Coordenadora de programa da União Europeia no Brasil aponta gargalos para reúso da água

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

Identificar novas tecnologias de reúso de água e avaliar o potencial de aplicação destes recursos pelas empresas brasileiras. Estes foram alguns dos temas debatidos durante o painel “Perspectivas e Desafios de Reúso”, realizado nesta terça-feira (19/03), durante o Seminário Internacional sobre Reúso de Água da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) .

O painel contou com a participação da professora e pesquisadora Monica Porto, coordenadora do Projeto Coroado para o Brasil, iniciativa da União Europeia que tem o objetivo de identificar tecnologias de reúso de água e avaliar o potencial de aplicação no contexto da América Latina.

Professora e pesquisadora Monica Porto, coordenadora do Projeto Coroado para o Brasil. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Segundo Monica Porto, a falta de informação sobre os processos que permeiam o reúso de água e a ausência de uma legislação específica que oriente as empresas como elaborar um projeto, são dois grandes empecilhos para o avanço desta área no país: “Os gargalos não estão na área tecnológica, mas de viabilidade econômica e financeira, capacitação técnica do usuário e da base legal institucional”.

No entendimento da professora, muitos usuários não encaram com bons olhos o reúso de água em alguns setores produtivos. É o caso da agricultura.

“A rejeição é um problema de informação. Precisamos fazer uma pesquisa para trabalhar a atração do usuário por esta área e disseminar estas ações”, afirmou a docente que pediu o apoio da indústria neste processo. “O diálogo com a indústria é essencial porque ela será o grande usuário do reúso nesta região”, enfatizou a coordenadora do Projeto Coroado para o Brasil.

Anicia Pio, do DMA: 'É totalmente impensável que uma empresa do setor alimentício, de bebidas ou remédios use água de baixa qualidade'. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Opinião compartilhada pela mediadora e gerente do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp, Anicia Pio.

“Boa parte de nossa sociedade acredita que a indústria não precisa de água potável de boa qualidade. O que não é verdade. É totalmente impensável que uma empresa do setor alimentício, de bebidas ou remédios use água de baixa qualidade. Muitas vezes o setor precisa de uma água com uma qualidade acima da potável para fabricação dos produtos”, afirmou.

Além disso, a gerente da Fiesp  ressaltou os avanços realizados pelo setor produtivo na área de reúso de água, iniciativas reconhecidas pelas entidades da indústria paulista por meio do Prêmio de Reúso de Água. “A indústria tem uma responsabilidade muito maior que as pessoas imaginam. Se a empresa utiliza uma água de baixa qualidade, ela compromete a sua imagem, e isso pode ser a sua morte”, ponderou.

Desenvolvimento sustentável

Durante a sua apresentação, a representante da aliança estratégicas da Fundação Femsa, Emma Alanis, mostrou os projetos desenvolvidos pela empresa com a população carente do Caribe dos países latinos americanos. Entre os projetos, Alanis destacou o uso de banhos secos e oficinas de capacitação de moradores da América Latina para o uso da água da chuva. De acordo com a representante da Fundação Femsa, a instituição promove a criação e fundos de água para apoiar os moradores de Costa Rica. A expectativa é de que sejam criados 32 fundos de águas que beneficiarão cerca de 50 milhões de latino-americanos.

“Se somos eficientes com o reúso de água, fica claro que podemos reduzir os custos nos processos produtivos e também contribuir com a construção de uma nova reputação para nossa empresa”, afirmou.