Abertura da Semana do Peixe reúne na Fiesp empresários e ‘chefs’ para discutir entraves e oportunidades

Cristina Carvalho, Agência Indusnet Fiesp

Entre um corte de carne bovina e um pescado, a carne ainda é prioridade na mesa dos brasileiros. Para fomentar a cultura de consumo de peixe, inferior a 10 kg por habitante a cada ano, mesmo patamar mundial da década de 1960, segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO/ONU), todo ano é realizada a Semana do Peixe. O evento, que acontece de 1º a 15 de setembro, em todo o país, teve a abertura da 14ª edição, sob o tema Saúde e Sabor, na Fiesp, nesta sexta-feira (1º de setembro).

Representantes dessa cadeia, como empresários, aquicultores e renomados chefs, apontaram que é preciso criar uma cultura em torno do consumo de peixes, mas o fator preço é um dos entraves a minar a escolha do consumidor entre essa proteína e a bovina. “O desafio é fazer a dona de casa levar o pescado para casa. É preciso trabalhar com a cadeia produtiva. Precisamos criar uma pauta de desenvolvimento do setor. Nosso potencial é inquestionável, por isso precisamos do apoio de todos”, destacou Roberto Imai, diretor titular do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria da Pesca da Fiesp (Compesca).

Para que essa cultura seja disseminada, Meg Felippe, diretora do Compesca, observou que é preciso fazer uma força tarefa junto a escolas de gastronomia, universidades e chefes de cozinha de restaurantes. “O desafio é engajar esse público. Conseguimos mobilizar o setor privado para ajudar”, disse.

Presente também no evento, o chef Cauê Tessuto disse que sua principal motivação dentro dessa gastronomia é “tentar trazer para o público espécies alternativas. Precisamos informar ao consumidor o que ele está comendo, levar essa consciência para os restaurantes e influenciar os consumidores”, destacou.

Outro chef participante da Semana do Peixe foi Allan Vila Espejo, que durante sua fala alertou sobre a criação de uma consciência de que o consumo de peixe não deve ser algo apenas de datas especiais, mas que esteja presente durante toda a vida na mesa dos brasileiros. “O grande problema é que o brasileiro não tem costume de comer peixe. Não foi educado para isso. Além do que o preço do pescado é maior do que o da proteína bovina ou frango”, alertou.

Uma alternativa para fomentar esse consumo, ainda segundo Allan, é fazer campanhas por bairro. “Pode ser feito, por exemplo, algo como semana do tipo de peixe”, sugeriu, destacando que faltam incentivos do governo para disseminar o desenvolvimento da cadeia do peixe.

Para o chef Jun Sakamoto, também participante do evento, a falta de qualidade do pescado é seu principal problema. “Não é fácil achar alta qualidade. Mas eu quero o melhor, custe o que custar. Meu restaurante tem apenas 30 lugares. Para ter uma qualidade melhor, toda a cadeia precisa estar envolvida. Dessa forma o público vai querer consumir pela qualidade e saber também que é um alimento saboroso”, disparou.

No encerramento, Roberto Imai, diretor titular do Compesca, destacou que é preciso haver também conscientização quanto ao desperdício. “De tudo que é produzido pelo Brasil, de 20% a 25% se joga fora. Onde está a competitividade no aproveitamento integral?”, questionou, afirmando ainda que “peixe não é caro, mas maltratado. Não temos escala para toda a cadeia”, finalizou.

Abertura da Semana do Peixe de 2017, na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Compesca define grupos de trabalho para preparar a Semana do Peixe

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Em sua terceira reunião plenária de 2017, nesta sexta-feira (19 de maio), o Comitê da Cadeia Produtiva da Pesca e da Aquicultura da Fiesp (Compesca) definiu a forma de atuação dos grupos de trabalho criados para atuar na organização da Semana do Peixe, evento a ser realizado de 1 a 15 de setembro. Os grupos de trabalho se reunião quinzenalmente, e seus coordenadores farão reunião conjunta a cada mês.

