem de mercado de gás natural no Brasil é verticalizado, um modelo de monopólio desde a produção até a distribuição e a comercialização”, disse. “É um modelo protecionista que, em última análise, protege também o consumidor que não precisa correr riscos.”

Isso resulta, de acordo com Amaral, em preços elevados, que estão provocando a perda de competitividade do gás, até para o GLP. “A minha provocação é manter a distribuição no modelo atual, mas separar a distribuição da comercialização. Isso é uma posição que os estados podem tomar, porque não atinge em nada os contratos de concessão.”

“Para o desenvolvimento do mercado livre em São Paulo, o foco deve mudar do fornecimento para o consumo, que é onde há competência legal para a atuação do governo estadual. A força da indústria paulista pode olhar para isso”, concluiu.

Marcio Balthazar da Silveira, da NatGás, falou sobre as barreiras do gás natural no País. “A primeira barreira é encontrar o óleo e o gás. A segunda barreira é a transferência até o PGN. Isso realmente leva a gente à conclusão que o gás, nas circunstâncias atuais, te m mesmo que ser vendido pela Petrobras.”

Para Silveira, a atuação hegemônica da Petrobras é legítima e justificada, mas é incompatível com qualquer proposta de diversificação de oferta e mercado livre. “O mercado livre de gás natural só vai acontecer com a inserção de novos produtores e agentes comercializadores independentes”, declarou. “O que se deseja para o Brasil, afinal?”

Maria D´Assunção. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Maria D’Assunção Costa, da Assunção Consultoria, citou o filósofo Sêneca para comentar o atual panorama do setor de gás natural no Brasil. “Se a gente não souber para onde vai, fica muito difícil pegar o vento a favor”, disse a consultora. “Acredito que teremos mercado de gás. Acompanhei a instituição do mercado de energia elétrica e lembro que havia muitas coisas que precisavam ser arrumadas e foram. Mas vejo o mercado de gás como inevitável.”

Para alavancar o setor, Maria sugere o aumento de opções de recebimento de GNL e também de opções de escoamento de GN (on shore), licitações para novos gasodutos de transporte, ligações interestaduais, transparência no volume produzido e apoio institucional para a produção do biogás.

“Temos uma quantidade enorme de biogás. Por outro lado, é uma energia renovável. A cada caminhão de lixo ou de biomassa, podemos produzir mais gás. A produção do biogás pode levar o gás a várias indústrias e empresas que querem usar um combustível renovável.”

L.E.T.S.

A Semana da Infraestrutura da Fiesp (L.E.T.S.) representa a união de quatro encontros tradicionais da entidade: 9º Encontro de Logística e Transporte, 15º Encontro de Energia, 6º Encontro de Telecomunicações e 4º Encontro de Saneamento Básico.

O evento acontece de 19 a 22 de maio (segunda a quinta-feira), das 8h30 às 18h30, no Centro de Convenções do Hotel Unique, em São Paulo.

Mais informações: www.fiesp.com.br/lets

Finep, BNDES e Petrobras apresentam detalhes do edital Inova Petro

Juan Saavedra e Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Empresas que precisem de investimentos em inovação para atuar como fornecedores no setor de petróleo e gás natural podem contar com os recursos do Programa Inova Petro, uma iniciativa conjunta da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com o apoio técnico da Petrobras.

Detalhes do edital de fomento a inovação da Finep e BNDES são apresentados na Fiesp durante o Workshop Técnológico Inova Petro. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

O principal objetivo do programa, lançado em 2012, é contribuir para a política de aumento de conteúdo local e para a competitividade e sustentabilidade da cadeia de fornecedores nacional.

Em janeiro, as instituições publicaram uma chamada pública para receber projetos – os interessados em participar do processo seletivo têm até o dia 24 de abril.

Para esclarecer dúvidas de empresários sobre o edital, a Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), por meio do Comitê da Cadeia Produtiva de Petróleo e Gás da Fiesp (Competro), promoveu, na manhã desta quinta-feira (10/04), o “Workshop Tecnológico Inova Petro – São Paulo”.

