Produção científica brasileira é a que mais cresce no mundo, diz presidente do CNPq

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

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Oliva falou sobre os desafios e oportunidades para a inovação no país (Foto: Helcio Nagamine)

A produção científica brasileira é a que mais cresce no mundo, segundo Glaucius Oliva, presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

O professor – titular do Instituto de Física de São Carlos e com doutorado pela Universidade de Londres – esteve nesta sexta-feira (17/05) na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para reunião do Conselho Superior de Inovação e Competitividade (Conic) da entidade.

Oliva falou sobre os desafios e oportunidades para a inovação no país e também sobre a atual situação da produção científica nacional.

O dirigente afirmou que houve grandes avanços na pesquisa científica nas últimas décadas. “Na década de 1950, tínhamos pouquíssimos cientistas e pesquisadores no Brasil. Em 2010, formamos 40 mil mestres e 12 mil doutores – 2,7% da produção científica do mundo nascem no Brasil”, disse Oliva.

“É a que mais cresce no mundo”, garantiu.

Oliva afirmou que o país conta com recursos humanos qualificados em todas as áreas de conhecimento e em todas as regiões do país. O docente também apontou a inovação como principal caminho para o Brasil ser um país cada vez menos pobre.

Conhecimento e Inovação

“Nós já temos no Brasil os exemplos de sucesso de como transformar inovação e conhecimento em riqueza”, disse Oliva, lembrando a Petrobras, líder mundial em prospecção de óleo e gás em águas profundas, e a Embraer, que, segundo destacou, “desde que investiu em inovação, tornou-se uma das maiores fabricantes de aeronaves”.

Para o presidente do CNPq, ciência, tecnologia e inovação são os eixos estruturantes do desenvolvimento nacional.  “Desde que a Embrapa criou parcerias com grandes escolas de Agronomia, o Brasil é líder mundial em pesquisa e desenvolvimento em agropecuária tropical.”

Oliva também abordou os principais desafios da área. “Avançar em direção à economia do conhecimento e também transitar para a economia de baixo carbono e sustentável são os atuais obstáculos que enfrentamos”, opinou.

‘Ciência sem Fronteiras’

Durante sua participação no conselho, o presidente do CNPq falou sobre o programa “Ciência Sem Fronteiras”, que deverá oferecer 100 mil bolsas para estudantes brasileiros no exterior.

“Com o programa queremos aumentar a presença de estudantes e pesquisadores brasileiros em instituições de excelência no exterior e fortalecer a internacionalização das universidades brasileiras”, disse Oliva.

“Empresas como a Petrobras e a Vale já estão aderindo ao programa, o que mostra sua importância”, encerrou.

Inovatec: mais pesquisadores nas empresas, mais inovação nas escolas

Cesar Augusto, Agência Indusnet Fiesp

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Rafael Cervone representou Paulo Skaf na abertura do Inovatec, em SP

O 1º vice-presidente do Ciesp, Rafael Cervone, comandou nesta segunda-feira (07/11) a abertura da Inovatec, Feira de Negócios em Inovação Tecnológica entre Empresas, Centros de Pesquisa e Universidade.

Representando o presidente da Fiesp/Ciesp, Paulo Skaf, Cervone lembrou a importância da aproximação entre a Pesquisa Científica e a Indústria.

Ele chamou atenção para o crescente, porém lento, crescimento em P&D do país que, como proporção do Produto Interno Bruto (PIB), ainda é inferior ao do estado de São Paulo. “O pesquisador tem de trabalhar dentro da empresa. Assim terá mais chances de desenvolver produtos com viabilidade econômica e coerentes com as possibilidades de produção da nossa indústria.”

Carlos Henrique Brito Cruz, diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) também abordou o tema. E informou que nos EUA mais de 80% dos cientistas trabalham em empresas, realidade que não é encontrada no Brasil.

Para José Roberto Cunha Jr., da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, a integração entre o público, o privado e a universidade forma o tripé essencial para o desenvolvimento da inovação tecnológica no país. Outro ponto importante, no seu entendimento, é a introdução da cultura da inovação no sistema educacional do país. “Enquanto inovação não entrar na escola, não haverá desenvolvimento nessa área”, pontuou.

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Carlos Henrique Brito Cruz, diretor científico da Fapesp

Representantes dos Ministérios do Desenvolvimento Indústria e Comércio e da Saúde, além do BNDES, expuseram as iniciativas e a atenção dada pelo governo federal ao tema.

Os representantes da Brasília falaram do desenvolvimento recente da economia brasileira, das oportunidades de investimento e capitais estrangeiros que o país vem atraindo. Somados, esses fatores desenham um cenário propício para investimentos em inovação tecnológica.

No painel Cenários Econômicos e Competitivos Globais e o Desafio da Inovação nas Empresas Brasileiras, o diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, demonstrou indicadores de Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil em relação a outros países. Ele falou das oportunidades existentes, dos obstáculos à inovação e explicou algumas das propostas do setor produtivo nestas áreas.

Inovatec acontece no Centro de Convenções do shopping Frei Caneca, em São Paulo, e segue até quarta-feira (9) de manhã e à tarde, discutindo temas relativos à Inovação em salas divididas por setores: Petróleo e Gás; Agroindústria; Defesa e Segurança; Higiene e Beleza; Biocombustíveis; entre outros.