Universidades brasileiras não formam empreendedores, critica professor da Unicamp em reunião do Conic

Guilherme Abati, Agencia Indusnet Fiesp

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Sergio Salles-Filho, da Unicamp. Foto: Everton Amaro/Fiesp

As universidades brasileiras não têm cursos voltados para a inovação e o empreendedorismo – elas formam somente “empregados”. A avaliação é de Sergio Salles-Filho, do departamento de Política Científica e Tecnológica do o Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Fundação e Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

O professor esteve nesta sexta-feira (04/10) na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em reunião do Conselho Superior de Inovação e Competitividade (Conic) da entidade. Em pauta, os resultados das avaliações das atuais politicas realizadas em Ciência Tecnologia e Inovação (CTI) no Estado.

De acordo com Salles-Filho, tais políticas “impactam diretamente na capacitação, na inserção do país no mercado internacional e na criação de emprego”.

Ele citou incialmente a Lei de Informática e seus resultados.  A lei dá amparo às empresas que produzem bens de informática, automação e telecomunicações no Brasil. Essas empresas podem contar com incentivo fiscal para investir em inovação e faculta o uso de parte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para financiar e investir em projetos de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), por meio de Instituições Científicas e Tecnológicas (ICT).

“É um programa importante para a indústria”, avaliou. “Por ano, temos quatro bilhões de renúncia fiscal, que representa 60% dos incentivos em P&D no país. A lei representa uma enorme base de investimentos”, completou.

Segundo Salles-Filho, muitas empresas investem em P&D acima da cota mínima fixada pela lei.  Isso acontece principalmente na região Sudeste.

“Os indicadores mais positivos encontrados nesse programa são de empresas de médio porte nacional. É nesta área em que a lei encontra seus melhores e mais efetivos resultados.”

De acordo com o docente, a lei de incentivo é acatada, na maioria dos casos, porque reduz o custo das empresas. “A maioria [das médias empresas] compete internamente, dentro do país, e precisa de competitividade tecnológica, produtividade e redução de custos”, analisou.

Antes da formulação da lei, em 1998, conta Salles, 325 multinacionais instaladas no Brasil não possuíam laboratórios dedicados à P&D. “Depois, usufruindo da Lei, quase 70% das empresas têm.”

Para Salles-Filho, a lei trouxe bastante beneficio, principalmente para empresas de Telecomunicações. “A lei tem efeito, curiosamente, na produção de celulares nacionais.”

Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe)

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Rodrigo Costa da Rocha Loures, presidente do Conic. Everton Amaro/Fiesp

Salles-Filho falou também sobre Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe), criado em 1997.  O programa destina-se a apoiar a execução de pesquisa científica e tecnológica em pequenas empresas sediadas no Estado de São Paulo. “O orçamento do programa foi de 54 milhões de reais durante o período.”

Ele afirmou que, se comparado ao Small Business Innovation Research (Sbir), programa do governo americano, o programa da Fapesp não fica atrás. “O resultado, apesar da massa menor, é bastante semelhante.”

Salles-Filho, por fim, divulgou o resultado de um estudo realizado por sua equipe ao longo de um ano. O estudo analisou a trajetória profissional e produção acadêmica de 70 mil alunos de graduação, mestrado e doutorado, ao longo dos últimos 15 anos. O objetivo da análise é saber como bolsas de estudo cedidas pela Fapesp impactam a trajetória profissional do aluno.

“Os principais resultados foram que, mesmo com bolsas, não há crescimento de aporte de doutores nas empresas. E que os alunos mais empreendedores são os de graduação, já que, curiosamente, o número de empreendedores cai a partir de formações superiores”, disse.