INICIATIVAS SUSTENTÁVEIS: BASF – INOVAÇÃO E SUSTENTABILIDADE

Por Karen Pegorari Silveira

Segundo dados do Estudo “Integração dos ODS na Estratégia Empresarial”, elaborado pelo Comitê Brasileiro do Pacto Global, metade das 21 empresas pesquisadas já considera os ODS como referência em suas atividades cotidianas para a condução dos negócios, seja na gestão, seja na estratégia. E outras 20% declaram que usarão os ODS no futuro.

A BASF é uma das empresas que já integra alguns dos ODS em seu negócio, como a meta 9 – investindo em Pesquisa & Desenvolvimento para criar produtos que contribuam cada vez mais com a sustentabilidade. Além disso, a empresa tem metas para o uso de recursos, de gerenciamento de resíduos e de diversidade e inclusão de pessoas, bem como de alcance para projetos de engajamento social.

Buscando equilibrar os pilares da sustentabilidade (econômico, social e ambiental), a BASF analisou mais de 60 mil produtos e soluções do seu portfólio e as classificou de acordo com sua contribuição para a sustentabilidade. Só as soluções mais inovadoras, que contribuem de forma significativa para sustentabilidade em toda a cadeia de valor, representaram 27,2% das vendas globalmente (em 2016).

A companhia também apoia globalmente a Organização das Nações Unidas (ONU) na implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e, na América do Sul, participa das discussões referentes à adoção e às práticas voltadas ao atingimento dos ODS.  No Pacto Global (2000) a BASF ocupa a presidência da diretoria do Comitê Brasileiro do Pacto Global desde 2015 e teve o mandato renovado por mais três anos, em eleições realizadas em 2016. Também participam nos quatro Grupos Temáticos (GTs) criados para aplicar os 10 princípios e implementar os valores do Pacto Global: Anticorrupção; Energia e Clima; Direitos Humanos e Trabalho; Alimentos e Agricultura.

Com relação a gestão energética, o complexo químico de Guaratinguetá, no Vale do Paraíba, é um bom exemplo. Na unidade, a eficiência energética aumentou 40,3% entre 2002 e 2015. Além disso, o consumo de energia elétrica por tonelada produzida foi reduzido em 12,4%, e o de água em 72,7% no mesmo período. Esse resultado foi possível pela aplicação do projeto Triple E (Excelência em Eficiência Energética), que tem como principal objetivo aumentar a competitividade por meio de uma melhor eficiência energética.

Lançado em dezembro de 2015, na América do Sul, o Triple E contribui para as metas ambientais da empresa. Para seu desenvolvimento foi criado um time multifuncional para gestão das ações, que tinha como missão avaliar oportunidades e fomentar melhorias nas práticas para a gestão de energia nos processos. Entre as medidas adotadas está a norma internacional ISO 50001, que auxilia as empresas a estabelecer práticas mais eficientes e modernas no uso desse recurso. A BASF foi a primeira entre as grandes indústrias químicas a receber essa certificação e o complexo químico de Guaratinguetá, no interior de São Paulo, foi o primeiro da América do Sul.

O objetivo da ISO 50001 é permitir que a organização estabeleça sistemas e processos necessários para melhorar o seu desempenho energético, incluindo a eficiência energética, uso e consumo de energia primária. Na BASF a energia primária corresponde a todo e qualquer tipo de energia utilizada, como a elétrica, de combustíveis, vapor, ar comprimido, etc.

O projeto Triple E apresentou bons resultados e deverá ser colocado em prática em outras localidades, sendo que a ISO 50001 será implementada nas unidades fabris que apresentam maior consumo de energia, como São Bernardo do Campo (SP) e Camaçari (BA), no Brasil, e Concón, no Chile.

O gerente de Sustentabilidade da BASF, Emiliano Graziano, conta ainda que “além dos aspectos econômicos, a redução no consumo de energias possibilita o decréscimo na emissão de gases causadores do efeito estufa, pois menos combustíveis são queimados, por exemplo. Além disso, a aplicação de tecnologias limpas é estudada, como a utilização de painéis solares para aquecimento de água”.

Hoje, na fábrica da BASF em Guaratinguetá são produzidos 1.500 tipos de matérias-primas para as mais diversas aplicações. Trata-se da maior unidade da BASF na América do Sul, com capacidade de produção de mais de 320 mil toneladas anuais de produtos. A planta tem uma área total de 380 hectares (ou 3,8 milhões de metros quadrados), sendo 10% de área fabril e 324 hectares de áreas verdes e reserva ambiental.