O primeiro é de Engajamento e Comunicação, com funções como criação de logo para o evento, sua divulgação e engajamento do maior número possível de instituições.

O segundo, Formação e Capacitação, deve promover parcerias e ações destinadas a instruir peixeiros e compradores de bares e restaurantes sobre as espécies disponíveis no mercado e sua preparação. Uma possibilidade é realizar workshops. O primeiro tema sugerido é Introdução à Qualidade do Pescado.

Eventos e Captação de Recursos é o terceiro grupo de trabalho estabelecido. Deve organizar e coordenar eventos durante a Semana do Peixe e obter recursos financeiros e parcerias para ela e para outras atividades do Compesca.

O convite para a Semana do Peixe teve 2.000 unidades distribuídas durante a feira da Associação Paulista de Supermercados (Apas). Representando o Compesca, seu diretor titular adjunto Pedro Pereira participou da feira, que em sua avaliação foi muito positiva, pela grande presença de público.

Reunião do Compesca, conduzida por Roberto Imai e Pedro Pereira. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Atividades do Compesca

Roberto Imai, diretor titular do Compesca, relatou reunião na FGV em 4 de abril para discutir a criação de cursos de pós-graduação com foco na indústria do pescado, em que se concluiu que talvez seja mais viável a introdução de disciplinas ligadas ao tema no MBA de agronegócio.

Também houve reunião, em 12 de abril, na Câmara Setorial de Pesca da Secretaria da Agricultura, com a discussão de temas como a competitividade da indústria paulista, a fiscalização de ilegais, a participação do Compesca em grupo de trabalho sobre ICMS e a lista de espécies em extinção.

Imai também falou sobre a Semana do Peixe, no dia 18 de abril, durante reunião da Comissão de Aquicultura da CNA. Outras reuniões ocorreram em 26 de abril. A primeira, no Departamento do Agronegócio da Fiesp, foi sobre mapeamento do risco no agronegócio brasileiro, com foco na exportação. A outra foi sobre novos negócios da pesca no Estado de São Paulo e drones.

Imai relatou que foram lacradas na semana anterior quatro empresas de Santa Catarina devido ao contrabando de camarão da Argentina. E a operação Fugu, da Polícia Federal, segundo Imai, vai representar para a indústria do pescado o que a Lava Jato vem sendo para as empreiteiras. “Vai faltar peixe branco no Brasil”, afirmou. A operação Fugu investiga, entre outras coisas, a adulteração de peixe importado da China.

Compesca discute Semana do Peixe deste ano e mira o longo prazo na capacitação

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Os preparativos para a 14ª Edição da Semana do Peixe, antecipados este ano, foram tema da reunião desta sexta-feira (17 de março) do Comitê da Cadeia Produtiva da Pesca e da Aquicultura da Fiesp (Compesca). Foi definida a criação de cinco comitês, cuja composição ainda será definida: Comunicação, Eventos, Mobilização, Captação de recursos e Capacitação. Para esse último tema, a ideia é instituir um grupo permanente, sugestão feita por representantes do varejo, da indústria e de restaurantes presentes ao evento e aceita por Roberto Imai, diretor titular do Compesca, diante de sua importância para o fomento do setor.

Pedro Henrique Pereira, diretor titular adjunto do Compesca relatou os preparativos para a Semana do Peixe, que mais uma vez deve ser realizada de 1º a 15 de setembro. Seu objetivo é fomentar o consumo de pescado no Brasil. Espera-se para este ano participação mais ampla do setor de restaurantes. O evento já se firmou no calendário e fica entre os 3 mais importantes períodos de venda de pescado no Brasil.

As ações da semana incluem informação sobre os aspectos positivos para a saúde do consumo de peixe e sobre o preparo do produto, além da origem do pescado, para dar segurança ao comprador.

Imai destacou a divulgação espontânea pelos meios de comunicação da Semana do Peixe, tornando-a útil para outras ações, com o envolvimento de outros elos da cadeia do peixe.

Ao longo dos anos o pescado nacional ganhou mais importância na Semana do Peixe, que acelera a curva de consumo do produto. Mesmo assim, destacaram Imai e Pereira, é preciso que os aquicultores se preparem para o fornecimento aos varejistas.

