Especialistas defendem competitividade e fiscalização nas áreas de bovinos, suínos e aves

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Da esq. p/ dir.: Benedito da Silva Ferreira, diretor-titular do Deagro/Fiesp e vice-presidente do Cosag; Francisco Turra, presidente da Ubabef; João de Almeida Sampaio Filho, presidente do Cosag; Duarte Nogueira, deputado federal; e Antonio Jorge Camardelli, presidente da Abiec




No setor brasileiro de carnes de aves, o mercado interno representa 70% da produção, os outros 30% correspondem ao total do produto exportado para 154 países. O consumo de frango per capita no Brasil cresceu 10% em 2011 (47 kg/hab.), e para que o crescimento seja mantido é necessário agregar valor ao produto, segundo Francisco Turra, presidente da Associação Brasileira de Avicultura (Ubabef).

As “Perspectivas do Setor de Carnes, Mercado Interno, Exportações, e Situação Sanitária” foi o tema discutido na reunião do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp, que contou com a participação de deputados federais, especialistas, empresários e conselheiros da federação nesta segunda-feira (2), na sede da entidade.

“O Brasil nunca registrou um único caso de gripe aviária, ao contrário de países asiáticos, europeus e africanos”, afirmou Turra. Além desta vantagem competitiva, a sustentabilidade aferida ante as outras nações reforça esta constatação. “Emitimos metade de CO² na produção de frango, comparado à França e ao Reino Unido”, completou o presidente da Ubabef.

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Francisco Turra, presidente da Ubabef

Barreiras tarifárias 

Segundo ele, a carne suína é a mais consumida no mundo, embora no Brasil o consumo ainda seja baixo. Mesmo assim, a maior parte da produção (84,8%) é absorvida pelo mercado interno brasileiro: 14,9 quilos por habitante, conforme dados de 2011. O restante da carne de porco brasileira produzida tem como principais destinos a China e a Rússia.Apesar do cenário favorável, ainda há barreiras tarifárias, como a taxa antidumping imposta pela África do Sul, também produtora de aves. “As empresas brasileiras gastam muito com advogados para comprovar a conformidade das exportações, e o governo deve agir com firmeza para não retrocedermos”, alertou Francisco Turra.

Ações conscientes 

A sustentabilidade na cadeia suinícola, que não registra nenhum caso de febre aftosa desde 2006, também é notável. De acordo com o presidente da Ubabef, os produtores integrados são autossuficientes em energia elétrica, adotam medidas de redução de CO², entre outras ações conscientes.

No entanto, Turra alertou para o tema da competitividade como um todo. “É uma questão que se complica a cada dia mais. O consumidor mundial não compra por causa da bandeira verde e amarela, e sim se o preço for bom e se houver conformidade sanitária”, pontuou, ressaltando que o mundo demanda desesperadamente por comida. “A renda dos países em desenvolvimento tem aumentado, e a vocação brasileira é produzir estes alimentos.”

Antonio Jorge Camardelli, presidente da Abiec

Antonio Jorge Camardelli, presidente da Abiec

Setor bovino 

Os principais mercados da carne brasileira são China, Rússia e União Europeia. E os mercados em atualização estão no México, Estados Unidos, Japão, Indonésia, Coreia do Sul e Taiwan. Camardelli apresentou como estratégias a necessidade de reorientação da defesa sanitária, o fortalecimento da relação município/estado, adido agrícola, negociações internacionais e o avanço nas modificações do sistema de inspeção.No mercado de carne bovina, câmbio, mercado e matéria-prima formam os três pilares do processo de remodelação dos negócios no setor, segundo Antonio Jorge Camardelli, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Carnes (Abiec). “Precisamos nos adequar ao novo ambiente de negócio, e para isso é necessária uma nova legislação”, afirmou.

“Existe uma grande dificuldade em relação ao que falam do que é clandestino ou não, e não fiscalizado”, analisou o presidente da Abiec, ao dizer que todo frigorífico municipal, estatal ou federal tem o responsável técnico inscrito no conselho de veterinária.

“Estamos realizando um trabalho que pela primeira vez fará leitura de quanto representa o não fiscalizado estadual, municipal ou federal, e esse trabalho está sendo conduzido por um grupo que envolve a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o ministério da Agricultura e empresas da Abiec, e seria importante que isso fosse consolidado de alguma maneira aqui”, sinalizou Camardelli.

Em seu entendimento, é oportuno que a Fiesp, por meio do Cosag e junto com outras entidades, “sugira uma Lei federal que obrigue a colocar dados estatísticos de volumes de abate, ou seja, tudo o que os outros países fazem sem que haja ‘caixa preta’, que favorece diagnósticos particulares”, considerou.