Mais de 34% dos industriais paulistas preveem movimento de fim de ano menor que o de 2017

Cristina Carvalho, Agência Indusnet Fiesp

Para 34,1% das indústrias paulistas a expectativa para o fim de ano é de movimento menor que o de 2017. Esse porcentual de 2018 é maior do que o registrado no ano passado (23,5%). Apenas 25,8% das 581 empresas entrevistadas esperam um movimento maior para este período, enquanto 38,2% esperam movimento igual. As empresas de pequeno porte são as que estão mais pessimistas. Entre elas, 23,7% esperam movimento maior este ano ante 35,5% das grandes. Os dados são da Pesquisa Rumos, realizada desde 2008 pela Fiesp e pelo Ciesp.

A pesquisa mostra também que 38% das entrevistadas afirmaram que as encomendas de final de ano em 2018 estão mais atrasadas, proporção maior do que a de 2017 (24,1%). Já para 31,2%, as encomendas estão ocorrendo no mesmo momento, enquanto que apenas para 5,3% com mais antecedência. Outros 19,8% das empresas não são afetadas pelo final do ano, e 5,7% não responderam. Nas empresas de médio e grande porte, as encomendas estão ocorrendo mais no mesmo momento (36,4% das médias e 38,7% das grandes) que nas de pequeno porte (28,8%).

Em relação ao fechamento de vendas em 2018, na média as empresas têm expectativa de um crescimento de 0,6%. Este resultado está abaixo da alta de 2,5% esperada para as vendas de 2017.

13º salário

Quanto ao pagamento do 13º salário dos funcionários, a pesquisa mostra que 47,7% dos industriais paulistas utilizarão, principalmente, o provisionamento durante o ano, mantendo essa como a principal fonte de recursos para esse período quando comparado com 2017. Já 24,3% das empresas utilizarão as vendas do último trimestre, 23,8% o financiamento de terceiros, 2,1% outras fontes e 2,1% não responderam. O uso do provisionamento durante o ano como a principal fonte de recursos para pagar o 13º é o mais usado entre as empresas de grande porte (67,7%) antes 42,9% das pequenas.

Das empresas que usam o financiamento de terceiros como principal fonte de recursos para pagar o 13º salário aos seus empregados, 56,5% afirmaram que as dificuldades estão maiores que as do ano passado, 36,2% disseram que estão iguais, 5,8% que estão menores e 1,4% não tiveram nenhum problema.

Entre as empresas que usam as vendas do último trimestre como principal fonte, 47,5% apontaram que as dificuldades estão iguais às do ano passado, 29,8% que estão maiores, 14,9% estão menores e 5,7% não tiveram obstáculos para o pagamento. Já entre as companhias que usam o provisionamento durante o ano como principal fonte de recursos para o 13º salário, 44% disseram que os contratempos estão iguais aos do ano anterior, 31,4% afirmaram que não tiveram nenhuma dificuldade, 13,7% que estão maiores e 7,9% que estão iguais. O financiamento de terceiros continua sendo a fonte de recursos com a qual as empresas têm mais dificuldades de acesso.

Além das fontes de pagamentos mencionadas pelas empresas, 29,9% das companhias pretendem recorrer a bancos para pagar pelo menos parte do salário. As empresas de pequeno porte são as que mais precisarão recorrer a instituições bancárias: 33,7% delas, ante 22,6% das grandes e 20,7% das médias. A parcela de empresas que pretendem recorrer a bancos para pagar pelo menos uma parte do valor devido no 13º salário este ano (29,9%) permaneceu semelhante à do ano passado (29,4%). Para essas empresas, o percentual médio da folha a que pretendem recorrer é de 76%, praticamente o mesmo do ano passado (77%).

Já o custo do crédito está mais caro ou muito mais caro para 47,7% das empresas que pretendem recorrer a instituições bancárias. Para 29,3%, o custo está igual; para 14,3%, está mais barato ou muito mais barato, e 8,7% não responderam. Quanto ao prazo do crédito bancário, ele está igual ao do ano passado para 60,9% das empresas que pretendem recorrer a bancos para pelo menos uma parte do valor devido no 13º salário. Para 20,1%, o custo está mais curto ou muito mais curto, para 4,5%, está mais longo ou muito mais longo, e 14,5% não responderam.