Pesca esportiva

Antonio Carlos Araujo, diretor titular adjunto do Compesca, falou sobre o seminário Cidades com potencial turístico na pesca esportiva, pensado para mostrar aos municípios como conseguir a certificação para ter direito à verba definida em lei estadual para incentivo ao turismo relacionado à pesca esportiva. A ideia é promover o seminário no início do segundo semestre.

Imai citou entre os fatos importantes ocorridos desde a reunião anterior do Compesca a transferência da Secretaria da Aquicultura e Pesca para o Ministério da indústria, Comércio Exterior e Serviços.

Reunião do Compesca teve como tema a 14ª Semana do Peixe. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

‘As pessoas erram porque complicam o ato de cozinhar’, diz Alex Atala em reunião do Comitê da Pesca da Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

“Por que não experimentar outras espécies? Sou a favor da diversidade dos peixes encontrados na costa e nos rios brasileiros”. Admirador dos pescados nacionais, que estão sempre nos cardápios dos seus dois restaurantes em São Paulo (D.O.M e Dalva e Dito), o chef Alex Atala foi o principal convidado da reunião plenária de encerramento do ano do Comitê da Pesca (Compesca) da Fiesp, realizada na tarde desta sexta-feira (25/11). O encontro foi mediado pelo coordenador do Compesca, Roberto Imai.

Destacando que a sua profissão é a de “cozinheiro”, Atala disse nunca ter imaginado antes estar na Fiesp na condição de convidado. “Passava pela Paulista e via o prédio, nunca pensei que um dia estaria aqui”.

Para Atala, vivemos um tempo de desconexão em relação aos alimentos. “Quantas pessoas são capazes de reconhecer um pé de laranja sem a fruta?”, questionou.

Nessa linha, segundo o chef, “o alimento é a maior rede social do mundo”. “É a cozinha que realmente tem impacto na qualidade de vida”, afirmou. “A guerra entre os pequenos produtores e a grande indústria é bobagem, o que importa é alimentar de forma correta 7 bilhões de pessoas”.

Interessado por peixes desde sempre, Atala lembrou que “o mar não é um recurso inesgotável”. “A partir do momento em que nos interessamos por vinho, passamos a produzir a bebida no Brasil”, disse. “Se aumentarmos os nossos paladares e comermos de modo mais diversificado, vamos abrir espaço para outros alimentos, como os peixes”, afirmou. “Precisamos comer melhor, essa é a nossa fonte de energia”.

Atala: questão de aumentar os sabores consumidos, ampliando o paladar. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

No campo dos pescados, ele disse ter descoberto, há pouco tempo,  que tainha tem moela. “E esse é um prato descomplicado de fazer”, explicou. “As pessoas erram porque complicam o ato de cozinhar: as melhores receitas de caviar e trufas são simples”, afirmou. “As pessoas pegam o peixe, colocam 35 coisas e cozinham por muito tempo. Até onde vai isso?”, questionou.

Nesse contexto, ele diz enfrentar preconceito de alguns clientes em suas casas quando serve espécies como a sardinha. “Me dizem que não vieram ao restaurante para comer sardinha”, contou. “Sendo que esse peixe tem mais ômega 3 e vive menos tempo, assimilando uma menor quantidade de metal pesado nas águas”.

De acordo com o chef, nada justifica o baixo consumo de pescados no país. “Por que a carne é melhor? Porque criaram esse hábito para nós”, destacou. “Em muitos lugares, o peixe é mais valorizado”.

Assim, a saída é ser criativo. “Criatividade é fazer o que todo mundo faz de forma diferenciada”, disse Atala. “É o que nós precisamos fazer na cozinha hoje: criar receitas úteis, que não podem ser complicadas nem inacessíveis”.

Segundo o chef, essa nova maneira de cozinhar envolve “reentender o alimento e aproveita-lo”.

Para Imai, Atala “tem uma relação especial com o peixe”. “Ele  enxerga o pescado de forma diferente e reforça o nosso orgulho de trabalhar com o alimento”.