Um dos exemplos de aplicação das soluções da BASF que contribuem para a sustentabilidade em outras fábricas é a Casa Granado. Para a construção de sua nova fábrica em Japeri (RJ), a empresa utilizou duas soluções da BASF. Uma delas é o piso de alto desempenho, chamado Ucrete. Além de não conter solvente, a solução tem como principais benefícios a grande resistência química, e mecânica e facilidade de limpeza, características essenciais em uma fábrica que lida com produtos químicos e tráfego de empilhadeiras e carrinhos.

A outra solução são os painéis isotérmicos para sistemas construtivos, que tem como principal atributo o conforto térmico.  O uso do sistema isotérmico substitui vigas, pilares, telhas, tijolos e argamassa por painéis que se encaixam numa estrutura autoportante, que permite construir com mais rapidez, eficiência, economia e maior durabilidade. Por meio de um parceiro, as peças são encomendadas na medida do projeto, garantindo baixa geração de resíduos, com uma taxa de desperdício de apenas 0,5%, o que representa oito vezes menos perdas do que o método convencional. Além disso, não é utilizada água em todo o processo produtivo, desde a fábrica até a instalação no local da obra, reforçando a proposta sustentável da edificação.

Sobre a Basf

Mais de 3920 colaboradores formam a equipe no Brasil, com vendas, de aproximadamente, 2,1 bilhões de Euros. As fábricas da companhia estão localizadas em Guaratinguetá, São Bernardo do Campo, Indaiatuba e Jacareí, todas no Estado de São Paulo. Seu portfólio de produtos vai desde químicos, plásticos, óleo e gás, até a agricultura.

Pesquisa da Fiesp mostra aumento no investimento em P&D e gestão e queda em inovação

Patrícia Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

A indústria brasileira deve investir R$ 6,8 bilhões em pesquisa e desenvolvimento (P&D) este ano, 4,9% a mais do que os R$ 6,5 bilhões de 2015.  Também se espera um crescimento de 5,6% no investimento em gestão, de R$ 8,5 bilhões para R$ 9 bilhões, e redução de 8,6% no investimento em inovação, de R$ 11,5 bilhões para R$ 10,5 bilhões. Somando os três itens, estima-se queda de 0,8%, de R$ 26,5 bilhões em 2015 para R$ 26,3 bilhões em 2016. Os resultados, divulgados nesta quinta-feira (25/8), são da Pesquisa Fiesp de Intenção de Investimento em Inovação 2016.

“Em linhas gerais, nossa avaliação é de que, diferentemente do que se esperava para um cenário de grave crise econômica, que era uma redução dos investimentos em todas essas modalidades, os investimentos em gestão e P&D mostraram o contrário, e isso é positivo, pois reforça o aprendizado das empresas quanto à importância desses investimentos para a competitividade”, explica o diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp (Decomtec), José Ricardo Roriz Coelho.

A queda de 8,6% no investimento em inovação está relacionada tanto ao caráter mais flexível das atividades que a compõem quanto ao fato de ter o maior investimento absoluto entre as três modalidades, o que permite trabalhar com corte de custos.

A pesquisa foi realizada entre os dias 14 de março e 22 de abril de 2016 com a participação de 1.120 empresas, sendo 534 pequenas, 405 médias e 181 grandes. Todos os setores da indústria de transformação foram considerados, exceto fabricação de coque e produtos derivados do petróleo. Os resultados foram expandidos pela Pesquisa Industrial Anual (PIA/IBGE), que permite a análise nacional.

De acordo com o levantamento, os investimentos em gestão deverão aumentar em 23,6% nas grandes empresas, mas serão reduzidos em 31,8% pelas pequenas e 48,6% pelas médias. Já em inovação, serão reduzidos em todos os portes: 17,7% nas pequenas, 38,6% nas médias e 1,4% nas grandes. E os investimentos em P&D deverão aumentar 25% nas pequenas e 11,3% nas grandes, mas serão reduzidos em 31,4% pelas médias.

Pela primeira vez, a pesquisa foi dividida em duas partes. A primeira, divulgada em junho, contemplou o investimento fixo da indústria de transformação (máquinas, equipamentos e instalações). Esta segunda parte avalia exclusivamente o investimento em gestão, inovação e P&D.

Segundo o estudo, os R$ 9 bilhões que serão investidos em gestão serão compostos por 69% de recursos próprios, 24% de recursos de terceiros privados e 7% de recursos públicos. Com relação a 2015, isso significa uma queda de 17 pontos percentuais (p.p.) na utilização de recursos próprios, um aumento de 16 p.p. nos recursos de terceiros privados e de 1 p.p.nos recursos públicos.