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Pesquisa da Fiesp mostra tributação como principal entrave à competitividade da indústria

Agência Indusnet Fiesp

Para 83% dos empresários da indústria paulista, a tributação lidera a lista de entraves ao aumento da competitividade e do ritmo de crescimento, seguida pela burocracia excessiva (56,7%). Os dados são da pesquisa “Rumos Da Indústria Paulista – Barreiras à Competitividade e ao Crescimento da Indústria”, realizada pela Fiesp.

Outro resultado relevante da pesquisa é que temas como pesquisa e desenvolvimento (13,4%) e tecnologias da indústria 4.0 (9,7%), importantes para o aumento da competitividade do setor, não foram indicados pela maior parte dos empresários da indústria como obstáculos.

Temas como crédito para capital de giro, investimento e segurança jurídica também foram citados como preocupações pelos empresários consultados pela pesquisa online no terceiro trimestre deste ano, mas apareceram em segundo plano. Foram consultadas 827 empresas da indústria de transformação no Estado de São Paulo.

De acordo com o 2.º vice-presidente da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, o resultado da pesquisa reflete o contexto da recessão econômica que o país enfrenta desde 2014. Ele explica que, mesmo em períodos de faturamento menor, as atividades operacionais e burocráticas das empresas são mantidas, o que acaba onerando mais as indústrias.

Os funcionários, sistemas e outras estruturas e serviços para administrar o sistema tributário independem, de modo geral, do nível de atividade das empresas. Só para administrar o sistema tributário, as indústrias gastam 1,2% da receita, calcula. O gasto anual com a burocracia dos impostos se aproxima de R$ 37 bilhões, segundo estimativa da Fiesp.

Para a indústria a recessão foi observada já em 2013, derivando de uma estagnação em 2011 e 2012. O elevado nível de endividamento bancário das empresas leva algumas delas a deixar de honrar compromissos junto à Receita para direcionar recursos para a redução desse custo financeiro.

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Perspectivas de crescimento para 2019

“Trabalhamos com um cenário de crescimento do PIB de cerca de 2,5% em 2019. Para o PIB da indústria de transformação, a nossa expectativa também é de uma alta em torno de 2,5% no ano que vem”, enfatiza Roriz.  No entanto, ele sinaliza que este cenário de crescimento está condicionado à aprovação da reforma da Previdência no ano que vem e ao compromisso com o rigor fiscal.

A reforma da Previdência é fundamental para reduzir o nível de incerteza e, portanto, para a recuperação da confiança do empresariado e do consumidor. A contenção da trajetória de crescimento dos gastos previdenciários terá como resultado positivo uma menor pressão futura na dívida pública, o que resultará em menores taxas de juros e maior crescimento econômico.

Roriz alerta que “a aceleração do crescimento dependerá do avanço de reformas estruturais que melhorem o ambiente de negócios”. São diversos os problemas que devem ser solucionados por um plano de desenvolvimento. Além da questão fiscal é preciso equacionar toda a política macroeconômica, assegurar a queda dos juros básicos da economia (Selic) e aumentar a concorrência bancária.

O país precisa de medidas para desenvolvimento do crédito bancário, das fintechs e do mercado de capitais e também de medidas para manutenção da taxa de câmbio em nível competitivo e mais estável. É necessário fazer uma reforma tributária, proporcionando simplificação e isonomia entre os setores econômicos, e reduzir a burocracia e a insegurança jurídica. Também integram a lista de melhorias essenciais a infraestrutura, por meio de concessões e PPPs com reforço da segurança jurídica e desenvolvimento do financiamento com o mercado de capitais, e uma política industrial estimulando a inovação tecnológica, o aumento da produtividade e da competitividade. E ainda o aumento da qualidade da educação (capital humano), para que o Brasil se adapte aos desafios que a 4º Revolução Industrial impõe.