Competitividade

Conforme o coordenador do Compesca, 2016 foi um ano muito difícil, mas algumas atividades da cadeia, como a piscicultura, apresentaram crescimento. “A produção de tilápia, por exemplo, foi um destaque”, afirmou.

Para 2017, o desafio é reduzir o consumo de importados no país, em torno de 40% dos peixes que comemos, reforçando o mercado nacional. “Queremos retomar a competitividade do pescado brasileiro no exterior”, disse Imai. “Hoje, exportamos apenas 10% da nossa produção”.

Participou da reunião ainda o professor aposentado da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP José Cezar Panetta, entre outros convidados.

‘A aquicultura é a nova fronteira agrícola brasileira’, diz secretário-adjunto da Agricultura de São Paulo na Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Hora de comer peixe. E, com isso, além de ter mais saúde, movimentar a economia. Para debater esses e outros assuntos, foi realizado, na manhã desta quinta-feira (08/09), na sede da Fiesp, em São Paulo, o seminário “O sucesso do pescado”. Organizado pelo Comitê da Cadeia Produtiva da Pesca e da Aquicultura (Compesca) da federação, o evento reuniu empresários e autoridades para discutir a criação de uma agenda de trabalho mais forte para o setor.

Com a mediação do coordenador do Compesca, Roberto Imai, o secretário de Aquicultura e Pesca do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Dayvson Franklin de Souza, destacou as potencialidades do pescado no Brasil. “É impossível fazer alguma coisa sem ouvir o setor, precisamos construir uma pauta juntos”, disse Souza. “O Brasil tem como meta atingir uma participação de 10% no comércio mundial do agronegócio e os frutos do mar representam o segmento que mais tem condição de contribuir com esse objetivo”.

De acordo com o secretário, o desafio “é ter interlocução mais aberta”. “Nós não somos concorrentes do boi, das aves e da soja, somos mais um grande produto nas mãos do país”, afirmou.

Também convidado do seminário, o secretário-adjunto de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Rubens Rizek Junior, reforçou a importância de estimular o setor no Brasil diante do tamanho do nosso litoral e da quantidade de rios e reservatórios que temos aqui. “Importamos 60% do pescado que consumimos”, disse. “Já fomos importadores de carne e hoje conseguimos exportar, será assim com o peixe também”, afirmou. “O que precisamos fazer é resolver o gargalo da burocracia, as nossas normas travadas”.

>> Ouça boletim sobre o setor do pescado

Segundo Junior, é importante reforçar o consumo de peixes, o que pede o desenvolvimento de melhores técnicas de conservação, de soluções que vão além do gelo. “Também temos que ter uma política pública de saúde que inclua a proteína do pescado na alimentação”, explicou. “A aquicultura é a nova fronteira agrícola brasileira”, disse. “Não temos mais tanto o que crescer nos outros segmentos, mas na aquicultura sim”.

Questão de bom atendimento  

Compradora de Pescados do Carrefour, Maria Rosilene Costa participou do seminário destacando as ações da rede de varejo para vender mais peixe. “Certa vez, pedi cem quilos de saint peter ao meu gerente para vender no final de semana”, contou. “Ele não acreditou no potencial de vendas, mas me permitiu fazer a compra. Organizei uma degustação na loja e acabou tudo até as 20h de sábado”.

Para ela, o bom atendimento amplia a compra. “É importante que o peixeiro conheça as espécies, destaque os sabores, trabalhe como consultor, saiba oferecer outros produtos”, explicou Maria Rosilene. “Com uma relação de confiança, é possível fidelizar os clientes. Como existe o consultor de vinhos, o peixeiro deve ser consultor de peixes, ficar do lado de fora da peixaria e chamar o cliente para conhecer os pescados, gerar experimentação”.

Além disso, ela reforçou a importância da higiene e limpeza na área. “É preciso ter boa apresentação, com cortes, tipos e nomes destacados, bom sortimento”.