Os R$ 10,5 bilhões investidos em inovação serão compostos por 71% de recursos próprios, 17% de recursos de terceiros privados e 12% de recursos públicos. Com relação a 2015, isso representa a manutenção do nível de utilização dos recursos próprios, a redução de 5 p.p. do uso de terceiros privados e aumento de 5 p.p. de recursos públicos.

Os R$ 6,8 bilhões que serão investidos em P&D serão compostos por 72% de recursos próprios, 13% de recursos de terceiros privados e 15% de recursos públicos. Com relação a 2015, isso representa uma queda de 12 p.p. na utilização de recursos próprios, um aumento de 5 p.p. de terceiros privados e 7 p.p. de recursos públicos.

Segundo Roriz, é preocupante o aumento esperado para os recursos de terceiros privados e públicos, pois, no tocante ao crédito privado, os recentes aumentos na taxa de juros, acompanhados da restrição de crédito e escassez de recursos, representam grandes obstáculos a serem superados. “E o processo de austeridade fiscal, que aos poucos é implementado no governo, já impacta sobremaneira as principais agências de fomento do país”, afirma.

Em 2015, os desembolsos do BNDES para inovação diminuíram 9% na comparação com 2014, saindo de R$ 6,5 bilhões para R$ 6 bilhões. Na Finep, os desembolsos foram reduzidos em 50%, saindo de R$ 5,3 bilhões para R$ 2,6 bilhões. Acompanhando essa tendência, a demanda por crédito para inovação na Finep despencou de R$ 19 bilhões em 2013 para R$ 3,6 bilhões em 2015.

Outro instrumento de apoio que também se tornou vulnerável em razão da crise econômica é o incentivo fiscal à inovação previsto na Lei do Bem (Lei nº 11.196/2015). De 2013 a 2015 seu crescimento se manteve estável na casa de 1% ao ano. Além disso, a Medida Provisória nº 694/2015, que tentou suspendê-lo, caducou, mas deixou como legado o aumento da insegurança jurídica, e, por consequência, um desincentivo ao investimento em P&D.

“Para reverter esse cenário, é preciso reconhecer a necessidade de se construir uma agenda de longo prazo combinada com o uso estratégico dos recursos públicos”, afirma Roriz, ressalvando que não se pode desconsiderar o contexto atual de austeridade econômica.

Embrapii apresenta na Fiesp seu modelo de apoio à inovação

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

As empresas Angelus, do setor de produtos odontológicos, e Braskem, uma petroquímica, deram testemunho nesta terça-feira (27) da efetividade do modelo de financiamento a projetos de inovação da Embrapii, durante encontro promovido na sede da Fiesp. José Ricardo Roriz Coelho, vice-presidente da Fiesp e diretor titular do Departamento de Competitividade (Decomtec) da entidade, participou do evento, junto com Jorge Almeida Guimarães, diretor-presidente da Embrapii.

César Bellinati, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da Angelus, destacou a agilidade para liberação de recursos. Ao lado disso, Luis Fernando Cassineli, diretor de Inovação e Tecnologia da Braskem, citou o processo simplificado em relação ao de outros órgãos de financiamento no Brasil e a segurança dada por saber com exatidão quando vai ser feito o desembolso.

Cassineli falou também do “carimbo Embrapii”, que explicou como sendo a análise criteriosa que a instituição faz dos centros de pesquisa homologados para participar como terceira parte nos projetos de inovação. “Isso dá segurança. Há uma grande chance de [o projeto] dar certo”, disse.

A Embrapii não analisa projetos, disse o diretor-presidente Guimarães. Ela faz chamadas para credenciar os centros de pesquisa que farão parcerias com as empresas interessadas. Isso explica a simplicidade no processo, que tem como reflexo a rapidez para aprovação dos projetos. Entre os centros, chamados de Unidades Embrappi, estão o Instituto Tecnológico de Engenharia (ITA), em manufatura aeronáutica, e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), em tecnologias de materiais de alto desempenho.

Para cada projeto, a Embrapii fornece ao centro de pesquisa até 1/3 do custo total, como financiamento não reembolsável. A empresa interessada aporta mais 1/3, e o terço restante, na forma de recursos não financeiros, fica a cargo da unidade de pesquisa.