>> Empreendedores do petróleo destacam a importância de eventos específicos para o setor

O evento contou palestras de especialistas da Finep e da Petrobras que detalharam o edital e falaram sobre quatro linhas temáticas do edital: Processamento de Superfície, Instalações Submarinas, Poço e Reservatórios.

André Zenícola de Menezes, chefe em exercício do Departamento de Petróleo, Gás e Indústria Naval da Finep. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Em sua apresentação, o chefe em exercício do Departamento de Petróleo, Gás e Indústria Naval da Finep, André Zenícola de Menezes, destacou que o mercado no setor vai além da Petrobras.

“O mercado é mundial. A partir do momento em que as empresas se capacitam para fazer qualquer inovação, qualquer desenvolvimento, lançar qualquer produto no mercado, esse mercado não está restrito ao Brasil”, citando, como exemplos, a Costa da África e alguns locais dos Estados Unidos.

“O principal nesse programa é a integração de instrumentos. Nós juntamos tudo que a Finep e o BNDES podem oferecer”, disse Menezes, informando que os recursos envolvidos para financiamento chegam a R$ 3 bilhões – com aportes iguais de 1,5 bilhões de cada uma das instituições.

No primeiro edital, a Finep recebeu 38 cartas de manifestações de interesse, com demandas que chegavam a R$ 2,8 bilhões. Vinte e três foram aprovadas inicialmente, envolvendo a possibilidade de aporte de R$ 848,6 milhões. Na sequência, 16 projetos evoluíram e conseguiram apresentar planos de negócios, requisitando R$ 548,7 milhões. Desses planos, 11 foram aprovados, o que levaria a um financiamento da monta de R$ 353,6 milhões. No funil, seis planos estão em contratação, com aporte de R$ 204,9 milhões.

“Essa redução vai acontecendo porque algumas empresas desistem, entram em outra oportunidade, saem do programa, mas ainda assim, nós consideramos um resultado bom”, comentou Menezes.

Na sequência, outro representante da Finep, Igor Villa Nova de Andrade, explicou como preencher cada um dos formulários das cartas de manifestação de interesse – para as empresas líderes, parcerias ou para os Institutos de Ciência e Tecnologia.

>> Conheça o Inova Petro

Acompanhamento técnico

Alexandre Novaes, da Petrobras, disse que as empresas devem apresentar suas propostas da melhor maneira possível porque a empresa vai dar apoio técnico durante o edital.

“Num primeiro momento, após a carta de manifestação de interesse, a Petrobras vai disponibilizar as especificações técnicas. Haverá um workshop para as empresas tirarem as dúvidas no Centro de Pesquisa da Petrobras. Lá na frente existe uma interação técnica bem forte antes de as empresas finalizarem o plano de negócios, para que esses planos possam ser bem direcionados”, explicou.

“O primeiro edital foi um sucesso e a gente espera que ele possa ser um sucesso para as próprias indústrias.”

Carlos Camerini, superintendente da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip),ressaltou a qualidade técnica dos palestrantes Gustavo Adolfo C. Freitas, Jose Fernando Nicodemos, Paulo Roberto Souza e Airton Hiroshi Okada, que em seguida falariam sobre as linhas temáticas que integram o edital.

De acordo com André Pompeo do Amaral Mendes, gerente do Departamento Gás e Petróleo e Cadeia Produtiva do BNDES, o mercado offshore está em ascensão. “Se as empresas conseguirem fazer as inovações de seus produtos em um segmento estratégico, certamente terão um mercado de longo prazo.”

O coordenador adjunto do Competro, Eduardo Berkovitz, falou brevemente sobre o Núcleo de Apoio à Gestão da Inovação na Cadeia de Petróleo e Gás Paulista (Nagi PG), parceria da Fiesp e do Ciesp, do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) e da Universidade de São Paulo (USP), que tem como objetivo capacitar e auxiliar empresas a tornar-se fornecedoras da Petrobras e demais empresas do setor.