A meta é elevar sensivelmente o ritmo de crescimento econômico brasileiro, levando a expansão do PIB para em média 4,0% a.a. entre 2019 e 2024 e 4,4% a.a. entre 2025 e 2030. Para o PIB da indústria de transformação, o crescimento seria de 6,0% a.a entre 2019 e 2024 e de 6,9% no intervalo 2025 a 2030. “Por outro lado, caso não sejam conduzidas tais reformas, o cenário provável é de continuidade do baixo crescimento econômico no longo prazo e distanciamento cada vez maior em relação ao nível médio de renda dos países desenvolvidos”, finaliza Roriz.

Perspectiva para o 2º semestre é de estabilidade com viés negativo, avaliam industriais paulistas

Agência Indusnet Fiesp

A avaliação da indústria paulista sobre o desempenho do 1º semestre deste ano foi de estabilidade. A quantidade de empresas que afirmaram que foi melhor que o mesmo período do ano anterior (36,6%) é praticamente igual à de empresas que afirmaram que foi pior (36,1%). Contudo há um viés positivo, já que a proporção de empresas que sentiram melhora é o maior desde 2011, segundo a pesquisa Rumos da Indústria Paulista Avaliação do 1º semestre e Expectativas para o 2º semestre de 2018, feita pela Fiesp e pelo Ciesp.

Nas empresas de médio e grande porte, a sensação de melhora (para 47,4% e 48,0% das empresas respectivamente) é maior que a de piora (28,1% e 28,0%), mas o quadro é o inverso nas de pequeno porte (39,6% apontam piora e 31,9%, melhora). Quando é avaliado o desempenho de variáveis específicas no 1º semestre, houve redução da produção para 36,1% e de vendas internas para36,5%, enquanto as exportações ficaram estáveis para 38% das empresas.

Já para o 2º semestre deste ano, a maior parte das empresas espera que sua situação permaneça igual (43,9%). No entanto, há um viés negativo, já que, quando comparado a igual pesquisa realizada no 2º semestre de 2017, há mais empresas neutras (43,9% em 2018 e 40,4% em 2017) e pessimistas (27,7% em 2018 e 21,6% em 2017) e menos empresas otimistas (27,8% em 2018 e 35,7% em 2017).

Diante deste cenário, como a maioria das empresas espera que seu desempenho permaneça mais ou menos estável, 77% não pretendem ampliar seu quadro de empregados no 2º semestre deste ano. Esta expectativa é bem semelhante à do 2º semestre de 2016 e 2017, quando 81,1% e 78,0% não pretendiam ampliar o quadro, respectivamente. “É preocupante que 77% das empresas não pretendam contratar no segundo semestre”, afirma José Ricardo Roriz, presidente em exercício da Fiesp e do Ciesp. “Isso agrava um pouco mais a situação do desemprego.”

Ouça o boletim dessa notícia:

As empresas de médio e grande porte estão menos pessimistas que as de pequeno porte em relação ao 2º semestre e, consequentemente, uma parcela maior delas pretende ampliar seu quadro de empregados (24,6% das médias e 24,0% das grandes pretendem ampliar o quadro ante apenas 18,7% das pequenas).

Apesar da percepção de estabilidade tanto no 1º quanto no 2º semestre, 39,4% das empresas esperam uma melhora das vendas este ano em relação a 2017. Na média, no entanto, o aumento esperado é de 2,9%, considerado bem moderado, mas que merece destaque por ser esse o melhor resultado desde 2013, quando a expectativa média de aumento era de 5,4%.

Quando questionadas se estão sentindo a recuperação das vendas que deixaram de ser realizadas durante a paralisação dos caminhoneiros, 41,7% das companhias afirmaram que estão recuperando parcialmente, enquanto apenas 5,4% das empresas estão sentindo uma recuperação total das vendas. As empresas de pequeno porte são as que menos estão sentindo a recuperação das vendas não realizadas durante a paralisação, com 31% não sentindo recuperando alguma. A pesquisa ouviu 465 empresas industriais no Estado de São Paulo.