Financiada pelos ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação, a Embrapii tem em seu orçamento R$ 1,5 bilhão para investir em 6 anos. “Precisamos que as empresas acreditem que o modelo é bom”, afirmou Guimarães.

Clique aqui para saber mais sobre a Embrapii.

Evento de apresentação do modelo da Embrapii na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Mark Crowell apresenta experiência da Universidade da Virgínia em biotecnológicos

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

É preciso que universidades e empresas mudem a forma de ver Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). A opinião é de Mark Crowell, diretor executivo e vice-presidente de Inovação da Universidade daVirgínia (UVa), dos Estados Unidos (EUA).

Mark Crowell, da Universidade da Virgínia. Foto: Helcio Nagamine/FIESP

Ele foi um dos palestrantes do primeiro dia do Workshop de Inovação em Biotecnologia, promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), por meio do Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria  (BioBrasil), e pela Biotecnology Industries Association (BIO). O evento, de dois dias, termina nesta quarta-feira (29/04) na sede da Fiesp.

Com vasta experiência em licenciamento de tecnologia, formação de startups em universidades e desenvolvimento de capital semente, Crowell compartilhou com empresários as formas de parcerias desenvolvidas pela UVa.

“Thomas Jefferson, fundador da UVa, costumava dizer que ‘cada vez que uma ideia ou inovação mostra-se útil ela deve ser tentada’. E, nos dias de hoje, se não estamos fazendo isso, ficamos para trás”.

Crowell disse que se surpreendeu quando visitou Cingapura há poucos anos atrás e percebeu como o país asiático colocou a inovação e desenvolvimento de patentes no centro de suas estratégias. “Encontrei vários estudantes nas ruas com bottons com as iniciais ‘RIP’. Imaginei que fosse alguma gíria local, mas, na realidade, as iniciais estavam relacionadas a Research and Intellectual Property (Pesquisa e Propriedade Intelectual)”.

Atualmente, a patentes de biofármacos nos EUA são predominantemente de universidades e apenas algumas áreas são dominadas pela indústria.  Isso foi possível, segundo Crowell, devido às novas modalidades de parcerias que estão sendo criadas, e não só entre empresas e universidades.  “Antes, a iniciativa de financiar era do governo federal. Hoje, até os pacientes estão financiando as pesquisas e fazem doações de milhões de dólares”, afirmou.

O especialista comentou que, cada vez mais, as universidades têm sido demandadas para promover pesquisas e que essa flexibilidade no programa de parcerias criou um sistema que se retroalimenta. “Se não conseguirmos pensar nesse sistema não seremos mais competitivos”, ressaltou.

Todo esse avanço tem sido possível também com a mudança de visão das universidades e do meio acadêmico. Há dez anos, os pesquisadores imaginavam o envolvimento com a indústria como algo impuro. Como consequência, havia um grande conhecimento guardado nas prateleiras, mas de maneira pouco produtiva. “O foco, agora, é no mercado, isto é, em produzir inovação realmente útil e aplicável, como predisse Jefferson.”, destacou o especialista.

Os alunos que estão se formando nas universidades também estão com um novo perfil, mesclando o desenvolvimento científico a habilidade de empreendedorismo. “Os talentos são incentivados a realizar roadshows. Eles têm que estar preparados para falar com o mercado, com os investidores capitalistas. Estão sendo estimulados a sempre pensar nas necessidades dos pacientes e também do mercado.”

De acordo com Crowell, as grandes empresas também estão atentas e participando desse movimento, investindo em startups dentro das universidade. “A farmacêutica Pfizer e a UVa estão para lançar uma nova terapia para câncer de ovário, fruto do investimento da indústria farmacêutica em uma startup dentro da universidade”, destacou.

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Inovação tecnológica busca maior representação empresarial

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Carlos Calmanovici, Anpei. Foto: Pedro Ferrarezzi

Como as empresas devem ser incluídas na governança e na gestão dos instrumentos de fomento e políticas públicas de inovação? Esta e outras questões relativas ao tema foram analisadas na reunião do Conselho Superior de Tecnologia e Competitividade (Contec) da Fiesp, realizada na sexta-feira (8).

O convidado para discorrer sobre o fortalecimento da inovação tecnológica no Brasil foi Carlos Calmanovici, presidente da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei).

Ele destacou atividades da entidade, como a X Conferência Nacional de Inovação Tecnológica, que em abril deste ano reuniu em Curitiba cerca de 500 pessoas em 65 mesas de debate.

“A Anpei tem atuado intensamente na formulação, proposição e análise das políticas para a renovação tecnológica no Brasil”, afirmou Carlos Henrique Brito Cruz, presidente do Contec.