>> Saiba mais sobre as atividades de Petróleo e Gás na Fiesp 

Exploração do petróleo no Brasil será debatida em evento da Fiesp

Agência Indusnet Fiesp

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) vai debater, nos dias 5 e 6 de agosto, o momento atual do pré-sal brasileiro no seu 14º Encontro Internacional de Energia,  a ser realizado no Hotel Unique, na capital paulista. Com o painel “Pré-sal: a nova era do petróleo no Brasil”, a entidade vai discutir o Programa de Investimentos da Petrobras, o desenvolvimento dos campos descobertos e a exploração e produção do petróleo, entre outros temas.

“A extração de petróleo da camada pré-sal abre um mar de oportunidades para o setor industrial, que está preparado para aproveitá-las. A indústria de base paulista já é a maior fornecedora da Petrobras e das empresas contratadas por ela”, afirma Carlos Cavalcanti, diretor do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp.

A chegada do primeiro leilão do pré-sal, previsto para outubro, no Campo de Libra na Bacia de Santos, promete um investimento na ordem de US$ 200 bilhões a US$ 300 bilhões. A previsão é de que a área gere uma produção de 1 milhão de barris por dia. Segundo a Agência Nacional o Petróleo (ANP), o Campo de Libra tem condições de começar a produzir em 2018.

“O pré-sal vai proporcionar impacto econômico e social, além de ser uma grande oportunidade para a indústria no País, que precisa estar preparada para atender esse crescimento de demanda e tecnologicamente pronta para vencer os desafios do petróleo explorado”, ressalta Cavalcanti.

Serviço
14º Encontro Internacional de Energia
Datas: 5 e 6 DE AGOSTO – das 8h30 às 18h
Local: Centro de Convenções do Hotel Unique – Av: Brigadeiro Luis Antônio, 4700 – Jd Paulista – São Paulo

Ciesp e Fiesp iniciam Módulo 3 do Nagi – PG em São Paulo

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Com o objetivo de ajudar as empresas a se prepararem melhor para atender as demandas da cadeia de petróleo e gás, está sendo realizado, nesta sexta-feira (14/06), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o III Módulo de Capacitação para os participantes do Núcleo de Apoio à Gestão da Inovação na Cadeia de Petróleo e Gás (Nagi-PG). A iniciativa é uma parceria entre a Fiesp e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), junto com o Senai-SP e a Agência de Inovação da USP.

Os trabalhos estão sendo conduzidos pelo diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp (Decomtec) e membro do Comitê de Petróleo e Gás Natural da Fiesp/Ciesp (Competro), Eduardo Berkovitz. Com a participação ainda do analista de projetos do Decomtec Egídio Zardo Jr. e da professora e pesquisadora do Núcleo de Política de Gestão Tecnológica da USP, Claudia Pavani. O engenheiro Virgilio Calças Filho, ex-gerente de Engenharia da Petrobras, foi o responsável pela apresentação sob o tema “Oportunidades e desafios no fornecimento para a cadeia de petróleo e gás”.

Claudia, Berkovitz e Zardo Jr no terceiro módulo de treinamento do Nagi - PG. Foto:  Helcio Nagamine/Fiesp

Claudia, Berkovitz e Zardo Jr no terceiro módulo de treinamento do Nagi - PG. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

“As ações do Nagi fazem parte dos trabalhos do Competro, criado para atender ao aumento da demanda no setor, principalmente com o pré-sal”, disse Berkovitz. “Estamos presentes ainda em missões comerciais, como aquelas já realizadas na Escócia e na Inglaterra e na Finlândia e na Noruega”, explicou.

Já Claudia destacou o fato de que o Nagi ajuda as empresas principalmente no que se refere à gestão da inovação. “O Nagi vai realizar um diagnóstico de como está a inovação nas empresas e capacitar as indústrias paulistas da cadeia de petróleo e gás”, disse.

