Depois de 7 meses de queda, atividade da indústria paulista avança 1,3% em janeiro

Imagem relacionada a matéria - Id: 1540220724Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Depois de sete meses consecutivos de queda, o Indicador de Nível de Atividade (INA) da indústria paulista registrou alta de 1,3%, na passagem de dezembro de 2015 para janeiro de 2016, na série com ajuste sazonal. Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp, considera que “está um pouquinho cedo para interpretar isso como recuperação ou como uma mudança de tendência”, lembrando que houve uma queda de 11,5% no INA entre janeiro de 2015 e janeiro de 2016. Os resultados foram divulgados nesta quarta-feira (2/3) pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp e do Ciesp (Depecon), responsável pelo levantamento.

Segundo Paulo Francini, diretor do Depecon, apesar de positivo, o resultado do INA de janeiro “é um número pequeno”. Em 2013, 2014 e 2015 a alta em janeiro foi maior que a verificada em 2016. “Eu diria para deixar o otimismo de lado e considerar isso como uma coisa normal dentro de um cenário de queda.”

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Entre os indicadores de conjuntura, a variável Horas Trabalhadas na Produção registrou avanço de 1,6% na passagem de dezembro para janeiro e foi a principal influência positiva na formação do INA no período. A variável Total de Vendas Reais teve contração de 0,3%, e o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) recuou 0,5 ponto percentual.

Na análise do Depecon, a atividade industrial nos próximos meses deverá ter resultados fracos, devido ao cenário adverso, evidenciado por um conjunto amplo de indicadores econômicos, como a confiança do empresariado, que persiste em níveis historicamente deprimidos. A projeção para o INA em 2016 é fechar o ano com uma queda de 5,3%, após recuar 6,2% em 2015 e 6,0% em 2014.

Setores

O INA do setor de móveis avançou 2,8% na passagem de dezembro para janeiro, já descontados os efeitos sazonais. Das variáveis acompanhadas, a maior alta, de 9,7%, foi o Total de Vendas Reais. As Horas Trabalhadas na Produção avançaram 1,2%, ao passo que o NUCI ficou estável (0,0 ponto percentual). Frente a janeiro de 2015, o INA do setor apresenta retração de 2,4%.

O INA do setor de metalurgia apresentou leve queda (0,4%) na passagem de dezembro de 2015 para janeiro de 2016, já descontadas as influências sazonais. Todas as variáveis de conjuntura consideradas na formação do resultado geral apresentaram desempenho negativo. As Horas Trabalhadas na Produção caíram 0,3%, o Total de Vendas Reais teve queda de 1,7%, e o NUCI apresentou contração de 0,6 ponto percentual.

O INA do setor de minerais não metálicos (entre os quais o cimento representa cerca de 50%), fortemente ligado à construção civil, sofreu retração de 3,7% em janeiro, frente ao mês anterior, na série já dessazonalizada. Houve queda nas três variáveis do indicador: Total de Vendas Reais (-19,8%), Horas Trabalhadas na Produção (-1,1%) e NUCI (- 1,5 ponto percentual). Todos esses resultados estão livres de efeitos sazonais. Em comparação com o mesmo mês de 2015, o setor caiu 13,1%.

Sensor

A pesquisa Sensor do mês de fevereiro fechou em 43,4 pontos, com queda em relação ao índice de janeiro (45,1 pontos). Permaneceu abaixo dos 50,0 pontos, o que sinaliza queda da atividade industrial para o mês.

O item condições de mercado apresentou recuo, saindo de 50,9 pontos em janeiro para 42,5 em fevereiro. Leituras abaixo dos 50,0 pontos indicam arrefecimento das condições de mercado. O indicador de vendas recuou 3,7 pontos, de 53,6 em janeiro para 49,9 em fevereiro. Indicadores próximo dos 50,0 pontos apontam estabilidade das vendas para o mês.

O nível de estoque avançou de 40,4 para 43,1 pontos em fevereiro. Leituras superiores a 50,0 pontos indicam estoque abaixo do desejável, e as inferiores, sobrestoque.

O índice do nível de emprego permaneceu praticamente estável (42,9 pontos em fevereiro, contra 42,2 em janeiro). Resultados abaixo dos 50,0 pontos indicam expectativa de demissões para o mês.

O indicador de investimentos piorou em relação ao mês passado, caindo de 43,8 pontos para 41,9 em fevereiro. Abaixo dos 50 pontos, indica redução dos investimentos para o mês.