Estímulos

Carlos Henrique Brito Cruz, pres. do Contec. Foto: Pedro Ferrarezzi

Para Calmanovici, é fundamental que se criem fóruns permanentes de incentivo à inovação, como o aumento da representação empresarial na elaboração de leis e estruturação dos fundos públicos.

Além disso, ressaltou a importância da criação de linhas de crédito específicas para projetos e instalações pré-industriais, alinhadas aos mecanismos contínuos de acesso a estes incentivos.

Estas ações voltadas às circunstâncias mais desafiadoras do setor elevariam o patamar das empresas. “Para uma inovação mais ousada de ruptura, é necessária a busca de outros instrumentos que permitam trabalhar em situação de maior risco, como a garantia da segurança jurídica dos incentivos fiscais”, sinalizou o presidente da Anpei.

Clique aqui para ver a íntegra da apresentação.

Ciesp discute como ampliar investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento, na 6ª feira (30)

A inovação tecnológica é considerada indispensável no processo produtivo, mas ainda persistem gargalos que afetam a capacidade brasileira de investimento no setor. Para ajudar a remover esse impasse, o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp)reunirá importantes agentes do processo e tratará o tema de forma estratégica em sua XXIV Convenção Anual, em São Paulo, no dia 30 de abril.

Representantes ministeriais, governo estadual, executivos do BNDES e especialistas das principais universidades e institutos de pesquisa participarão dos debates com cerca de 300 empresários – importante parcela do setor produtivo paulista, estado que lidera os dispêndios nacionais com pesquisa e desenvolvimento.

“A década esportiva que se inicia para o Brasil não poderá ser vencida sem o binômio inovação-tecnologia”, afirma Paulo Skaf, presidente do Ciesp e da Fiesp.

O estado de São Paulo investe 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual em P&D. A taxa é maior que a média brasileira, de 1,2%, e coloca o estado à frente de países vizinhos da América Latina e das outras nações do BRIC (Rússia, Índia e China). Mas a meta paulista é igualar o desempenho dos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e atingir 2,3% até 2020.

O primeiro painel do seminário, “Desafios da Inovação”, vai abrir uma discussão estratégica das políticas de incentivo ao desenvolvimento tecnológico. Em seguida, uma mesa-redonda moderada pelo jornalista Ricardo Boechat abordará questões-chave como financiamento, desenvolvimento de projetos e acesso às informações por parte das empresas.

Serviço 

Seminário “Inovação como fator de competitividade”
Data e horário: 30 de abril, sexta-feira, das 9h às 12h
Local: Avenida Paulista, 1313, no auditório do Teatro Popular do Sesi

Mais informações:  www.ciesp.com.br

Brasil é o 3º país que mais dá incentivo de P&D; ao setor privado

Agência Indusnet Fiesp 

Carlos Américo Pacheco, da Unicamp (segundo, da esq. p/ dir.): “Temos muitos avanços, mas um longo caminho pela frente”. Foto: Vitor Salgado

O apoio para Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) do setor privado do Brasil vem aumentando nos últimos anos, conforme levantamento mostrado por Carlos Américo Pacheco, do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

A apresentação foi feita nesta sexta-feira (12) aos membros do Conselho Superior de Tecnologia e Competitividade (Contec), presidido pelo professor Carlos Henrique de Brito Cruz, como parte da palestra de Pacheco sobre O Regime Brasileiro de Incentivos de P&D no Setor Privado. “Temos muitos avanços, mas um longo caminho pela frente”, afirmou.

Pacheco atribui o bom desempenho brasileiro à renúncia fiscal pela Lei de Informática, que “depende essencialmente do desempenho econômico do setor”, e pela Lei do Bem, que tem número crescente de empresas participantes. “Eles explicam quase 90% do aumento do apoio público para P&D”, observou.

O crescente número de empresas habilitadas a usufruir destes incentivos também tem despertado o interesse pela inovação. Exemplo disso é que, em 2006, a Lei do Bem tinha 130 participantes e, em 2008, saltou para 441.

Apesar dos números positivos, Pacheco alertou para a principal dúvida: a capacidade de alavancar o P&D privado. “O conjunto do sistema de incentivos brasileiro tem sido pouco eficaz em alterar de maneira radical o quadro da inovação brasileira”.

Segundo ele, estimativas do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) indicam que a renúncia da Lei do Bem tem características “muito positivas por induzirem a um investimento elevado, cinco vezes maior que os benefícios concedidos”.