Em sua apresentação, Calças Filho lembrou aos empreendedores que não faltam possibilidades de bons negócios num contexto em que, até 2020, devem ser investidos US$ 400 bilhões na cadeia de petróleo e gás no país. “Será um salto para a indústria”, afirmou. “Nunca tivemos um cenário semelhante a esse no Brasil”.

Calças Filho: investimentos de US$ 400 bilhões no setor até 2020. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Calças Filho: investimentos de US$ 400 bilhões no setor até 2020. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

De acordo com o engenheiro, somente a Petrobras vai investir, entre 2013 e 2017, US$ 236,7 bilhões. “A Petrobras é parceira de mais de 120 universidades e centros de pesquisa no Brasil”, disse.

Em termos de produção, também é esperado um aumento. “Devemos passar dos atuais 2,3 milhões de barris produzidos por dia no Brasil para 5,4 milhões de barris diários em 2021”, explicou Calças Filho.

Até 20% do PIB

Mais um dado animador para as indústrias que atendem a cadeia de petróleo e gás. “Até 2020 o setor vai representar 20% do PIB brasileiro”, disse o engenheiro. “E São Paulo tem tudo para ser referência mundial em inteligência do petróleo e gás natural”.

Participante do Nagi também por meio da sua empresa, a Usiman, de peças de manutenção, o diretor de Energia, Petróleo e Gás do Ciesp e diretor do Competro, Kalenin Branco, disse que as atividades do núcleo ajudam os empresários a terem “uma visão mais real” do mercado e dos processos. “Isso além da ajuda para a preparação de estratégias”, completou.

Também presente no treinamento, o assistente técnico da HollBras, de filtros industriais, Bruno Reis, foi outro que aprovou a iniciativa. “Vale muito a pena participar do Nagi”, disse. “Aqui temos uma visão boa do mercado e conseguimos direcionar as nossas metas e ações de inovação”, explicou.

O Nagi-PG reúne empresas de São Paulo, Baixada Santista, Vale do Paraíba e de Sertãozinho. Serão realizados, mais adiante, módulos em Campinas, Ribeirão Preto, Mogi das Cruzes, ABC Paulista, Sorocaba, Piracicaba e São Carlos. O programa tem como objetivo formar, até 2014, cerca de 400 empresas.

Indústria precisa estar conosco para gerar soluções de engenharia, diz presidente da Petrobras

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, pediu a empresários paulistas nesta quarta-feira (10/04) empenho e investimentos em projetos da estatal para produção e exploração de petróleo. Segundo ela, o plano de negócios e gestão da Petrobras para 2013-17 apresenta uma “financiabilidade mais robusta” e projetos seguros para o potencial investidor.

“Temos 177 projetos em avaliação e precisamos começá-los. E novamente a indústria é muito importante estar conosco para nos trazer soluções de engenharia e projetos cada vez mais simples. É estar conosco a favor da produtividade”, afirmou Foster em entrevista coletiva à imprensa.

Maria das Graças Foster, presidente da Petrobras: indústria ganha expertise ao investir em projetos da empresa. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, participou da apresentação, que aconteceu na sede da entidade, e considerou o convite como “uma grande oportunidade.”

“Para tudo que tem segurança e bom retorno não falta investidor”, afirmou Skaf. “E vamos trabalhar para estimular isso”, completou.

Anunciado na segunda quinzena de março, o plano de negócios da estatal prevê para o período de 2013 a 2017 investimentos da ordem de US$236,7 bilhões para 947 projetos, dos quais 770 estão em implantação com recursos alocados de R$207,1 bilhões. “O que a gente faz é pedir o máximo de emprenho para que a gente cumpra”, disse Foster após reunião com empresários.

Segundo Foster, o resultado do investimento em projetos da Petrobras “é muito positivo” para o empresário, uma vez que ele “ganha expertise”.

Mais investimentos

O diretor financeiro e de relações com investidores da Petrobras, Almir Guilherme Barbassa, reiterou a necessidade de o empresário investir nos projetos de exploração e produção da empresa.

