Educação é a única estratégia sustentável para o futuro, afirma professor da Universidade de Houston em reunião na Fiesp

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Quero recrutar vocês para um movimento que pode mudar a educação. Assim, relembrando as palavras do ativista americano Harvey Milk, Peter Bishop, futurista e professor da Universidade de Houston, iniciou sua apresentação durante a reunião conjunta do Conselho Superior de Inovação e Competitividade (Conic) e do Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O encontro aconteceu na manhã desta segunda-feira (23/09), na sede da entidade.

O foco de sua apresentação foi a visão estratégica do futuro da educação.  “Todo professor interage com o futuro. Educação é preparar o futuro, tentar ver o que vem adiante”, disse.

Bishop criticou a forma como a educação é tratada em países como os Estados Unidos e o Brasil. E disse que muito mais deve e pode ser feito. “Hoje, nós não preparamos o futuro. A maioria dos estudantes não influenciará o futuro dessa forma, sendo ensinados da mesma forma como os pais eram, 30 anos atrás”.

Bishop na reunião conjunta do Conic e do CJE: “Educação é preparar o futuro, tentar ver o que vem adiante”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Bishop durante a reunião do Conic e do CJE: “Educação é preparar o futuro”. Foto: Everton Amaro/Fiesp


De acordo com Bishop, preparar alunos para entender o futuro deveria ser uma prática comum em todo âmbito escolar. “Ninguém fala sobre o futuro nas salas de aula. Estudantes deveriam aprender tanto sobre o futuro quanto aprendem sobre o passado”, disse.

Única estratégia sustentável

A educação, disse Bishop, é a única estratégia sustentável em um ambiente com rápidas mudanças. “A saída para problemas como desemprego e baixa renda é a inovação constante – característica essencial para o sucesso no futuro, inclusive na educação”.

Diante de acadêmicos de diversas faculdades e universidades paulistas, Bishop disse que, em breve, empregos comuns serão tomados pela ação de máquinas inteligentes. “Somente pessoas criativas e inovadoras poderão desempenhar funções relevantes. Esse é o progresso”.

No fim de sua apresentação, Bishop falou sobre suas visões de futuro.

Segundo ele, o ser humano exercita sua habilidade de prever eventos vindouros a cada instante da vida cotidiana. “Temos a habilidade de ver coisas que não existem. Planejar é incrementar as habilidades naturais que o humano possui”.

Loures: “Precisamos colocar o futuro enquanto referência no processo de aceleramento da produção do conhecimento”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Loures: “Precisamos colocar o futuro enquanto referência no processo de aceleramento da produção do conhecimento”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

De acordo com o professor, o futuro é imprevisível, mas podemos pensá-lo de maneira contingente e tentar compreender suas possibilidades.  “O que pode acontecer? Mas o mais importante: o que você quer que aconteça no futuro?”, questionou. “É para esse futuro que devemos caminhar, mesmo que ele ainda não exista”, concluiu.

Rodrigo da Rocha Loures, presidente do Conic, participou do encontro. “Trabalhar o futuro é uma competência a ser desenvolvida nos nossos sistemas de educação”, disse. “Precisamos colocar o futuro enquanto referência no processo de aceleramento da produção do conhecimento”.