Frescos e sem conservantes

Diretor da Trutas NR, produtora de Sapucaí-Mirim, no Sul de Minas Gerais, Afonso Vivolo falou sobre a experiência de mercado de sua empresa, principalmente no que se refere ao consumo de filé de truta em vez do peixe inteiro. “Os consumidores desconfiaram”, disse. “Viemos com um novo conceito e precisamos voltar a vender o peixe todo”.

Hoje, 90% da produção do fabricante vai para restaurantes. “Respeitamos o varejo, mas o nosso ganha-pão está nos restaurantes”, afirmou Vivolo.

Segundo ele, entre as tendências para a indústria nesse mercado estão a rastreabilidade e origem comprovada, a oferta de peixes frescos em embalagens que garantam o maior tempo de prateleira e a entrega de produtos sem antibióticos e conservantes, com certificação de bem-estar animal.

Sabor caseiro

Administradora executiva da Yoshi Pescados, Patrícia Dias Nascimento explicou que a empresa nasceu para trabalhar com produtos elaborados à base de pescados, como bolinhos e empanados, para entrar no mercado de forma diferente do que já existia. “São produtos com foco no sabor caseiro, nas porções corretas, que não precisam ser reformulados”, diz.

Além das vendas para restaurantes, a Yoshi vende para o varejo. “Trabalhamos de forma agressiva as nossas degustações e desenvolvemos ações para consumidores como os produtores de cerveja e os donos de bares, por exemplo”.

Outro foco foram as ações com marcas de panelas, aproveitando o gancho de que os alimentos da Yoshi são fritos em panelas do tipo que não usam óleo. “Precisamos fazer uma venda assistida, orientar o consumidor. Ninguém sai de casa todo dia para comprar bolinho empanado”, disse Patrícia. “Queríamos ficar conhecidos de forma diferente”.

Segundo ela, entre as dicas para ter sucesso trabalhando com pescados, está o trabalho em parceria com os demais agentes da cadeia produtiva do peixe. “Temos que parar de reclamar e fazer acontecer”.

O seminário sobre o sucesso no mercado de pescados na Fiesp: trabalho em parceria. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Programa Prazer de Estar Bem, do Sesi-SP, promove consumo de pescados em setembro

Rosângela Gallardo, Agência Indusnet Fiesp 

A boa alimentação é um caminho saudável para prevenir doenças e manter o corpo em equilíbrio, por isso é importante fazer boas escolhas nutricionais desde a infância. Para ajudar os pequenos a reconhecer as propriedades dos alimentos e quais as melhores alternativas para cada fase da vida, o Sesi-SP promove, em sua rede de escolas, campanhas educativas e de sensibilização para estimular hábitos saudáveis que integram o Programa Prazer de Estar Bem. “Quando a criança conhece diferentes alimentos ela consegue ampliar suas escolhas’”, destaca Rosemeire Casanova Nogueira, gerente de programas de Nutrição do Sesi-SP.

A sensibilização sobre diferentes texturas, cheiros e gostos começa no refeitório, onde os nutricionistas de todo o estado apresentam diversas opções de alimentos. Neste mês, será a vez de incentivar o consumo de pescados, aproveitando a Semana do Peixe, criada pelo Ministério da Pesca e Aquicultura, em parceria com o Ministério da Saúde, e com a adesão de diversas entidades do setor, como o Comitê das Indústrias de Pesca do Estado de São Paulo (Compesca), da Fiesp. “Todos os meses promovemos uma ação diferente, já falamos sobre hidratação, sensações dos alimentos, escala da fome, grupos de alimentares, ações contra o desperdício e, agora, o incentivo ao consumo de pescados, crustáceos e moluscos.”

A ação prevê desmitificar crenças e mostrar a grande variedade de espécies desse grupo de alimentos.

“Além de preparações tradicionais, apresentamos aos estudantes modos diferentes de consumir esses alimentos, como tortas e patês”, explica Rosemeire. A campanha ainda envolve quiz sobre mitos e verdades, display nas mesas dos refeitórios, exposições, palestras, mural e oficinas culinárias. “A informação é um forte aliado de escolhas mais saudáveis e conscientes”, afirma a gerente de programas de nutrição do Sesi-SP.