“[O investimento] não vai se resumir aos US$ 236 bilhões porque os senhores também vão ter de fazer investimentos”, disse Barbassa sobre os recursos da estatal alocados para 2013-17.

“A nossa parte será cumprida pelo nosso planejamento rigoroso e metódico, pelo acompanhamento desse planejamento e pela gestão que estamos aplicando na companhia”, ratificou.

O plano de negócios da Petrobras é baseado no preço do petróleo Brent de US$ 107 em 2013, diminuindo para US$100 no longo prazo e em uma taxa de câmbio média de R$2 em 2013, valorizando para R$1,85 no longo prazo.

Segundo Barbassa, a companhia vai desinvestir US$ 9,9 bilhões para gerar recursos à estatal.

Vazamento

Maria das Graças Foster comentou vazamento e especulações para o Porto do Açu. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Na coletiva, a presidente da petroleira comentou o vazamento de óleo do Terminal Almirante Barroso (Tebar), na sexta-feira (05/04), cuja mancha de óleo atingiu 11 praias dos municípios de São Sebastião e de Caraguatatuba, no litoral paulista, de acordo com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

Segundo Foster, a causa ainda não é conhecida. “Nesse acidente, criamos uma comissão para deixar clara a causa e quais as consequências. Eu não posso aqui dizer por que aconteceu o acidente porque tenho de esperar até sexta-feira (12/04)”, disse Foster.

Segundo a Petrobras, o volume de combustível que vazou foi de 3,5 metros cúbicos.  “Ele foi reconhecido pela Cetesb. Esses números podem ser contestados, que sejam, e nós temos o dever de rever”, acrescentou.

A prefeitura de São Sebastião contestou os números e afirmou que 3,5 metros cúbicos não seriam suficientes para atingir vários ecossistemas costeiros e danificar embarcações e fazendas marinhas.

Porto do Açu

Respondendo a outra pergunta na coletiva de imprensa, a presidente da Petrobras foi enfática ao comentar as especulações sobre entrada da estatal no Porto do Açu, da LLX, empresa de logística de Eike Batista, e afirmou que há conversações sobre diversas formas de “negócios”.

“Não tem nenhuma discussão para viabilização do Porto do Açu, ela não existe dentro dos escritórios da Petrobras”, afirmou Foster. “O que nós temos desde agosto setembro junto com o grupo X são discussões frequentes sobre negócios”, completou.

Foster usou como exemplo das conversações com o grupo X a possível construção de um quarto terminal de regaseificação no Porto de Açu. Segundo ela, os terminais de regaseificação da baía de Guanabara e do Ceará estão “operando até a tampa”, enquanto outro terminal que está sendo construído na Bahia deve entrar em operação em setembro deste ano.

“Talvez eu precise de um terminal para o ano de 2020”, projetou Foster. “Existe um empresário que está construindo um porto que eu não vou construir, e ele pode construir um terminal de regaseificação e eu pago, para ele, tarifa”, explicou.

Ela ponderou, no entanto, que o quarto terminal de regaseificação da estatal vai depender de uma possível vitória em leilões de energia que ainda não aconteceram. “Mas a gente prevê que pode acontecer. E se pode acontecer eu preciso de um quarto terminal. Então, temos opções em dois ou três lugares diferentes. A gente vai comparar tarifa e a confiança que a gente tem naquela produção/região”, afirmou.

“Se precisar, pode ser que a gente faça uma licitação de tarifa”.

Coletiva de imprensa teve participação de quatro diretores da Petrobras. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

 

É inconcebível desqualificar trabalho da Petrobras no pré-sal, defende Maria das Graças Foster

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

A presidente da Petrobras Maria das Graças Foster rebateu na manhã desta quarta-feira (10/04), na sede da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), críticas quanto à capacidade de produção da empresa na exploração do chamado pré-sal (denominação das reservas de petróleo e gás natural descobertas em subsolo marítimo na região litorânea entre os estados de Santa Catarina e o Espírito Santo).

