Seminário promovido pela Fiesp sugere ações para evitar violência contra pescadores

Agência Indusnet Fiesp

A insegurança provocada por assaltos a embarcações e pescadores amadores esportivos ocorridos na Baixada Santista levou o Comitê da Cadeia Produtiva da Pesca e da Aquicultura da Fiesp (Compesca) a discutir o problema em seminário promovido nesta terça-feira (27/9) no Instituto Pesca, em Santos (SP). Segundo Roberto Imai, coordenador do Compesca, a solução para uma retomada da pesca esportiva, afugentada pela violência, deve ser conjunta. O evento uniu autoridades e sociedade civil para discutir formas de permitir a volta da atividade, destacou.

No final do seminário disse que uma campanha, com a distribuição de cartazes de alerta será criado para informar aos pescadores o que fazer preventivamente e como agir em caso de assalto. Ele ressalta que a participação do público no evento mostra a seriedade do assunto, que foi percebida pelas autoridades.

No seminário, Adalberto Francisco de Oliveira Filho (Betinho), membro do Compesca, descreveu o aumento da sofisticação dos ladrões especializados em atacar pescadores esportivos, passando a usar jet skis e lanchas. Também afirmou que ficou mais fácil registrar ocorrências, que podem ser feitas online. E disse que a PF começou campanha nas marinas para explicar aos pescadores como evitar ocorrências e como proceder caso aconteçam. A dúvida é se poderia haver ação policial nas águas da baixada, o que era dificultado pela falta de registros. Segundo Oliveira, apesar de ainda haver diversos relatos, acontecem muito menos roubos, porque muitos barcos foram deslocados para Cananeia.

Coação feita pelos assaltantes também leva os pescadores a não dar queixa. E há uma espécie de sequestro de bens em alguns casos, com os ladrões oferecendo de volta equipamentos em troca de resgate. Mesmo isso diminuiu, pela redução do número de pescadores na Baixada, de 500 para 20. Oliveira deixou como questão discutir se é possível fazer algum tipo de ação preventiva, talvez com a formação de uma força conjunta. “Ou esperaremos acontecer algo mais grave para tomar alguma medida?”.

Direcionamento do patrulhamento é feito a partir do local de ocorrência de crimes, explicou Ciro Tadeu Moraes, delegado da Polícia Federal na Baixada Santista. Efetivo reduzido, afirmou, não permite patrulhamento ininterrupto. E a prioridade para a Polícia Marítima em Santos é o tráfico de drogas. “Apenas de forma esporádica direcionamos as patrulhas para a atividade de pesca.” Destacou importância do registro dos crimes também na Polícia Federal, apesar de não ser de sua competência a fiscalização, mas isso ajudaria a direcionar suas atividades na água. Notificação rápida poderia até permitir a intervenção imediata. Unir forças é proposta válida, disse – por exemplo, com a Polícia Civil fornecendo pessoal, e PF, equipamentos.