>> Ouça boletim sobre o Prazer de Estar Bem

ICMS elevado espanta produção de peixe em São Paulo

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

“O empresário paulista está perdendo competividade em relação aos seus vizinhos. Já notamos uma migração da nossa pesca extrativa para outros Estados e agora estamos vendo o mesmo acontecer com a produção em cativeiro”, alertou o coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva da Pesca da Fiesp (Compesca), Roberto Imai. “É mais fácil ir para o outro lado da ponte, onde Estados como Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais trabalham com investimentos fiscais, ao contrário de São Paulo.”

A declaração aconteceu na manhã desta sexta-feira (25/9), durante a reunião mensal do Comitê da Cadeia Produtiva da Pesca (Compesca) realizada na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Imai explicou que o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do Estado de São Paulo é muito alto, o que encarece a produção e, principalmente, o preço final do produto.  Além da concorrência interestadual, o peixe paulista também sofre com a competitividade dos países vizinhos, já que o imposto cobrado nas vendas interestaduais é de 12%, enquanto a incidência sobre o peixe importado é de apenas 4%. Dessa maneira, um peixe produzido no Estado de São Paulo e vendido para o Rio de Janeiro, por exemplo, sairá mais caro do que um salmão importado diretamente do Chile.

Reunião do Comitê da Cadeia Produtiva da Pesca (Compesca) realizada na sede da Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

O superintendente substituto do Ministério da Pesca e Aquicultura, Adalto Paulino Barbosa, conta que, quando era coordenador do terminal pesqueiro do Porto de Santos, via que muitos produtores paulistas preferiam descarregar suas embarcações em Santa Catarina, uma vez que aqui a taxa é mais alta. Segundo Barbosa, em Santos paga-se R$ 0,35 por quilo de sardinha descarregada, valor que “não paga os custos de uma embarcação no mar, e que por isso os pescadores preferem deixar o barco parado a produzir”.

Roberto Imai registrou ainda que a Fiesp tem feito, desde 2008, ações em busca da isonomia tributária para o peixe, única proteína animal tributada no Estado. “Nossa estratégia é envolver outros departamentos da casa, como o do Agronegócio (Deagro) e o de Competitividade e Tecnologia (Decomtec), para elaborar um estudo sobre os impactos desta tributação e as consequências para produtor paulista. Além de estudar as sequelas da guerra fiscal nas vendas interestaduais realizadas por contribuintes paulistas.”

Também presente na reunião, o diretor titular do Departamento do Agronegócio da Fiesp (Deagro), Mário Cutait, se comprometeu a fazer levantamentos, por meio do seu departamento, que consigam mensurar quanto o governo de São Paulo perderia de arrecadação caso a isenção fosse concedida. Ele relatou que há algumas décadas a cadeia paulista do frango também sofreu com a falta de competitividade, mas que conseguiu reverter o quadro por meio de pressão econômica e política.

“Se você quer isonomia, tem que ter política de Estado para a cadeia do pescado. E essa guerra fiscal não ajuda, só está prejudicando ainda mais. Hoje, é mais fácil eu importar o peixe ou comprá-lo de outro Estado e beneficiar no meu frigorífico, do que produzir [em São Paulo]. Não está valendo a pena produzir, por conta dos custos e tributos.” Cutait ainda sugeriu uma compensação: reduzir o imposto nacional e aumentar a taxa para os produtos importados.

Pedro Henrique dos Santos Pereira, membro do Compesca, alertou, por fim, que o preço elevado do quilo de pescados não é consequência apenas dos tributos. “Tem toda a questão da ração, que precisa de mais tecnologia do que a ração bovina, e da integração logística – como já foi realizado para a cadeia do frango – que quase não existe para nós.”

Lei Complementar de proteção ao meio ambiente é uma das prioridades do Compesca

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Previsto para março, um Fórum de desenvolvimento do consumo de pescado de cativeiro deve discutir, entre outros temas pertinentes ao setor produtivo de peixe, o licenciamento ambiental, que está incluído nas competências da Lei Complementar 140, aprovada no final de 2011.