“A produção de petróleo no pré-sal é realidade. Estamos produzindo e batendo recordes. Em 2012 atingimos 300 mil barris produzidos. Até 2017 produziremos um milhão; em 2020, mais de dois milhões. Uma produção excepcional”, disse Foster ao apresentar o plano de negócios e gestão da empresa para o período 2013-2017.

Maria das Graças Foster: meta para 2017 é de 2,75 milhões de barris por dia. Foto: Julia Moraes/ Fiesp

 

“No momento nossa produção já é expressiva. Levamos apenas sete anos para produzir 300 mil barris no pré-sal depois da primeira descoberta. No Golfo do México, os Estados Unidos demoraram 17 anos para produzir a mesma quantidade. É inconcebível qualquer desqualificação do trabalho da Petrobras  referente à produção no pré-sal”, acrescentou a presidente da Petrobras.

Foster disse que nos últimos 14 meses a Petrobras fez 53 descobertas de áreas com acumulação de hidrocarboneto – 15 delas na camada do pré-sal. “Nosso sucesso exploratório é de 64%. No resto do planeta, uma taxa de 30% é considerada altíssima. Ou seja, nosso desempenho é incrível.”

Antes de apresentar o plano 2013-17, Foster agradeceu ao presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf. Em seu pronunciamento, Skaf disse que a Petrobras está em boas mãos e que Foster tem o apoio das entidades para “realizar aquilo que a Petrobras precisa.”

Metas

Foster: total de investimentos planejados para 2013-2017 é de 236 bilhões.Foto: Julia Moraes/ Fiesp

Foster mostrou resultados da empresa em 2012 e revelou as metas de produção e investimentos para os próximos quatro anos: “Alcançamos a meta prevista para 2012, que era atingir a produção de dois milhões de barris de petróleo por dia. Mas a Petrobras  tem muito mais a produzir. Em 2013, manteremos a produção do ano passado, para no segundo semestre começarmos a rampa de crescimento da produção. Em 2017, a meta é de alcançarmos a produção 2,75 milhões de barris por dia”, afirmou.

Um dos grandes objetivos da Petrobras é alcançar, em 2020, 4,2 milhões de barris de petróleo. “É quase impossível acreditar que não alcançaremos esse volume. O plano é absolutamente factível. Temos os ativos necessários para alcançar a meta. Sete unidades estacionárias de produção entrarão em operação em 2013. Duas já estão em operação. A terceira estará funcionando em maio, no nordeste”, disse Foster.

Investimentos

A presidente da empresa apresentou também os planos de investimentos durante o período: “No último ano realizamos o maior investimento da história da Petrobras: 84,1 bilhões de reais. Nesse ano o investimento previsto é de 97,6 bilhões. O total, para 2013-2017, é de 236 bilhões”.

Segundo ela, não adianta obter resultados financeiros sem que se evolua na construção de unidades de produção, plataformas, térmicas e gasodutos. “Precisamos gerar a receita para contrairmos o menor volume de dívida. Em 2012, o físico e o financeiro andaram muito bem.”

Custos

A presidente dedicou parte de sua exposição para afirmar a necessidade de controlar custos. “A prioridade absoluta da Petrobras é a produção de petróleo e gás natural, assim como a busca pela excelência em redução de custos. A perspectiva é de dobrarmos de tamanho até 2020, mas não podemos deixar os custos subirem nessa proporção”, disse.

No encerramento de sua fala, Foster reiterou o compromisso da Petrobras com a indústria brasileira de bens e serviços. “O compromisso é cada vez maior, mas em bases sustentáveis. O trabalho é conjunto. Somos um somatório de talentos e capacidades”, encerrou.

No evento, Foster teve a companhia de quatro diretores da empresa: Almir Guilherme Barbassa (Financeiro e de Relações com Investidores); José Miranda Formigli Filho (Exploração e Produção), José Carlos Cosenza (Abastecimento) e José Alcides Santoro Martins (Gás e Energia).