Indústria paulista fecha 19 mil vagas em novembro

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Imagem relacionada a matéria - Id: 1540228407A tendência de queda no nível de emprego nas indústrias do Estado de São Paulo se manteve em novembro. No mês, houve saldo negativo de 19 mil vagas, com 19.037 demissões e apenas 37 contratações, segundo a Pesquisa do Nível de Emprego da Fiesp e do Ciesp, divulgada nesta quarta-feira (16/12). O indicador, na leitura com ajuste sazonal, caiu 0,67%.

Apesar de não ser a maior queda percentual num mês de novembro, “não dá para fazer festa”, afirmou Paulo Francini, diretor titular do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp e do Ciesp (Depecon), responsável pelo levantamento. Francini ressaltou que a variação interanual, comparando novembro de 2015 com novembro de 2014, foi de -8,66%, a mais forte queda desde o início do acompanhamento. Foram cerca de 225 mil vagas a menos no período.

No acumulado de 2015 (janeiro a novembro), a perda foi de 180 mil vagas (-7,15%). Em dezembro tradicionalmente há perda mais acentuada de vagas, o que deve levar ao fechamento de 220 mil a 230 mil empregos em 2015, o que, lembrou Francini, “continua a ser um número pavoroso”.  “É o dobro do máximo que já foi perdido [num ano] pela indústria de transformação nos últimos 10 anos.”

O ano deve ser o pior para o nível de emprego da indústria paulista desde o início da série, em 2006. E “não dá para ficar contente” em 2016, afirmou Francini. O começo do ano será ruim, e a discussão sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff, que pode levar “tempo longuíssimo”, tende a provocar uma paralisia. “Vai piorar”, disse Francini, lembrando que “não há mal que seja eterno”. Uma hora vai melhorar, lembrou. A questão é quando. “Não tenho a menor ideia.”

Setores e regiões

A queda no emprego foi verificada em 21 dos 22 setores pesquisados pelo Depecon. Apenas o setor de máquinas, aparelhos e matérias elétricos teve estabilidade (com 37 contratações, variação mensal de 0,04%).

O maior número de demissões, em valores absolutos, foi no setor de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos, com 3.888 vagas a menos. Em produtos alimentícios, a perda foi de 1.995 vagas, e em confecção de artigos do vestuário e acessórios, 1.388. São setores, lembrou Francini, que tradicionalmente contratam trabalhadores temporários.

Na variação acumulada do ano, a maior queda ocorreu no setor de máquinas e equipamentos, com perda de 13,35% das vagas, seguido por produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (12,9% a menos) e móveis, com -12,62%

O percentual de queda na Grande São Paulo (0,75%) em novembro foi semelhante ao do Estado como um todo (0,8%). No interior, a redução foi de 0,83%.
>> Ouça boletim sobre a Pesquisa de Nível de Emprego

Das 36 regiões pesquisadas, 30 tiveram queda, 3 se mantiveram estáveis, e 3 apresentaram crescimento. Jacareí (-4,17%), Rio Claro (-2,52%) e Osasco (-2,27%) apresentaram as maiores baixas. Entre as que contrataram, a maior alta foi em São Caetano do Sul (0,77%), graças a novas vagas na indústria de móveis. Sertãozinho (0,61%) deve as contratações a produtos de metal e máquinas e equipamentos. Em Indaiatuba (0,11%), as vagas surgiram em máquinas e materiais elétricos.