Roberto Imai e Hélcio Honda, durante reunião do Compesca/Fiesp

Trata-se de uma lei que regulamenta as atribuições da União, Estados e munícipios na proteção do meio ambiente, compreendendo jurisdições para emitir licenças ambientais e administrar a extração da fauna e da flora silvestre.

“Um dos objetivos deste encontro, que provavelmente ocorrerá em marco, é trazer autoridades e agentes do governo para que possamos discutir quais são os problemas enfrentados pela pesca esportiva e pelas cadeias produtivas dentro de São Paulo”, informou Hélcio Honda, coordenador-adjunto do Comitê da Cadeia Produtiva da Pesca e da Aquicultura (Compesca) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Honda acrescentou que o seminário deve trazer “contribuições positivas ao governo para podermos melhorar a economia de toda a cadeia produtiva, principalmente no Estado.”

Segundo o coordenador-titular do Compesca, Roberto Imai, o objetivo com o seminário é enviar ao governo de São Paulo um documento que represente a posição da cadeia produtiva da pesca e da Fiesp em relação a Lei Complementar 140 e outras medidas que podem apoiar a pesca extrativa, esportiva e industrial. “Cabe fazer bom uso dessa lei complementar.”

“Essa lei melhora o entendimento das responsabilidades. Os entraves serão resolvidos através do conhecimento das responsabilidades de cada ente para que a coisa comece a andar”, completou Imai.

Pesca industrial
Nos últimos tempos a pesca industrial está ficando fora de moda. A atividade está enfraquecida não por questões de sustentabilidade, mas por conta da falta de mão. A avaliação é de Roberto Imai, que também é presidente do Sindicato da Indústria da Pesca no Estado de São Paulo (Sipesp).

“Muito se conversa da questão de sustentabilidade. Normalmente, pesca industrial é ligada ao adjetivo pesca predatória. E uma das principais prioridades do setor é resgatar a imagem da pesca industrial”, afirmou o presidente do Sipesp.

De acordo com informações do Instituto de Pesca de São Paulo, a descarga de pescados em Santos em 2010 registrou o menor volume dos últimos 43 anos. 

São Paulo absorve 50% das importações brasileiras do pescado, revela estudo

Agência Indusnet Fiesp

Roberto Kikuo Imai, coordenador-titular do Compesca/Fiesp

O coordenador-titular do Comitê da Pesca e da Aquicultura (Compesca) da Fiesp, Roberto Kikuo Imai, alertou nesta sexta-feira (17), na segunda reunião do grupo, contra as robustas importações do pescado pelo mercado paulista.

Segundo informações do estudo O mercado do pescado da Região Metropolitana de São Paulo, lançado nesta sexta-feira durante encontro do Compesca, o estado absorveu 49% das importações brasileiras em 2009. Na região metropolitana, o percentual deste volume aumenta para 50%.

“O dado dessas importações é muito grande. Temos que tomar cuidado. Podemos estudar meios de distribuir de maneira mais forte”, disse Kikuo Imai, que é presidente do Sindicato da Indústria da Pesca no Estado de São Paulo (Sipesp).

Cristiane Rodrigues Pinheiro Neiva, pesquisadora científica do Instituto de Pesca e coordenadora do projeto

O estudo sobre o mercado de pescado em São Paulo foi produzido pelo Infopesca e pelo Fundo Comum de Produtos Básicos e tem como objetivo “evidenciar a necessidade de trabalhos mais aprofundados e fortalecer as parecerias com representantes do setor de pesca”, explicou Cristiane Rodrigues Pinheiro Neiva, pesquisadora científica do Instituto de Pesca e coordenadora do projeto.

Exportação e importação

O Brasil exportou 194,6 milhões de dólares de pescado em 2009. Em contrapartida, as importações brasileiras somaram 675,11 milhões de dólares no mesmo ano, gerando um déficit da balança comercial da cadeia do setor de pescado de 480,4 milhões de dólares, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, informou o estudo.